Luis Soares
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Saúde 28/Aug/2013 às 22:04
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Como foi a primeira passagem dos cubanos no Brasil em 1999?

“Houve uma integração e identificação enorme com a população. Eles estavam sempre presentes”. Testemunha revela detalhes da passagem dos médicos cubanos no Brasil nos anos 90

Kiko Nogueira, diário do centro do mundo

Neilton Araújo de Oliveira foi secretário de saúde de Palmas, capital do Tocantins, entre 1997 e 2000. Especialista em saúde pública, ele é professor da Universidade Federal, onde coordenou a criação do curso de medicina. Na secretaria, Neilton trabalhou diretamente com profissionais cubanos. Pouco mais de uma centena deles foi trabalhar no estado, graças a um convênio com o governo de Cuba. Atual diretor adjunto da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Neilton contou ao Diário como foi a passagem dos cubanos.

médicos cubanosA avaliação de todos os secretários dos municípios, não só a minha, é de que se tratou de algo muito positivo. Houve uma integração e uma identificação enormes com a população. O grosso do atendimento, em cidades do interior do país, é a atenção básica. Os cubanos eram profissionais dedicados e competentes e que faziam com que as pessoas se sentissem seguras e bem atendidas.

Havia, no começo, dificuldades com a língua, mas isso foi superado rapidamente. Pode acontecer com qualquer médico do Brasil. Eu mesmo, depois de me formar em Goiânia e ir para o norte, tive de aprender a me referir às gestantes como “buchadas”. A barreira da linguagem é fácil de ser quebrada se você investe na integração com a comunidade.

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A população gostava deles porque estavam presentes no dia a dia. Isso faz toda a diferença. São cidades totalmente abandonadas, que se transformam com médicos que passam a acompanhar os habitantes, vendo as crianças, cuidando dos doentes, estando presentes.

Isso faz muita falta no Brasil. Uma pesquisa que realizei para meu doutorado pelo Instituto Oswaldo Cruz revelava que só 5% dos formandos no Brasil desejam trabalhar em cidades pequenas do interior, onde a carência é bem maior. 60% deles querem ser especialistas.

Se o Mais Médicos cometeu um erro, foi envolver pouco as entidades do setor na formulação do programa. Isso acirrou o corporativismo da classe — que já é grande. As agressões, porém, não ajudam o debate. Isso não constrói nada.

O Mais Médicos propõe que os cubanos sejam acompanhados por tutores, o que é importante. O argumento de que o programa seja eleitoreiro é uma bobagem. Tudo o que qualquer governo faz pode ser interpretado desta forma. O que vale é se funciona.

As acusações de má formação dos cubanos são levianas. No Tocantins, não houve nenhum caso que permita afirmar isso. No Brasil, também temos bons cursos e outros muito ruins, privados ou públicos. A formação profissional nunca dependeu só disso.

Cidades pequenas não precisam de grandes instalações hospitalares. Não é necessário um hospital de transplante em cada lugar. A população pobre precisa de um médico por perto.

O Mais Médicos é uma oportunidade de ouro para discutir a saúde no país. Questões complexas exigem soluções complexas. Pena que esse tipo de debate seja contaminado pelas mesmas pessoas que falam em invasão comunista e outros absurdos.

Eles formam uma força de trabalho fundamental. O Mais Médicos está ocupando um espaço vazio. Na política, não existe vácuo. A formação desses estrangeiros — e não só dos que vêm de Cuba, mas os espanhois, portugueses etc — vai no sentido de integrar e trabalhar perto de quem necessita. No Tocantins, eles ajudaram em algo fundamental: evitar que problemas simples se tornassem problemas graves.

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Comentários

  1. M.F. Postado em 28/Aug/2013 às 22:39

    Texto muito bem escrito e argumentado. É um absurdo todos os comentários que estão sendo feitos. Só porque a maior parte dos médicos não quer ocupar regiões menos abastecidas de recursos, não querem que outros, os quais não podem ser chamados de escravos porque consentiram com o programa e com a vinda para o Brasil, ocupem. É uma pena todos os absurdos que estão sendo falados, o que apenas mostra como o povo também é culpado por muitas das situações que passamos no país, e não apenas os políticos.

  2. JS Postado em 29/Aug/2013 às 03:39

    A vinda de médicos cubanos para trabalhar no Tocantins em 1999 foi um sucesso! Por isso que nesse estado todos os problemas com a saúde foram solucionados.

    • Zezin Postado em 08/Sep/2013 às 16:57

      Talvez estivesse melhor se os médicos não tivessem sido expulsos pelo Conselho Federal de Medicina...

  3. RRR Postado em 29/Aug/2013 às 08:58

    "No Tocantins, eles ajudaram em algo fundamental: evitar que problemas simples se tornassem problemas graves." Sempre lembro da Teoria da Janela Quebrada.

  4. Hellen Postado em 29/Aug/2013 às 10:35

    JS, mas eles foram embora e não teve brasileiros que vieram substituí-los. Agora olha o HGP de Palmas que é um hospital público de responsabilidade estadual. Imagine no interior.

  5. Mauricio Postado em 29/Aug/2013 às 12:16

    JS, não foram solucionados todos os problemas com saúde no Tocantins, mas pelo menos cidades como Pium e Pugmil, que tem menos de 5000 habitantes tinham um médico para atendê-las. Essa realidade é bem diferente do restante do Brasil, onde cidades com mais de 50 mil habitantes simplesmente não tem médicos.

  6. Fabiano Postado em 29/Aug/2013 às 14:43

    Mais uma tentativa do desgoverno de distrair e manipular a opinião pública. O problema disso tudo não é o que está sendo veiculado pela mídia maldita, corrupta, comprada. O buraco é mais em baixo. Pesquisem sobre o "Foro de São Paulo" e seus objetivos. Pesquisem sobre o que aconteceu na Venezuela antes, durante e depois da "contratação de médicos cubanos" para lavagem cerebral, digo, atuação no interior do país. Pesquisem sobre o PNDH (Plano nacional de direitos humanos). Pesquisem sobre a "Poupança Fraterna". Pesquisem sobre o "plano de governo do PT". Estão transformando este país em uma ditadura comunista e quase ninguém vê. O que são vaias aos falsos médicos perante o que o desgoverno está tramando contra o país? A corja trama a cancerização do país pelos guerrilheiros cubanos (chamados de médicos para iludir a população alienada e manipulada). Fato semelhante ocorreu na Venezuela para preparar terreno para a implantação do socialismo. Os chamados médicos servirão de dissociadores dos ideais comunistas no interior do país, perante a população humilde e sem instrução. A população interiorana será doutrinada sistematicamente por esses "guerrilheiros" travestidos de médicos. Por que eles não vão revalidar os diplomas, como é feito em qualquer lugar do mundo? Porque eles não têm diploma. O PT pretende implantar o socialismo e depois o comunismo em toda a América Latina (vide Foro de São Paulo). A imprensa comprada (desgoverno) está manipulando a opinião pública para aceitar guerrilheiros comunistas que espalharão o câncer no país. E ainda estão distraindo a opinião dos mais inocentes com fatos insignificantes (perante o está por trás de tudo isso) como as vaias aos guerrilheiros cubanos, atos de discriminação racial (a respeito dos quais também sou contra), à escravização dos guerrilheiros pelo fato de eles receberem 20% do salário devido e ainda a chamada "ganância" dos nosso médicos ao rejeitarem veementemente a concorrência. Os hospitais não tem infra-estrutura e este é o motivo de os nossos médicos não se disponibilizarem para o trabalho nestes locais. Milhares de médicos são formados todos sos anos no Brasil. Antes de criticarem o que escrevi, procurem ler a respeito do que citei no início do texto. Contra fatos não há argumentos. Deixemos de ser ovelhas inocentes, pensando apenas o que nos mandam pensar. Sou apartidário, sou a favor da completa lisura e absolutamente contra a corrupção de qualquer partido.

  7. Felipe Postado em 30/Aug/2013 às 11:29

    Como terminou o projeto ?, quer dizer, depois que os médicos cubanos foram embora ?, quais foram as medidas tomadas ?, o Tocantis vai receber de novo os médicos ?