Luis Soares
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EUA 23/Aug/2013 às 15:43
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Cinco teses sobre Snowden, Assange e Manning

O que revelaram Manning e Snowden é a agonia do império dos Estados Unidos. O que revelaram Assange e outros é a agonia do sistema estatal como o conhecemos

Por Johan Galtung*

Tese um

O assunto de divulgar informação reservada não se trata de revelar segredos, mas sim de não violência e da luta da desobediência civil contra os grandes males sociais.

Revelar informação secreta pressupõe que se possa alertar alguém, que de fato quer ser alertado, e que está em posição de fazer algo a respeito.

Obviamente, os que podem fazer algo a respeito da política externa dos Estados Unidos, os que têm o poder – o Legislativo: congresso e em especial o Senado; o Executivo: Departamento de Estado, Pentágono e Casa Branca; o Judiciário: Suprema Corte; o econômico: bancos gigantes; a cultura: os grandes meios de comunicação – sabem perfeitamente bem que isso acontece.

São todos esforços para conservar o poder imperial econômico, militar, político e cultural.

Entretanto, não querem mudanças. E os que querem – uma grande parte da população norte-americana, da dos países aliados e a maioria do resto do mundo – foram alertados, mas em grande medida são impotentes. Ao menos isso é o que acreditam. Sobre este ponto, veja a tese cinco.

Tese dois

A questão básica não é o interesse político-midiático sobre Julian Assange, Bradley Manning e Edward Snowden, mas sobre a informação que divulgaram.

assange manning snowden eua

Julian Assange (esq), Edward Snowden e Bradley Manning (dir)

Manning divulgou um vídeo sobre o ataque de um helicóptero contra várias pessoas, a maioria não combatentes e desarmadas, no Iraque, entre os quais havia dois jornalistas da agência de notícias Reuters.

O resultado: o parlamento iraquiano rechaçou a proposta do governo de George W. Bush (2001-2009) de manter uma base militar nesse país. Os Estados Unidos se retiraram do Iraque em 31 de dezembro de 2011.

Manning também revelou a magnitude total da corrupção do ditador da Tunísia, Zine el-Abidine Ben Ali, o que avivou a revolta juvenil.

Também revelou que o ditador do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, aceitou os ataques com aviões não tripulados dos Estados Unidos em seu país, o que levou à sua a saída do poder.

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Manning revelou que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ordenou a diplomatas da Organização das Nações Unidas (ONU) que espionassem seus colegas no fórum mundial em busca de informação detalhada sobre os líderes da ONU, com contrassenhas e chaves criptografadas.

Manning revelou que o atual secretário de Estado, John Kerry, pressionou Israel para que se mostrasse aberto a devolver as Colinas de Golã à Síria como parte das negociações de paz.

Manning revelou que a corrupção do governo afegão era “esmagadora”.

Manning revelou a natureza autoritária e corrupta do regime de Hosni Mubarak (1981-2011) no Egito.

Manning revelou que o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, estava contra atacar as instalações nucleares do Irã porque seria contraproducente.

Manning revelou a política israelense de “manter a economia de Gaza funcionando em sua mínima expressão possível enquanto se evitasse uma crise humanitária”.

Manning revelou que o presidente da Síria, Bashar al-Assad, e sua mulher compraram joias e levavam um estilo de vida luxuoso na Europa, enquanto sua artilharia matava em Homs.

Tomemos o exemplo de Snowden: suas revelações, de que os Estados Unidos espionavam tanto seus aliados quanto o Afeganistão, colocaram em risco os planos de Washington de criar dois grandes blocos comerciais, um transatlântico e outro transpacífico, para excluir o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Assim sendo, então esta é a história do mundo, com os Estados Unidos ganhando tempo.

Tese três

A diplomacia em geral, não só a dos Estados Unidos, ficou a descoberto

Quando Assange publicou as primeiras informações no WikiLeaks escreveu: “O imperador está nu. Mas não só o imperador norte-americano, como também a imperatriz diplomacia”.

“Que tipo de discurso ridículo é este, tão concentrado no negativo, nos atores, em geral pessoas da elite em países de elite? Mexericos, caracterizações pueris, o tipo de ‘análise’ de poder típico da imaturidade. Onde está a análise da cultura e da estrutura, que é anos luz mais importante do que os atores que vem e vão?”, questionou.

“Onde estão as ideias positivas? Onde estão as ideias sobre como transformar os desafios da mudança climática em cooperação para um benefício mútuo e equitativo como os projetos para destilar água na fronteira de Israel com Líbano e Palestina, alimentados por espelhos parabólicos, e a positiva cooperação entre Estados Unidos e Irã sobre energias alternativas?”, ressaltou.

“A democracia morre a portas fechadas e o WikiLeaks as abre; um enorme serviço à democracia”, afirmou.

O que revelaram Manning e Snowden é a agonia do império dos Estados Unidos. O que revelaram Assange e outros é a agonia do sistema estatal como o conhecemos. Ambos processos levarão tempo, o anterior mais do que este último. Mas, sem errar: estas três pessoas fizeram história.

Três nomes que serão lembrados quando alguns presidentes dos Estados Unidos passarem a um merecido esquecimento. Quem recorda as maiores autoridades inglesas na Índia, como os vice-reis e seus crimes, reis dos vícios? Gandhi mantém vigência.

Quem conhece os nomes dos ingleses que trataram de manter as colônias no litoral do Oceano Atlântico? George Washington, Thomas Jefferson e Benjamin Franklin ofuscaram a todos.

Talvez, inclusive, contribuam para a redução dos exércitos e, se os Estados Unidos mudarem, para o entendimento entre as nações. Um prêmio Nobel da Paz compartilhado pelos três. Não muito provável, porque a Noruega é cliente dos Estados Unidos.

Tese quatro

Os aliados dos Estados Unidos obedecem por medo, não por estarem de acordo. Concretamente: obedecem para evitar que um dia a Força Aérea dos Estados Unidos aterrisse nas muitas bases que estão à sua disposição, “pois o governo é incapaz de proteger sua própria população”.

Vêm os Estados Unidos, não os russos nem os muçulmanos. Quanto mais factível se torna, mais os Estados Unidos deslizam para sua predisposição ao totalitarismo bem aceito. O próximo passo, provavelmente acampamentos da Fema (Agência Federal para o Manejo de Emergências) para suspeitos – por categorias, metadados – como os japoneses durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Tese cinco

Todo o mundo, em especial a mídia, pode acelerar o processo. As maçãs podres devem cair da árvore; uma sacudida ajudaria.

Os meios de comunicação mais importantes, como The Guardian e The Washington Post à frente, merecem nossos cumprimentos. Depois, deixemos que milhões de pessoas cerquem os ministérios das Relações Exteriores e as embaixadas pedindo o fim da espionagem, que afastem seus servidores dos grandes traidores nos Estados Unidos, suspendam a cooperação futura, turvem as relações diplomáticas até que ocorra uma “desespionagem”, semelhante ao desarmamento.

* Johan Galtung, professor de estudos sobre a paz, é reitor da Transcend Peace University (TPU). Também é autor de 150 livros sobre paz e assuntos afins, entre eles 50 Years -100 Peace and Conflict Perspectives (50 Anos -100 Perspectivas Sobre Paz e Conflitos) – Envolverde

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Comentários

  1. renato Postado em 23/Aug/2013 às 18:03

    Tese Cinco, a mídia quer derrubar o Lula. O o carinha esta agarrado com seus 8 braços. E de tanto fazer força, ela está com a hemorroida de fora.

  2. Maria Motta Postado em 24/Aug/2013 às 10:45

    A Noruega não tem nada com isso, o prêmio Nobel é sueco. O que acaba não fazendo tanta diferença assim, pois é a Suécia que tentar conseguir a extradição de Assange para, com certeza, enviá-lo aos EEUU.

  3. transfobia não Postado em 24/Aug/2013 às 23:57

    Se respeitam Manning de verdade, usem pronomes femininos e o nome Chelsea Manning e não Bradley Manning.

  4. fernanda Postado em 25/Aug/2013 às 00:20

    Quem vai sacudir a árvore no Brasil é a Dilma, quando vencer as eleições do ano que vem. Vai ter muito tucano avuando e perdendo as penas depois de em vão tentar um voo mais alto, e serão atropelados na linha pelo metrô da desgraça do propinoduto. TUCANOS AVES EM TEMPO DE EXTINÇÃO ( reprodução, nem em cativeiro kkkk)

  5. leonardo brito Postado em 25/Aug/2013 às 22:19

    Estes três jovens tinham tudo para uma vida muito confortável. Preferiram denunciar as atrocidades e a desfaçatez do governo Obama. Um governo fora da lei. Não respeita nenhum cidadão do planeta, sob a falsa espionagem parra se proteger de terroristas. Parabéns a estes três jovens. Pena que não podemos fazer nada para ajudá-los.

  6. Rogério Postado em 26/Aug/2013 às 10:19

    Manning é gay. Greenwald é gay. Snowden e Assange desconfio que tambem são. O que isso significa? Nada, eu acho. Só talvez que esses caras tiveram muito mais coragem que muito machão por aí. Sei lá, tô só divagando, desculpem.

  7. Shuma Postado em 29/Aug/2013 às 20:22

    srx Manning tacou o foda-se em tudo e chutou o balde dos EUA.