Luis Soares
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EUA 09/Aug/2013 às 09:45
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A miséria revelada pela greve dos trabalhadores de redes fast-food

Greve de trabalhadores nas redes de fast-food expõe a face da miséria nos EUA

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Trabalhadores protestam contra “salário de miséria de US$ 7,25 a hora” (Foto: AFP)

Centenas de trabalhadores de redes de fast-food (McDonald’s, King’s Burger etc) de sete cidades dos Estados Unidos entraram no segundo dia da greve iniciada nesta e pretendem manter a paralisação durante toda esta semana. Eles protestam nos EUA contra o que chamam de “salário de miséria de US$ 7,25 a hora”. De acordo com reportagem da revista Forbes, muitas das lojas dessas empresas estão fechadas ou funcionam com capacidade reduzida. As cidades norte-americanas em que ocorre a greve são Nova York, Chicago, St. Louis, Detroit, Milwaukee, Kansas City e Flint.

As empresas de fast-food norte-americanas costumam pagar aos seus atendentes e cozinheiros no país o salário mínimo de US$ 7,25 por hora (cerca de R$ 16). Segundo os trabalhadores, isso não é suficiente para garantir a sobrevivência familiar. Além do baixo salário, eles também reclamam da ausência de benefícios, das precárias condições de trabalho e da grande pressão em que têm que trabalhar.

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O movimento paredista atinge as lanchonetes McDonald’s, Burger King, Wendy’s, KFC e Domino’s Pizza.

Miséria

Nos EUA, em 2013, há mais de 23 milhões de desempregados ou severamente subempregados. Mais de 146 milhões – 48% da população – vive com renda menor do que a mínima necessária para sobreviver ou já mergulhou na indigência, recorde nacional. Os salários reais foram incansavelmente empurrados para baixo, ao longo dos últimos 30 anos. Se corrigido pela inflação, o salário mínimo hoje é 45% menor do que era em 1968.

Segundo o relatório divulgado pela agência inglesa de notícias Reuters, baseado em dados recentes do Censo, em 2011 havia 200 mil famílias de “pobres trabalhadores” a mais do que em 2010. Cerca de 10,4 milhões dessas famílias – ou 47,5 milhões de norte-americanos – agora vivem na linha da pobreza, definida nos EUA como sendo uma renda inferior a US$ 22.811 por ano, para uma família de quatro pessoas.

Na realidade, quase um terço das famílias trabalhadoras dos Estados Unidos atualmente enfrenta dificuldades, segundo a análise. Em 2007, quando a recessão nos EUA começou, eram 28%.

“Embora muita gente esteja voltando a trabalhar, elas estão muitas vezes assumindo vagas com salários menores e menos segurança no emprego, em comparação aos empregos de classe média que tinham antes da crise econômica”, disse o estudo. As conclusões ocorrem quase três anos depois de o país ter oficialmente deixado a recessão, no segundo semestre de 2009.

Contração

Brandon Roberts, coautor da pesquisa, nota que os resultados são surpreendentes pois, no ano passado, funcionários do Censo disseram que a taxa de pobreza no país se estabilizara. Vários outros dados recentes, no entanto, demonstram ao longo do tempo que há uma contração da classe média, apesar da recuperação econômica gradual dos últimos anos e um aumento vertiginoso na concentração de renda. Os dados mostram que os 20% mais ricos dos EUA receberam 48% de toda a renda nacional, enquanto os 20% mais pobres ficaram com apenas 5%. Este fenômeno pode ser observado nos Estados do Sul, como Geórgia e Carolina do Sul, e do Oeste, como Arizona e Nevada, onde há o maior crescimento no número de famílias trabalhadoras pobres.

O efeito da pobreza sobre o crescente número de crianças que vive nessas famílias – um aumento de quase 2,5 milhões de menores em cinco anos – também coloca em xeque o modelo econômico do país. Em 2011, cerca de 23,5 milhões (ou 37%) das crianças dos EUA viviam em famílias trabalhadoras pobres, contra 21 milhões (33%) em 2007, segundo o relatório. Parte do problema é que mais pais estão trabalhando no setor de serviços, o que resulta em longas jornadas noturnas, com as decorrentes dificuldades para cuidar dos filhos, além de salários baixos e um involuntário status de trabalhador de meio período, segundo a análise.

Correio do Brasil com agências internacionais

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Comentários

  1. Thales Postado em 09/Aug/2013 às 10:06

    Manchete: EUA em regime!!

  2. Vander Postado em 09/Aug/2013 às 11:30

    R$16 x 8 x 30 = R$ 3.840. Se receber quase R$ 4000 por mês pra servir hamburguer é sinonimo de miseria o que dizer do salario minimo no Brasil a R$ 678?

  3. Tulio Postado em 09/Aug/2013 às 12:23

    Talvez la o custo de vida seja mais alto e alguma diferença de cambio, mas aki ta dificil tbem pra kem ganha minimo.

  4. Vander Postado em 09/Aug/2013 às 12:49

    Tulio, moro no Canada e posso te afirmar que o custo de vida é praticamente o mesmo, se por um lado paga-se mais na prestação de serviços o preço dos produtos (alimentação inclusive) é mais baixo.

  5. Cauê Ribeiro Postado em 09/Aug/2013 às 13:09

    Aqui no Brasil esses fast foods pagam muito menos, se ta ruim pra eles quem dirá pra nós com essa tonelada de impostos.

  6. Paulo Postado em 09/Aug/2013 às 13:56

    Ganham bem mais do que eu como dentista concursado de prefeitura no interior da Bahia....

  7. Antonio Postado em 09/Aug/2013 às 19:45

    Vander, essa comparação, falando em R$ 4mil é uma idiotice!! A vida lá, como tu deve saber, é vivida em dólares então não fala bobagem!! E da onde tu tirou os 30 dias? Tu não tem folga aí no Canadá? Impostos deve ter né??

  8. Fernando Fidelis Vasconcelos Postado em 10/Aug/2013 às 00:12

    Quero ver esses miseráveis da humanidade cada vez mais pobres. A miséria que eles obrigaram o resto do mundo vai se virar para eles. Lei da ação e reação.

  9. Daniel Coimbra Postado em 10/Aug/2013 às 10:31

    Como assim 16$/hora é uma miséria? Uma pessoa que trabalha 8 horas por dia ganha mais de 2.500$ por mês com este valor! Isso é mais de três vezes o salário mínimo aqui do Brasil, fora que lá grande parte dos produtos são mais baratos! Porra PP, para de postar merda.

  10. Gabriel Camurça Postado em 10/Aug/2013 às 15:44

    Pessoal, devemos lembrar que não dá pra comparar o mínimo do Brasil com os EUA... cada país tem seu custo de vida, e morar nos EUA com esse mínimo é pedir pra passar dificuldades lá. (Apesar que esse mínimo aqui no Brasil salvaria nossa classe Baixa.)

  11. Capixaba da Gema Postado em 10/Aug/2013 às 16:36

    Pra vcs então o certo eh rebaixar o salário deles? Aqui também deveria ser o mesmo que o de lá! Nós eh que estamos muito abaixo do esperado para um país que se diz em desenvolvimento. Temos que apoiar sempre um movimento contra . Temos que obtem lucros exorbitantes em prol de um trabalho de pressão, bater metas e criando riqueza as custas do trabalhador. #afavordotrabalhadorsempre#

  12. Rafael Postado em 28/Aug/2013 às 09:59

    ah sim, vander. eles, pelos seus cálculos têm que trabalhar todos os dias, né? ok. fora isso, só podem estar reclamando de barriga cheia. não é só pela grana, as condições são péssimas, poucos benefícios, quando existem e a pressão. devem estar reclamando de barriga cheia mesmo.

  13. RODRIGO GONÇALVES DE SOUZA Postado em 28/Aug/2013 às 10:38

    Daniel, não dê vexame. A paridade da moeda e custo de vida geral tem que ser levada em conta. Você acha que eles seriam politicamente tão burros em eles mesmos, suas agências oficiais, delinearem o que seria a "linha da pobreza" de forma que acarretasse mais pressão e imagem negativa dos governos e empresas, numa linha que não significasse privação? Sem contar que são contratos totalmente diferentes da CLT. Não se multiplica por "30", apenas pelos dias efetivamente trabalhados. E se dizem "classe esclarecida"...

  14. Tales Postado em 28/Aug/2013 às 16:24

    PP, acabei de votlar dos EUA, semana passada para ser exato. E o tempo que fiquei ali foi praticamente todo na casa das pessoas mais pobres de lá. Fiquei hospedado em uma casa em que os dois donos trabalhavam em rede de fast food e ganhavam pouco mais (1 dollar) que o salário mínimo. Eles mesmos diziam que o bairro era o mais pobre da cidade. A questão é que apesar de ser em dollar, o custo de vida deles é praticamente o mesmo preço do Brasil, e inclusive a comida é mais barata. E mesmo com toda a crise, (que é devastadora para eles) eles tem um padrão de vida melhor que o nosso. Esses "Pobres" que são citado no texto tem um padrão equivalente à uma classe média quase alta aqui no Brasil, eu vi e VIVI isso lá. O ponto é que eles são muito exagerados, sempre foram acostumados na punjança, agora que tem menos (mas mesmo assim tem muito) eles reclamam muito. Eles não tem referencias sólidas quando dizem de pobreza, relativize isso ao escrever seus textos!