Luis Soares
Colunista
Compartilhar
Educação 16/Jul/2013 às 21:48
16
Comentários

Melhores da Fuvest são convidados para tentar curso "secreto" da USP

Todo ano, melhores da Fuvest recebem convite para tentar curso “secreto” da USP

Luan Granzotto, 24, pensou que o vestibular da USP já tivesse acabado. Enfrentou a via-crúcis de provas no fim de 2012 e passou em 12º lugar no curso de letras, com 849 vagas.

Mas em maio, enquanto estudava literatura clássica para uma prova, recebeu uma carta da faculdade. “Abri. Era um convite para conhecer o curso de ciências moleculares.”

ciências moleculares usp

“Graduação secreta” da USP é exclusiva para convidados (Foto: Reprodução)

Ele havia sido convocado a tentar entrar na “graduação secreta” da USP. Secreta porque, apesar de existir há 23 anos, a formação de ciências moleculares não aparece no manual de vestibulandos da Fuvest.

“Selecionamos quem já foi aprovado, e bem”, diz Antonio Martins Figueiredo, que coordena o curso –um misto de biologia, química, física e matemática.

O curso não é subordinado a nenhuma faculdade do campus. As aulas acontecem na “Colmeia”, apelido das salas vizinhos ao restaurante da USP.

A cada ano, cerca de cem pessoas se candidatam a entrar no que alunos chamam de “a elite da universidade”. Há 25 vagas abertas –nem sempre todas são preenchidas.

O segundo vestibular para quem já enfrentou o vestibular acabou de acontecer. A primeira fase, de perguntas discursivas, restringiu-se às quatro matérias que formam a grade, mais inglês. E é “impossível de difícil”, segundo André Humberto, 22, que passou em psicologia e fez a prova há quatro anos (não passou).

Leia também

A segunda fase –uma mesa-redonda com os concorrentes– é na primeira semana de julho. Certa vez, um professor levou pepino, batata, clipe de metal, moeda de cobre e lâmpada. “Com isso, é possível fazer uma bateria e acender a luz.” Os alunos que se virassem com o experimento.

A deste ano foi na semana retrasada. O resultado é divulgado sem notas –o candidato apenas fica sabendo se entrou ou não. Os aprovados se autodenominam “os moleculentos”.

“São poucos alunos, convivendo o dia inteiro. Tirando que tem um mínimo divisor comum, são pessoas extraordinárias”, diz uma aluna do quarto ano.

PEDE PRA SAIR

Se poucos entram, menos ainda duram até o final do curso. O biólogo Fernando Rossine, 26, ingressou em 2005. Sua turma começou com 15 pessoas. Antes do segundo semestre, eram dez. No dia de formatura, sete.

A um semestre de pegar o diploma, o próprio Fernando decidiu retornar para a biologia, por “uma questão de insatisfação pessoal”.

Um dos imbróglios era a rigidez da grade curricular. Quando Fernando se recusou a fazer uma matéria, teve de se submeter a um “tribunal” de professores. Acabou absolvido –permitiram que ele terminasse o curso.

Em casos extremos, permite-se que o estudante tranque a matéria. “Mas são exceções”, diz o coordenador da carreira, Figueiredo. Um exemplo recorrente: depressão profunda.

As aulas são pesadas e muitas. Na sexta-feira, as classes têm o dia livre. “Para pode estudar”, diz Figueiredo.

Agregou-se à carga draconiana um desafio físico: a sala oficial está em reforma, então cada matéria é dada num prédio da USP. “Andamos uns 40 minutos entre uma aula de biologia e outra de matemática”, diz uma aluna. “Assim também vamos ficar os mais magros, além de os mais inteligentes.”

Luan, o aluno de letras convidado, não foi à prova deste ano. “Conversei com conhecidos que fizeram. Não é muito a minha. Mas que foi bacana ter sido convidado, ah, isso foi.”

Folhapress

Recomendados para você

Comentários

  1. fernanda Postado em 16/Jul/2013 às 21:55

    Isso ta com jeito sinistro.... oras curso secreto.... acho esta coisa de exacerbar o intelecto uma pobreza, sim, porque uma pessoa sacrifica toda a sua vida pra virar um robô que armazena conhecimentos e isso tem algum objetivo suponho, ah, eu acho que é mesmo uma coisa de gente maluca , isso sim.

  2. Thiago Teixeira Postado em 16/Jul/2013 às 22:04

    USP = PSDB = ELITE BRANCA = FACULDADE DE PLAYBOY.

  3. Müller Postado em 16/Jul/2013 às 22:23

    Que mania estúpida que algumas pessoas têm de querer elitizar tudo. Criam um grupinho com ares de seita, pegam uns inteligentes e super estimulam a um ritmo neurótico achando que isso vai fazer com que saiam prêmios-nobel daí. Pode até ser que tenham excelentes estudantes, mas jamais irá conter a melhor potencialidade da universidade, isso é muito difícil de mensurar. Ainda mais com uma escolha sem critério ou no mínimo obscura e questionável então...acho meio inútil isso, a ideia geral em si é interessante, mas a forma como fizeram é totalmente dispensável...basta perguntar para os prêmios-nobel se o modo como eles alcançaram seus resultados foi tão neurótico assim...pode até ter sido um ritmo pesado, mas duvido muito que tão doentio a ponto relegar tanto assim a própria saúde.

  4. Alex Postado em 16/Jul/2013 às 22:24

    Já ouviram falar em EUGENIA? No fim do séc. 19 acreditava-se nas esferas elevadas da sociedade européia ser possível preparar a nova super-raça de seres humanos, geneticamente selecionados - como por exemplo, pela inteligência - para que convivessem e procriassem. Não é a toa a limitação da turma em quantidade. Esse pensamento, uma aberracividade da Teoria da Evolução, deu origem ao arianismo Nazi-Fascista.

  5. Camila Victorino Postado em 16/Jul/2013 às 23:00

    Isso é sensacionalismo e acredito que esta matéria fira a seriedade do site. Olhe, eu sou formada em biologia pela USP e mestra em fisiologia pelo ICB. Além disso, passei em 10º lugar em filosofia, curso que desisti. Conheço vários camaradas que cursaram ciências moleculares e o curso não tem nada de secreto. Assim que entramos, há panfletos sobre o CM e mesmo quem não passou nos primeiros lugares pode se candidatar à vontade. Há outros cursos da USP que só são cursáveis após a Fuvest, como o Ciências Fundamentais da Saúde e mesmo na Poli, após Fuvest, é preciso ter boas notas para pleitear determinadas áreas da engenharia, como a computacional, extremamente concorrida. Acho o título da notícia além de sensacionalista, quase uma mentira. Não há sociedade secreta! O curso é conhecido de todos! Além disso, dizer que é difícil, isso é para muitos cursos! Não é fácil sair com diploma da USP por uma série de razões, como dificuldade, mas também falta de assistência estudantil adequada para quem não vem da classe abastada. Quanto a elite branca, é fato que determinados cursos, como medicina, odonto e os mais concorridos possui mais gente branca e rica, mas isso não desqualifica estas pessoas. O que deveria ser feito é algum tipo de política para obrigar os formandos a retribuírem a sociedade, como no caso dos médicos franceses e ingleses que devem trabalhar dois anos para o setor público. Não vim da classe abastada e tive que ralar muito em todos os processos seletivos.Acho absurdo virem me falar de eugenia, racismo e outros. Temos que melhorar o elitismo das públicas, sem ferir na qualidade do ensino! Em Harvard, Oxford e tantas outras os mais geniais conseguem mais bolsas, o que é natural, afinal seria até estranho dar um posto de responsabilidade em engenharia, medicina e outros para quem não estuda muito e nem sabe escrever direito. Assim, o problema é dar educação básica a todos, de modo que os gênios aumentem e não menosprezar os poucos gênios que existem, afinal provindos ou não da elite, eles às vezes, fazem a humanidade avançar.

  6. Joe Postado em 16/Jul/2013 às 23:22

    Como citou Camila, realmente o curso não é tão secreto assim. Mas mostra uma face nefasta da USP, os cursos de "brodagem", do filho de alguém , do sobrinho de num sei quem... com o seu e o meu dinheiro. A pouquíssima transparência na administração das muito rentáveis pós-graduações. Universidade pública com curso quase "secreto"? quem controla essa banca avaliadora? Isso tudo tem que ser público, é a lei. De resto, esse papo de que aluno que estuda menos, mais, pura balela.

  7. Daniella Postado em 16/Jul/2013 às 23:46

    Coisa besta "curso secreto". E na boa, o que tem a ver convidar um aluno de letras? Não que o aluno não seja inteligente e capaz, mas o curso que o cara escolheu nada tem a ver com biologia molecular! Pô, tem que deixar o curso aberto para pessoas que queiram estudar possam fazer ao menos o processo seletivo.

  8. Marcelo Postado em 17/Jul/2013 às 00:46

    Em outras palavras, o cara vai se tornar um naturalista? rsrsrs

  9. Anderson Postado em 17/Jul/2013 às 01:04

    Discordo da expressão "curso secreto" , acho que o jornalista foi muito infeliz em usar essa expressão, poderia ter usado curso interno, cairia melhor para um jornal que é imparcial. Sou aluno da USP, do curso de exatas, e não sou playboy, não sou psdb (nem PT), e não sou branco, e vim da escola pública da periferia de SP ... mais um comentário infeliz, infundado e tendencioso, de pessoas que gostam de rotular tudo. Tive oportunidade de fazer esse curso, mas não quis, e outra, quem reprova alguma disciplina, está fora, sem a chance de poder refazer tal disciplina, oque acho injusto. Outra coisa, a diferença deste curso é seu enfoque, mas todos os demais alunos da USP tem a chance de fazer as disciplinas que formam esse curso interno.

  10. Müller Postado em 17/Jul/2013 às 01:53

    O problema aqui não é a intenção de querer valorizar potenciais gênios, e sim o método equivocado com que se faz isso. Para começar, esse requisito de selecionar os tais "melhores" no vestibular, critério bastante fraco porque o vestibular não define potencial e sim a qualidade circunstancial de um conhecimento X não necessariamente útil ao curso que a pessoa pretenda seguir. Eu mesmo passei sempre entre os primeiros no vestibular de federais e sei que isso não significa nada no geral, a priori uma vantagem de tempo, mas nada que não possa ser alcançado por alguém com grande potencial cognitivo, mas que não teve a oportunidade de estudar em escolas particulares caríssimas ou fazer cursinho para aprender macetes para fechar a prova. Fechar essa prova não significa necessariamente que o aluno tem toda a capacidade de compreender, contextualizar e aplicar o conhecimento básico. Classificação de vestibular, sozinha, não serve de modo algum para selecionar gênios e afins. Por causa desse elitismo fajuto que não temos médicos suficientes no Brasil, não se investe na criação de mais vagas em medicina, por exemplo, mesmo sabendo que a demanda é muito maior que a oferta, para piorar, o "patricinho e a patricinha ovomaltino" inventam de querer fazer a medicina na pública, enquanto a instituição privada freia o acesso ao curso com uma mensalidade absurda e pornograficamente incompatível com a renda da maioria dos brasileiros. Para piorar, as condições de alguns cursos de medicina na universidades públicas são bastante precárias, imagine então nas privadas...não se fiscaliza a qualidade de cursos que vão exigir bastante responsabilidade e competência da pessoa. Ainda, os profissionais que são mal formados têm acesso ao mercado, assim, tranquilamente, não existe nenhum exame de proficiência que legitime a teórica capacidade do estudante ao final do curso, pois EM TESE, se o MEC autorizou é porque está bom,né!?...valha-me deus...rs..., e isso significa o quê? significa que o curso em si não foi feito para servir à sociedade, mas para criar um grupinho elitizado, preocupa-se tanto em limitar o acesso e esquece-se da quantidade e qualidade necessária de profissionais de um curso x para a sociedade. Deveria haver muitas vagas em medicina com fiscalização rigorosa da qualidade do curso, o limite de acesso deveria ser feito no final do curso e não no início, é o curso em si e em geral que deve avaliar o aluno, não uma provinha generalizada que só serve para impedir o aluno de se matricular e tentar fazer o curso. Pessoas com QI alto conseguem tranquilamente se adaptar a um curso, elas correm atrás, mas algumas não tiveram acesso para decorar toda a matriz curricular do ensino médio direito, deste modo podem não conseguir passar no vestibular, mas isso não significa que se a pessoa tiver oportunidade ela não terá um bom rendimento de absorção de conteúdo,pode até demorar porque vai ter que correr atrás de conceitos básicos, mas depois consegue tranquilamente. O tempo perdido em cursinho poderia ser perdido nas bibliotecas das universidades durante o curso, nestes casos...enfim...é complicado...!

  11. Grau Postado em 17/Jul/2013 às 05:08

    Nossa, essa matéria está super enganosa. 1º) Quando prestei fuvest em 2002 (há 11 anos) o curso já ERA DESCRITO NO MANUAL DO VESTIBULANDO SIM, no final do caderno de descrição das carreiras numa seção só pra ele. Não tem nada de secreto, apenas não se entra por vestibular. E quando vc entra na USP vê propaganda de "venha para a Ciências Moleculares" em todos as faculdades. 2º) O tal coordenador do curso quis fazer parecer bem melhor que é. Na verdade o curso é um fracasso, já existe há décadas e ainda ninguém ouve falar dele. Pouquíssimas pessoas têm interesse nesse curso, afinal ele não é reconhecido pelo mercado (Quantas vagas para 'cientista molecular' vc já viu por aí? Não confunda com biologia molecular), por isso eles começam a mandar cartas convidando os alunos para tentar preencher as vagas. Prova disso é que até alunos de letras (humanas) recebem a carta, sendo que o curso é uma mistura de biológicas e exatas. 3º) É mentira que só os melhores no vestibular são convidados, até eu fui (e fiquei em 117º no vestibular de biologia). 4º) A prova só vai ser "impossível de difícil" pra quem não manja nada de exatas (como por exemplo um aluno de psicologia) 5º) O curso não é mais difícil que os outros cursos da USP, não tem carga draconiana (nem tem aula às sextas) e ninguém "pede pra sair" por ser difícil, eles saem por perceber que é furada.

  12. Cacique Postado em 17/Jul/2013 às 11:32

    Reportagem sensacionalista mesmo, mas toca num assunto importante: qual o melhor critério para identificar os melhores alunos de uma universidade? A resposta encontrada pelos coordenadores do tal "curso secreto", ou seja, a nota do vestibular, não foi das melhores. Uma prova de que o vestibular não é uma boa medida da capacidade de uma pessoa deslanchar na universidade é o desempenho de alunos que entraram por meio de cotas. Dados da UnB e outras universidades mostram que os cotistas, que via de regra obtêm notas menores no vestibular, possuem notas mais altas nas disciplinas cursadas, se formam mais cedo e abandonam menos o curso. Ou seja, quer identificar os gênios em potencial da USP outras universidades? Então não se prenda às notas do vestibular.

  13. renato Postado em 17/Jul/2013 às 13:02

    E nossos genios da periferia como é que classificam. Acho que deve haver um metodo não. Tem gente que é boa mesmo.

  14. Rodrigo Postado em 17/Jul/2013 às 15:26

    Tadinhos de nós, brasileiros... Somos tão especiais, tão vitimizados... Temos sempre de ter alguém para nos ajudar, para nos dar a mão, seja quanto ao Exame da OAB, seja quanto ao vestibular. Não nos importamos tanto com o descaso para com a educação de base, governo após governo, seja o do PRN, PMDB, PSDB ou PT, pois queremos apenas o peixe, mas não aprender a pescar. Esquecemos de todo o esforço, dificuldade que nossos pais tiveram. Melhor nenhum desses tentar uma vaga no MIT ou em outra faculdade de ponta de tecnologia. A USP inova e é apedrejada. É, não é nem o caso de dizer que nem Jesus Cristo agradou a todos. É o caso de dizer que temos de parar de nos julgar tão dignos de pena, levantar a cabeça e irmos à luta.

  15. Prof. Marquinhos Postado em 19/Jul/2013 às 14:58

    Até que enfim o Brasil resolveu seguir as outras nações e criar cursos para "superdotados". Mania de brasileiro "rasar" todos ao mesmo nível. Cada um tem seu lugar no mundo. E se não dermos oportunidade aos "gênios" de produzirem ciência aqui no Brasil, passaremos o resto da vida importando tecnologia dos outros países "elitistas" como teimam em pensar os retrógrados. E, para quem gosta de utilizar o cristianismo como argumento, Jesus deixou bem claro como é pecado "enterrar os talentos"...

  16. Clayton Postado em 14/Aug/2013 às 18:54

    Quanto mimimi, esse curso não tem nada de secreto. Eu mesmo sabia da existência antes de passar no vestibular. É impressionante como as pessoas acreditam sem criticas no que leem na internet.