Luis Soares
Colunista
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Homofobia 02/Jul/2013 às 11:59
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Manifestante que abriu bandeira gay na final da Copa explica motivações

Ativista que abriu bandeira gay durante final da Copa diz que coragem veio das ruas. Alex Tietre diz ter se espelhado na “mesma coragem que todos os trabalhadores têm quando saem para trabalhar para ganhar um salário ridículo, com um transporte precário”

“Figurantes exibem faixa de protesto durante cerimônia de encerramento” foi a manchete de diferentes veículos de comunicação na noite deste domingo, dia 30 de junho, após homens e mulheres que participavam da final da Copa das Confederações terem conseguido burlar a censura da organização. Uma delas dizia: “Pela imediata anulação da privatização do Maracanã”. A outra: “Ser gay é… Mara… Aberração é o preconceito”.

Alex Tietre, 35 anos, ator, diretor e autor de peças teatrais foi o responsável por essa última.

ativista bandeira gay copa confederações

Manifestante que abriu bandeira gay na final da Copa das Confederações diz que já sofreu ameaças (Divulgação)

Ele trabalhou por quase 18 anos na Cia de Tatro Arte & Manha de Guarapuava, uma das mais reconhecidas do Paraná, e, hoje, trabalha há dois anos em uma agência de atores em Niterói.

Confira a entrevista

Você participou de outras manifestações artísticas para a Copa das Confederações? Como foi sua seleção?

Participei com meu nariz de palhaço em manifestações no Rio e em Niterói, não necessariamente para a Copa, meus protestos eram como os da maioria. A seleção para a Copa das Confederações foi na Escola Naval. Me inscrevi, porque minha companhia de teatro sempre trabalhou com grandes eventos e seria uma boa experiência, mas não foi como esperava.

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Comecei a questionar o porquê de ser voluntário num evento que rolam milhões em dinheiro, enquanto eu estava ali ganhando um lanchinho e um cartão de transporte, que não pagava nem metade do que eu gastava.

De onde veio a coragem para fazer essa manifestação?

A coragem para me manifestar é a mesma dos brasileiros, que saem às ruas para se manifestar. É a mesma coragem que todos os trabalhadores têm quando saem para trabalhar, para ganhar um salário ridículo, com um transporte precário e ainda para correr riscos nas ruas.

O que aconteceu com você depois de abrir a bandeira? Foi expulso do campo?

Eu tive mais sorte, abri a bandeira no palco principal, no meio de cinco cantores famosos. Não poderiam me agredir. Depois, deixei a bandeira no palco e entrei no meio dos outros participantes sem que conseguissem me identificar. Então, não fui retirado.

Tem recebido mensagens de apoio ou ameaças?

Felizmente, estou tendo mais apoio, mas tem muita gente contra, e tive ameaças, sim. Lá mesmo, já discutiram comigo, disseram que eu estraguei tudo e que, se pelo menos, eu tivesse feito um protesto pela fome eu seria apoiado… Entendo isso, mas se eu tivesse que protestar sobre tudo que o Brasil precisa, a bandeira teria que ser do tamanho do Maracanã.

Como você vê as manifestações homofóbicas de setores fundamentalistas da sociedade?

Fico indignado com qualquer manifestação homofóbica. Precisamos viver de forma que os valores sejam revistos. Ser gay não prejudica ninguém. Ninguém tem o direito de querer “mudar ou curar” alguém. Devemos começar a avaliar o que realmente precisa ser mudado. Precisamos fazer essa mudança agora, mudar o Brasil, os políticos e também mudarmos pra melhor, cuidar do nosso planeta e cuidar do próximo com todo respeito, sem ver cor, credo ou sexualidade.

Camila Martins, Brasil de Fato

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Comentários

  1. Eduardo Postado em 02/Jul/2013 às 19:20

    ....uma vez uma afirmação em cima de um palco."o homem pensa, a mulher tenta e o gay fáz", não sei o nome do autor desta, mas realmente é uma verdade, mas muitas vezes "o homem pensa besteira, a mulher tenta fazer bestteira e o gay faz a besteira", se ele se inscreveu como voluntário, ele sabia que não iria receber nada e que o envento enviolvia dinheiro, porque agir contra, avacalhanbdo o trabalho daqueles que estavam alí com pensamentos diversos do seu... e pelo visto ele é uma minoria absoluta, e só fez, em minha opinão chover no molhado, pois quem pensa diferente daquilo que ele escreveu é preconceituoso e não são faixinhas que mudarão estes pensamentos.

  2. Maria de Lourdes Cardoso Postado em 03/Jul/2013 às 10:05

    Eduardo o Brasil está cheio de faixinhas, conhece aquede ditado que diz: De grāo em grāo a galinha enche o papo. Sabia-se anterior ao movimento que todo o lucro da Copa iria ser levado daqui. Agora o discurso começa a ser outro, apenas uma pequena fatia ficará aqui. Levante mais está bandeira, nāo quero mais ser voluntário da Copa, no início havia aquele medo das empreiteiras de vir a oferecer trabalhos superfaturados, mas depois apareceu o caus da saúde que já tinha mais se acelerou.

  3. Cléber Postado em 09/Jul/2013 às 11:32

    Que mais e mais, cada vez mais, GAYS façam besteiras que a hipocrisia impede que se façam. Talvez o mundo fique decente não só para os que pensam, tentam ou fazem besteiras, mas para todos os que não querem fazer nada. Faixinha até pode ser, mas minoria não. As minorias ainda são elites, que, inacreditavelmente, detêm o poder.