Luis Soares
Colunista
Compartilhar
Religião 23/Jul/2013 às 15:49
6
Comentários

Jovens católicos querem igreja progressista

Maioria dos jovens católicos discorda da igreja em questões como união entre pessoas do mesmo sexo, aborto, uso da pílula do dia seguinte e proibição do sacerdócio para mulheres

Segundo pesquisa divulgada hoje (22) pela ONG Católicas pelo Direito de Decidir, 56% dos jovens católicos (de 16 a 29 anos) e 43% dos que têm mais de 30 anos apoiariam se a igreja decidisse ser favorável à união entre pessoas do mesmo sexo. O estudo foi encomendado ao Ibope Inteligência para analisar o perfil dos brasileiros a respeito de questões como aborto, união entre pessoas do mesmo sexo, uso da pílula do dia seguinte, proibição do sacerdócio para mulheres, celibato e punição para religiosos envolvidos com pedofilia ou corrupção.

jovens católicos igreja progressista

Pesquisa indica que jovens católicos clamam por mudanças (Foto: Reprodução)

Considerando a pesquisa globalmente, incluindo católicos, evangélicos, outras religiões, agnósticos e ateus, os números são inferiores: 51% dos jovens e 41% dos que já passaram dos 30 apoiariam a união homossexual. Nesse recorte, o perfil mais conservador é dos que se declaram evangélicos, entre os quais apenas 34% dos jovens até 29 anos e 28% dos que têm mais de 30 apoia total ou parcialmente.

Entre os pesquisados católicos, 62% dos jovens discordam total ou parcialmente da prisão de uma mulher que precisou recorrer ao aborto e, entre os que têm mais de 30 anos, o índice cai para 59% (no geral, incluindo todas as religiões, os dados são muito próximos: 63% e 58%, respectivamente). O estudo mostra que 82% dos jovens católicos e 76% dos mais velhos acham que a igreja deveria “permitir” que as mulheres católicas usassem a pílula do dia seguinte.

Leia também

Quando o Ibope perguntou aos católicos sobre a punição rigorosa aos religiosos envolvidos em pedofilia, assédio sexual ou corrupção, 90% dos jovens e 88% dos mais velhos apoiariam totalmente ou em parte.

Para a coordenadora da ONG, Regina Soares Jurkewicz, nas questões relativas à moral e à sexualidade, a pesquisa mostra distanciamento entre a realidade social e a política da igreja. “Há uma tendência de dissonância entre o que a igreja prega e a prática das pessoas.” Segundo ela, o levantamento revela a grande insatisfação dos católicos em relação “à política do silêncio” com a qual o Vaticano tenta impedir o aprofundamento das investigações sobre pedofilia e corrupção na igreja. “São católicos, mas não praticam o que a igreja diz”, afirma Regina, não só em relação à pedofilia, mas em relação às questões morais e sexuais em geral.

Estratificado por escolaridade, o estudo do Ibope demonstra que, quanto menos a pessoa estudou, mais conservadoras são suas opiniões. Por exemplo, 52% dos que têm até a 4ª série discordam total ou parcialmente da prisão da mulher que recorrer ao aborto por necessidade, número que sobe para 59% da 5ª à 8ª série e entre os que têm ensino médio e para 67% com nível superior. “A pesquisa mostra a influência do acesso à educação na sociedade. Quanto mais as pessoas estudam, mais têm condições de refletir e ter acesso à informação”, diz Regina.

Sobre o papa Francisco, em visita ao Brasil esta semana, a coordenadora do Católicas pelo Direito de Decidir considera que o novo pontífice, pelo menos até o momento, tem um aspecto positivo e outro negativo ou ainda por esclarecer. “Ele tem posturas muito simpáticas ao focar sua atenção mais nos pobres, não ostentar nada muito rico. Mas no que tem a ver com moral sexual não tivemos nenhum sinal positivo”, lembra. “Enquanto bispo, aliás, ele se mostrou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.”

Para Regina Soares Jurkewicz, “não é só o papa, mas a cúria como um todo precisa olhar com mais atenção para essa e outras questões”.

A pesquisa foi realizada entre maio e junho de 2013. O Ibope Inteligência ouviu a opinião de 4.004 brasileiros, entre os quais 62% (2.496) se declaram católicos, 23% evangélicos e 15% são adeptos de outras religiões, agnósticos ou ateus. Cerca de 31% do total (1.224) tinham entre 16 a 29 anos de idade e 2.780 mais de 30 anos.

Eduardo Maretti, RBA

Recomendados para você

Comentários

  1. Marcos Abraxas Postado em 24/Jul/2013 às 11:27

    Existe, no imaginário latino, a firme ideia de que os nórdicos ( e qualquer coisa ligada a eles) são essencialmente bárbaros;a ICAR faz o jogo da "liberdade" desde seus princípios (onde mito e estória se misturam). Nos anos 70 era comum ouvir coisas de católicos então jovens como "a ICAR não acredita mais no diabo", "esta concepção de pecado foi abolida pela ICAR" e assim por diante. NO final do CV II houve uma instrução de mudança das orações "clássicas " católicas (Pai Nosso e Ave Maria); nesta última deveria se dizer "Santa Maria, Mãe de Jesus" e não "...Mãe de DEus". Do mesmo modo a "Santíssima Trindade" foi posta "de lado" e a ""trindade"" Jesus Maria José foi enfatizada no dia a dia dos fieis...mudanças? NÃO! No final do Concílio, o vaselinoso Montini emitiu uma declaração interna em que reafirmava TODOS os dogmas e "sub digmas" da ICAR, incluso aí aquele que reafirmava (e reafirma, como um membro do vaticano, ao reforçá-lo, deixou bem claro ao contradizer recentemente o Bergoglio) que "só a ICAR é a portadora dos bens celestes" e "que sem a ICAR não há salvação..." .Vêm os homosexuais católicos e dizem:"Padre, não concordamos com este 'preconceito' "; o Padre (que está vendo sua religião desabar em números) meramente comenta:"está certo, meu 'filho' ", enquanto que , com seus botões, pensa: "este aí, se não rezar uns 10 rosários e se arrepender, vai direto pro Inferno!". A ICAR é como o Partido Nazista, flexível nos seus métodos, PÉTREA nos seus ditames...

  2. Leila Postado em 27/Jul/2013 às 18:25

    Jovens, e se vocês tentassem ir sem igreja?

  3. Danillo Postado em 27/Jul/2013 às 18:58

    4.004 entrevistados?? Que amostra representativa é essa? Não dá pra confiar que esse resultado é significante e representativo considerando a alta possibilidade de vieses que um número desses pode apresentar. Resultados mais consistentes são obtidos com maior número de pessoas.

  4. Carlos Postado em 29/Jul/2013 às 16:26

    Danillo, se duvidar não sai diferente com outra amostragem. Não se pode mais pensar fora do tal "progressismo". Não há esta liberdade. Já começam o marketing colocando um nome que usa de um argumentum at novitatem passando a ideia de que é este pensamento é mais novo e a evolução natural da sociedade. Agora tudo é correto desde que para mim pareça correto e ninguém pode dizer que não. Quem pensa diferente é um herege, assim como estes clérigos que querem ir contra o relativismo moral.

  5. Irres Ponsável Postado em 16/Aug/2013 às 09:16

    Não tem que querer nada. Igreja , assim como qualquer outro buteco, não obriga ninguem a frequentar/seguir. Sendo assim, quem entra tem que seguir as regras....