Luis Soares
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Educação 17/Jul/2013 às 15:25
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A ocupação da reitoria da Unesp

Tropa de Choque foi acionada para dissolver ocupação de estudantes. Alunos denunciam abusos. Mais de 100 foram presos e individualmente enquadrados em crimes diversos

Estudantes da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (Unesp) foram presos após a Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) invadir a reitoria por volta das 5h30 de hoje (17), na região central de São Paulo. Ao todo, 113 pessoas foram enquadradas em crimes tipificados como “dano ao patrimônio e esbulho possessório”, segundo informou o 2º DP, do bairro do Bom Retiro, também na região central.

Durante a operação, estudantes denunciaram abusos da Tropa de Choque, que teria invadido a reitoria sem mandado de reintegração e utilizando de força excessiva, quebrando portas de vidro e causando pânico local. Não havia também nenhuma policial mulher para acompanhar as alunas que participavam da ocupação.

Em nota, o movimento de estudantes fez uma convocação geral para um ato em frente à reitoria da universidade (Rua Quirino de Andrade, 215, Anhangabaú, centro de São Paulo), em repúdio à repressão policial, pela saída do reitor Júlio César Durigan e por uma universidade pública gratuita de qualidade.

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Tropa de Choque da PM invade reitoria da Unesp (Foto: Mídia Ninja)

“As ações de repressão aos grevistas, contrariam a primeira pauta do movimento que pede não repressão aos movimentos sociais, pauta acordada entre a vice-reitora Marilza Vieira da Cunha Rudge e o Movimento Estudantil, na última ocupação, em 27 de junho. Foi pedido pela reitoria a reintegração de posse do prédio, fato que coloca os estudantes em luta pela democratização da universidade sob ameaça de repressão brutal na reitoria”, informa a nota.

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O grupo é formado por alunos dos campi das cidades de Assis, Bauru, Botucatu, Marília, Ourinhos, São Paulo, Rio Claro, Franca e Araraquara. Em greve desde o final de maio, os alunos reivindicam valorização da educação pública, políticas efetivas de permanência e de assistência estudantil, como restaurante universitário, moradia e bolsas de auxilio socioeconômicas, além de uma política de cotas que considerem inclusiva. Nesse sentido, a cobrança é por uma proposta alternativa ao Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp).

“A Reitoria da universidade informa que “mantém implementado um programa de permanência estudantil, para os alunos comprovadamente carentes, que compreende bolsas, auxílio-aluguel, moradia, auxílio-alimentação e restaurantes universitários, lamenta o ocorrido, tendo em vista que está em constante negociação com o objetivo de atender as demandas dos discentes”, informa nota publicada no site da universidade.

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Estudantes presos são conduzidos ao DP (Foto: Mídia Ninja)

Mais de 100 alunos foram levados nesta manhã em micro-ônibus e camburões da PM para a delegacia que funciona como Central de Flagrantes, no bairro Bom Retiro. De acordo com os estudantes “toda a responsabilidade pela repressão é da reitoria e o Governo do Estado de São Paulo, que já demonstrou inúmeras vezes seu caráter elitista e violento”.

Abaixo, a carta do Diretório Central de Estudantes da Unesp sobre a ocupação da reitoria.

CARTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE A OCUPAÇÃO DA REItoria DA UNESP – 16/07/2013

“O movimento estudantil da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho vem por meio desta explicar os motivos pelos quais decidimos pela ocupação da reitoria.

Diante de um movimento que perdura mais de três meses, o movimento estudantil da UNESP vêm a público denunciar e lutar contra este projeto de universidade que está posto, elucidando a enorme crise que se estende por esta instituição. Totalizamos hoje 10 câmpus em greve estudantil, que são: Ourinhos, Marilia, Assis, Botucatu, Franca, São José do Rio Preto, Bauru, Rio Claro, Araraquara e São Paulo.

A nossa luta defende a valorização da educação pública a fim de construir uma universidade democrática, a serviço do povo e com condições de acesso e permanência para as classes trabalhadoras que historicamente são excluídas deste espaço. Queremos políticas efetivas de permanência e de assistência estudantil, como restaurante universitário, moradia estudantil e bolsas de auxilio socioeconômicas e também por uma política de cotas inclusiva, não à repressão aos movimentos sociais, paridade nas instâncias deliberativas, reajuste e isonomia salarial para funcionários e professores.

Para além dos problemas de estrutura da universidade, os ataques ao movimento estudantil se mostram inaceitáveis. Em curto periodo de mobilização, vemos casos de sindicâncias absurdas. Em Araraquara, seis estudantes foram expulsos da moradia estudantil. Em Franca, 31 foi o número de estudantes que estão em processo de sindicância, por mais de oito meses, por se manifestarem politicamente. Houve também em Rio Claro, recentemente, o caso de reintegraçãoo de posse no campus contra uma ocupação pacífica, em que houve quatro processos judiciais contra estudantes, os quais somente foram cancelados diante de pressão política. Todos estes processos são embasados em provas e argumentos falhos, contestáveis e enviezados que criminalizam o movimento que é legítimo, tendo como única intenção punir aqueles que se manifestam politicamente e coagir a organização do movimento estudantil.

Não menos importante, temos também o ataque do governo do Estado de São de Paulo como o projeto do PIMESP (Programa de Inclusao por Merito no Ensino Superior do Estado de Sao Paulo), o qual impõe uma barreira à verdadeira inclusão nas universidades por meio das cotas. Este projeto impõe um curso semi-presencial de dois anos para a inclusão de alunos cotistas, o que representa um enorme racismo e subestima a capacidade do estudante cotista, além de não oferecer uma real complementação ao conhecimento deste aluno, devido à grade que tem cursos como Gestão de tempo, Empreendedorismo entre outros.

Durante o período de greves e ocupações, a reitoria demonstrou seu caráter intransigente nas negociações. Poucas das nossas pautas foram atendidas e mesmo diante da grave situação em que se encontra nossa universidade, o reitor Júlio César Durigan se ausentou em férias por quinze dias e, na data de hoje, o mesmo entra em férias novamente, deixando claro o descaso e falta de diálogo da reitoria para com o movimento que se instaurou na UNESP por professores, funcionários e estudantes.

Em anterior ocupação da reitoria, no dia 27 de junho, após a negociação com a vice-reitora em exercício da reitoria Marilza Vieira Cunha Rudge, o movimento entendeu que tivemos poucos avanços nas pautas. A maioria delas foram somente encaminhadas à outras instâncias, nas quais não possuímos participação igualitária.
Alem disso, foi necessária uma nova reunião no dia 12 de julho, com a presença do reitor, para que esses acordos fossem reafirmados. O que deixou claro, mais uma vez, a postura da reitoria de postergar as negociações e deliberações.

Nossa luta não se pauta em privilégios, mas sim por direitos que deveriam ser garantidos pela universidade permitindo um ensino público acessível e de qualidade. As pautas do movimento estudantil são históricas, o que indica problemas que historicamente são herdados. O que demonstra a necessidade da luta por meio de ações diretas como greves, ocupações, manifestações, dentre outros. Logo, esses são métodos legítimos de luta dos movimentos sociais.

A reitoria continua se mostrando negligente frente aos problemas que afetam a comunidade acadêmica. Nós não desocuparemos o prédio enquanto nossas pautas não forem atendidas, portanto, exigimos da reitoria ações objetivas e imediatas. Para isso, as atividades na reitoria estão suspensas durante o período de ocupação.
Convocamos todos os alunos e outros movimentos sociais, que se solidarizam às nossas pautas, a compor o nosso movimento de ocupação.

Nossa luta é legitima e não aceitaremos migalhas!

A Luta Continua!!!

DCE- Helenira Rezende”.

Pragmatismo Politico, com RBA e Mídia Ninja

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Comentários

  1. Luís Postado em 17/Jul/2013 às 16:36

    Sem mandado? Sério mesmo?

  2. Mefistófeles Postado em 17/Jul/2013 às 17:09

    Como sempre, Alckmin e seus soldados. Truculência costumeira para os paulistas e paulistanos. São Paulo deveria se manifestar contra isso. E em peso. O Alckmin merece ou não merece uma multidão e frente ao palácio dos Bandeirantes. Pacífica, claro, por parte dos manifestantes.

  3. Mefistófeles Postado em 17/Jul/2013 às 17:09

    Como sempre, Alckmin e seus soldados. Truculência costumeira para os paulistas e paulistanos. São Paulo deveria se manifestar contra isso. E em peso. O Alckmin merece ou não merece uma multidão e frente ao palácio dos Bandeirantes. Pacífica, claro, por parte dos manifestantes.

  4. Mefistófeles Postado em 17/Jul/2013 às 17:10

    Como sempre, Alckmin e seus soldados. Truculência costumeira para os paulistas e paulistanos. São Paulo deveria se manifestar contra isso. E em peso. O Alckmin merece ou não merece uma multidão e frente ao palácio dos Bandeirantes? Pacífica, claro, por parte dos manifestantes.

  5. Guilherme Postado em 17/Jul/2013 às 21:01

    Foi o horror. Além da ausência do mandado e do oficial de justiça, quase todos os policiais presentes na operação (cerca de 180 para um total de 113 estudantes) não ostentavam a identificação nas fardas. Perguntado sobre isso, um soldado disse que havia coisa mais importante para se discutir. Contudo, sem a identificação na farda, torna-se impossível qualquer possibilidade de tentativa de representação na justiça por parte dos estudantes. Houve também comentários do tipo "está cheio de viado aqui" por parte de um policial, agressões a garotas que participaram da ocupação e prisão de pessoas que em nada tinha a ver com o movimento. A PM mostrou nessa manhã que o único papel que cumpre bem é o ser excrescência da ditadura.

  6. João Vitor Peixoto Postado em 18/Jul/2013 às 13:10

    10 campi*