Luis Soares
Colunista
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São Paulo 20/Jun/2013 às 00:06
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Por que a PM permitiu a depredação da Prefeitura de São Paulo?

Levantamento revela que prefeitura pediu ajuda a PM para proteger sede, mas corporação comandada por Geraldo Alckmin só apareceu após duas horas. Redução de pagamentos da Prefeitura à PM, em razão de contagem rigorosa de policiais na Operação Delegada, está por trás da recusa em atender chamado

As relações entre o prefeito Fernando Haddad, do PT, e o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, azedaram. Há forte desconfiança entre os principais auxiliares do prefeito de que, propositadamente, a Polícia Militar demorou quase três horas para atender uma solicitação formal pela presença da tropa de choque diante da sede do poder municipal, para garantir sua integridade. Após quebrarem os vidros da sede da Prefeitura e incendiarem um carro de ao vivo da Rede Record, manifestantes passaram a praticar saques em lojas da Rua Direita e, também, a fazer cerco no Teatro Municipal, onde mais de 200 pessoas assistiam a um espetáculo de ópera.

ataque prefeitura são paulo record

Vândalos infiltrados no movimento depredaram a prefeitura durante duas horas sem que um policial militar aparecesse (Foto: Ultimo Segundo)

O pedido à PM de proteção à sede municipal ocorreu, efetivamente, pouco antes das 19h00, quando os vidros frontais do prédio da Prefeitura ainda não tinham sido quebrados pelos manifestantes. Foi feito na forma de um telefonema do coronel Falconi, chefe da segurança do prefeito Haddad. Oficial da PM, ele ligou para o comandante-geral da corporação, coronel Meira. O segundo dele, coronel Ribeiro, foi informado da solicitação. Estranhamente, para os responsáveis pela segurança da Prefeitura, a Tropa de Choque não apareceu até cerca de nove e quinze da noite. Uma demora considerada um verdadeiro boicote.

Dentro do prédio, com os manifestantes agora pressionando as pesadas portas de ferro, cerca de 200 funcionários públicos municipais encerravam seu expediente de trabalho. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) estava de prontidão com um contingente de 106 homens. Mas o número pareceu insuficiente para controlar a fúria dos vândalos.

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“Estivemos a milímetros de sofrermos uma invasão”, disse um auxiliar do prefeito Haddad. Com efeito, sem obedecer a qualquer comando, os manifestantes passaram a atacar o prédio, queimaram um posto da PM que fica na esquina da sede municipal e, em seguida, incendiaram o caminhão de ao vivo da Rede Record. Nesse ínterim, quebraram todos os vidros frontais do prédio. Uma invasão de consequências que, em todos os sentidos, seria dramática. Tudo isso sem que aparecessem os policiais militares chamados.

BRIGA NA OPERAÇÃO DELEGADA

Na administração de Gilberto Kassab, as relações entre a GCM e a PM eram de amor profundo, principalmente por conta da criação da Operação Delegada, uma forma de remunerar o efetivo da tropa da Polícia Militar durante o período de descanso na escala, a pretexto de combater o comércio clandestino no centro da cidade. Com a chegada da gestão Haddad, os pagamentos regulares da ordem de R$ 14 milhões, que eram feitos por estimativa, passaram a ser feitos apenas mediante a apresentação de planilha que comprova o efetivo lotado. Com isso, os repasses diminuíram. Nos meses de janeiro, fevereiro e março, a PM não conseguiu comprovar os 3.898 soldados destacados pela operação delegada. E os pagamentos caíram de R$ 14 milhões para R$ 11,7 milhões, R$ 10,9 milhões e R$ 11,1 milhões, respectivamente.

Em abril, com o novo convênio assinado entre a Prefeitura e a PM, com o consenso do Governo do Estado de São Paulo, embora a Polícia Militar pudesse colocar um efetivo de 2.074 soldados na repressão aos camelôs, no primeiro mês colocou apenas 1.450. Isso gerou um pagamento de R$ 5,5 milhões. Em maio, 1.693, o que resultou em pagamento de R$ 6,5 milhões. A diferença de efetivo, de 1.800 soldados, que deveria ser deslocada para rondas no Centro, e nos bairros da Vila Formosa, M’Boi Mirim e Campo Limpo jamais foi disponibilizada. Apenas 114 soldados foram destacados para o Centro da cidade.

Por esta razão, os homens de confiança de Haddad não se surpreenderam com o fato de a Polícia Militar não ter atendido ao chamado da Prefeitura nesta noite. Ou que tenha cruzado os braços diante da violência na Virada Cultural, no mês passada. Eles também não isentam a PM de culpa no trato com as manifestações do Movimento Passe Livre. A Prefeitura foi quebrada por fora porque o Choque, chamado, não apareceu a tempo certo.

Brasil 247

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Comentários

  1. pocoyo Postado em 20/Jun/2013 às 00:18

    1. pra sacanear a prefeitura 2. pra acusar os vandalos e desacreditar as manifestações 3. pra tocar o terror na população 4. porque é no centro, e para o governador o centro vale menos que paulista e jardins

  2. Thales Postado em 20/Jun/2013 às 00:19

    “Quem não incentiva o povo a se revoltar onde reina a tirania é um covarde!” (Robespierre) Quem é Luis Suares? "Nos homens eu construo sonhos impossíveis, e você pesadelos reais" (Thales) =)

  3. Bruno Simonelli Postado em 20/Jun/2013 às 00:41

    Tenho medo dos planos do Don Alckmin, mas isso não me tira a vontade de voltar para as ruas nessa quinta feira nenhum pouco, só me da mais motivos para continuar lá.

  4. Marcos Postado em 20/Jun/2013 às 01:02

    Mas tão reclamando da PM de novo a vão a merda, fala sério, vcs merecem bosta pois basicamente são isso se resumem nisso, a esquerda em geral.

  5. Dennis Postado em 20/Jun/2013 às 02:29

    Imagino como seria o post se o choque chegasse no tempo.... "Novamente, a barbárie da polícia contra manifestantes pacíficos que reivindicavam blablabla...." Ih, mas não tinha polícia..... então fizeram o que quiseram.... as vezes as pessoas têm que decidir o que querem....

  6. Roberto Locatelli Postado em 20/Jun/2013 às 08:13

    De qualquer forma, a atitude da PM serviu para derrubar totalmente os argumentos de que "foi a PM que começou o quebra-quebra". O vandalismo, os saques e os incêndios provocados desacreditaram fortemente o "movimento". Perderam a moral para se dizerem donos da moral.

  7. Vander Postado em 20/Jun/2013 às 10:51

    "Mas tão reclamando da PM de novo a vão a merda, fala sério, vcs merecem bosta pois basicamente são isso se resumem nisso, a esquerda em geral." Faço minhas estas palavras.

  8. Priscila Postado em 20/Jun/2013 às 13:25

    a PM não ajudou por varios motivos Alckimeiros e pela rixa com a GCM de SP, eles abominam a GCM e a tropa de choque dela (IOPE), inclusive essa tropa que segurou a entrada é uma tropa vista de outra forma pelos coronéis da PM. Podem se informar com qualquer policial a respeito disso. Problema da GCM é da GCM da PM da PM e assim por diante, a colaboração é rara entre as duas corporações, principalmente em niveis superiores

  9. Priscila Postado em 20/Jun/2013 às 13:27

    eu não vou dizer que a Prefeitura foi quebrada porque o Choque não apareceu, pelo contrário, vou parabenizar os GCMs que apesar de pedras, gradis e outras coisas estavam ali segurando a entrada de todos e agiram com inteligência e garra

  10. gilson sampaio Postado em 20/Jun/2013 às 18:25

    Publiquei ontem um vídeo da grobo onde se vê um grupo de policiais testemunhando um assalto na Paulista sem esboçar a menor reação. É preciso muita ingenuidade para não acreditar que Alckimin extrapolou na sua tucanalhice. Taí o vídeo Não basta impinxar Alckimin, tem que botar na cadeia (http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2013/06/nao-basta-impinxar-alckimin-tem-que.html)

  11. Zeca Postado em 21/Jun/2013 às 21:14

    Haddad mereceu.

  12. Eduardo Postado em 29/Jun/2013 às 00:53

    ... se voltarem a fita verão uma coisa mais que interessante, logo após os ataques dos não pacíficos, do rapaz da camisa branca, é que se forma um cordão de pacíficos que conseguiram por alguns momentos impedir que continuasse os ataques ao prédio. Pergunto: Se os pacíficos, que são a maioria esmagadora, quisessem não haveria como conter o vandalismo de uma minoria??? Haveria sim, mas não daria o IBOPE que os quebra quebra dão... a imprensa só mostra os manifestos por causa dos quebra pau, é só acompanhar, mostram alguns segundos os cartazes, e depois focam nos incêndios e nas bombas, nos feridos etc.