Luis Soares
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Racismo não 04/Jun/2013 às 17:44
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Flagrante: mulher é presa em padaria por racismo

“Seus neguinhos. Quando eu vier aqui você procura me tratar logo e bem, porque você é um negro se fazendo de coitadinho”. Mulher foi presa em flagrante por racismo

Uma mulher foi presa no último domingo (02), acusada de atos racistas contra funcionários de uma padaria na quadra 113 da Asa Sul, em Brasília. Segundo testemunhas, a mulher chegou ao balcão gritando e insultando os funcionários da padaria. Um atendente foi alvo direto dos insultos. Uma das clientes na fila de atendimento, a estudante Érika Silva de Almeida, resolveu filmar o corrido e ela foi denunciada à polícia.

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Mulher é presa em flagrante por racismo em Brasília

Segundo informações da Polícia Civil, antes de começar a gritar, a mulher teria agredido uma funcionária. A estudante filmou tudo e depois os funcionários e clientes chamaram a polícia, e a mulher foi presa em flagrante. Na delegacia, ela confirmou o racismo e foi encaminhada para a carceragem do Departamento da Polícia Especializada e vai responder por racismo e lesão corporal.

A Polícia não informou por quanto tempo ela pode ficar presa, caso seja condenada, mas a lei 9459/97 estabelece que o racismo é crime inafiançável e imprescritível. A pena pode ser a reclusão de até cinco anos e multa.

Discussão

Segundo a assessoria da padaria, durante a discussão, a mulher disse à vendedora que já havia trabalhado com negros e que sabia que eles eram “acostumados a roubar”. “Você é um negro se fazendo de coitadinho”, disse a mulher a um dos funcionários. Outros atendentes tentaram falar com a mulher, mas ela continuou gritando e ofendendo os atendentes. “Seus neguinhos. Quando eu vier aqui você procura me tratar logo e bem, porque você é um negro se fazendo de coitadinho”, disse ela.

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Segundo as testemunhas, a confusão teria começado porque a mulher discordou do preço do suco que tomou na padaria e ela acusou a funcionária de roubo. “Ah, que gracinha, ela está aqui sem a lista de preço. Ela queria me roubar. Eu vou nessa. A negra queria me roubar, eles querem me roubar”, disse.

Outro caso

A jovem Marina Serafim dos Reis aguarda há mais de um ano decisão da justiça, após ter sido vítima de racismo no seu local de trabalho, em abril do ano passado. Ela foi agredida verbalmente por um psiquiatra, que tentou furar a fila da sessão de cinema de um shopping na Asa Norte. Heverton Octacílio de Campos Menezes chegou atrasado à sessão e se recusou a esperar sua vez para ser atendido na fila do cinema. Entre outras agressões, ele teria dito que Marina deveria morar na África para cuidar de orangotangos.

O médico foi indiciado por racismo em 2 de maio de 2012 e a defesa pediu absolvição, alegando que ele teve sua condição de idoso desrespeitada, pois não lhe foi dado o direito de atendimento preferencial na bilheteria do cinema. Segundo o advogado, é previsto em lei que, nesses casos em que a ofensa é uma resposta a outra, o juiz não aplicaria pena.

Ao analisar os argumentos da defesa, o juiz da 2ª Vara Criminal afirmou não ver “qualquer das hipóteses” que autorizem a absolvição do psiquiatra. O juiz afirmou ainda que o psiquiatra “caso entenda que foi vítima de alguma conduta ilícita, deverá fazer o registro de uma ocorrência policial, ou ainda, representar ao Ministério Público para que investigue o caso. Heverton já tinha outras passagens pela polícia. De 1994 a 2009 foram registradas nove ocorrências contra Menezes.

O processo criminal ao qual o médico responde por atacar a atendente do cinema está na fase de alegações finais. A defesa da jovem aguarda ainda o início da fase de instrução do processo cível do pedido de indenização por danos morais.

com Câmara em Pauta e TV Record

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Comentários

  1. Italo Postado em 04/Jun/2013 às 17:59

    Ela não vai responder por crime de racismo, mas por injúria racial. Por favor, mais cuidado na apuração da notícia.

  2. Mariana Postado em 04/Jun/2013 às 18:07

    Ela foi acusada por racismo e lesão corporal.

  3. Cristina Postado em 04/Jun/2013 às 18:35

    O comportamento da senhora não se enquadra no crime de racismo, mas de injúria qualificada. Art. 140, §3º do Código Penal.

  4. Mariana Postado em 04/Jun/2013 às 19:05

    É racismo sim, no momento que ela falou já ter trabalhado com negros e todo negro é acostumado a roubar. Nesse caso é racismo, já que ela ofendeu toda uma etnia e não um indivíduo isolado. Houve ofensas qualificadas pelo preconceito também, mas como o racismo é crime especial a injúria qualificada restará absorvida por este.

  5. Bruno Postado em 04/Jun/2013 às 19:34

    Como o Italo disse, ela não vai responder por racismo. Racismo é quando a pessoa é impedida de fazer algo pela cor da sua pele. Ela vai responder por injúria racista, que não é imprescritível nem inafiançável.

  6. ORLANDO Postado em 04/Jun/2013 às 20:36

    O resultado da politica dos canalhas, fazer a segregação racial pra dividir o povo. Meus filhos descobriram que os colegas deles negros (q alias eles nunca tinham notado) agora têem mais direitos que eles, pois tem uma cota. Coisa de Canalhas

  7. jr Postado em 04/Jun/2013 às 20:43

    Se fosse o contrário, um negro xingando um branco a notícia estaria aqui?

  8. Lili Postado em 04/Jun/2013 às 21:16

    jr., nao estaria aqui porque brancos nao sao discriminados por causa da sua cor. Brancos nunca foram subjugados apenas pela cor da sua pele. E, se acontecesse, seria uma excecao.

  9. Nick Postado em 04/Jun/2013 às 21:32

    Que comentário infeliz Sr. Jr.

  10. Van Gogh Baiano Postado em 05/Jun/2013 às 08:59

    E onde já se viu branco no Brasil? Só alguns frustrado que se acham brancos, bando de playboys decendente de português, que roubaram as terras e agora que herdaram as terras hereditárias, fazendas, mansões e cargos políticos, criticam uma política que beneficia os decendentes daqueles que outrora tiveram suas terras roubadas e foram escravisados. Cotas sim! Sim! Por que não, herdeiro?

  11. Larissa Postado em 05/Jun/2013 às 13:17

    Concordo plenamente com o Jr.

  12. Thiago Teixeira Postado em 06/Jun/2013 às 13:12

    p/ ORLANDO Meu caro, canalha são pseudo jornalista golpista tipo Eliane Catanhede, Reinaldo Azevedo, Alexandre Garcia e Diogo Mainardi que fizeram uma lavagem celebral em você com esse papinho de "Canalhas". Desde quando negros tem direito? Desde quando um branco nesse pais terá menos vantagem que um negro? Ainda bem que existe a interferência do estado, se o mercado ou sociedade continuassem a selecionar as pessoas, pode ter certeza que o Negro não terá oportunidade como nunca teve. Acorda rapaz.

  13. Leonardo Postado em 06/Jun/2013 às 15:30

    Deveriam mudar o nome do crime racismo para crime de discriminação. Acontecem no Brasil crimes muito mais graves que saem impunes. Um deficiente físico que sofre discriminação terá 90% mais chances de não ganhar o processo, sendo que a mídia e a sociedade valoriza só casos de preconceito contra afrodescendentes e contra gays. brancos em escola pública ou na Bahia poderá se sentir discriminado tanto quanto um negro no Rio Grande do Sul. No final da história apenas o negro se sai vítima. Conheço muitas pessoas cegas que se formaram e estão trabalhando, pessoas brancas vindas de escola pública que estudaram e ganharam bolsa de estudo, e nem por isso se fazem de vítimas.

  14. Eduardo Postado em 07/Jun/2013 às 11:31

    VAN GOGH BAIANO, aí está a origem da elite brasileira com raríssimas exeções... e um detalhe, pelos livros de história Portugal no inicio da colonização, como não tinha gente boa pra mandar para cá, e correndo o risco da Espanha tomar as terras descobertas, mandou "gente boa" que estavam nas prisões, nas esquinas rodando bolsinhas e toda sorte de aventureiros que eram tidos como estorvo na corte, e como eram os "brancos" tinham a confiança do REI e a estes foi dado títulos como Marquez, Duque, Marqueza etc, até pra garantir a fidelidade à coroa... como coisas boas criadas e deixadas como prova de como eram "gente boa", foi preciso escravizar seres humanos, para trabalhar, pois este não era um costume deles, nem na terra natal. E, a cotas nas universidades não é direito a mais pra ninguém, é apenas JUSTIÇA, com aqueles que foram sacaneados e tirado a liberdade, para construir o que temos hoje. Ninguém fala na diferença dos que tem grana e se formam em escolas particulares e caras, tendo assim mais facilidade de entrar numa universidade pública, enquanto os que estudam em escolas públicas (a maioria do povo brasileiro) ralam de dia para estudar a noite ficam com o resto que sobra, se sobrar...O que o governo tem feito chama-se JUSTIÇA SOCIAL, e não tem nada a ver com privilégios.

  15. Maria Libia Postado em 29/Jun/2013 às 11:30

    ORLANDO, como voce sabe escrever, penso que sabe um pouco de matemática. Então vamos lá. O governo deu aos afro, indígenas, etc. 50% de quotas nas univerdidade públicas, portanto 50% estão a disposição dos alunos particulares. Segundo o IBGE, 88% de jovens brasileiros estudam em escola pública, 12% em escolas particulares, no ensino médio. Oras, se as quotas são 50%, veremos que 38% dos estudantes públicos estão fora . Então perceba o privilégio dos estudantes particulares que tem 38% a mais de vagas. Portanto, se seus filhos não consegue entrar nas faculdade é, apenas, por falta de inteligência. O problema da sua reclamação é porque você não admite que seus filhos disputem par a par com os alunos públicos. A pessoa que é racista, esquece que a única raça que veio ao Brasil forçada, foi a negra, pois os italianos, japoneses, espanhois e que tais, vieram PELA FOME, pois ninguém atravessa dois oceanos para morarem num país que sequer sabiam onde ficava. Atravessa oceanos, da forma mais insuportável, pela fome, deve ser indescritível mesmo. Mas tinha o GRANDE BRASIL, AMADO BRASIL, para recebê-los.

  16. Leo Postado em 20/Aug/2013 às 12:45

    Orlando, Seu comentário é típico de gente hipócrita que pensa que não existe racismo no Brasil. Ninguém tem mais direitos que outros por causa das cotas, mas uma pessoa negra pode sim ser desrespeitado por causa de sua cor da pele.

  17. luis Postado em 21/Aug/2013 às 09:16

    Eu fui o único aqui que percebeu que ela ficou brava com o preço do suco antes de falar suas bobagens racistas? Foi trollada pelo dono da padaria ahuahauhauahua!