Redação Pragmatismo
Educação 23/May/2013 às 16:14
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Principais métodos de estudo não funcionam, diz estudo

Métodos de estudar para provas não funciona, segundo estudo. Pesquisadores avaliaram estudos sobre as dez técnicas mais populares de revisão para provas

Os métodos favoritos de se preparar para provas escolares não são os que garantem os melhores resultados para os estudantes, segundo uma pesquisa feita por um grupo de psicólogos americanos. Universidades e escolas sugerem aos estudantes uma grande variedade de formas de ajudá-los a lembrar o conteúdo dos cursos e garantir boas notas nos exames.

Entre elas estão tabelas de revisão, canetas marcadoras, releitura de anotações ou resumos, além do uso de truques mnemônicos ou testar a si mesmo.

Mas segundo o professor John Dunlosky, da Kent State University, em Ohio, nos Estados Unidos, os professores não sabem o suficiente sobre como a memória funciona e quais as técnicas são mais efetivas.

métodos para estudar

Principais métodos de estudar para provas não funciona, segundo estudo. Somente duas das dez técnicas avaliadas se mostraram efetivas (Imagem: Reprodução)

Dunlosky e seus colegas avaliaram centenas de pesquisas científicas que estudaram dez das estratégias de revisão mais populares, e verificaram que oito delas não funcionam ou mesmo, em alguns casos, atrapalham o aprendizado.

Por exemplo, muitos estudantes adoram marcar suas anotações com canetas marcadoras.

Mas a pesquisa coordenada por Dunlosky – publicada pela Associação de Ciências Psicológicas – descobriu que marcar frases individuais em amarelo, verde ou rosa fosforescente pode prejudicar a revisão.

– Quando os estudantes estão usando um marcador, eles comumente se concentram em um conceito por vez e estão menos propensos a integrar a informação que eles estão lendo em um contexto mais amplo – diz ele.

– Isso pode comprometer a compreensão sobre o material – afirma.

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Mas ele não sugere o abandono dos marcadores, por reconhecer que elas são um “cobertor de segurança” para muitos estudantes.

Resumos e mnemônicos

Os professores regularmente sugerem ler as anotações e os ensaios das aulas e fazer resumos.

Mas Dunlosky diz: “Para nossa surpresa, parece que escrever resumos não ajuda em nada”.

– Os estudantes que voltam e releem o texto aprendem tanto quanto os estudantes que escrevem um resumo enquanto leem – diz.

Outros guias para estudo sugerem o uso de truques mnemônicos, técnicas para auxiliar a memorização de palavras, fórmulas ou conceitos.

Dunlosky afirma que eles podem funcionar bem para lembrar de pontos específicos, como “Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, Seno A Cosseno B, Seno B Cosseno A”, para lembrar a fórmula matemática do seno da soma de dois ângulos: sen (a + b) = sena.cosb + senb.cosa.

Mas ele adverte que eles não devem ser aplicados para outros tipos de materiais: “Eles não vão te ajudar a aprender grandes conceitos de matemática ou física”.

Repetição

Então, o que funciona?

Somente duas das dez técnicas avaliadas se mostraram efetivas – testar-se a si mesmo e espalhar a revisão em um período de tempo mais longo.

– Estudantes que testam a si mesmos ou tentam recuperar o material de sua memória vão aprender melhor aquele material no longo prazo – diz Dunlosky.

– Comece lendo o livro-texto e então faça cartões de estudo com os principais conceitos e teste a si mesmo. Um século de pesquisas mostra que a repetição de testes funciona – afirma.

Isso aconteceria porque o estudante fica mais envolvido com o tema e menos propenso a devaneios da mente.

– Testar a si mesmo quando você tem a resposta certa parece produzir um rastro de memória mais elaborado conectado com seus conhecimentos anteriores, então você vai construir (o conhecimento) sobre o que já sabe – diz o pesquisador.

‘Prática distribuída’

Porém a melhor estratégia é uma técnica chamada “prática distribuída”, de planejar antecipadamente e estudar em espaços de tempo espalhados – evitando, assim, de deixar para estudar de uma vez só na véspera do teste.

Dunlosky diz que essa é a estratégia “mais poderosa”. “Em qualquer outro contexto, os estudantes já usam essa técnica. Se você vai fazer um recital de dança, não vai começar a praticar uma hora antes, mas ainda assim os estudantes fazem isso para estudar para exames”, observa.

– Os estudantes que concentram o estudo podem passar nos exames, mas não retêm o material – diz.

– Uma boa dose de estudo concentrado após bastante prática distribuída é o melhor caminho – avalia.

Então, técnicas diferentes funcionam para indivíduos diferentes? Dunlosky afirma que não – as melhores técnicas funcionam para todos.

E os especialistas acreditam que esse estudo possa ajudar os professores a ajudar seus alunos a estudar.

Correio do Brasil

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Comentários

  1. Italo Postado em 23/May/2013 às 17:59

    O argumento a respeito dos marca-textos revela total falta de conhecimento de causa. Há técnicas de uso de marca-textos que integram o conhecimento. Essas técnicas, inclusive, são bem óbvias e intuitivas - eu, por exemplo, aprendi sozinho. Recentemente, fiquei sabendo que são é ensinadas em cursos do SENAI.

  2. Pedro Gontijo Postado em 24/May/2013 às 01:08

    O professor torna-se aluno ao aprender como deve melhor ensinar seus alunos a aprender, de acordo com o estudo que diz como se melhora o estudo. Legal!

  3. Faria Postado em 24/May/2013 às 10:42

    Alunos deixam para estudar na véspera porque provas são caracterizadas desde cedo como coisas horríveis, difíceis, feitas para o indivíduo falhar. Para eles, é algo que deve ser evitado sempre. Isso não é de hoje, o jovem sempre tem algo mais sedutor que a rotina escolar, se ele puder escolher entre estudar para um evento tão massacrante (psicologicamente) como uma prova ou algumas horas de diversão com amigos, vence a segunda opção.

  4. Professora Postado em 24/May/2013 às 11:03

    Não funcionam para alguns, comigo sempre funcionou muito bem.

  5. Chris Santos Postado em 27/May/2013 às 11:41

    "Testar a si mesmo" significa, entre outras coisas, ler o material de estudo, relê-lo, e continuar lendo-o em períodos espalhados - como o próprio texto sugere - e, posteriormente, resolver exercícios sobre o assunto estudado, bem como criar "flash cards" (por exemplo) com o tópico e tentar respondê-lo com o conhecimento consolidado apreendido pelo cérebro. Por exemplo, se você estiver estudando Teorias da Personalidade Jurídica, crie um "flash card" da seguinte maneira: "03 teorias sobre quando a pessoa adquire a personalidade jurídica". A partir daí, você responde com o que aprendeu a respeito do tema.

  6. Paulo Santa Helena Postado em 01/Jul/2013 às 10:34

    como professor sempre preferi "testes relâmpago", sem data marcada, assim informava aos alunos que estudar teria que transformar-se num hábito e não apenas na véspera de provas, acho que não estou muito errado...

  7. I.F.Neto Postado em 18/Jul/2013 às 12:14

    Pessoalmente, uso uma técnica que não conheço mais ninguém que use: durmo uma hora mais cedo que o normal e, acordo uma hora mais cedo. Faço minha higiene pessoal e, começo a estudar(estudo normal, lendo, tomando notas, fazendo exercícios e resolvendo problemas). Cedo de manhã, estou descansado, o mundo está quieto, ninguém me incomoda. Sem distrações, o estudo é mais efetivo. Em seguida, sigo a minha vida normal. Estudei de forma tradicional por muito tempo, incluindo estudar até ficar cansado, pouco antes de dormir(de longe, a mais ineficaz forma de estudar). Com essa simples mudança, os resultados melhoraram muito. Junto com as informações desse artigo, acho que é muito bom estudar assim. Resumindo: dormir quando tiver sono, acordar mais cedo, estudar nesse horário não menos que 40 minutos e, não mais que 90 minutos. Espero ter ajudado...

  8. Jorge Postado em 09/Aug/2013 às 14:21

    "Alunos deixam para estudar na véspera porque provas são caracterizadas desde cedo como coisas horríveis, difíceis, feitas para o indivíduo falhar." Nada pode estar mais longe da verdade, nos dias de hoje. As provas são de tal forma fáceis que o aluno já sabe que não precisa estudar. Os que, além de não estudar, também sequer prestam atenção à aula logo percebem que serão aprovados no final do ano em conselho de classe. Porque se dormissem ou conversassem só metade do tempo, já conseguiriam média. Como resultado, o estudo é algo totalmente sem sentido para as crianças e jovens, algo como uma atividade desonrosa, aceitável somente àqueles desprovidos de talento para esportes ou pouco atraentes para namorar.

  9. Rafael Teodoro Postado em 19/Dec/2013 às 13:32

    Sabe qual é o melhor jeito de se aprender? Num digo decorar, mas aprender mesmo... Teatro. Os alunos da Grécia antiga sentavam-se à sombra do plátano para ouvir os mestres ensinar, depois eram convidados a representar o que lhes fora transmitido. Seria uma boa adotar uma técnica similar a esta em escolas e universidades. Adapta-la a nossa realidade e tirar proveito disso. Quando fosse estudar em casa para a prova por exemplo, o conteúdo estaria cravado na sua mente, bastando um pouco de leitura para e organizar as ideias. Vivenciar é a melhor maneira de aprender.

  10. Germano Postado em 19/Dec/2013 às 13:49

    Pra mim a melhor técnica é a que o meu professor de Metologia Científica me ensinou. A técnica é chamada de Mapas Conceituais (bastante conhecida e que não foi citada no texto), onde são anotadas apenas palavras chaves são colocadas em blocos interligados através de relações(que também serão palavras chaves, mas que ligam dois ou mais conceitos). É um excelente forma de enxergar um problema, ou um resumo de um texto de forma generalista e abstrata, poupando-se assim dos detalhes que serão assimilados automaticamente ao observar o mapa conceitual com um todo.

  11. Igor Monteiro Vieira Postado em 19/Dec/2013 às 17:33

    Acredito, por experiência própria, assim como sou semelhante neurologicamente aos outros indivíduos, que o aprendizado vem do desejo de aprender. Assim como perguntava Freud em suas psicanálises, "Qual é o seu desejo?". Uma vez se compreendido nesta questão, o aprendizado é o resultado de sua auto análise diante determinado assunto, que desperta o interesse e surgem dúvidas. Perceba que, se não há interesse, há silêncio. O movimento do pensar ocorre, por sua vez, ao ser despertado. Seja na arte como os gregos, seja na música, seja no esporte, seja rabiscado no Blindex do banheiro ou no espelho de casa, colado em Post-its, seja no que for de seu interesse onde faça o Link com o que, por desejo seu, quer aprender.

  12. gabriela Postado em 20/Dec/2013 às 13:00

    cada pessoa funciona diferente, tem gente que tem uma boa memória visual, tem gente com boa memória auditiva, tem gente que não.. cada um tem um jeito de memorizar melhor as coisas... seja escutando, lendo, escrevendo, fazendo, praticando.. cada um precisa encontrar o seu método...