Redação Pragmatismo
Compartilhar
Mulheres violadas 06/May/2013 às 19:20
17
Comentários

Não é o futebol que nos une como brasileiros, e sim o machismo

"Todos nós, homens, somos sim inimigos até que sejamos educados para o contrário. E tendo em vista a formação que tivemos, é um longo caminho até alcançarmos um mínimo de decência para com o sexo oposto"

Leonardo Sakamoto

É incrível o malabarismo com palavras que alguns comentaristas fazem para justificar um comportamento machista. Gostaria de saber por que alguns machos cismam em achar que violência só aparece na forma de mata-leão, soco no olho e cotovelada que alguns proferem contra as mulheres quando não têm seus desejos atendidos. O pior é o que passa despercebido, como se fosse parte de algo que nos faz brasileiros.

machismo no brasil

O que nos une como brasileiros não é o futebol, e sim o machismo (Foto: Reprodução)

Muitas são vítimas de violência doméstica e no trabalho, enfrentam jornadas triplas (trabalhadora, mãe e esposa), não têm direito à autonomia do seu corpo – que dirá de sua vida, pressionadas não só por pais e companheiros ignorantes mas também por uma sociedade que vive com um pé no futuro e o corpo no passado. A qual todos nós pertencemos e, portanto, somos atores da perpetuação de suas bizarrices. Discutimos muito sobre as mudanças estruturais pelas quais o país tem que passar, citando saúde, educação, transporte, segurança, mas esquecemos dos problemas ligados aos grupos que sofrem com o desrespeito aos seus direitos fundamentais. Que não conhecem classe social, cor ou idade. Como as mulheres que são maioria numérica – e minoria em dignidade efetiva. Alguns comentários:

1) Dado Dolabella, que ficou conhecido por agressão e por ser enquadrado na Lei Maria da Penha, ganhou um R$ 1 milhão em um reality show após voto maciço de internautas e telespectadores. Um povo que premia um agressor de mulheres tem moral para reclamar de corrupção na política ou de qualquer outra coisa?

Leia também

2) Temos uma mulher na Presidência. Simbolicamente relevante, politicamente insuficiente. São poucas as governadoras, prefeitas, senadoras, deputadas, vereadoras. Mas também CEOs, executivas, gerentes, síndicas de condomínios. Isso sem falar das chefias de redação. Falta criar condições para que elas cheguem lá. Ou alguém acha que isso vai ocorrer por geração espontânea?

3) A Suprema Corte tem 11 assentos. Só dois deles pertencem a mulheres, infelizmente. Quem liga a TV Justiça em horário de transmissão do STF de pautas importantes e temas que são holofotes para o ego sabe o que estou dizendo.

4) Para muita “gente de bem”, pior que exploração sexual de crianças é mulher adulta ter direito a decidir sobre seu próprio corpo. Até porque, cada coisa no seu lugar: mulher é historicamente objeto e menina com peito e bunda já é mulher.

5) Um juiz de Sete Lagoas (MG) disse ao rejeitar punições baseadas na Lei Maria da Penha?: “Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (…) O mundo é masculino! A idéia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem!”(…) Para não se ver eventualmente envolvido nas armadilhas dessa lei absurda, o homem terá de se manter tolo, mole, no sentido de se ver na contingência de ter de ceder facilmente às pressões.”

6) Tem também o arcebispo de Olinda e Recife José Cardoso Sobrinho, que excomungou os médicos envolvidos em um aborto legal realizado em uma menina de nove anos, grávida de gêmeos do padrastro que a estuprava desde os seis anos de idade. Ela tinha 1,36 m e 33 quilos.

7) Em 1983, o ex-marido de Maria da Penha atirou nas costas da esposa e depois tentou eletrocutá-la. Não conseguiu matá-la, mas a deixou paraplégica. Muitos anos de impunidade depois, pegou seis anos de prisão, mas ficou pouco tempo atrás das grades. A sua busca por justiça tornou-a símbolo da luta contra a violência doméstica. A Lei Maria da Penha, aprovada em 2006 para combater a violência doméstica contra a mulher, sofre constantes ataques desde que foi criada. Interpretações distorcidas de juízes, falta de orçamento para colocar políticas de prevenção em prática, tentativas de diminuir a força dessa legislação.

8) A opressão é, por vezes, travestida de um simples costume. Por exemplo, forçar a namorada a adotar o sobrenome após o casamento é bisonho. A lei garante que ela não seja obrigada mas, mas forte que a lei, são os olhares tortos da família do noivo e, não raro, também da família da noiva. Uns vão chamar de tradição – esquecendo que tradição é algo construído, muitas vezes pela classe (ou gênero) dominante.

9) Homens que trabalham no Brasil gastam 9,2 horas semanais com afazeres domésticos, enquanto que as mulheres que trabalham dedicam 20,9 horas semanais para o mesmo fim – dados de uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho. Com isso, apesar da jornada semanal média das mulheres no mercado ser inferior a dos homens (34,8 contra 42,7 horas, em termos apenas da produção econômica), a jornada média semanal das mulheres alcança 57,1 horas e ultrapassa em quase cinco horas a dos homens – 52,3 horas – somando com a jornada doméstica. E os caras ainda dizem que trampam mais do que elas.

10) Pesquisas apontam que a violência doméstica não é monopólio de determinada classe social e nível de escolaridade. A mão que, à noite, espanca pode ter apertado o sinal de parada do ônibus ou roçado o banco de couro de um BMW. O que une os diferentes não é o futebol. É o machismo. Cantar um “tapinha não dói” tornou-se hit cult e sucesso popular.

É o que eu já disse aqui antes: todos nós, homens, somos sim inimigos até que sejamos educados para o contrário. E tendo em vista a formação que tivemos, é um longo caminho até alcançarmos um mínimo de decência para com o sexo oposto. Grande parte dos comentaristas deste blog estão aí para provar meu ponto.

Recomendados para você

Comentários

  1. Radamés Postado em 07/May/2013 às 08:35

    Parabéns você retrato um país que eu faço parte. Espero que outros homens tenha o prazer de até sua morte conseguir ver que a MULHER é algo divino e que elas podem mudar o rumo da humanidade, mas nós temos que andar juntos lado a lado com elas, pois desta maneira teremos um futuro com muito mais AMOR e consequentemente PAZ.

  2. Gina Postado em 07/May/2013 às 11:17

    Texto excelente! Mas só uma falha: o tapinha da música se refere ao uso de maconha, não a uma agressão física.

  3. Carlos Postado em 07/May/2013 às 16:04

    Bem, não podemos negar que existe a violência contra mulher, porém é idiotice falar que homens são inimigos das mulheres até que se eduque o contrário. Existem muitos casos de violência, muitos de homens contra mulheres, outros de homens contra homens, ou de mulheres contra homens, ou ainda de mulheres contra mulheres. Vivemos em uma sociedade violenta, o que precisa ser mudado. A violência contra a mulher provocada por um homem não é a regra na estatística de violência e é muito exagerada vitimizando demais a mulher e transformando qualquer ser do sexo masculinos num monstro. Não é numa dialética homem vs mulher que vivemos.

  4. Rafael V. Postado em 10/May/2013 às 19:18

    Grande texto! Pelas redes sociais se percebe o quão machista e preconceituoso o brasileiro é, mesmo que, através do "malabarismo com palavras", como vc falou, ele tente negar o óbvio, inclusive com frases paradoxais no estilo de "Não sou machista/preconceituoso, só não concordo com os direitos de 'x'". Obs.: Em momento algum no texto ele falou "homens são inimigos das mulheres", como o amigo falou aí em cima.

  5. Regina Postado em 29/May/2013 às 16:01

    Texto perfeito!

  6. Rodrigo Postado em 06/Jun/2013 às 20:25

    Carlos, O seu argumento (de que homens não são inimigos das mulheres porque existem muitos casos de violência homem-homem, homem-mulher e mulher-mulher) não faz muito sentido. Existe sim violência e ele deve ser combatida, mas isso nao significa que todos os casos devem ser tratados da mesma forma. Se um homem sofre violência de outro homem, não existe nenhum "impedimento moral" em ele denunciar esse crime. Nenhum homem ouve frases como "dá mais uma chance para ele (o agressor)", "o que o resto da família vai pensar se você espalhar essa noticia", "isso acontece, engole o orgulho". Mulheres agredidas ouvem isso e muitas outras barbaridades todos os dias.

  7. Solange Postado em 07/Jun/2013 às 08:11

    O mais importante aqui é sempre o debate que envolve o assunto. Não existe verdade, existem pontos de vista e o fato de se debater o assunto é sempre a melhor oportunidade de mudar, repensar. Jesus é um grande exemplo de pessoa pq defendeu a mulher adultera, curou a filha de Jairo, mas também foi muito piedoso com os homens, porque importa mesmo o ser humano. O problema todo se resume em EGO. A maioria dos homens querem ter a certeza de que estão no controle e daí perdem o controle... quando as palavras não são inteligentes a ignorância impera e essa ignorância vem sim de uma educação distorcida, de uma cultura burra e de uma sociedade sem educação. Vivamos todos como pessoas com suas capacidades de inteligência e potencial desenvolvidos e suas relações afetivas bem resolvidas, sem essa confusão de querermos dominar ao outro.... O homem precisa amar sem medo, demonstrar esse amor, chorar é coisa de homem sim... abraçar os filhos, colocar no colo, desenvolver esse potencial afetivo!!!! Nesse ponto o homem foi oprimido pela sociedade.... e muitas vezes essa conduta leva a violência pq ele ganha uma arminha de brinquedo e desenvolve isso e a menina com sua bonequinha desenvolve o cuidado...

  8. Barillo Postado em 24/Jun/2013 às 05:10

    Mulher agredida tá na periferia,onde moro e conheço muito bem. E as palavras espúrias de um movimento de meninas criadas a toddynho se auto-difamando(Marcha das vadias,.....Haja saco mano)nunca chegaram por aqui. Essas mulheres gritam no VAZIO,porque nunca sofreram por nada. Nunca levaram sequer chute na bunda de namorado,só fizeram contato com livros marxistas na Universidade e tiveram seus cérebros lavados pelo barbudo maluco. Gente assim não faz e nunca fará nada pela mulher,playboyzada pseudo-comunista. Quem faz são as ONG'S especializadas em atender mulheres agredidas e os MOVIMENTOS CRISTÃOS que estão sempre apoiando tudo e todos. E que são efetivamente da periferia,e ouvem as vozes das mulheres que sofrem de verdade. Essas,da marcha das vadias(olha o nome....complicado),gritam no vazio.Suas vozes não tem humildade e o eco necessário para chegar naquelas que verdadeiramente sofrem. Sem mais.

    • Pablo Postado em 02/Jan/2014 às 17:51

      Cristaos apoiando tudo e todos? Hahaha... em q mundo vc vive, amigo?

  9. Sabrina Postado em 24/Jul/2013 às 15:04

    Esse texto definiu uma dura realidade que enfrentamos à tempos, a mulher é reprimida desde os mais remotos tempos, somos vítimas de uma hereditariedade machista, que nunca viu a mulher como um humano livre, a liberdade de fazer o que quisermos é inexistente, mas tem um fator também para podermos falar que é: querendo ou não, quando temos um filho, é a nossa função de criar, o homem não precisa necessariamente criar o filho junto com a mãe, se não for pela mãe como o filho vai se virar sozinho, e também a criança não tem nada a ver com essa decisão, também tem o fato de que se queremos igualdade total de direitos, porque ainda queremos depender de um homem para criar nossos filhos, porque o casamento ainda existe, porque queremos ter namorados, e por fim ter filhos que vão sim nós reprimir de nossos interesses e nossa liberdade ,por que afinal queremos seguir ainda essa linha de raciocínio que nos deixa sim reprimidas? A cultura e gênero que seguimos ainda é muito machista mesmo.

  10. Inácio Vieira Postado em 24/Jul/2013 às 15:22

    Barillo, não seja estúpido. Uma mulher não precisa ter sido espancada e tampouco ser uma universitária comunista pra defender o direito de igualdade e não violência à sua classe. Protestos funcionam sim, mobilização para a igualdade é sempre bem vinda e não devemos tentar calar as vozes que buscam a isonomia de direitos. Sobre os "grupos cristãos", gostaria de lhe informar que o cristianismo é um dos pilares de sustentação dos abusos e desconsideração social da mulher. A própria igreja católica impede que mulheres tenham cargos de maior destaque, e algumas evangélicas tampouco ordenam mulheres. O cristianismo ainda sustenta a ideia de que a mulher foi criada depois, que ela incitou o homem ao pecado e que ela deve submissão ao homem, pois este, e apenas este é imagem e semelhanc de Deus. Me desculpe, mas seus argumentos (se é que assim posso chamar) são além de falhos, moralistas, infundados, e claros exemplos de como o machismo brasileiro se mascara de coeso.

  11. Giovanna Postado em 24/Jul/2013 às 20:05

    Barillo, Concerteza você não entende o machismo e só vê o que é escancarado, o machismo atige a TODXS, inclusive a homens, inclusive a "playboyzada", pois uma melhor condição financeira não faz com que você não seja afetado por ele. Além disso, a Marcha das Vadias não é uma "auto-difamação" e sim uma forma de tornar uma palavra pejorativa que é amplamente usada em nossa sociedade para ofender às mulhers, em algo que não ofenda, em algo positivo, "VADIA É QUEM LUTA E NÃO SE CALA". ONG's e movimentos cristãos podem até atender a mulher agredida e acolhê-la, mas o FEMINISMO procura atingir a raiz dos problemas: o MACHISMO.

  12. Rosi Postado em 24/Jul/2013 às 20:41

    Barillo, com todo respeito, não há nexo nas suas opiniões. Então para a mulher lutar contra a agressão ela deve, obrigatoriamente, ter sido agredida? Só faz sentido uma mulher lutar contra o machismo se ela já tiver sofrido nas mãos de pessoas machistas? É o mesmo que dizer que só homossexuais podem lutar pelos direitos dos homossexuais, só os negros podem lutar pelo direito dos negros, etc. E saiba que a MARCHA DAS VADIAS é um movimento válido pois prega a AUTONOMIA DA MULHER sobre o seu corpo, e diferente do que sua cabecinha preconceituosa prega, não é formado apenas por ''meninas criadas a toddynho''. Não importa se ela é da favela, se é de bairro nobre, se é branca, se é negra, a luta é pelos direitos da mulher, de todas, independente de classe, cor, religião. E não me venha com MOVIMENTOS CRISTÃOS, isso não é liga religiosa. Como se o cristianismo fosse a religião mais altruísta. Por favor, abra a sua cabecinha. Movimentos cristãos realmente apóiam tudo e todos, inclusive padres pedófilos, pastores ladrões e guerras mundo afora.

  13. Sara Postado em 25/Jul/2013 às 03:57

    Barillo, preste atenção no que vou dizer. Aprendi a lavar banheiro e a lavar louça com 7 anos. Meu irmão não. Aprendi a fazer arroz com 9. Meu irmão nada, continuava a jogar Super Nintendo (que eu não podia brincar, porque "não conseguia entender como funcionava"). Aos 10 anos, minha mãe me xingava por brincar feito menino e não aprender a fazer crochê, bordado, essas coisas que "toda menina tem que saber fazer". Com 11, 12 anos, eu não queria usar sutiã, roupas cor de rosa, nem nada disso, não me sentia bem. Fui completamente humilhada pela minha família por isso até aproximadamente os 15 anos. Toda festa de família era a mesma coisa: "pelo amor de Deus Sara, quando é que você vai tirar essas roupas pretas?" "Sara, quando é que você vai dar a alegria pra sua mãe de usar uma sandalinha?" "desse jeito você tá agorando a vida dos seus pais, Sara. Você deveria sentir vergonha e parar de vestir assim." etc. Fui criada numa família classe C normal. Pais sem fundamental completo. Mãe retirante nordestina (para São Paulo). Pai que perdeu a mãe cedo e teve que criar os irmãos desde os 13 anos. Porém, o emprego de recepcionista do meu pai, naquela época, permitia que a gente comesse Sucrilhos, Toddy com leite, Cheetos, etc., e minha mãe "não precisava trabalhar", então cuidava do lar e fazia algumas "coisinhas" pra ajudar na renda: fazia crochê, tricô, bolos, cortava cabelo, lavava roupa pra uma clínica, tudo em uma média de 3 serviços por semana (de cada item). Além, é claro, de cuidar de mim e do meu irmão. Não morei na periferia. Eu fui seriamente violentada durante toda a minha vida, cara. A violência física é um agravante que muda tudo para o mais pior possível. Mas o fato de eu nunca ter sido efetivamente fisicamente violentada na minha vida, não quer dizer que eu não tenha sofrido a violência de uma sociedade machista. Assim como eu, milhões de garotas na MESMA condição, aqui no asfalto, fora da periferia, estão tentando levar uma vida mais digna da que nos foi apresentada que seria durante a nossa criação. Há outras em condições financeiras melhores, que foram criadas por um pai dono de uma empresa, que passaram pelas mesmas situações. O machismo não se aplica apenas à forma como mulheres são o tempo todo agredidas fisicamente. AGRESSÃO é uma palavra de sentido absolutamente mais amplo, e de níveis que as vezes tem pouca comparação entre si.

  14. Julia Postado em 25/Jul/2013 às 04:02

    O machismo está na forma como a sociedade se comporta e se estrutura. Ela é estratificada em diversos niveis, e uma grande divisão é a macho-femea. Sempre que sinto vergonha de usar uma bermuda pois o pelo da minha canela esta aparecendo, estou sendo violentada. Sempre que duvidam de minha capacidade, estou sendo violentada. Sempre que me vestiram apenas de rosa, fui violentada. Sempre que nunca pude ser pastora ou padre, fui violentada. Sempre que nunca posso me desenvolver completamente, eu sofro. A nossa sociedade atrofia as mulheres. "Elas não estão sofrendo de verdade". Sofrimento de mulher é menor? Menos importante?

  15. Cíntia Postado em 09/Aug/2013 às 00:04

    Vale lembrar, como foi afirmado no texto, que violência de gênero não tem classe. Meninas criadas a toddynho sofrem sim violência - velada, insidiosa, difícil de identificar e portanto de lutar contra, e também violência explicita, que requer maquiagem para os colegas de trabalho não perceberem, pq a vitima frequentemente se sente culpada. Movimentos cristãos defendem o estatuto do nascituro - fica difícil acreditar que isso é defender a mulher. Quando um movimento de mulheres se apropria do insulto dirigido a elas por quem supostamente deveria defende-las (você não vai ser estuprada se não se vestir como uma vadia), é ... complicado - mas não é complicado culpar a mulher pelo estupro, porque a saia era muito curta, a blusa muito transparente... Os homens "tem"que estuprar uma mulher de blusa transparente? isso não é complicado? pensando bem, isso não é ofensivo para os homens? Eles são seres tão primitivos que não controlam seus impulsos?