Luis Soares
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Direitos Humanos 20/May/2013 às 23:32
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Maioria da população de rua não bebe nem se droga, aponta estudo

Pesquisa derrubou mitos e trouxe à tona outra realidade sobre o perfil dessa população; somente 13% dos moradores de rua são analfabetos, 65% não bebem e 62% não usam drogas

O Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro realizou um estudo para traçar um perfil das pessoas em situação de rua, na região metropolitana da capital. A pesquisa derrubou mitos e trouxe à tona outra realidade sobre o perfil dessa população. Somente 13% dos moradores de rua são analfabetos, 65% não bebem e 62% não usam drogas.

morador rua bebe droga

Estudo mostra que maioria da população de rua não bebe nem usa drogas (Reprodução)

“A intenção do projeto era realizar um mapeamento dessa população. É muito difícil realizar esse censo, nem o Censo do IBGE os afirma, pois parte da premissa do endereço,ou seja, são pessoas invisíveis”, afirmou a coordenadora do estudo, Juliana Moreira.

Para o vereador Renato Cinco (PSOL), a desmistificação dos hábitos da população de rua é “extremamente importante”. “Esse estudo fortalece uma crítica que fazemos ao governo e para a imprensa, que sempre transformou a população de rua como ‘cracudos’. Espero que possamos tratar dessa população sem os estigmas e os mitos que recaem sobre eles.”

“Há relatos durante as entrevistas de violação de Direitos Humanos por parte dos agentes da prefeitura. Os relatos apontam que esses agentes rasgam os documentos”, disse Cinco sobre o projeto “População de Rua”, da prefeitura do Rio, que começou em dezembro. “Tenho escutado muitas denúncias de violência contra moradores de rua nessas abordagens do projeto. É um processo de higienização no Rio de Janeiro.”

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O Ministério Público do Rio entrou com uma ação civil pública, onde pede a perda de função pública e suspensão por cinco anos dos direitos políticos do prefeito Eduardo Paes e do secretário de governo, Rodrigo Bethlem, por conta da ação adotada contra moradores de rua. Segundo a promotoria, os agentes utilizam armas de fogo para levarem compulsoriamente as pessoas a um abrigo.

A ausência dos documentos evita que pessoas em situação de rua não tenham acesso a políticas sociais. A Defensoria escutou 1.247 pessoas em situação de rua, destes, 1.049 não possui acesso a benefícios assistenciais.

Com os resultados, a Defensoria irá estabelecer parcerias com o Tribunal de Justiça e o Ministério do Trabalho, para emitir novos documentos e emitir a Carteira de Trabalho da população de rua.

Igor Carvalho, Revista Fórum

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Comentários

  1. Pablo Vieira de Mendonça Postado em 20/May/2013 às 23:43

    São vários fatores que levam as pessoas a morarem nas ruas: problemas mentais, êxodo de trabalho fracassado, escolha, baixa renda, uso de entorpecentes, criminalidade, abandono da família, etc... Quem trabalha com essa população sabe a gama de causas e efeitos.

  2. alex Postado em 21/May/2013 às 10:06

    que deus ajude os

  3. Mateus Feliciano Postado em 21/May/2013 às 10:27

    Trabalho a 7 anos com moradores de rua e entendo que esta pesquisa está muito equivocada.

  4. MB011 Postado em 21/May/2013 às 15:48

    O que é ser considerado "alfabetizado" pra essa gente que faz pesquisa no Brasil? Será que 87% dos mendigos sabem como escrever "corinthians"? Duvido. Por quanto tempo acompanharam essas pessoas para ter certeza de que não bebem e se drogam? Ficaram com eles durante a madrugada? Ou simplesmente chegam lá e perguntam: O senhor bebe? O sr. fuma pedra? O cara responde não e pronto! Muito confiáveis esses dados. Não confio em pesquisa nenhuma, muito menos nesse país onde o povo é feito de otário a todo minuto.

    • comsal Postado em 14/May/2014 às 20:23

      MBO11, população de rua não significa mendigos. Eles infelismente não tem onde morar e por não terem endereço, sequer podem usar um posto de saúde. Tenho alunos que moram na rua e um deles é meu melhor aluno. Já emprestei meu endereço a um deles pelo simples fato dele querer fazer o tratamento de dente e não tinha como fazer o cartão do SUS por não ter endereço.

  5. jose evando Postado em 31/Jul/2013 às 21:37

    Quem dera aq no brasil agente ter mendigos neste nível e nesta escala

  6. Cássila Kirst Postado em 05/Aug/2013 às 07:52

    Eu acredito que a maior parte dos moradores de rua estão nessa situação devido a problemas mentais, psicológicos, emocionais, sendo assim a maioria faz sim uso de drogas (lícitas e ilícitas) para minimizar sua dor, a dor do abandono familiar, a dor de qualquer fracasso mal curado, etc, e mesmo àqueles que fizeram da rua sua casa por uma escolha consciente, como é o caso de comunidades nômades e alguns artesãos, comumente têm a bebida como uma amiga. Como disseram aqui em cima, só perguntar à pessoa se ela usa não pode ser considerada uma base tão segura para uma política pública, nem acho q há a necessidade de passar madrugadas ao lado do entrevistado, o que tbm não deve ser uma boa metodologia de pesquisa, enfim, o q a pesquisa descobriu, no meu ponto de vista, é que esses moradores se consideram alfabetizados e não se consideram usuários de drogas, o que pode demonstrar, em alguns casos, o problema mental q eu citei no início. Sobre documentação, eu já trabalhei, através de um programa federal de assistência, com uma família que não era totalmente de rua, pois viviam 13 pessoas em 4 cômodos, mas alguns estavam habituados a mendigar e dormir na rua, a realidade daquela família é que eles próprios não se interessavam em ter sua documentação completa, pq acreditavam q se tivessem assistência do INSS ou outros programas mais rígidos, deixariam de receber cestas básicas, entre outros "benefícios" de programas menos rígidos (q não exigiam tanta documentação). Este é só um caso, não pode ser a única base para uma política pública e nem para argumentação contra essa matéria, mas é um alerta, pq nem tudo é tão direto e tão reto quando se trata do humano.