Luis Soares
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Eleições 2014 17/May/2013 às 14:39
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Evangélicos fazem força-tarefa pela criação do partido de Marina Silva

Pastores fazem mutirão para colher assinaturas para o novo partido de Marina. O ‘Rede’ agora corre contra o tempo para conseguir o registro da Justiça Eleitoral até 5 de outubro, prazo que permitiria disputar a eleição de 2014

Em frente à Assembleia de Deus – Ministério do Belém, na capital paulista, duas mulheres, com prancheta nas mãos, se aproximam dos homens que chegam apressados à igreja, segurando Bíblias. Vestidas com camiseta do Rede Sustentabilidade, as voluntárias pedem assinaturas para o partido articulado pela ex-senadora Marina Silva, antes da reunião mensal que reúne até 3 mil pastores e obreiros. “É para apoiar a Marina”, diz uma das mulheres, exibindo uma foto da ex-senadora. Na porta do templo, são distribuídas fichas para a coleta de 66 mil assinaturas.

marina silva rede evangélicos

Novo partido de Marina ainda não atingiu o número de assinaturas necessárias, mas tudo indica que conseguirá.

Cada religioso ganha um envelope com 11 folhas, com espaço para 33 assinaturas. “O pastor Lélis pediu para pegar e devolver preenchida”, diz o pastor que entrega as fichas. A orientação é devolver tudo completo dentro de uma ou duas semanas.

O nome do pastor Lélis Washington Marinhos, uma das lideranças do Ministério do Belém, quebra a resistência dos que não sabem para quem coletarão assinaturas. “Não é um trabalho oficial da igreja, mas é um exercício de cidadania”, diz o pastor, que é presidente do conselho político nacional da Convenção Geral das Igrejas Assembleia de Deus no Brasil. “Temos formadores de opinião e é justo que eles opinem. Todos têm liberdade”, afirma. A relação com Marina é amistosa. “Ela goza da simpatia da igreja”, diz, lembrando que a ex-senadora é integrante da igreja em Brasília.

Além das igrejas, partido busca apoio de artistas em show destinado a apoio de signatários

O pastor Luciano Silva, de 37 anos, que acompanhava a ação na igreja, diz ter pego fichas para coletar 9 mil assinaturas. “Marina é irmã. Tem origem humilde e sempre lutou pelas causas sociais. As pessoas têm boa aceitação”.

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À frente do contato com os evangélicos está o presbítero Geraldo Malta, de 54 anos, um dos fundadores do PSDB e responsável pela aproximação de José Serra com pentecostais e neopentecostais nas campanhas pela Prefeitura de São Paulo em 2012 e pela Presidência em 2010. Malta é assessor do deputado federal Walter Feldman (PSDB), um dos articuladores do Rede Sustentabilidade.

A expectativa de coleta nas igrejas evangélicas da capital paulista, diz Malta, é de 80 mil a 100 mil assinaturas – quase um quinto das 492 mil necessárias para viabilizar o novo partido. “Já visitamos quase todas as denominações evangélicas”, diz. No mesmo dia em que foi ao Ministério do Belém, Malta pediu apoio ao pastor Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus do Brás, e ao presidente do Partido Ecológico Nacional (PEN), Adilson Barroso, ligado à Assembleia de Deus.

A busca de assinaturas entre evangélicos, no entanto, é apenas um dos caminhos investidos pelos articuladores do Rede Sustentabilidade para tentar viabilizar o partido. Na comemoração do 1º de Maio, o grupo pediu permissão ao presidente da Força Sindical, deputado Paulinho da Força (PDT), para coletar assinaturas na festa da central sindical e conseguiu cerca de 3 mil apoios, segundo Malta.

As universidades são um dos focos do partido. A coleta é reforçada quando Marina é convidada a fazer palestra aos estudantes, como na USP leste, na capital paulista, na semana passada. Parques, praças públicas e onde há aglomeração de pessoas, como perto de estações de metrô, são outros pontos em que há voluntários do Rede.

Há também a mobilização de deputados de diferentes legendas, como o tucano Feldman, Dr. Ubiali (PSB-SP), Domingos Dutra (PT-MA) e Alfredo Sirkis (PV-RJ), que poderão ingressar na sigla.

Artistas têm ajudado a dar visibilidade ao grupo e nesta semana a coleta de assinaturas será reforçada durante show de Adriana Calcanhoto, com Nando Reis e convidados em São Paulo, feito exclusivamente para apoiar o partido e angariar fundos para bancar a coleta.

O partido também investe na mobilização nas redes sociais e na internet. Há uma ficha disponível no site da legenda para quem quiser coletar assinaturas por conta própria. Responsável pela coordenação executiva do grupo, a advogada Marcela Moraes, de 32 anos, diz que há sete mil pessoas inscritas como voluntárias em todo o país.

A presença de Marina nos eventos de coleta dá visibilidade nos meios de comunicação. Em visita a São Paulo, em março, cercada por jornalistas e fotógrafos, a ex-senadora chamava a atenção nos mercados públicos por onde passou para pedir apoio. Com calça jeans e tênis, Marina explicava: “Não é filiação ao partido. É endosso. É concordar que o partido seja criado”.

Depois de cumprimentar Marina, a aposentada Madalena Prestes, de 64 anos, diz ter assinado a ficha por desejar mudanças na política. “Quero que ela faça alguma coisa. Estou cansada desses partidos”.

Para bancar parte dos custos, o grupo de Marina organizou dois eventos com empresários e apoiadores para levantar recursos, em São Paulo e em Brasília. A maior parte dos cerca de R$ 55 mil arrecadados veio de doadores da campanha presidencial de 2010, como Guilherme Leal, da Natura.

O Rede agora corre contra o tempo para conseguir o registro da Justiça Eleitoral até 5 de outubro, prazo que permitiria disputar a eleição de 2014 e dar legenda para a candidatura de Marina. E se não der tempo de registrar o partido até outubro, há possibilidade de concorrer por outro partido? Feldman evoca Marina e diz: “Ela sempre fala o seguinte: quem tem plano B não tem plano A”, afirma. “Não existe a possibilidade de não dar certo”.

Por Valor Econômico. Via Limpinho&Cheiroso

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Comentários

  1. Pablo Vieira de Mendonça Postado em 17/May/2013 às 16:24

    Existem Evangélicos e Evangélico$. Existem Espíritas e Espírita$. Existem Católicos e Católico$. Existem Candomblecistas e Candomblecista$. Existem Umbandistas e Umbandista$. ... enfim, "discernir" é um verbo para ser usado.

  2. Rodrigo Postado em 17/May/2013 às 16:49

    Pablo resumiu muito bem, mas apenas incluo: o problema não é quem usa um rótulo, quem se insere em uma categoria, mas quem os ostenta meramente para iludir o povo. Se evangélicos se unem em prol de um partido, não vejo problema algum na notícia, que, em verdade, deveria identificar indivíduos desonestos que falsamente se valham de uma denominação a fim de auferir vantagens indevidas. Sou católico e quero respeito ao meu credo, de modo que eu procuro respeitar os integrantes de qualquer religião, assim como os ateus. Respeito é uma via de mão dupla, sendo reclamado o exemplo. Temos de ter cuidado com a incitação ao ódio, cuidado para não nos acharmos mais especiais e infalíveis, pois o branco, o negro, o índio, o católico, o evangélico, o petista, o tucano etc. são capazes dos mesmos vícios e virtudes.

  3. Ricardo Machado Jorge Postado em 17/May/2013 às 16:56

    Amigo você esqueceu dos eco-capitalistas, que é o caso dessa senhora e o problema do pastor Marco Feliciano não é porque ele é envangélico, mas pelas declarações racistas e homofóbicas que ele fez e isso para um parlamentar é inadmissível. O problema no Brasil é que estão fazendo mal uso da religião transformando os templos em negócios para lá de lucrativos e elegendo e apoiando a pior espécie de político. É uma vergonha essa violência contra Deus a deturpação do seu nome em nome dos interesses escusos Eu jamais votarei nessa mulher porque ela é uma farsante assim como os demais políticos e deve ser esmagada pelo povo.

  4. Douglas Diniz Postado em 17/May/2013 às 17:01

    Somos um ESTADO LAICO? Acho que não. Quado misturamos Religião e Política é grande as chances de nos "perder". A cada dia que se passa consigo entender melhor a seguinte frase de Marx: "A religião é o ópio do povo."

  5. Gabriel Postado em 17/May/2013 às 17:14

    o Problema, Rodrigo e Pablo, é que muitas pessoas não votam nos partidos por concordarem com as ideias deles, mas sim porque o pastor/padre diz que é o certo, e elas acreditam que o pastor/padre fala pela sua divindade. e eles se tornam uma massa de manobra muito fácil de manipular (quem iria contra a vontade de um ser que acredita ser onisciente, onipotente e benevolente?). se fosse uma seita satânica tentando fundar um partido, os próprios evangélicos iam fazer infinitos protestos. um país laico não poderia permitir partidos ligados diretamente à uma religião (na verdade, não poderia permitir que o partido fosse ligado diretamente à nenhuma ideia religiosa. seja teísta, politeísta, ou ateísta), como o PSC, por exemplo. partidos deste tipo costumam usar suas divindades como argumento, como se eles estivessem lutando por uma vontade do deus. e isso é perigoso demais! um partido político deve ser fundado por um ideal político, e não religioso. é errado um partido político tentar dissiminar uma religião entre seus adeptos e vice-versa. pastores/padres podem se manifestar politicamente, como qualquer um, desde que falem em nome próprio, e não em um culto, onde seus fiéis acreditam que eles falam por um ser maior. não quero, por exemplo, que um partido inteiro vote contra o aborto por questões religiosas. não quero viver em um irã da vida... não há, na história da humanidade, um só caso em que religião assumindo o poder deu bons frutos para os que discordavam das ideias da religião dominante. é só olhar como eram as coisas na idade média ou como elas são no oriente médio.

  6. Thiago Teixeira Postado em 17/May/2013 às 17:49

    Se a Marina fosse menos arrogante, estaria no lugar da Dilma hoje representando a sucessão do PT.

  7. Amira Postado em 17/May/2013 às 18:23

    poxa, pessoas do psdb ajudando a formar um novo partido, sem se desfiliarem do seu partido??? que gente boa né? que altruísmo. E a campanha do serra, foi tão limpa.. tutto gente buona. Só eu acho tudo isso no MINIMO suspeito?

  8. Pablo Vieira de Mendonça Postado em 17/May/2013 às 18:58

    A Marina já se pronunciou contra as posturas do Feliciano. Quem viu o vídeo sabe. Só não vou postá-lo porque os moderadores do site não "permitem". Existem vários segmentos religiosos e não-religiosos apoiando a Marina e não se fala disso. Por que?

    • Moderação Postado em 17/May/2013 às 22:42

      Olá, Pablo. É claro que permitimos. O vídeo foi postado por usuários em pelo menos dois tópicos que trataram do tema. Você, aliás, é frequentador antigo deste site, com muito gosto para nós, e pelo que consta nunca teve sua liberdade de expressão cerceada. Abraços.

  9. Pablo Vieira de Mendonça Postado em 17/May/2013 às 19:50

    Adendo: ecocapitalista é um apelido cômodo para quem não se deu o trabalho de pesquisar as propostas da Marina, digo isso porque se vivêssemos no feudalismo, a pecha seria "ecofeudalista" e por aí vai o raciocínio maniqueísta destes tempos sem pragmatismo.

  10. Rodrigo Postado em 18/May/2013 às 11:13

    Concordo com você, Gabriel, mas no seguinte sentido. Minha segue a fala de Marina Silva: “Não devemos combater um preconceito com outro preconceito” (http://oglobo.globo.com/pais/e-um-erro-criticar-feliciano-por-ser-evangelico-diz-marina-silva-8402044#ixzz2TSmPT0HW). Ou seja, Feliciano está completamente errado, mas não devemos incorrer em falhas como as apontadas pelo leitor Rui, em comentário postado em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/05/a-operacao-ilusionista-de-marina-silva.html, ao falar em muitos que postavam coisas do tipo "os crente pira". E ressalvo, ao falar em respeitar evangélicos, espíritas, umbandistas etc. que estes próprios não podem ser corporativistas. Também estes não podem se portar como o falso ofendido, que se esconde atrás de uma categoria qualquer (raça, credo, origem etc.) para fugir à punição que seja devida. Ou seja, assim como o acusador não pode generalizar, o acusado não pode generalizar inversamente e, face a reprimenda que seja devida, prontamente bradar: "estou sendo acusado porque sou evangélico, negro, pobre, nordestino, petista, mulher, homossexual, tucano etc.". Então, pois, devida a crítica, sim, à pessoa de Marco Feliciano, mas não à religião em si, ele também tendo de parar de acusar indevidamente quem o critica de preconceito contra o evangélico, o mesmo em relação a quem quer defendê-lo meramente por integrar o mesmo credo.

  11. Pablo Vieira de Mendonça Postado em 18/May/2013 às 19:49

    Cara moderação, Informado abertamente que não serei cerceado, como foi um comentarista no texto A Operação Ilusionista do dia 16 deste mês, eis o vídeo que contém título tendencioso mas será útil aos de mente aguçada. http://www.youtube.com/watch?v=CORXHW-Pu3k Obrigado. OBS. Em nenhum dos dois textos sobre a Marina vi o vídeo que talvez esteja nos tópicos do facebook.

  12. Pablo Vieira de Mendonça Postado em 18/May/2013 às 19:55

    ( Perdão, esqueci que são 3 textos e num deles está o vídeo. )

  13. Gustavo Jardim Postado em 21/May/2013 às 09:00

    Quando os evangélicos fundamentalistas do PSC apoiaram a base aliada na candidatura de Dilma em 2010 não vi ninguém reclamendo!? Na verdade o PSC, junto de Marcos Feliciano e tantos outros facínoras, ainda é da base alianda do governo Dilma e não vejo ninguém falar sobre isso!

  14. Osame Postado em 11/Jun/2013 às 09:57

    Lembremos tambemque existem Petistas e Petistas$. Sou petista desde 1984 (filiado), cheguei até a dar o "dizimo" para o partido (lembram dessa pratica do dizimo para o PT na decada de 80?). Agora, junto com inumeros outros petistas desiludidos, estou me desfiliando e me juntando 'a Marina, que representa o Petismo de primeira hora, idealista, e nao o petismo pragmatico politico...

  15. pedro Postado em 29/Jun/2013 às 16:27

    Marina vai resolver o transporte público: vai mandar plantar árvores pela cidade toda e espalhar cipós, não é prático mas é ecológico...

  16. Ariovaldo Hauck Postado em 12/Jul/2013 às 05:50

    Sem dúvida a ex-ministra Marina poderia estar na linha de sucessão do PT se fosse subserviente ao Poder, se fosse uma pessoa arrogante camuflada. Não é este o caso de Marina, que é uma pessoa transparente e íntegra, em nenhum momento tive qualquer indício de que ela tenha usado a religião como ferramenta política. Coletar assinaturas e apoio nas igrejas, sindicatos, faculdades ou empresas são meios legais e corretos de discutir idéias para a cidadania. Sou católico e apoio MARINA.