Luis Soares
Colunista
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Educação 13/May/2013 às 17:30
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Autoaprendizado: estudantes recebem R$ 200 mil para largar faculdade

Peter Thiel oferece dinheiro para jovens abandonarem a faculdade; Dale Stephen, jovem líder de movimento que questiona a validade do ensino superior lança obra com dicas para jovens se desenvolverem fora das universidades

Há dois anos, o americano Peter Thiel – primeiro a investir no Facebook – declarou que o ensino superior era uma bolha e decidiu doar US$ 100 mil (R$ 202 mil) para alguns adolescentes largarem a faculdade e abrirem uma empresa. Segundo a publicação Fast Company, o projeto ganhou corpo e, neste ano, o bilionário doou mais R$ 202 mil para cada um dos 22 adolescentes selecionados para o programa. O investimento gerou benefícios – os jovens que receberam o dinheiro em anos anteriores elevaram o patrimônio da fundação criada pelo bilionário em US$ 34 milhões.

Para Peter Thiel, embora a bolha da educação permaneça, mais pessoas estão questionando a sabedoria passada no ensino superior que, segundo ele, credenciam os alunos para vagas com fracas perspectivas. Dentre os beneficiados pela doação, há projetos de moda, educação, tecnologia, mas apenas quatro são mulheres, afirma a publicação.

Dale Stephen abandonou estudos formais e recomenda a experiência

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Dale Stephen questiona a validade do ensino superior e ensina como aprender sozinho. Jovem explica as vantagens do autoaprendizado (Foto: The Guardian)

Ir para a faculdade ainda é um plano quase unânime para jovens americanos, que se preocupam desde o início do ensino médio com suas notas – um dos critérios usados pelas instituições de ensino superior para selecionar estudantes – e em como vão pagar pelo curso mais tarde. Quase. Nos últimos anos, o aumento do desemprego e índices crescentes de graduados que passam dificuldades para honrar o crédito estudantil recebido antes da formatura fazem com que uma parcela deles questione a validade do curso superior. Para esses adolescentes, ou outros que ainda não pensaram nisso, um livro lançado este mês nos Estados Unidos – Hacking your Education (Hackear sua educação, em livre tradução) – incentiva a largar a faculdade e dá dicas de como aprender – e muito – fora das salas de aulas.

O autor da obra, Dale Stephen, de 21 anos, desistiu dos estudos formais quando estava no segundo semestre e recomenda a experiência. Ele é líder do movimento sem fins lucrativos Uncollege (sem faculdade), cujo site foi lançado em 2011 para difundir a ideia de que é possível ter sucesso sem colocar os pés em uma universidade.

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À época, descontente com o ambiente e o conhecimento que estava adquirindo no curso superior, decidiu que iria se desenvolver sozinho e transformar isso numa causa para revolucionar a educação. Para botar o projeto em prática, contou com a ajuda de US$ 100 mil (cerca de R$ 200 mil) do Thiel Fellowship , um programa que escolhe 20 jovens com menos de 20 anos por ano para abandonar a faculdade e se dedicar a algum projeto fora dela.

Dois anos depois, Stephen já concedeu inúmeras entrevistas, escreveu artigos, deu palestras, promoveu seminários e agora lançou seu livro pela editora Penguin. Em todos esses meios, o conceito essencial repetido por ele é o mesmo, de que o investimento realizado para cursar uma graduação nem sempre traz o melhor retorno e aprender sozinho fica cada vez mais fácil, através das informações disponíveis na internet.

“As pessoas aprendem de formas diferentes, em velocidade e tempo diferentes. E hackear a educação permite que você aprenda o que, quando, como e onde quiser”, explica Stephen em seu blog. Segundo ele, não é preciso ser um gênio para se sair bem fora da escola, mas ter criatividade e confiança.

No site Uncollege há uma sessão com recursos de educação online, como o Coursera (de uma universidade tradicional) e outros independentes, como o creativeLIVE (de aulas ao vivo gratuitas com experts em vários temas), dicas de como planejar a educação informal, leituras sobre o tema e entrevistas com profissionais bem sucedidos que desistiram da faculdade. O livro apresenta o mesmo tipo de conteúdo, aprofunda as razões pelas quais Stephen acredita tanto no que chama de auto-aprendizagem e ensina como encontrar mentores, construir redes de contatos, onde achar conteúdos e como reuni-los de forma a desenvolver a própria educação.

Curso

Além do livro, para quem quer seguir esse caminho, o defensor do ensino informal, também oferece um curso. O programa especial chamado Gap Year conduz 10 pessoas ao longo de um ano no processo de auto-aprendizado. No treinamento, os aprendizes recebem aulas para desenvolver um plano de aprendizado individual durante três meses em São Francisco, viajam para o exterior por mais três meses e entram em contato com pessoas e empresas inovadoras, desenvolvem um projeto pessoal nos três meses seguintes e terminam o programa trabalhando no que ele chama de “mundo real”, durante mais três meses. Tudo isso, por US$ 12 mil (R$ 24 mil). Mas Stephen garante que dá para chegar ao mesmo objetivo por bem menos, apenas transformando a vida em educação e vice-versa.

com Ultimo Segundo e Portal Terra (Edição: Pragmatismo Politico)

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Comentários

  1. Marlon Postado em 13/May/2013 às 20:09

    Curso para ser auto-didata não é um paradoxo ?

  2. Viviane Postado em 13/May/2013 às 20:28

    Pelo texto, as principais críticas dele são: a universidade tem um pensamento ainda muito antigo; que mesmo vc tendo um diploma, isso não significa que vc vá ter um bom emprego; que vc não precisa de um diploma para trabalhar com o que vc quer. Sendo assim, pq vc vai gastar muita grana para isso (ainda mais em tempos de crise nos EUA)? Também questiono a validade do diploma do ensino superior, mas estudo em uma universidade pública porque gosto de estudar e aprender e não, porque quero ganhar dinheiro, como a empresa dele pensa. Ele coloca a universidade como um patamar para vc conseguir dinheiro. E sem ela, vc estuda somente o necessário para montar seu projeto e ganhar dinheiro. Concordo que a Universidade e alguns professores têm um pensamento antiquado, as vezes, mas o papel do professor é despertar o interesse, mas se não há quem te mostre nada novo, como vc faz pra pesquisar? A universidade te abre novos caminhos, novos interesses. Quantos não entram na faculdade e mudam de rumo lá dentro, porque conheceram outras coisas? O papel da universidade não é preparar para o mercado de trabalho. Nada inovador e não contrubui para o desenvolvimento, é um mecanismo capitalista.

  3. Magali Postado em 14/May/2013 às 06:37

    Estudei em escola do estado, não consegui passar no vestibular, nem pagar uma faculdade e essa foi a minha sorte! Se tivesse faculdade provavelmente teria trilhado o caminho "certo", mas como não tinha nada a perder, me propus abrir minha própria empresa e não podia ser melhor, incentivei meus filhos a não perderem tempo fazendo faculdade, o mais velho já tem o seu próprio negócio e o mais novo decidiu fazer a faculdade

  4. Virgil L. Burns Postado em 14/May/2013 às 06:53

    É uma das capitais de melhor qualidade de vida da Região Nordeste do Brasil , possuindo diversos locais que auxiliam a população da cidade a obter uma vida melhor e de qualidade. Suas praças contam com equipamentos de ginástica, além de ciclovias espalhadas pela cidade. É lei o fechamento de parte da orla para caminhadas nas manhãs (das 5 às 8 horas). João Pessoa foi uma das duas principais cidades da Nova Holanda , junto com Mauritsstadt (a atual Recife ). Possui antigo e vasto patrimônio histórico, similar ao de Olinda (mas, ao contrário desta última, manteve seu status de sede).

  5. Arthur Postado em 14/May/2013 às 12:08

    A grande questão é que a faculdade não é/deveria ser porta de entrada para o mercado de trabalho (dinheiro) a faculdade é um ambiente para se adquirir cultura, seja ela cultura jurídica, médica ou que seja, a inserção no mercado de trabalho é consequência disso, não finalidade!

  6. pragmatismopolitico.com.br Postado em 14/May/2013 às 17:48

    legal, já estou realizando projetos de tecnologia de informação há alguns anos sem nunca ter ido ao ensino superior, apenas utilizando a vasta gama de conhecimento disponível na internet

  7. Marcelo Postado em 23/May/2013 às 10:27

    Legal a iniciativa, mas para algumas pessoas isso não funciona e não funcionará, no caso daquelas q sonham em ser médico ou engenheiro. Claro q tem muita gente q n é engenheiro civil e faz ótimas casas, mas para projetos maiores sem uma formação na área não dá. Essa ideia desse cara é boa principalmente para quem quer ser empresário.

  8. Rossana Postado em 24/May/2013 às 10:56

    O papel da universidade não é preparar para o mercado de trabalho Viviane? Tá louca? Então vá estudar filosofia minha filha!!!!

  9. Rafael Borges Postado em 13/Jun/2013 às 12:45

    Rossana, o papel da universidade não é preparar para o mercado de trabalho. Não sei em qual universidade você estuda, mas a função do ensino superior não é formar mão de obra pro mercado, mas formar pensadores. Tanto na filosofia quanto na engenharia ou matemática. Claro que existem "cursinhos superiores", mas nas boas universidades (a maioria públicas) o objetivo do ensino não é sair e se empregar. E outra coisa: O objetivo de se estudar não é ganhar dinheiro, mas conhecimento. Nem todo conhecimento é aplicável ao mercado de trabalho ou gera lucro financeiro, mas isso não é argumento para desqualificar tal conhecimento.

  10. Andrew Tsuchiya Postado em 01/Nov/2013 às 18:57

    O papel da universidade não é preparar uma pessoa para ganhar dinheiro. O papel da universidade é contribuir para o desenvolvimento científico, artístico, econômico, social e cultural da espécie humana.