Redação Pragmatismo
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Mundo 11/May/2013 às 15:36
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A história da foto mais perturbadora da tragédia em Bangladesh

Conheça a história por trás da foto mais perturbadora da tragédia em Bangladesh. Para Taslima Akhter, a foto mostra que os quase mil mortos na tragédia não são apenas números, mas vidas tão valiosas como a de qualquer ser humano

A fotógrafa e ativista bengalesa Taslima Akhter percorria os escombros do prédio em situação irregular que desabou em Savar, nos subúrbios de Daca, capital de Bangladesh, no dia 24 de abril, quando se deparou com o casal da foto acima. Desde então, essa foto a assombra. Não exatamente pelo que a imagem mostra à primeira vista, mas pelo que só é possível sentir quando se sabe o contexto que envolve a tragédia ocorrida em uma fábrica de roupas e cujo número de mortos já se aproxima de mil.

tragédia bangladesh foto
“Abraço Final”, fotografia da bengalesa Taslima Akhter após o colapso de um prédio comercial em Daca (Foto: Taslima Akhter / Divulgação)

Em um texto publicado dia 8 no site da revista americana Time, Akhter afirmou que o que a aterroriza nessa imagem é, na verdade, sua capacidade de dizer o que muitas vezes é ignorado em acontecimentos dessa natureza em Bangladesh: o fato de que os operários que trabalham sob as péssimas condições oferecidas pela indústria têxtil do país não são apenas números. São seres humanos cujas vidas valem tanto quanto as de qualquer outra pessoa.

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Não por acaso a Time classificou a foto tirada por Akhter como a “mais perturbadora” da tragédia em Bangladesh, a mais representativa de uma cobertura fotográfica marcada por imagens fortes, como é possível observar na galeria dispónível ao final desse texto.

Abaixo, a tradução do texto publicado na Time.

Eu venho fazendo muitas peguntas a respeito do casal que morreu abraçado após o colapso. Eu tentei desesperadamente, mas ainda não achei nenhuma pista a respeito deles. Eu não sei quem são ou qual a relação eles tinham.

Eu passei o dia inteiro do desabamento no local, assistindo aos trabalhadores serem retirados das ruínas. Eu lembro do olhar aterrorizado dos familiares – eu estava exausta mental e fisicamente. Por volta das 2h, encontrei um casal abraçado nos escombros. A parte inferior dos seus corpos estava enterrada sob o concreto. O sangue que saía dos olhos do homem corria como se fosse uma lágrima. Quando os vi, não pude acreditar. Era como se eu os conhecesse – eles pareciam ser muito próximos a mim. Eu vi quem eles foram em seus últimos momentos, quando, juntos, tentaram salvar um ao outro – salvar suas vidas amadas.

Cada vez que eu olho para essa foto, me sinto desconfortável – ela me assombra. É como se eles estivessem me dizendo, nós não somos um número – não somos apenas trabalho barato e vidas baratas. Nós somos humanos como você. Nossa vida é preciosa como a sua, e nossos sonhos são preciosos também.

Eles são testemunhas nessa história cruel. O número de mortos agora passa de 750 (nesta quinta-feira, já chega a quase 1000). Que situação desagradável nós estamos, onde humanos são tratados apenas como números.

Essa foto me assombra todo o tempo. Se as pessoas responsáveis não receberem a punição merecida, nós veremos esse tipo de tragédia de novo. Não haverá consolo para esses sentimentos horríveis. Cercada de corpos, eu senti uma imensa pressão e dor nas duas últimas semanas. Como testemunha dessa crueldade, tenho necessidade de compartilhar essa dor com todos. Por isso eu quero que essa foto seja vista.

com Portal Terra

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Comentários

  1. sergio luís Postado em 11/May/2013 às 17:34

    Mais uma vez os trabalhadores tem suas vidas abreviadas por conta de instalações e construções irregulares!!! Se a tragédia tivesse ocorrido em Paris ou Boston, teríamos uma comoção internacional da mídia e estaríamos discutindo as condições mínimas de segurança para o trabalhador. Essa foto nos leva além dos números, humaniza o que entre os escombros se perdeu: a vida. Até quando vamos observar as tragédias com a distância que não nos cabe? A segurança e o direito à vida está intimamente relacionada à questão das classes e é essa questão que devemos discutir e lutar para que possamos viver em um mundo mais justo e fraterno.

    • homero Postado em 18/Dec/2013 às 00:26

      Infelizmente a mídia sensacionalista que cria herois e dramas nacionais, é a mesma mídia que descarta o valor humano notícia centenas ou milhares de perdas como números, números em algum canto distante do universo.

  2. marcos Postado em 11/May/2013 às 22:27

    NIKE, ZARA, ADIDAS, ELLUS, SP FASHION WEEK, PARIS FASHION WEEK...

  3. luiggi Postado em 12/May/2013 às 10:47

    Para a nova ordem mundial, transformar pessoas em números, países em empresas e cidadãos em escravos é o grande objetivo a ser alcançado. Tudo encabeçado pelo sionismo internacional que tenta se auto-blindar atrás do "dogma" inquestionável do holocausto e do eterno papel de vítimas da humanidade, quando se sabe que a verdade é exatamente o contrário.

  4. Thiago Teixeira Postado em 12/May/2013 às 17:50

    Bangladesh? Fica na América do Norte? Europa? São arianos? Tem olhos azuis? Então a mídia quer que se dane. Alguém está cobrindo a guerra civil entre Ruanda E Burundi onde diariamente deparamos com imagens de estradas cheias de cadáveres, inclusive lagos com corpos boiando? Não. São negros e não dá audiência.

  5. Domicio Campos Postado em 18/Dec/2013 às 00:42

    O fato é que a morte é certa e o que vemos, de uma forma ou de outra, também passaremos...