Luis Soares
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Desigualdade Social 27/Apr/2013 às 20:24
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O melhor teste para descobrir se uma sociedade é justa

O que é uma sociedade justa? O filósofo americano John Rawls se debruçou sobre esta pergunta e investigou a justiça social. Ele criou uma teoria simplesmente brilhante

Paulo Nogueira, em seu blog

O que é uma sociedade justa?

O filósofo americano John Rawls (1921-2002) se debruçou sobre esta pergunta. Em 1971, Rawls publicou um livro aclamado: “A Teoria da Justiça”.

A idéia central de Rawls era a seguinte: uma sociedade justa é aquela na qual, por conhecê-la e confiar nela, você aceitaria ser colocado de maneira randômica, aleatória. Você estaria coberto pelo que Rawls chamou de “véu de ignorância” em relação à posição que lhe dariam, mas isso não seria um problema, uma vez que a sociedade é justa.

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Copenhague: a sociedade escandinava é mais igualitária e mais feliz que a americana (Foto: Diário do Centro do Mundo)

Mais de quarenta anos depois do lançamento da obra-prima de Rawls, dois acadêmicos americanos usaram sua fórmula para fazer um estudo. Um deles é Dan Ariely, da Universidade Duke, especializado em comportamento econômico. O outro é Mike Norton, professor da Harvard Business School.

Eles ouviram pessoas de diferentes classes sociais. Pediram a elas que imaginassem uma sociedade dividida em cinco fatias de 20%. E perguntaram qual a fatia de riqueza que elas supunham que estava concentrada em cada pedaço.

“As pessoas erraram completamente”, escreveu num artigo Ariely. “A realidade é que os 40% de baixo têm 0,3% da riqueza. Quase nada. Os 20% de cima têm 84%.”

Em seguida, eles aplicaram o “véu de ignorância de Rawls”. Como deveria ser a divisão da riqueza para que eles se sentissem seguros caso fossem colocados ao acaso na sociedade?

Veio então a maior surpresa dos dois acadêmicos: 94% dos entrevistados descreveram uma divisão que corresponde à escandinava, tão criticada pelos conservadores dos Estados Unidos por seu elevado nível de bem-estar social, e não à americana. Na Escandinávia, os 20% de cima têm 32% da riqueza. (Disse algumas vezes já e vou repetir: o modelo escandinavo é o mais interessante que existe no mundo, um tipo de capitalismo extremamente avançado do ponto de vista social.)

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“Isso me levou a pensar”, escreveu Ariely. “O que fazer quando num estudo você descobre que as pessoas querem um determinado tipo de sociedade, mas ao olhar para a classe política parece que ninguém quer isso?”

Bem, uma das respostas à questão está na eclosão de protestos nos Estados Unidos. Os “99%” do movimento Ocupe Wall Street estão esperneando por uma sociedade mais justa, que se encaixe na tese do “véu de ignorância” de Rawls.

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Cena comum nos Estados Unidos de hoje: “tent cities”, concentração em barracas de gente que perdeu a casa

Os 99% não são representados nem pelos democratas e nem, muito menos, pelos republicanos. Barack Obama e Mitt Romney jamais aceitariam ser colocados aleatoriamente na sociedade americana tal como é. As chances de que eles terminassem num lugar bem diferente daquele que ocupam seriam enormes. Talvez eles tivessem que dormir em carros ou em barracas, depois de perder a casa na crise econômica, como acontece hoje com milhões de americanos.

Para usar o método de Rawls, eis aí a demonstração do que é uma sociedade injusta.

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Comentários

  1. Eduardo Postado em 27/Apr/2013 às 21:49

    O problema é que para existir uma social-democracia escandinava, há de existir a miséria africana. Se todos pudessem viver em moldes escandinavos, sem que este sistema fosse excludente, seria sim perfeito...

  2. Thiago Santos Postado em 27/Apr/2013 às 22:08

    Na realidade o nome do livro é "UMA Teoria de Justiça" [A Theory of Justice]. Reconhecidamente, os países escandinavos possuem um nível de desigualdade realmente mínimo; possuem Estados desenvolvidos e com uma grande satisfação da população. Inclusive a Finlândia possui uma elevada carga tributária maior que a do Brasil; mas o retorno aparece nos serviços do Estado. Mas tem um ponto que eu achei interessante ressaltar; olhando na Wikipédia eu notei que somando as populações de Suécia [ 9 415 295 hab.], Finlândia [5 348 357 hab.], Dinamarca [5 475 791 hab.] e Noruega [4 752 735 hab.] você chega a 24 992 178 habitantes. Somente em São Paulo a população é de 41 252 160 hab. segundo o censo de 2010. Não quero dizer que com isso que o tamanho da população em si é culpada pela diferença; mas acho que o tamanho da população tem alguma influência. Claro que o modelo Escandinavo se mostra, com base nos dados de IDH, dados referentes à educação e bem-estar da população, superior ao que é praticado aqui; mas isso também tem se relaciona com a cultura de poder do nosso país, a história e tal. Por fim, a minha opinião de que a população menor apresenta menores desafios em relação ao governo; no entanto, não desmerece o modelo Escandinavo.

    • Eduardo Postado em 18/Oct/2013 às 10:09

      Thiago, sua teoria tem um furo: Existem países pequenos (ex: Haiti, +- 10 milhões de habitantes) que são extremamente desiguais. O problema, no caso, é mais relacionado à cidadania e boa gestão, cum um estado interventor porém dentro dos anseios de seu povo, do que da população.

  3. Renato da Costa Postado em 27/Apr/2013 às 22:26

    Ótimo comentários Thiago. Concordo plenamente.

  4. Marcos Postado em 27/Apr/2013 às 23:11

    Justiça não tem absolutamente nada a ver com desigualdade social, a humanidade sempre foi e sempre sera desigual no dia que todos forem iguais estaremos em um inferno totalitário vermelho. O problema não é a desigualdade e sim o IDH minimo para uma qualidade de vida.

  5. Fernanda Postado em 28/Apr/2013 às 00:08

    Queria entender pq para existir a população escandinava deve existir a africana. Os países africanos não são nem internacionalizados. O comércio dentro da África equivale a alguns Estados brasileiros apenas. Quero entender em como a educação e forma de viver escandivana impacta a africana. Isso me parece apenas repeteco sem senso crítico algum.

  6. GUIDO ROBERTO Postado em 28/Apr/2013 às 01:18

    OS TRES COMENTÁRIOS REPRESENTAM BEM A MENTALIDA GERADA NO CAPITALISMO DESAGREGADOR QUE TORNA S PESSOAS INCAPAZES DE ACEITAR QUE MUDANÇAS POSSAM E DEVAM SER FEITAS. E É POR ISSO QUE ELA SE COMPORTAM COMO CARNEIROS NUM REBANHO, SEM ACREDITAREM QUE PODEM E DEVEM INFLUIR . PENSO QUE A QUESTÃO É MAIS EMBAIXO E PROVAVELMENTE OS TRES COMENTÁRIOS VENHAM DE PESSOAS QUE VIVEM NUMA APARENTE ZONA DE CONFORTO E NÃO ESTÃO DISPOSTAS A SAIREM DELA , MAS SÓ CONSEGUEM FAZER COMENTÁRIOS COMO OS POSTADOS. A REALIDADE É QUE QUANDO AS PESSOAS QUEREM MUDANÇA ELAS ACONTECM , NÃO IMPORTA O NÚMERO DA POPULAÇÃO NEM O PAÍS SE NÓRDICO OU TROPICAL , IMPORTA ENTRETANTO A SUA CONSCIENTIZAÇÃO E É AQUI QUE A COISA EMPERRA : OS MUITO POBRES QUERENDO SAIR DESSA MISÉRIA E OS CLASSE MÉDIA NÃO QUERENDO CEDER UM MILIMETRO NO QUE CONQUISTARAM , ENQUANTO O TOPO DA PIRAMIDE ESTÁ SE LIXANDO PARA O QUE ACONTECE ABAIXO, DESDE QUE PERMANEÇAM NO COMANDO DESSA ECONOMIA DESASTROSA.SÓ HAVERÁ MUDANÇA SE NÓS MUDARMOS .

  7. Vanessa Postado em 28/Apr/2013 às 02:30

    Fernanda, eu entendo o Eduardo... Pense em empresas ricas de primeiro mundo como a Nike e onde eles buscam mal de obras... Eles não querem pagar salário justo, pois só pensam no lucro. Elesbuscam mão de obra barata em pais miserável. Realmente existe uma relação injusta entre a miséria de uma nação e a riqueza de outra.

  8. Ítalo da Silva Alves Postado em 28/Apr/2013 às 04:42

    Há um ponto que deve ser comentado, apesar de não interferir diretamente no cerne da discussão. Conforme o papar original publicado pelos acadêmicos, os dados extraído da Suécia são do *salário* unicamente, não de toda a riqueza, como os dados dos Estados Unidos, conforme nota publicada no trabalho original: 2. We used Sweden’s income rather than wealth distribution because it provided a clearer contrast to the other two wealth distribution examples; although more equal than the United States’ wealth distribution, Sweden’s wealth distribution is still extremely top heavy.

  9. Daniel Lacerda Postado em 28/Apr/2013 às 06:29

    1) Claro que mudanças ocorrem com qualquer população, mas o tamanho da população está sim relacionado ao tipo de modelo social que é implantado. 2) Justiça tem tudo a ver com desigualdade social, ela só não é 'necessariamente' distribuição dos mesmos recursos igualmente pra todos. A linha mais aceita é a do 'acesso' igual a todos. 3) Guido, dizer que quem não concorda com seu tipo aceito de mudança é necessariamente amigo do inimigo é muito demodé (assim como a expressão 'inferno vermelho'). Não existem só socialismo e capitalismo neoliberal no mundo. 4) Não é verdade que a África não é internacionalizada. Ela exporta muitos recursos naturais e importa muita ideologia filantrópica que sustenta algumas redes de elite nos países ricos. 5) A questão da igualdada escandinava está no CONCEITO: o que é normal e aceitável numa sociedade. No caso da brasil-americana, muitos absurdos são aceitáveis quando ocorrem em classes que não tem voz de representação economica.

  10. Lee Postado em 28/Apr/2013 às 07:33

    Concordo com o Eduardo. O capitalismo gera sim, riquezas, mas para quem está nas parcelas mais altas da hierarquia econômica e às custas da miséria da maioria que está na escala mais baixa. Isso em todos os âmbitos, desde nos pequenos bairros até no âmbito mundial. Para que os europeus desfrutem de sua riqueza, milhões de pessoas na África e na América Latina têm que amargar na quase completa miséria.

  11. Daniel.P Postado em 28/Apr/2013 às 11:06

    Esse resumo do David Johnston explica bem a situação para Rawls . " No entanto, para Rawls, o utilitarismo é insatisfatório pelo menos por duas razões. Em primeiro lugar, e de acordo com a sua avaliação da teoria utilitarista, esta falha por não concordar com os nossos juízos ponderados sobre o facto de os direitos individuais não deverem estar sujeitos ao cálculo dos interesses sociais. A proposição central do utilitarismo, pelo menos na sua forma clássica, é o princípio da maior felicidade. De acordo com este princípio, o melhor resultado é aquele que maximiza a felicidade agregada dos membros de uma sociedade tomada como um todo. Todavia, em algumas circunstâncias plausíveis, pode acontecer que a maneira de maximizar a felicidade agregada signifique impor um sofrimento considerável a um ou a alguns membros de uma sociedade. m segundo lugar, Rawls pensa que o utilitarismo […], pressupõe uma concepção monista do bem. Para Rawls, é uma premissa da teoria utilitarista que se todos os indivíduos forem totalmente informados e racionais, concordarão que existe apenas um bem. No utilitarismo clássico, o bem é o prazer mental ou então, e tomado de uma forma mais ampla, o bem-estar psicológico. Na opinião de Rawls, ainda que os utilitaristas aceitem que diferentes coisas contribuam para o bem, pressupõem que isso acontece porque contribuem para o bem-estar psicológico, que é, só por si, o único bem. Rawls pensa que este pressuposto está errado. Na sua perspectiva, há uma concepção pluralista de diferentes e até incomensuráveis concepções de bem e assim continuaria a ser mesmo que todas as pessoas fossem muitíssimo informadas e racionais. As pessoas possuem diferentes valores e formulam diferentes projectos. Alguns destes valores e projectos ultrapassam a sua própria vida e experiência individual." David Johnston

  12. João Postado em 28/Apr/2013 às 12:17

    A liberdade perturba padrões. :/

  13. Alexandre Postado em 28/Apr/2013 às 12:35

    Eu acredito que uma população pequena facilita, as demandas são menores. Marco só pra saber qual seria o problema das pessoas serem iguais do ponto de vista de renda e posição socioeconomica, o único inferno disso seria não poder alimentar o ego, além de achar que é melhor que o vizinho só porque a renda é maior e consumir o que o vizinho jamais terá condições, puro EGO.

  14. Wander Marques Postado em 28/Apr/2013 às 12:36

    É preciso incluir nessa fórmula o fato dos países escandinavos, de pouca população, terem empresas e negócios instalados em países de muita população. É claro que a riqueza dos primeiros tem, em muito, a contribuição dos segundos: os baixos salários pagos nos países de muita população repercutem imensamente nos lucros das empresas escandinavas que são enviados para os seus respectivos países contribuindo para a riqueza destes.

  15. Fabrício Postado em 28/Apr/2013 às 13:09

    E AÍ PESSOAL???? E aí pessoal, o que dizer disso: Com benefícios sociais generosos, Dinamarca sofre com "preguiçosos" País reconsidera auxílio a desempregados, estudantes e idosos para lidar com a crise http://economia.ig.com.br/2013-04-23/com-beneficios-sociais-generosos-dinamarca-sofre-com-preguicosos.html É o velho ditado: não existe almoço grátis. Alguém sempre está pagando ou fazendo!

  16. Guilherme Diniz Postado em 28/Apr/2013 às 13:37

    Vejam bem. Rawls não disse, isso... Disse algo parecido com isso. Para ele, o véu de ignorância é algo que se aplica em relação à distribuição de direitos, e não em relação a posição social de quem quer que seja. O que ele quis investigar na sua teoria da justiça é o fato de que uma sociedade é igualitária na medida em que os direitos nela existentes são extensives a todo cidadão, de tal modo que ele pode ser usado e gozado por todos da mesma forma, sem impedimentos e interferências arbitrárias. Por exemplo, sob o véu da ignorância, todos escolheriam o melhor sistema economico, a melhor forma de preservaçaõ dos titúlos de propriedade, modos de distribuição de renda e etc. Nesse caso, todos escolheriam as melhores opções, de maneira a preservar um patamar mínino de dignidade e subsistência. Assim, isso nada tem a ver com a aceitação de se mudar, de forma randomica, sua posição social em razão de uma confiança nos pressupostos dessa soeidade. É possível que, mesmo numa sociedade igualitária, a pessoa não escolha trabalhar. Nesse caso, o fato de vc não querer mudar de posição com essa pessoa não torna essa sociedade, ipso, facto, injusta. Em resumo, para Rawls, uma sociedade é justa na medida em que direitos e deveres são distribuídos a todos os cidadãos, sendo esses direitos usufrúidos sem qualquer impedimento e restrição por parte de particular ou Estado. O Brasil, por esse viés, é injusto? Sim, basta ver como os direitos e garantias fundamentiais são desigualmente cumpridos em relação a cada cidadão. POREM, o problema da teoria do Rawls é que ela parte de um pressuposto abstrato (e nunca utilizado por qualquer sociedade) para definir, em concreto, qual sociedade é ou não justa. O ideal seria partir do concreto para o abstrato. Grande parte da rejeição atual ao modelo do Rawls se da em razão disso.

  17. Hattie Farrell Postado em 28/Apr/2013 às 22:55

    Pode-se afirmar que a concepção de justiça de Rawls mantém-se como a integração mais coerente e sistemática das ideias liberais com os conceitos da distribuição económica. Rawls oferece a justificação das desigualdades económicas, contudo liga o progesso económico de qualquer membro de uma sociedade ao benefício dos menos previlegiados. Para além disso, o pragmatismo e laicidade da sua teoria torna-a muito útil para enfrentar os desafios com que os juristas actuais se confrontam em democracias multi-religiosas, multi-etnicas e multi-culturais. Especialmente, a necessidade de se procurar princípios justos para agir como o denominador comum que permita uma pluralidade de valores e modos de vida, em sociedades pacíficas e estáveis, faz com que o trabalho de Raws seja um marco na ciência política e do pensamento liberal do Sec. XX.

  18. Victor Senna Postado em 13/May/2013 às 21:39

    O ponto é Rawls era da doutrina liberal, no livro mencionado ele analisa Bentham, J. S. Mill, Locke, e do contemporâneo economista Amartya Sen, além de vários outros filósofos doutrinários da teoria liberal. A crítica de Rawls é que sem tirar o homem do contexto social em que ele está inserido e de uma série de determinantes da opinião, não havia como ter um critério de decisão totalmente isento, daí ele criou o artifício (ele mesmo coloca nesses termos) do "veu da ignorância" que seria uma condição meramente teórica em que o indivíduo se isenta de diversos dos seus atributos: sexo, cor, status social, opinião política, etc. Rawls sabia perfeitamente que isso era só uma conjectura, mas o seu argumento é de que ai sim o indivíduo liberal, isento de seus atributos poderia tomar a decisão que atenderia os critérios de justiça. Mais ainda, Rawls argumenta que o critério de justiça só pode ser assim alcançado, por um indivíduo livre (Rawls é filósofo do livre arbítrio), que antes de saber em que situação social estaria, determinaria como distribuir recursos, determinar ações das instituições, e regras sociais. A conclusão é de que o indivíduo livre do seu contexto ( em seu âmago) tem condições para escolher racionalmente o contrato social, e vem daí que a situação escolhida sob essas circunstâncias pode ser denominada por justiça.

  19. Maria de Lourdes Cardoso Postado em 06/Jul/2013 às 19:50

    Os capitalistas sāo sustentados pela classe da base da pirâmide, vivem no conforto e nāo abrem māo de mudar a situaçâo daqueles que os sustentam. Fica difícil comparar os países escandinavos com o Brasil e os EUA, mas podemos deixá-los de lado e comparar os dois gigantes. A pobreza americana, é vista de forma diferente, viveram momentaneamente sem ter onde morar, mas quem estava deslocado de suas casas nāo andavam maltrapilhos. Assim que a situaçāo aos poucos volta ao normal eles adquirem suas residências, que diga-se de passagem sāo caras e frágeis, mas tem um salário alto. Nos temos, uma grande parte da populaçāo abaixo da linha da pobreza, sāo miseráveis abandonados em favelas e um índice de criminalidade muito alto. A colonizaçāo americana começou 1700, duzentos anos depois da nossa e nós estamos com 100 anos de atrazo com relaçāo a eles. Toda a nossa riqueza foi desviada ou para o bolso do ápice da pirâmide.

  20. Vinícius Postado em 18/Aug/2013 às 16:49

    Creio que não é o padrão de qualidade de vida dos países Escandinavos que esteja correlato a uma relação inversamente proporcional a miséria de países da África Subsaariana, Indonésia, Tigres Asiáticos ou as periferias da América Latina, e sim a exploração do trabalho no setor produtivo industrial e agrário, a especulação das riquezas e o multiplicador financeiro dos juros bancários que proporcionam estas desigualdades. A correlação se dá pelo fato de que o Capital não tem jurisdição ou fronteiras geográficas, as mega corporações, elites financeiras e mega especuladores movem seus recursos monetários por todo o globo fazendo com que países e regiões mais propícios a exploração do trabalho como China, Singapura, Hong Kong, Indonésia, o continente africano e a parte da América Latina para assim fornecer um padrão razoável de qualidade de vida dignos de classes médias em setores profissionais liberais vistos em locais onde a exploração era dada mais escrachada em outros momentos históricos como a própria Europa e EUA, que se livraram um pouco dessa exploração pelos conflitos de classe nas manifestações de trabalhadores, com greves, paralisações da produção, etc. Ou seja, a diminuição das desigualdades em alguns lugares do globo se deu pela luta dos trabalhadores exigindo melhores condições de trabalho e maior distribuição das riquezas, porém como a estrutura do sistema capitalista e do poder não foi abalado a ponto de ser subvertido as elites se mantiveram através do deslocamento dos seus pilares para onde é possível explorar cada vez mais o trabalho, deixando assim reservas para pacificação de europeus, canadenses, norte americanos, australianos, japoneses, etc... tornando-os classe média. A justiça social será possível quando o Capital não tiver mais por onde se deslocar para manter as bases necessárias de exploração do trabalho que garantem a valorização das mercadorias, a especulação de ações, títulos de dívidas públicas e juros do multiplicador financeiro, os trabalhadores de todos os cantos se manifestarão contra o sistema e o destruirá. Trazer a social democracia para o Brasil diz respeito a lutar contra as elites brasileiras e internacionais que oprimem o nosso povo para que nos deixem as reservas necessárias para tornar o brasileiro um povo de classe média como na Escandinava, essa restruturação se passa pela reforma tributária, diminuindo os impostos indiretos e aumentando os impostos diretos, diminuindo a sonegação e restituição destes impostos diretos para melhor distribuir a riqueza na prestação de serviços públicos de qualidades que garantam acesso universal aos direitos sociais fundamentais de moradia, educação, saúde, alimentação, mobilidade e segurança.