Luis Soares
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Mercado 18/Apr/2013 às 17:34
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Preço do tomate: queda de 75% agita supermercados

Preço do tomate cai 75% e vira alvo de promoções nos supermercados

cai preço do tomate

Preço do tomate cai 75% e vira alvo de promoções nos supermercados (Reprodução)

Apontado como o vilão da inflação, o preço do tomate começou a perder força e agora virou alvo de guerra de promoções entre os supermercados. Na quarta-feira (17) duas grandes redes vendiam o tomate entre R$ 2,48 e R$ 2,50 o quilo. É uma queda de aproximadamente 75% em relação ao preço de três semanas atrás, quando o quilo do tomate valia R$ 10. Em 12 meses até março o preço do tomate subiu 122,1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que apura a inflação oficial.

É bem verdade que quarta-feira normalmente é um dia de promoções para o varejo de hortifrutigranjeiros na maioria dos supermercados. Eles compram grandes lotes de produtos para fazer promoções. Mas o movimento de queda de preços do tomate foi constatado no atacado.

Entre o dia 28 de março, quando a cotação atingiu o nível mais alto, e a terça-feira, 17, o preço do tomate italiano de melhor qualidade no mercado atacadista de São Paulo (Ceagesp) caiu quase à metade, de R$ 7,88 para R$ 3,75. “O principal fator que contribuiu para a derrubada dos preços foi a atitude do consumidor, que reduziu as compras e substituiu o tomate pelo molho industrializado”, afirma o economista da Ceagesp, Flávio Godas.

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Ele pondera também que a oferta do produto aumentou em quase 15% nas últimas três semanas. “Hoje o mercado está sendo abastecido pelas safras de Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Sul de Minas Gerais”, diz o economista. A situação é completamente diferente da de 20 dias atrás, quando o produto vinha só de Santa Catarina, cuja safra tinha tido uma quebra de 50%.

Promoções

Marcos de Freitas, gerente comercial de Frutas, Verduras e Legumes do Grupo Pão de Açúcar, ressalta que, tirando as promoções, o preço do tomate no varejo está em R$ 5,98, R$ 1 mais caro do que normalmente é cobrado pelo produto nesta época do ano. “Hoje (ontem), estamos vendendo o quilo do tomate por R$ 4,55 e, no domingo, teremos um preço menor”, avisa o gerente. Mas essa redução, segundo ele, se deve a compra de volumes de grandes agricultores que têm de tirar o tomate do pé, sob risco de perder o produto.

Também fruto de uma promoção relâmpago, o tomate era vendido na quarta-feira, 17, na loja do Walmart de Bauru (SP) por R$ 2,50 0 quilo. A empresa informa que é uma promoção específica para essa loja. O preço regular do quilo do produto na rede varia entre R$ 4 e R$ 6 e deve se manter nesse nível nos próximos 15 dias.

O Carrefour também entrou na guerra de promoção e na quarta-feira, 17, vendia o produto por R$ 2,48.

Agência Estado

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Comentários

  1. Rafael Zampieri Postado em 19/Apr/2013 às 16:24

    Interessante a observação do economista da Ceagesp, Flávio Godas: "o principal fator que contribuiu para a derrubada dos preços foi a ATITUDE DO CONSUMIDOR, que reduziu as compras e substituiu o tomate pelo molho industrializado".

  2. Miguel A. de Matos Postado em 22/Apr/2013 às 18:30

    Parece que, mais uma vez, a oposição e a mídia golpista pisaram no tomate. Qual será a próxima tábua de salvação em que vão se agarrar?

  3. Rafael Bianchini Abreu Paiva Postado em 10/Jul/2013 às 01:44

    Os índices de preços refletem uma média. Assim, quando o IBGE informa que o IPCA acumulado nos últimos 12 meses foi de 6,7%, o Instituto está informando que, na média, os preços aumentaram 6,7%. É natural que alguns preços aumentem mais que a média, outros aumentem menos e alguns preços caiam. A imprensa, ávida por manchetes que chamem a atenção e choquem o público, costuma dar destaque para os casos mais extremos, como o tomate, o que dá a falsa impressão de que todos os preços estão fora de controle. No mesmo mês em que a inflação do tomate acumulada em 12 meses chegou a 122%, o preço da energia elétrica caiu mais de 15%, o preço dos celulares recuou 5%, os automóveis novos ficaram 3% mais baratos e os usados 8%, por exemplo . A inflação foi uma das maiores responsáveis pela brutal concentração de renda que ocorreu entre o final dos anos 50 e 1994, pois os mais ricos possuem maneiras de se proteger do aumento de preços, como aquisição de dólares e investimentos protegidos da inflação, que não estão acessíveis aos mais pobres. A inflação brasileira, já cronicamente alta, saiu do controle entre 1987 e 1994 e, por essa razão, houve sucessivos planos econômicos (Plano Cruzado, Cruzadinho, Bresser, Verão, Collor I, Collor II) que envolviam congelamento de preços e até confisco dos recursos financeiros depositados nos bancos. Para termos uma ideia da magnitude do problema, a inflação acumulada nos 12 meses que antecederam o Plano Real foi de quase 5.000%, ou seja, em um ano os preços foram multiplicados por 50. Por essa razão, diversos economistas entendem que houve uma hiperinflação no Brasil. O inegável sucesso do Plano Real no combate à inflação garantiu a Fernando Henrique Cardoso a vitória nas eleições de 1994 e 1998 ainda no primeiro turno. Entretanto, também não se pode dizer que o oposto da inflação, a deflação, seja desejável. Isso porque a deflação está associada à depressão ou estagnação econômica, como tem ocorrido no Japão desde o início dos anos 90. Por isso, não é de surpreender que o governo japonês tenha anunciado recentemente a meta de aumentar a inflação para a ordem de 2% ao ano. Dito isso, é um consenso entre economistas que um nível moderado de inflação, algo entre 1% e 5% ao ano, é razoável e desejável. No caso brasileiro, é fácil de entender que, em um país com o nosso histórico inflacionário, a sociedade como um todo tenha aversão a aumentos de preços e medo da volta ao passado. Isso tem sido explorado pelos partidos de oposição, especialmente pelo PPS e, com menor intensidade, pelo PSDB. Em propaganda recentemente veiculada na TV, uma dona de casa se queixa da inflação e se questiona sobre a possibilidade de volta de “tudo aquilo”, uma clara referência à alta inflação que antecedeu ao Plano Real. Será que esse risco realmente existe ou ele é uma espécie de terrorismo eleitoreiro? Em primeiro lugar, se analisarmos a inflação no Brasil a partir do Plano Real, observaremos que, entre o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso e o segundo governo de Lula, o IPCA caiu de uma média de 9,7% ao ano para 5,1% ao ano. Expurgamos da base o ano de 1995, pois ele traria uma comparação injustamente desfavorável aos tucanos, já que o IPCA de 1995, de 22,4%, veio contaminado com a inflação do passado. Nos dois primeiros anos do governo Dilma Rousseff a inflação aumentou, mas ela segue inferior ao observado até a primeira metade dos anos 2000. Como o governo Dilma Rousseff é uma continuação do governo Lula, a comparação mais adequada é entre os 7 anos de governo do PSDB (1996-2002) e os 10 anos de governo petista (2003-2012). A inflação média no governo do PSDB (sem levar em conta 1995) foi de 7,4% ao ano, contra 5,9% dos governo do PT. O fato e a inflação ter sido mais alta nos governos do PSDB explique o tom mais sóbrio de Aécio Neves em comparação com o PPS, nas propagandas da TV. Outra forma de se medir o sucesso ou fracasso dos governos em medir a inflação é pelo cumprimento das metas de inflação. Desde 1999, a autoridade monetária estabelece uma meta de inflação a ser perseguida pelo Banco Central do Brasil por meio da política monetária. Se a inflação sobe, o Banco Central aumenta a taxa de juros, tornando maior a remuneração da dívida pública e encarecendo custo do crédito. Com o crédito mais caro, as pessoas tendem a consumir menos. Outro efeito dos juros é no câmbio: quando os títulos públicos brasileiros oferecem juros altos, os investidores estrangeiros trazem recursos para o país. A maior oferta de dólares aprecia a taxa de câmbio, tornando os produtos importados mais baratos e, com isso, ajudando a baixar a inflação. Como a economia está sujeita a choques que muitas vezes estão fora do controle da política monetária, como secas, chuvas e pragas que encarecem os alimentos, os países que adotam o regime de metas de inflação costumam adotar uma margem de variação dentro da qual se considera que a meta foi atingida. Desde 2006, a meta de inflação brasileira é de 4,5% ao ano, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos, ou seja, considera-se cumprida a meta de inflação se o IPCA fechar o ano entre 2,5% e 6,5%. No segundo governo do PSDB, a meta de inflação foi cumprida em 1999 e 2000, índice de 50%. Nos dez anos de governo petista, a inflação não ficou dentro da meta apenas em 2003, por causa dos reflexos crise cambial de 2002. Desde 2004, a meta de inflação tem sido atingida, resultando em um índice de êxito de 90% . Portanto, se a base de comparação for o atendimento às metas de inflação, o governo petista também leva a melhor. Logo, apesar de persistentemente alta e próxima do teto da meta (6,5%) há um bom tempo, a inflação brasileira não está fora de controle. As previsões dos agentes do mercado financeiro para 2013 encontram-se ancoradas em torno de 6% e, no médio-prazo, entre 5,5% e 6%. A analogia com o passado é claramente um golpe baixo. Mais do que isso, o comportamento da inflação brasileira está longe de ser algo isolado. Em uma perspectiva mais ampla, a combinação da crise financeira internacional, que resulta em crescimento mais baixo da economia, e mudanças estruturais na sociedade, como a ascensão de uma classe média urbana, tem levado diversos bancos centrais de países emergentes à flexibilização o regime de metas de inflação. A inflação acumulada nos 12 meses encerrados em maio de 2013 foi de 6,5% no Brasil, mesmo índice da Turquia, inferior ao observado na Índia (10,7%), Uruguai (8,1%) e Rússia (7,1%) e pouco acima da inflação de Indonésia (5,9%), África do Sul (5,5%), Costa Rica (5,3%) e México (4,5%). Claro que há países que ostentam taxas de inflação significativamente mais baixas que as nossas, como China (2%), Coreia do Sul (1%) e Chile (0,9%), mas eles estão longe de ser a regra. Propositadamente, Argentina e Venezuela estão excluídas da análise, pois ambos possuem inflação de mais de 20% ao ano e não são uma boa referência para o Brasil. Em suma, associar o aumento recente da inflação brasileira com aquilo que tínhamos antes do Plano Real é uma estratégia oportunista de alguns partidos da oposição. Mais do que isso, a comparação entre os governos do PSDB e PT, no que diz respeito aos índices inflacionários, é favorável ao último. Apesar do discurso catastrofista, a inflação se encontra dentro da meta há nove anos, com expectativa de fechar o ano em menos de 6% , o que resultaria no décimo ano de atingimento da meta de inflação. Finalmente, a recente alta da inflação é um fenômeno alinhado com o que ocorre em diversos países emergentes.