Redação Pragmatismo
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Mercado 08/Apr/2013 às 16:13
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Preço do tomate: o que há por trás do aumento de 150%?

Aumento do preço do tomate: monocultivo e latifúndio desempregam o povo do campo e acabam com as roças voltadas para a produção de alimentos

No último ano, o preço do tomate subiu cerca de 150%. A imprensa culpa o clima e os custos de transporte para esse fato. Mas estaria aí a explicação? Vejamos alguns dados, tirados do último IBGE.

aumento preço tomate

O preço do tomate no Brasil aumentou no último ano cerca de 150% (Reprodução / Web)

70% dos alimentos que chegam a mesa dos brasileiros vêm da agricultura familiar. Realizada em pequenas propriedades, em geral pelas próprias famílias, diferentemente da agricultura patronal. Essas pequenas propriedades representam cerca de 84,4% do total, mas ocupam apenas 24,3% da área agricultável no Brasil. As outras 15,6% de propriedades ocupam 75,7% da área agricultável nacional, são os latifúndios.

Esses latifúndios, produzem apenas 30% do consumo nacional agropecuário. Apesar de suas enormes dimensões eles não estão voltados para alimentar o povo brasileiro. Sua orientação maior é para o lucro e o que tem dado mais lucro a eles é a produção de soja para fazer, por exemplo, ração para os porcos na Europa.

Além disso, a agricultura familiar reponde por 74% do emprego de toda mão-de-obra formal no campo, enquanto o agronegócio emprega apenas 26%.

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No entanto, a prioridade do governo não é garantir a alimentação de seu povo com qualidade e a um preço barato. Atualmente, a agricultura familiar, também conhecida como agricultura camponesa, recebe apenas 14% de todo crédito disponível para o setor agrícola, enquanto os 86% restantes ficam com a agricultura e a agropecuária de extensão, também classificados como agronegócio.

Os dados, ao contrário de mostrarem uma melhora nesse cenário, mostram seu recrudescimento. A reforma agrária praticamente acabou no Brasil e os investimentos no agronegócio só vêm aumentando, inclusive pressionando a área agricultável familiar.

Portanto, o elemento central para a alta dos preços dos hortifrutis e do tomate (que tem sido tão falado) não é São Pedro. O responsável é o monocultivo e o latifúndio, que desempregam o povo do campo e acabam com as roças voltadas para a produção de alimentos, substituindo-as por plantações de soja. E o pior, o governo é cúmplice dos latifundiários, pois financia essa expansão.

Carlos Bittencourt, Vírus Planetário

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Comentários

  1. elias freitas Postado em 08/Apr/2013 às 18:27

    ISSO PODE ATÉ SER PARTE DA EXPLICAÇÃO,MAS COMO NÃO SOU BURRO,ENTENDO QUE ESSE PROCESSO É LENTO MUITO A LONGO PRAZO,OS PREÇOS DESSES ALIMENTOS TENDEM A CRESCER,GRADUALMENTE.MAS O FATO É QUE FOMOS DORMIR COM O TOMATE A 1,00 O KG E ACORDAMOS COM ELE A 10,00. MUITO ESTRANH,NÃO ACHAM?ISSO CHEIRA MAIS A ESPECULAÇÃO OU PRESSÃO PARA AUMENTO ARTIFICIAL DE PREÇOS.

  2. Eumesmo Postado em 08/Apr/2013 às 20:03

    Mas isso sempre aconteceu no Brasil. Como justifica o aumento tão brusco?

  3. T Postado em 09/Apr/2013 às 00:08

    Ótimo texto, obrigado!

  4. Iran Postado em 09/Apr/2013 às 00:39

    É a "esquerda" no poder!

  5. Marcelo Dias Postado em 09/Apr/2013 às 01:08

    Marxistas, só pensam em "alimentar o povo" mas esquece que o latifúndio é o maior contribuinte para o superávit comercial do Brasil que sustenta muitos funcionários públicos esquerdistas e parasitas sindicalistas e MST da vida que tanto vocês defendem.

  6. Alessandro Postado em 09/Apr/2013 às 11:16

    Marcelo, só uma pergunta: o que uma coisa tem a ver com outra? Será que não é possível ver uma análise de conjuntura um pouco mais profunda que os lugares-comuns das Vejas da vida sem querer embutir esse ranço?

  7. Antonio Araujo Postado em 09/Apr/2013 às 11:27

    O debate sobre a alta nos preços do tomate vem repercutindo fortemente nas redes sociais. São várias as brincadeiras e posts. Sendo assim, resolvi mexer também nesse molho. Para quem conhece a cadeia produtiva e oferta, sobretudo nos grandes centros urbanos de alimentos vegetais, hortaliças e leguminosas, a subida desses preços demonstra o que no Brasil se chama de “lei da oferta e da loucura”. A grande verdade é que os preços das hortaliças e leguminosas no país são direta e proporcionalmente vinculados aos preços do tomate e da alface. Até mesmo classes sociais com menor poder aquisitivo prefere, em primeiro lugar, tomate e alface, que inclusive tem um preço histórico acessível. Comparativamente, lembram-se do termo “preço de banana?” Pois então, o preço baixo do tomate e da alface pressiona para baixo o preço das demais hortaliças e leguminosas. Quando eles têm o preço apreciado, levam consigo, os demais produtos, que em geral, são a segunda opção. Pois então, o tomate tem um ciclo de produção relativamente curto variando de 4 a 7 meses. Evidentemente que problemas climáticos tenham criado uma volatilidade nos preços, mas não há maiores problemas agrícolas para a sustentação nesses novos patamares. Não houve quebra de safra que tenha sido causadora tão forte como esse aumento e manutenção durante todo esse período. Para as donas de casa, uma clara visão de que não há grande falta de estoques é que nas feiras e mercados, ainda se encontram oferta abundante, apesar do preço alto, de tomate maduro, vermelho. Ora, caso houvesse falta grave de suprimento, a colheita seria desesperada até para se manter o lucro, ofertando tomates ainda verdes, já que haveria falta. Mas, ao contrário, tomates maduros, bonitos e brilhantes. Os fundamentos do desenvolvimento econômico e social carregam uma evidência empírica comprovada na hipótese de que existe uma correlação entre o nível de eficiência e a taxa de crescimento econômico. Países dotados de boas instituições crescem mais rápido. No caso, temos uma enorme assimetria de informações, falha grave da regulação, das instituições. As forças da natureza são consideradas como fator primário da riqueza e pobreza das nações. Mesmo assim, somente a evidência não serve para caracterizar a geografia como influencia primária da prosperidade; mas é verdade que há uma correlação entre ambas. Aqui, nossa disponibilidade de terra, água e solo em ótimas condições para produção de alimentos. Enquanto não corrigem as assimetrias de informações, essas dicotomias sobressaltam. E os brasileiros, por enquanto, acabam até mesmo fazendo piada sobre o alto preço do tomate... Até tu, “tumate”?

  8. Evandro Postado em 09/Apr/2013 às 16:55

    "Latifúndio é o maior contribuinte para o superávit"... parece estar ouvindo o Dpt. Maggi falando.... piada. Se fosse investido pouco mais na agricultura familiar que produz alimentos de verdade ao invés de investir bilhões no agronegócio que não emprega, não produz para alimentar o povo, nem precisaria ter um "superávit" desses, pra retornar aos latifundiários, aos esquerdistas, aos direitistas...

  9. Alex Postado em 09/Apr/2013 às 16:58

    Ninguém se lembrou de uma figura nesse panorama: o atravessador! A cultura do tomate, assim como quase todas as culturas de hortaliças, sofre imensamente pelo atravessador que compra a caixa bem barato e vende caríssimo. O oligopólio dos supermercadistas também influencia o preço, pois conseguem negociar o preço de compra pra baixo e maximizar o de venda.

  10. Anônimo Postado em 09/Apr/2013 às 17:42

    1º ) O melhor para o governo é a exportação, se alguns não concordam, é só relembrar o que era o Brasil a 30 anos atrás, na época em que o PIB brasileiro representava em torno de 40% a 50% do PIB de nosso vizinho Argentina, por exemplo, graças a intensas políticas de incentivo ao agronegócio, o Brasil se tornou o "celeiro do mundo" e tornou-se também o maior exportador de carnes do mundo, e é ao agronegócio que os brasileiros devem agradecer de joelhos, por neste exato momento, muitos estarem empregados e tendo dinheiro para sobreviver, pois, se houvesse a ausência desse pilar de sustentação na economia, a crise de 2008 devastaria o país, neste caso, veríamos não uma população reclamando pelo preço do tomate, mas implorando por um emprego, até os dias atuais. 2º ) É também muito fácil inflacionar o preço de um artigo, seja ele alimentício ou de qualquer outro tipo, isso se deve a um jogo de ganhos, isso não é de hoje, é de séculos atrás, esse jogo caracterizou o surgimento da sociedade mercantilista e sucessivamente a sociedade capitalista. Como é o jogo, o senhor Y, é um grande investidor em mercado futuro, ele pode se unir a outros investidores ou, se tiver poder suficiente pode fazer tudo sozinho; o grupo ou o Sr. Y, compra grande parte de toda a produção de um determinado produto, nesse caso o tomate; depois, ele não irá no momento inicial vender o produto para a população (mercado interno), ele esperará até que o mercado perceba a falta do produto, assim terá uma alta inflação exagerada, que é o que acontece com o tomate, e de pouco em pouco ele irá vender o seu produto para garantir lucros absurdos, se não houver uma intervenção governamental, que percebe-se que no Brasil é a passos de tartaruga, propiciando um ambiente favorável para este tipo de conduta capitalista. 3º ) O berço da sociedade nasceu já com a desigualdade, então nunca haverá igualdade entre a população, se você não quer pagar o preço do tomate, vai ficar sem comer tomate, é opção sua, se revoltar contar o governo, vamos ser realista, quem é você perante ao governo. Muitos devem lembrar de uma historinha antiga que os professores de escolas populares contam até hoje, o maior medo dos poderosos é que a camada inferior e mais populosa se revolte... poxa, claro esse medo realmente existiu mas foi a quanto tempo... acho que até a um ou dois séculos atrás, hoje isso não existe mais, o papel se reverteu, na sociedade capitalista dos séculos XX, XXI e posteriores, o maior medo que muitos negam a pensar e que são influenciados por professores socialistas, que todo dia tentam distorcer a mente dos alunos para a verdadeira realidade, é a classe mais alta revoltar-se, são eles que detém o poderio econômico e militar, eles ditam, sim ditam, são ditadores legais, como o mundo deve proseguir, o "povão" perdeu a sua ultima chance de instigar alguma melhoria, verdadeira, quando a URSS caiu, apartir desse momento concretizou o pensamento lógico da alta burguesia, o mundo é deles e eles são o que importa, o resto da população é resto, ou melhor, é algo disprezivel na realidade deles, que acabou sendo suplantada à realidade da sociedade em geral, e os países que mais demonstram isso, é os EUA e todos da Europa, onde não importa se a população passa fome, frio ou outros problemas, se nossos bancos e nossa economia ficar estável, a população será um sacrificio necessário em prol do estado, simples, e é isso que é a beleza do capitalismo, algo realmente prazeroso de se ver, fico doido para ver como terminará essa história, assistindo a tudo de camarote... então, se você não tem dinheiro, poder ou algum tipo de influência, não adianta ficar expondo suas opiniões, pois estas nunca serão escutadas e acatadas, serão somente palavras jogadas ao vento...

  11. Cintia Barenho Postado em 09/Apr/2013 às 23:06

    Prefiro tomate ecológico, livre de agrotóxicos e especulação financeira http://ongcea.eco.br/?p=39263

  12. clau Postado em 11/Apr/2013 às 15:09

    Como não pensar no povo, Marcelo? É o povo que trabalha. Os 6grandões¨só se aproveitam.

  13. ze Postado em 12/Apr/2013 às 17:54

    Mentira! A exportação que foi a estratégia para aumentar os preços. Tudo para aumentar os juros, já que a queda dos juros expande a renda. Os donos do mundo - os judeus - querem que apenas os países que eles escolheram para governar tenha juros baixo e consumo razoável. Oh, judeus, por que nos odeiam tanto! Por mais que jc não exita, ou seja um mal, nada justifica o que fazem conosco! Liberte-nos!

  14. Ana Carolina Postado em 13/Apr/2013 às 12:02

    Marcelo, o que você vai comer quando tudo for soja e cana?

  15. Daniel Postado em 13/Apr/2013 às 15:21

    Qualquer um com um pouco de conhecimento de economia ou uma rápida pesquisa no google perceberá que a única coisa que sustenta nossa economia é a produção agrícola, e isso é fruto de investimentos privados, pois tanto o pequeno como o grande agricultor sofre com a falta de auxílio governamental. É importante pensar no povo, concordo, mas as pessoas confundem muito o "pensar no povo" com o "pensar no indivíduo". Ao pensar no indivíduo, pensamos no direito à saúde, educação, alimentação, mas ao pensar realmente no povo, vemos que em nossa sociedade capitalista, o dinheiro é gerador de riquezas e desenvolvimento, portanto, os pilares econômicos precisam ser fortalecidos para garantir a geração de renda para o povo e o pilar político precisa ser justo e direito para garantir a continuidade dessa geração de riquezas e a devida tradução delas em benefícios para os indivíduos, como saúde, educação e subsídios para as pessoas carentes.

  16. Henrique Postado em 24/Apr/2013 às 09:22

    Alguns comentários são piores que o preço do tomate. Então o "sustento" de funcionários públicos aumenta o preço do tomate? Faça-me o favor!... Judeus?? Quanto ranço e preconceito.

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