Luis Soares
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Saúde 04/Apr/2013 às 11:51
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Drogas lícitas são distribuídas em protesto durante Marcha da Maconha

Marcha da Maconha e o coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR) distribuem drogas legalizadas como bebidas alcoólicas, cigarros, energéticos e até mesmo exemplares da revista Veja contra endurecimento de lei antidrogas

O movimento Marcha da Maconha distribuiu drogas legalizadas como tabaco, álcool, açúcar e energético no centro de São Paulo na última terça-feira 2 de abril. Eles protestavam contra o projeto de uma nova lei de drogas que está pronto para votação no plenário da Câmara dos Deputados. Segundo a polícia, cerca de 120 pessoas participaram da manifestação.

marcha da maconha drogas

Marcha da Maconha distribui drogas lícitas no centro de São Paulo como protesto contra a hipocrisia da política anti-drogas vigente (Foto: Agência Brasil)

Cigarros, trouxas de açúcar, cachaça, chimarrão, conhaque e até exemplares da revista Veja foram colocados no viaduto do Chá. Lá, as pessoas poderiam pegá-los gratuitamente. Substâncias ilícitas não foram distribuídas no local.

A militante e jornalista Gabriela Moncau, de 23 anos, disse que a ideia era escancarar a “hipocrisia das políticas sobre drogas”, que, segundo ela, não é baseada em critérios de saúde ou de segurança pública. “A guerra às drogas define algumas que podem e outras que não podem ser consumidas. Esse critério não tem nada a ver com saúde, tem a ver como questões políticas e econômicas,” diz Moncau.

Moncau diz que o movimento adotou um formato irônico para gerar mais curiosidade sobre o assunto.

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“No momento em que distribuímos álcool, queremos chamar a discussão que ele é uma das drogas mais prejudiciais e que mais causam malefícios. Atinge muito mais pessoas, por exemplo, que o crack. No entanto, ele é estimulado, naturalizado e tem até propaganda.”

“Projeto de lei é retrocesso”

O grupo organizador da Marcha da Maconha critica o projeto de lei do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), que está pronto para ser votado no plenário da casa. Segundo o movimento, a proposta é um retrocesso, pois “mantém a falta de critérios para diferenciar usuário e traficante, dando margem a interpretações subjetivas e preconceituosas.”

Entre os pontos criticados do projeto está a criação de um Cadastro Nacional de Usuários da Droga. Para o movimento, isso aprofundaria o preconceito já sofrido pelos usuários.

O projeto também deve aumentar o número de encarcerados no país, já que estabelece penas maiores para quem portar substâncias com “alto poder de causar dependência”.

Outro ponto criticado na lei é o aumento do investimento em equipamentos privados e religiosos. Para os militantes “trata-se da privatização da saúde e de violação do estado laico”.

CartaCapital, Piero Locatelli

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Comentários

  1. Pablo Vieira de Mendonça Postado em 04/Apr/2013 às 14:41

    Sou a favor da legalização mas não podemos esquecer de algo: Nossas políticas de Saúde e Educação precisam ser EXTREMAMENTE reforçadas para que a sociedade receba esta "benesse". O combate as drogas é uma LEI que só incita transgressão: proibido é mais gostoso. O ser humano durante toda história da civilização sempre mostrou alguma tendência para consumo de químicos que alteram a percepção. Sempre haverão pessoas que farão isso por vias lícitas ou ilícitas. Temos o álcool e o cigarro como PROVA cabal disso. Temos os benzodiazepínicos, anti-depressivos etc... Todos eles de ação direta no Sistema Nervoso Central. País algum do mundo conseguiu acabar com esse "traço" de comportamento humano através de repressão. Lembram da história da Lei Seca do EUA e no que deu? Precisamos rever isto e diminuir a hipocrisia. Outro fator importante: O sistema de combate ao tráfico é algo que corrompe a polícia e o governo porque há quem se beneficie disso onerando o bolso do contribuinte que sustenta os cargos públicos. É prejuízo. Há um mito que precisa ser desfeito também: "Maconha não provoca dependência." Toda e qualquer substância que age no SNC pode gerar dependência de acordo com: - Predisposição cerebral do indivíduo. - Tempo de exposição. - Comportamento social. O assunto da legalização deve ser apreciado por todos os ângulos possíveis, sem maniqueísmo e com parcimônia.

  2. thiago Postado em 04/Apr/2013 às 14:45

    Proposta: pq não legaliza o uso para maiores de 18 anos?

  3. Sir Steam Postado em 04/Apr/2013 às 23:41

    Ei, Fandangos não é droga não!

  4. marcos Postado em 04/Apr/2013 às 23:52

    Só uma coisinha: chimarrão, só por que é de erva-mate, não é droga (a menos que seja por causa do ex-secretário de saúde do RS, que fez esse projeto tosco). Nunca falem mal do chimarrão no Rio Grande do Sul, ok? Mas gostei da distribuição da Veja, apesar de preferir que queimassem...

  5. luiz carlos ubaldo onçalves Postado em 05/Apr/2013 às 08:37

    Nunca entendi por que essa gente careta foge do debate sobre a legalização da canabilis!

  6. Pedro Postado em 05/Apr/2013 às 17:37

    Fandangos é do bem cara! Puta injustiça...

  7. Paulo Henrique Postado em 12/May/2013 às 01:03

    Vão estudar os danos que a maconha produz no cérebro de um adolescente,e mesmo parando de fumar o efeito persiste. Quer ficar lesado? vai pro Uruguai! pro maconhal do presidente imbecil.

  8. Paulo Henrique Postado em 12/May/2013 às 01:05

    não sei se é imbecil ou populista,talvez os dois.

  9. ale Postado em 05/Jun/2013 às 18:31

    Realmente ,Paulo Henrique,gera muitos danos,pergunta pro Bil Gates,ou pro Steve Jobs ( detalhe : revolucionaram a informatica ) os danos que eles sofreram por causa da maconha ...

  10. Barillo Postado em 26/Jun/2013 às 05:10

    "Realmente ,Paulo Henrique,gera muitos danos,pergunta pro Bil Gates,ou pro Steve Jobs ( detalhe : revolucionaram a informatica ) os danos que eles sofreram por causa da maconha". Nunca escutei falar que Bill Gates usava maconha.... Essa é nova. E Steve Jobs já não reside mais nesse mundo(por favor não use um morto como exemplo,não fica muito legal,sacas?).