Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 12/Apr/2013 às 14:23
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A cultura do estupro grita, mas ninguém ouve

"Acabar com a cultura do estupro é um processo social, coletivo, mas também individual. Temos de encarar nossos corpos como nossos e de mais ninguém, além de repensarmos o sexo, transformando-o no que realmente é: prazeroso e consensual. Qualquer coisa fora disso é agressão"

Gerald Thomas Nicole Bahls
Gerald Thomas justificou mão em partes íntimas de Nicole: “No Brasil, um paisinho de quarto mundo, tudo termina em panos quentes”

Em entrevista à coluna Gente Boa, do jornal O Globo, Gerald Thomas falou sobre o episódio que teve com Nicole Bahls, quando enfiou a mão dentro do vestido da integrante do Pânico na Band, durante o lançamento de seu livro, na última quarta (10).

Thomas disse que “meteu a mão na menina”, mas que “tudo termina em panos quentes”, como todas as coisas no Brasil, que é um “paisinho de quarto mundo”, um “Corsa que quer ser Mercedes”.

Nádia Lapa, em seu blog, escreveu sobre o episódio. Leia abaixo.

A cultura do estupro gritando – e ninguém ouve

Como a essa altura vocês já devem saber, Gerald Thomas tentou colocar as mãos por dentro do vestido da Nicole Bahls durante um evento no Rio. Era noite de lançamento de um livro dele e a Livraria da Travessa estava lotada. Repórteres, cinegrafistas, funcionários da loja, clientes.

Pelas notícias, ninguém fez nada. Nas imagens dá para ver que o colega de trabalho de Nicole no Pânico continuou a entrevista como se nada tivesse acontecendo. Enquanto isso, Thomas enfiava a mão entre as pernas de Nicole e ela tentava se desvencilhar.

Sempre rolam os xingamentos à mulher, claro. São os usuais: que ela estava pedindo, que ela estava gostando, que o trabalho dela é esse mesmo, que a roupa era justa. Vocês estão cansados de saber quais as justificativas injustificáveis para o assédio e a agressão sexual.

Mas duas coisas me chamam a atenção nesse caso. A primeira é ninguém ter feito nada. Acharem normal. Acharem aceitável. Se a agressão tivesse sido com uma atriz considerada recatada, as pessoas reagiriam da mesma forma?

Duvido. Indignar-se-iam, aposto. Muita gente nas redes sociais se posicionou e apontou o comportamento de Gerald Thomas como agressão, mas a imprensa tratou como algo que “Nicole não esperava”, mostrando o assunto como mero constrangimento.

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Se a mulher geralmente já é tratada como “coisa”, como um objeto para deleite masculino, quando ela tem seu corpo e sua sexualidade transformada em um produto vendável, tudo só piora. Nicole faz sucesso porque tem um corpão, segundo os padrões de beleza atuais. Ela aparece de biquini na televisão, tira fotos “sensuais”, usa roupas curtas e provocantes. Como ela “provocou” (apenas sendo quem ela é), ela merece ser apalpada por um estranho.

Porém, não existe isso de “provocar”. Gerald Thomas não é um animal irracional. Ele – e eu e você – deve esperar o consentimento do outro para poder tocar em seu corpo. Nicole Bahls claramente disse “não”, ao tentar tirar as mãos de Thomas. Parece que não é suficiente, como não é suficiente quando viramos o rosto para evitar o beijo do desconhecido na balada.

Criou-se a ideia de que o homem deve insistir e insistir, enquanto a mulher tenta guardar algo. O “não” é visto como “talvez”. No entanto, se a mulher transforma o talvez em um “deixa pra lá”, ela na verdade não está consentindo. Não é um “sim” entusiasmado, intenso, certeiro, como deve ser em qualquer relação. É um “sim” por convenção social, por achar que ele já fez demais, que agora merece o contato sexual, que é melhor ceder e se livrar logo. Isso não é consentimento, é coerção.

O pior é que esses caras não se veem como agressores, uma vez que todo mundo encara tais comportamentos como “normais”. Brad Perry tem uma frase ótima em Yes Means Yes*: “estes homens acreditam piamente que “não” significa “insista”, e nunca se veem como estupradores, apesar de admitirem o padrão de ignorar e suprimir a resistência verbal e física”.

A segunda coisa que me incomoda no caso é terem dito “mas porque ela não fez algo?”. Infelizmente, a maior parte das pessoas que sofre algum tipo de agressão (não só sexual) não faz alguma coisa. Ser vítima é costumeiramente confundido com “ser frágil”. É difícil encarar polícia, legista, imprensa, opinião pública. No caso desse post, o cara estava agredindo na frente de todos – e ninguém fez nada.

Se fosse você a vítima, você não pensaria que a errada é você por não estar gostando, já que todo mundo está achando muito normal?

Lisa Jervis discorre sobre isso no mesmo livro: “estou falando de uma construção cultural nojenta, destrutiva, que encoraja as mulheres a culparem a vítima, a se odiarem, a se culparem, a se responsabilizarem pelo comportamento criminoso dos outros, a temerem seus próprios desejos e a desconfiarem dos seus próprios instintos”.

Se o corpo da mulher é ainda visto como “de todos”, como acontece no caso daquelas que usam a sexualidade para “vender”, fica ainda mais difícil ter noção de que o corpo lhes pertence. Que é só seu. Que ninguém, ninguém pode tocá-lo sem consentimento.

Acabarmos com a cultura do estupro é um processo social, coletivo, mas também individual. Nós temos que encarar nossos corpos como nossos e de mais ninguém, além de repensarmos o sexo, transformando-o no que realmente é: prazeroso e consensual. Qualquer coisa fora disso é agressão.

*Yes Means Yes é um livro de Jessica Valenti e Jaclyn Friedman sobre a cultura do estupro. É uma coletânea de artigos muito interessante e que recomendo muito. O texto de Brad Perry se chama Hooking up with healthy sexuality: the lessons boys learn (and don’t learn) about sexuality, and why a sex-positive prevention paradigm can benefit everyone involved.

Pragmatismo Politico

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Comentários

  1. Ana Beatriz Postado em 12/Apr/2013 às 14:37

    Concordo com tudo o que foi dito. Mas, quero apenas dizer uma coisa: Se alguém meter a mão embaixo do meu vestido dessa maneira (assim, do nada, "porque quis"), eu, no mínimo, dou um tapa na cara dele. Reajo. Revolto-me com um "O que é isso, pô? Tá doido?". E isso não muda o ato ridículo, invasivo e criminoso dele.

  2. Santiago Postado em 12/Apr/2013 às 14:40

    Esse ridículo deve ser denunciado por estupro, simples assim. Ele trata o país e as pessoas como inferiores, ele é de quarta categoria. Quem é Gerald Thomas? Ninguém. Ele faz parte de um mundinho minúsculo no qual as mesmas pessoas giram em torno uma das outras.

  3. Dora Siqueira Postado em 12/Apr/2013 às 14:54

    Um bosta esse cara! Merdinha feia

  4. Marjorie Postado em 12/Apr/2013 às 14:55

    Os dois comentários anteriores foram muito bem colocados. Minha opinião é: de onde esse cara teve a ideia "magnífica" de por a mão debaixo do vestido dela? Qual a liberdade que ela deu para ele fazer isso? Me admira que um escritor, que todos nós concordamos ser estudo e tudo mais, aja dessa maneira. SIMPLESMENTE RIDÍCULO!! Onde já se viu... Como a moça do outro comentário disse, só que um puco melhor, EU ARREBENTAVA A CARA DELE!! Idiota, palhaço... A guria ali trabalhando e vaio um mané desses fazer bobagem... Ficou feio pra ele!! Imbecil!

  5. Henrique Arantes Postado em 12/Apr/2013 às 15:05

    Ok, concordo com tudo que foi dito mas mas por outro lado tem muitas mulheres que falam "não" querendo dizer "talvez" só pq gostam de ver homem insistindo ou abusam do charme para conseguir o que querem e depois descartam o cidadão com o famoso discurso "ele é só meu amigo" que misteriosamente só aparace depois que o camarada terminou tudo que ela precisava. Ah, é verdade, qdo uma mulher seduz alguem para fazer o que ela quer não tem problema certo? Não digo que amizade entre homens e mulheres não exista até mesmo pq tenho varias grandes amigas e nem que má interpretação também não exista, só digo que isso acontece mais do que deveria. Até mesmo por uma cultura de ter q se fazer de difícil para ser mais valorizada, pq convenhamos, mulher fácil tbm num tem graça. E ainda tem a melhor d todas, "homem tem que ter pegada!" essa é uma das mais mal interpretadas que na cabeça de alguns gênios da pegação significa fazer a força. Como homem digo que a cura para a cultura do estupro vai demorar muito e vai precisar de muuuuito esforço de ambos os lados.

  6. ricardo Postado em 12/Apr/2013 às 15:17

    Bela matéria. Concordo com tudo. Mas tenho tenho que acrescentar minha opinião na questão do "não" visto como "talvez". Nesse caso é óbvio que o cara estava errado em insistir, ainda mais pela vulgaridade e agressividade do ato. Porém durante um "flerte" ou "conquista" muita mulher usa o "não" como "talvez", "se faz de difícil" se preferir, "provocando" o homem e o incentivando a tomar uma iniciativa mais expressiva. Acho que isso é completamente normal e aceitável, desde que tenha-se o devido respeito.

  7. guilhermina ribeiro Postado em 12/Apr/2013 às 15:46

    Quem esse imbecil pensa que é para dizer que o Brasil é quarto mundinho? Ele que se acha tão superior, o que está fazendo aqui, e além do mais lançando um livro? A moça deveria ter gritado, feito um escândalo chamar a atenção sobre o abuso desse homem de quinta. Um ridículo!

  8. andre Postado em 12/Apr/2013 às 15:54

    Dois aspectos relevantes: 1- A exposição provocada pelo programa em relação às tais "panicats", é um festival de sexismo deliberado... Programa p macho: mulheres em peças sumárias, na berlinda; 2- O desrespeito à sociedade nacional desse pequeno "caboclo" metido a cidadão do mundo, pq carrega um nome anglo-saxão. É evidente que sua ascendência colabora para os comentário carregados de asco e preconceito por seu país de nascimento, talvez, não de sua origem. Mas, fica também muito clara a causa dessa nação ser o que é: uma elite despreparada (e, no caso desse indivíduo, elite cultural), perversa, omissa arrogante e sem escrúpulos. É essa gente que forma os conceitos de sociedade. É essa gente quem forma e articula opiniões; 3- Por outro lado, constrangedor assistir uma jovem deixar-se utilizar dessa forma, sem interferir no processo energicamente, tudo por conta de seus empregadores, pq estes, consideram que o fato ocorrido faz parte do relevo da matéria, portanto, a mulher é simples objeto da transição dos episódios: podem ser tocadas, espoliadas e desrespeitadas, e isso é corroborado pela ausência de uma postura mais enérgica diante da libidinagem; Esse país, a cada dia que passa, apresenta episódios assustadores de total ausência de capacidade de bom senso, coesão e dignidade. Só há oportunistas.

  9. amanda Postado em 12/Apr/2013 às 18:18

    nossa, qque nojo. odeio esse programa, entao pergunto, isso foi ao ar??

  10. Rodolpho Postado em 12/Apr/2013 às 18:33

    Ele é um belo de um fdp, um babaca, imbecil. Me faltam palavras pra mostrar o quanto me indignou a atitude desse canalha. "Meti a mão na menina", "tudo termina em panos quentes", "paisinho de quarto mundo"... Quem esse babaca acha que é? Enquanto as providências necessárias não forem tomadas, infelizmente isso será só mais um caso de agressão sexual contra a mulher. Lamentável.

  11. Carlos Penna Rey Postado em 12/Apr/2013 às 18:36

    triste,muito triste se fosse num coletivo lotado seria tratado como falta de educaçao de um zé povinho, figura deprimente este sujeito, ainda bem que nao representa todos seres humanos

  12. Armando Daliga Postado em 12/Apr/2013 às 22:12

    A mina tinha que dar uma cabeçada na cara deste morfético e o repórter emendar uma bicuda na barriga dele. Armando Daliga

  13. eli Postado em 13/Apr/2013 às 00:03

    safado brasil virou baderna mesmo será q no pais dele ele faria isso ! esse nunca deve ter visto mulher bonita tarado safadose na camera faz isso imagina longe

  14. krugger Postado em 13/Apr/2013 às 01:13

    Legal o texto, muito bonito mesmo. Mas porque ela não sai do programa? Porque ela não abandona essa mídia que a expõe negativamente? Porque ao contrário dessa colunista Nicole Bahls vive da imagem, é a gostosona que dança no palco com um fio de algodão entre as nádegas, e ela é bem paga para fazer isso, aposto com quem quiser que somando salário de programa e patrocínio de griffes, fornecededores de roupas esportivas femininas e fornecedores de suplementos alimentares ela ganha muito mais que a iluminada autora desse texto. Nicole Bahls trabalha no pânico e o apresentador do programa deixa claro em todas as edições "o panico é um programa machista e nós gostamos de mulher gostosa!", as revolucionárias de plantão deveriam se ofender quando o programa coloca elas em roupas minúsculas levando tapas e apertadas dos próprios integrantes do programa. O programa existe porquê dá audiência, enquanto meia dúzia de mulheres ficam gritando em seus blogs minúsculos as redes sociais do programa pânico ganham mais e mais seguidores a cada dia, todos os homens que foram assediados pelo programa não eram frágeis e mesmo assim o programa os constrangeu e todos acharam muito engraçado. Infelizmente ela está ali para isso, um pedaço de carne para ser apalpado é esse o papel de uma paniquete, ela se sujeitou a isso, se não está satisfeita ela pede demissão e semana que vem aparece alguma outra bunduda das coxas grossas e siliconada disposta a assumir o "trabalho". Essas mulheres não são exaltadas pelo intelecto pelo contrário o que se vê de uma forma geral é a falta dele, elas são exaltadas pelo corpo e elas ganham dinheiro por ser peça de vitrine. Vocês sabem o que vai acontecer? Esse fim de semana todos irão ligar a TV na bandeirantes para assistir o programa do pânico, eles vão colocar essa matéria por último e a audiência do programa vai às alturas, é tudo que o pânico e a bandeirantes querem. Enquanto as feministas ficam aí chorando as pessoas envolvidas naquele programa de quinta categoria estarão engrossando suas contas bancárias e a "vítima" nicole bahls irá receber seu gordo salário ao fim do mês por mostra a bunda e ser apalpada na TV e a vida segue.

  15. Adriano Postado em 13/Apr/2013 às 02:28

    e tem gente que acha graça neste lixo, inclusive na merda do programa também. Mas também tem que dizer, as meninas precisam se valorizar mais.

  16. Gilberto Postado em 13/Apr/2013 às 09:53

    Pre meter a mão ali só pagando, e caro.

  17. Beatriz Postado em 13/Apr/2013 às 10:35

    Texto bem estruturado, boa argumentação. Fiquei emocionada ao ler. A luta da mulher ainda mal começou desse país se foi ensinado a ser medieval.

  18. Ale Postado em 13/Apr/2013 às 11:04

    Concordo. Bom texto. Tb ouvi muitas mulheres dizendo q reagiriam, talvez algumas poucas sim, mas diariamente a maioria não reage, seja ouvindo cantadas grosseiras em alto e bom som, vítima de agressões verbais dos parceiros (sem mencionar as físicas), seja deparando-se c/ propostas sexuais "veladas" no trabalho, seja qdo rapazes puxam as moças pelos braços nas baladas, entre outras. Enfim, toda mulher já passou por alguma "enfiada de mão" ao longo da vida, engoliu seco, se entristeceu (nem q seja lá no seu íntimo) e seguiu em frente c/ aquela mágoa guardada pq, afinal, a maioria acha esse padrão machista tão normal. E alguma culpa a mulher sempre tem p/ ser agredida, se não é a roupa provocante, é a maneira de sentar, de olhar, é seu jeito recatado pq mulher metida a santa quer é dar geral e até seus pensamentos podem justificar uma agressão.

  19. N Postado em 13/Apr/2013 às 11:25

    Engraçado ,o Panico e conhecido por constranger seus entrevistados,com besteiradas, o ceara tinha um personagem ai nesse quadro chamado "me come Bahal" com a propria Bahal do lado,eles vão ao lançamento do livro do Gerald Thomas que e gay, não consigo enxergar ai programa bobinho vs monstro estuprador, me parece que esse resultado foi muito bem recebido pelo panico,ja que o Gerald Thomas e um "polemico", me parece que esses textos que ja são agenda de militancia como esse daqui,não contextualiza nada,nem se preocupam com isso, tai a imagem: homem levanta vestido de mulher pq ela e gostosa,monstro da sociedade.

  20. Crysthian Postado em 13/Apr/2013 às 12:20

    Concordo que a cultura do estupro e constantemente divulgada e incentivada na televisão,porém podemos observar tbm que é a mesma que faz maior sucesso entre os telespectadores que não se manisfestam a respeito,é fácil reclamar depois que o problema aconteceu,é mais fácil ainda reproduzir essa reportagem,muito bem escrita por sinal,na rede social e ao chegar mais um fim de semana ligar a televisão e aplaudir o tal programa de "humor",não acedito que a Nicole Bahls tenha sido coagida,porque como foi dito em um comentário anterior uma mulher de verdade reagiria com total indignação ao assédio,isso não exime esse idiota intelectual de culpa,mas acredito que tanto Nicole quanto todos os outros integrantes o programa deveriam ter reagido ao assédio,foram coniventes,e sendo coniventes abrem as portas para que isso volte a acontecer!

  21. Jéssica Postado em 13/Apr/2013 às 13:07

    Mas quando esse tipo de coisa acontece, as vezes, não tem como ter reação, tu fica constrangida, ser saber o que fazer. Acho péssimo ficaram dizendo que 'ai, eu daria um soco na cara dele', é bem provável que a Nicole pensou isso também, mas não é todo mundo que tem uma reação assim. Já passaram a mão em mim no metrô e foi algo tão terrível que eu, simplesmente, não sabia como lidar (tanto que o cara passou a mão em mim de novo!).

  22. Fernanda Postado em 13/Apr/2013 às 14:11

    só tenho uma coisa a declarar: QUE NOJO.

  23. Homem-Man Postado em 13/Apr/2013 às 16:54

    krugger cantou a pedra. Assino embaixo. Muita feminista aqui nem sabe o que significa feminismo. As mulheres trabalham mais que os homens e ganham menos desde que o movimento feminista nasceu. E isso elas não falam, preferem o moralismo. Manifesto SCUM é coisa de mulher de baixa autoestima e alienada. "Cultura do estupro"? Desliga a TV. É o que eu faço. Se querem matar o que vocês chamam de machismo, comecem combatendo entre vocês mesmas, as maiores machistas são mulheres. Nicole deve ter ficado super contente pois todo mundo tá falando dela. Dói admitir, mas é verdade.

  24. Bitt Postado em 13/Apr/2013 às 19:59

    Por mais o "intelectual" tente justificar com papo furado um ato brutal e por mais que se tente analisar a coisa todo por um viés sociológico, o que para mim fica fica é a seguinte pergunta: quais seriam as consequências desse episódio se tivesse acontecido nos EUA ou na Inglaterra?

  25. Plincia Postado em 13/Apr/2013 às 21:38

    é interesante como as mulheres lutaram para ter a tal liberdade e não podem se dar ao disfrute de chamar a atenção pela beleza que vem imbecil como esse daí e fazem coisas desse tipo! o pior eh q vai ter gente q ainda vai dizer q ela provocou por usar roupas curtas... o racionalidade!!!

  26. Zeca Postado em 14/Apr/2013 às 04:50

    Vamos ver o que o Pânico vai falar sobre este ocorrido em seu programa ao vivo, ele não pode ficar calado como se nada tivesse acontecido ou fingir que foi só brincadeirinha.

  27. Jane Postado em 15/Apr/2013 às 09:54

    Sou mulher e não sou coisa; portanto, não me comporto como tal, embora algumas mulheres, como essas que não se importa em se "vender" como coisa --quando lhe convém, ganhar seu pão expondo seu corpo em trajes sensuais num programa deste de quinta categoria. Depois quer ser respeitada!? Ele errou em meter a mão entre as pernas dela, mas ela também, se tivesse de legging ou com roupa de repórter, que era a proposta dela na situação, tvz não haveria este incidente. E relembrem as situações ridículas que o programa Pânico faz as moças passarem? Ficarem de biquini, serem ridicularizadas, tratadas como objetos, aí, elas não se sentes desrespeitadas quando o dinheiro fala maia alto? Vamos, no mínimo, usar a coerência, né, garotas-objeto!?

  28. Edson Postado em 19/Apr/2013 às 13:28

    vc disse:..."se fosse mulher recatada"?,logo...ela não é?!

  29. Cris Postado em 19/Apr/2013 às 14:04

    Eu achei esse cara ridículo e pervertido.A Nicole deveria no minimo ter dado um tapa na cara dele e processado! A impunidade gera gente abusada. Foi exatamente isso que aconteceu. Ela deveria ter sido mais Mulher e defendido a classe!

  30. Luiz Postado em 21/Apr/2013 às 11:56

    Agora vai um recado para as mulheres aqui, um recado não, um desabafo, com toda a sinceridade do meu coração. (peço que só tirem conclusões depois de lerem até o final, até a última linha). Aliás, espero que, compartilhando minhas ideias, vocês possam entender um pouco sobre nós homens, também: Como homem, eu sei o quanto é difícil lutar contra os desejos. Quando eu vejo uma mulher, assim vestida como a Nicole, eu não posso evitar de sentir uma atração física muito forte. É uma coisa que vem de dentro; é animal, sim, confesso, mas não é produção do meu consciente.É o desejo de saciar um desejo, simplesmente. Todos os dias, absolutamente todos os dias, eu reflito sobre meus preconceitos. Todos os dias eu acordo e olho no espelho; às vezes, durante o colóquio interior comigo mesmo, eu percebo uma mudança, percebo que já não penso como pensava antes. Às vezes parece que nada mudou. Isso, pra mim, é um processo de conhecimento pessoal, que eu não sei aonde vai me levar. Eu, creio, como a maioria dos homens sociáveis, que tivemos educação, uma cultura humanística de aceitação ao próximo (não que quem não teve não respeite ao próximo) passamos por esse dilema. Sentimos-nos divididos entre o homem que somos,o que queremos ser, o que nos criaram para ser e o que gostaríamos de ter sido: entre o homem racional e o homem irracional. Entre a tradição de "o que é ser homem" e o conceito que temos sobre como sê-lo. Tem sempre aquele homem dentro de mim que olha com desejo para uma mulher bonita, cobiça-a, mesmo que eu não queira ver apenas esse lado dela. Assim como o homem que percebe a sutileza de tal manifestação inconsciente. A coisa mais difícil para o homem é ser um animal humano, sem ser um animal; porque somos animais como os outros também, com os mesmos instintos. A capacidade de pensar com lógica não exclui os desejos carnais, que são, creio eu, um aviso de nossos genes para se reproduzir e preservar a espécie. Mas não pensem vocês que isso é uma justificativa. Não. Para agressões não existem justificativas.É mais um desabafo mesmo. Pois, assim como a vocês, mulheres, nos foi transmitida uma cultura que nos escraviza, que nos impõe padrões de pensamento, comportamento, papel social. Em cima de nós recai a culpa de milhares de anos de reproduções ideológicas arcaicas, reproduzidas incansavelmente por nossos predecessores. Sobre nós recai a culpa por todos esses anos em que a mulher vem sendo perseguida, humilhada, assassinada, vitimada por todas as formas de violência possíveis. Mas também sobre nós recai o bônus de reparar esses equívocos. Não podemos fechar os olhos e repassar para as gerações futuras essas chagas que tanto martirizam a nós, homens racionais. Porém, advirto que não é um processo rápido, e não depende apenas do homem, mas da sociedade em geral. Sempre respeitei as lutas das pessoas por seus direitos, e apoio e reconheço a luta das mulheres. Alegro-me com seus avanços. E não, não farei da maneira mais fácil, que é culpar a mulher pelos abusos que nós cometemos; isso é para quem não tem caráter nem força para admitir que é fraco. Os homens que pensam assim são aqueles que nunca admitem que a culpa é da ineficiência deles em controlar seus desejos. E aviso também àquela mulher, que pensa como homem( o que não é culpa dela, mas da sociedade), que não: a outra não é a culpada! A mais culpada é a que tenta banalizar o comportamento agressivo do homem para tentar fortalecer a si mesma, culpando a outra por não ser como ela, por não usar as mesmas roupas recatadas,. À essa cabe também o mesmo ônus que a nós, históricos agressores. Sei que é um discurso piegas; porém, sincero. E não peço que ninguém acredite em mim, nem que tente entender os dilemas pelos quais o homem moderno também passa, nem que entenda que o homem ainda não se educou para aceitar que a mulher não é mais sua posse, como então pensava-se e ainda se pensa. Tentar entender é uma decisão de vocês, mulheres, que são as atingidas. Pois só sabe a dor realmente quem sofre, e isso eu não posso roubar de vocês. Não posso roubar a única coisa que a muitas de vocês resta, que é o direito de se revoltar. Da minha parte, já que não posso mudar a sociedade, mudo a mim mesmo. E para terminar, reafirmo meu apoio a vocês, contra a violência que sofrem diariamente pelo Brasil e pelo mundo. Mulheres, muito obrigado por nos darem à luz, por nos educarem, por cuidarem de nós, nos alimentarem, nos amarem (como filha, mãe, tia, esposa, avó, colega de trabalho, chefe, presidenta...) Mulheres, sem aquele dia em que nos protegeram, nos confortaram, não poderíamos ter nos tornado os homens que somos, não poderíamos amá-las sem termos sido amados antes, desde a infância. E esse não é um discurso de pena, nem um discurso paternalista, patriarcal: é uma declaração... Mulheres, a luta está só no começo! Mas lembrem-se: enquanto houver seus agressores de um lado; haverá nós, para amá-las e apoiá-las, do outro. Com carinho, de alguém que ama vocês, de alguém que ama a todas vocês. PAZ!

  31. maumau Postado em 05/May/2013 às 21:38

    realmente parecemos minusculos simplesmente porque queremos que o mal seja devastadp da face da terra. um exemplo claro é caso da menina baleada por um desiquilibrado e nada acontece. que merda de paíos é este??????????

  32. Cleo Postado em 14/May/2013 às 19:11

    Entendo a atitude da Nichole, em tentar se sair da situaçao sem causar maiores escandalos. Ate porque numa situaçao dessas voce fica sem saber o que fazer, simplesmente paralisada. E ela estava em seu local de trabalho, partir para a agressao poderia causar uma demissao ou coisas do tipo (por mair que muita gente ache a vida da moça facil, ela precisa trabalhar e pagar suas contas como todo mundo). Agredir o entrevistado causaria uma maior polemica, que creio, nao era a intençao dela e tenho certeza que seria totalmente reprovada por seus chefes, extremamente machistas, como todo mundo ja sabe. O que me admira foi que ao inves de defende-la, muitas pessoas a acusaram, dizendo que foi culpa dela por ser como eh. Isso eh um absurdo, me da asco esse tipo de comentario. Eh por conta de pensamentos assim que muitas mulheres vitimas de abuso nao revelam o ocorrido, permitindo que isso ocorra nao apenas com elas, mas com outras pessoas. Isso eh um problema grave e essa cultura deve ser mudada.

  33. eu daqui Postado em 06/Feb/2014 às 14:56

    Salvador/BA, pracinha do Porto da Barra, sextas à noitinha, som ao vivo, ao lado de módulo policial devidamente habitado: um grupo de "homens" locais insiste em se aproximar e/ou convidar para conversar e/ou dançar mulheres, dentre turistas e feirantes, que não os querem. Ao exercer seu direito de escolha e declinar os convites, todas as mulheres que ousam faze-lo são xingadas. Entre os retaliadores do aviltante livre arbítrio feminino, um filho de um tradicional politico/advogado/professor coligado com a direita desde época do regime militar. A quem denunciar se tudo ocorre ao lado da PM?