Redação Pragmatismo
Compartilhar
Homofobia 15/Apr/2013 às 18:36
17
Comentários

Conheça 4 mitos sobre filhos de pais gays

A união estável entre casais homossexuais é uma conquista aprovada pelo STF. Entre outras batalhas que ainda perduram, um próximo passo pode ser pensar em família e filhos. Mas o que acontece com crianças que são criadas por gays? A resposta: algumas coisas – mas nenhuma daquelas que você imaginava

Começo de ano é sempre igual na escola de Theodora: cada aluno se apresenta e mostra as fotos da família. Pode ser que a menina da primeira carteira seja filha de um engenheiro e uma arquiteta e o pai do menino de cabelos vermelhos chefie a cozinha de um restaurante. Theodora, naturalmente, vai contar sobre a escola de cabeleireiros dos pais. Dos dois pais – Vasco Pedro da Gama e Júnior de Carvalho, juntos há quase 20 anos.

casal gay filhos

(Foto: Getty Images)

Theodora não hesita em explicar para os colegas: não mora com a mãe e tem dois pais gays. Ela passou 4 anos num orfanato, até 2006, quando uma juíza de Catanduva, interior de São Paulo, autorizou a adoção. Nos próximos meses, a família vai crescer: o casal espera a guarda de uma nova menina, de apenas alguns meses de idade.

Na outra metade do mundo, a história com pais gays da americana Dawn Stefanowicz foi diferente. Por toda a vida, Dawn conviveu com a visita dos vários namorados do pai. Ele recebia homens em casa, embora ainda morasse com a mãe de Dawn- o casal já não se relacionava. Ela segurou as pontas em silêncio durante a infância, adolescência e início da fase adulta. Mas depois dos 30 se rebelou contra a situação. “A decisão do meu pai de não gostar mais de mulheres mudou minha vida. Os namorados dele sempre o afastaram, e ele colocava o trabalho e os namorados acima de mim”, diz.

Dawn e Theodora fazem parte de um novo tipo de família. Somente nos EUA, segundo estimativa da Escola de Direito da Universidade da Califórnia, 1 milhão de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais criam atualmente cerca de 2 milhões de crianças. E cada vez mais casais gays optam por criar seus próprios filhos. Segundo o mesmo instituto, em 2009, 21.740 casais homossexuais adotaram crianças – quase o triplo do número de 2000. A estimativa é que cerca de 14 milhões de crianças, em todo o mundo, convivam com um dos pais gays. Por aqui, onde mais de 60 mil casais gays vivem numa união estável (reconhecida perante a lei apenas no ano passado), a história é mais recente. O caso de Theodora foi a primeira adoção por um casal gay. E isso não faz tanto tempo assim – só 6 anos.

É justamente por ser tão recente que o assunto gera dúvidas, preconceitos e medos. Quais as consequências na personalidade de uma criança se ela for criada por gays? A resposta dos estudos é bem clara: perto de zero. “As pesquisas mostram que a orientação sexual dos pais parece ter muito pouco a ver com com o desenvolvimento da criança ou com as habilidades de ser pai. Filhos de mães lésbicas ou pais gays se desenvolvem da mesma maneira que crianças de pais heterossexuais”, explica Charlotte Patterson, professora de psiquiatria da Universidade da Virginia e uma das principais pesquisadoras sobre o tema há mais de 20 anos.

Leia também

Como, então, explicar as queixas de Dawn e a vida tranquila de Theodora? “O desenvolvimento da criança não depende do tipo de família, mas do vínculo que esses pais e mães vão estabelecer entre eles e a criança. Afeto, carinho, regras: essas coisas são mais importantes para uma criança crescer saudável do que a orientação sexual dos pais”, diz Mariana Farias, psicóloga e autora do livro Adoção por Homossexuais – A Família Homoparental Sob o Olhar da Psicologia Jurídica. Enquanto Theodora mantém uma relação próxima dos pais, com conversas abertas sobre sexualidade, Dawn não teve a mesma sorte. Para piorar, ela cresceu em um ambiente ríspido e promíscuo (o pai levava diferentes homens para casa e não lhe deu atenção durante os anos mais importantes de sua formação). Mesmo assim, sobram mitos em torno da criação de filhos por pais e mães gays. Veja aqui o que a ciência tem a dizer sobre eles.

Mito 1. “Os filhos serão gays!”

A lógica parece simples. Pais e mães gays só poderão ter filhos gays, afinal, eles vão crescer em um ambiente em que o padrão é o relacionamento homossexual, certo? Não necessariamente. (Se fosse assim, seria difícil, por exemplo, explicar como filhos gays podem nascer de casais héteros.) Um estudo da Universidade Cambridge comparou filhos de mães lésbicas com filhos de mães héteros e não encontrou nenhuma diferença significativa entre os dois grupos quanto à identificação como gays. Mas isso não quer dizer que não existam algumas diferenças. As famílias homoparentais vivem num ambiente mais aberto à diversidade – e, por consequência, muito mais tolerante caso algum filho queira sair do armário ou ter experiências homossexuais. “Se você cresce com dois pais do mesmo sexo e vê amor e carinho entre eles, você não vê nada de estranho nisso”, conta Arlene Lev, professora da Universidade de Albany. Mas a influência para por aí. O National Longitudinal Lesbian Family Study é uma pesquisa que analisou 84 famílias com duas mães e as comparou a um grupo semelhante de héteros. Ainda entre as meninas de famílias gays, 15,4% já experimentaram sexo com outras garotas, contra 5% das outras. Já entre meninos, houve uma tendência contrária: 5,6% nos adolescentes criados por mães lésbicas tiveram experiências sexuais com parceiros do mesmo sexo – mas menos do que os que cresceram em famílias de héteros, que chegaram a 6,6%. Ou seja, não dá para afirmar que a orientação sexual dos pais tenha o poder de definir a dos filhos.

Mito 2. “Eles precisam da figura de um pai e de uma mãe”

Filhos de gays não são os únicos que crescem sem um dos pais. Durante a 2ª Guerra Mundial, estima-se que 183 mil crianças americanas perderam os pais. No Brasil, 17,4% das famílias são formadas por mulheres solteiras com filhos. Na verdade, os papéis masculino e feminino continuam presentes como referência mesmo que não seja nos pais. “É importante que a criança tenha contato com os dois sexos. Mas pode ser alguém significativo à criança, como uma avó. Ela vai escolher essa referência, mesmo que inconsciente-mente”, explica Mariana Farias. Se há uma diferença, ela é positiva. “Crianças criadas por gays são menos influenciadas por brincadeiras estereotipadas como masculinas ou femininas”, diz Arlene Lev. Uma pesquisa feita com 56 crianças de gays e 48 filhos de héteros apontou a maior probabilidade de meninas brincarem com armas ou caminhões. Brincam sem as amarras dos estereótipos e dos preconceitos.

Mito 3. “As crianças terão problemas psicológicos por causa do preconceito!”

Elas sofrerão preconceito. Mas não serão as únicas. No ambiente infantil, qualquer diferença – peso, altura, cor da pele – pode virar alvo de piadas. Não é certo, mas é comum. Uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas com quase 19 mil pessoas mostrou que 99,3% dos estudantes brasileiros têm algum tipo de preconceito. Entre as ações de bullying, a maioria atinge alunos negros e pobres. Em seguida vêm os preconceitos contra homossexuais.

casal gay filhos

Pais homossexuais e filhos adotados. (Foto: Getty Images)

No caso dos filhos de casais gays analisados pelo National Longitudinal Lesbian Family Study, quase metade relatou discriminação por causa da sexualidade das mães. Por vezes, foram excluídos de atividades ou ridicularizados. Vinte e oito por cento dos relatos envolviam colegas de classe, 22% incluíam professores e outros 21% vinham dos próprios familiares. Felizmente, isso não é sentença para uma vida infeliz. Pesquisas que comparam filhos de gays com filhos de héteros mostram que os dois grupos registram níveis semelhantes de autoestima, de relações com a vida e com as perspectivas para o futuro. Da mesma forma, os índices de depressão entre pessoas criadas por gays e por héteros não é diferente.

Mito 4. “Essas crianças correm risco de sofrer abusos sexuais!”

Esse mito é resquício da época em que a homossexualidade era considerada um distúrbio. Desde o século 19 até o início da década de 1970, os gays eram vistos como pervertidos, portadores de uma anomalia mental transmitida geneticamente. Foi só em 1973 que a Associação de Psiquiatria Americana retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais. É pouquíssimo tempo para a história. O estigma de perversão, sustentado também por líderes religiosos, mantém a crença sobre o “perigo” que as crianças correm quando criadas por gays. Até hoje, as pesquisas ainda não encontraram nenhuma relação entre homossexualidade e abusos sexuais. Nenhum dos adolescentes do National Longitudinal Lesbian Family Study reportou abuso sexual ou físico. Outra pesquisa, realizada por três pediatras americanas, avaliou o caso de 269 crianças abusadas sexualmente. Apenas dois agressores eram homossexuais. A Associação de Psiquiatria Americana ainda esclarece: “Homens homossexuais não tendem a abusar mais sexualmente de crianças do que homens heterossexuais”.

Dá para adotar no Brasil?

A lei de adoção brasileira deixa brechas para a adoção por gays sem fazer referência direta a esse tipo de família. Em 2009, quando houve mudanças na legislação, casais com união estável comprovada puderam entrar com pedido de adoção conjunta, sem o casamento civil. Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu o reconhecimento de união estável entre pessoas do mesmo sexo, fazendo valer também a eles os direitos previstos para casais héteros. Apesar das conquistas, uma pesquisa do Ibope revelou que 55% dos brasileiros são contra a união estável e a adoção de crianças por casais homossexuais.

Para saber mais

Adoção por Homossexuais – A Família Homoparental sob o Olhar da Psicologia Jurídica
Mariana de Oliveira Farias e Ana Cláudia Bortolozzi, Juruá, 2009.

Carol Castro, em Super Interessante

Recomendados para você

Comentários

  1. Fernanda Dias Postado em 16/Apr/2013 às 09:33

    Eu sou a favor, sempre fui! Uma pena que os menos esclarecidos sejam contra, e muitas vezes nem se dão ao trabalho de ler algo como este excelente texto para esclarecê-los! É como jogar pérolas aos porcos :/

  2. Gabriel A. Boscariol Postado em 16/Apr/2013 às 10:48

    Já teve época que pesquisas eram feitas para revelar se brancos poderiam adotar filhos negros, ou filhos brancos adotados por negros não era prejudicial para o desenvolvimento da criança. Não muito tempo atrás. O que provoca dano a criança é a ignorância e maus tratos, algo que pode ocorrer independentemente de qualquer atributo da família.

  3. Marcio Postado em 16/Apr/2013 às 11:31

    -Sou 100% à favor de adoção e 100% contra casamento homossexual

  4. Eduardo Postado em 16/Apr/2013 às 13:14

    Então, Márcio, você é um belo de um hipócrita que precisa rever os seus conceitos. Afinal, uma pessoa que se diz contra o casamento homossexual e a adoção de crianças por esses casais, sabendo que atualmente milhares de dessas estão largadas em orfanatos a espera de um lar, é no mínimo contraditório. O mais triste é imaginar que existem tantos outros como você, que mesmo depois de ler um texto tão esclarecedor mantém a sua ignorância inabalada.

  5. Cacique Postado em 17/Apr/2013 às 14:00

    Acho o comentário acima 100% contraditório.

  6. davenir Postado em 17/Apr/2013 às 15:06

    A favor do casamento civil entre gays e a adoção. mas que essa libertação venha pela cidadania e não pelo consumo.

  7. Selton Postado em 17/Apr/2013 às 20:11

    Não sou a favor do casamento gay nem muito menos a adoção de crianças.Porém,eles devem ser tratados como cidadãos normais,cujo merecem toda a atenção do estado como qualquer pessoa merece.

  8. Carla Postado em 26/Apr/2013 às 10:09

    HOMOSSEXUAIS ADOTAM CRIANÇAS ABANDONADAS POR HETEROXESSUAIS!

  9. Ju Postado em 26/Apr/2013 às 13:48

    Uai, para ser cidadãos normais eles precisam ter todos os direitos civis garantidos, como eu ou você, como o casamento e o direito a adoção de crianças. Ou você está a favor da igualdade civil ou está contra ela. Não há "tenho respeito, mas..."

  10. camilo santos Postado em 04/May/2013 às 10:14

    GLBTS adotam crianças abandonadas por infelicianus e afins !

  11. Eduardo Postado em 31/May/2013 às 18:44

    Pessoas que leem um artigo, e acreditam que tudo que ta escrito é verdade... que dó.

  12. Maria Postado em 03/Jul/2013 às 18:25

    Ah é, Eduardo, todos nós sempre esquecemos que quem sabe da verdade é você... hipócrita.

  13. daniel Postado em 09/Jul/2013 às 23:42

    melhor é ler um livro velho que diz que gay tenque morrer e mulher tenque calar a boca, "esse sim é verdadeiro".

  14. LUIS CARLOS M- DA R. Postado em 25/Jul/2013 às 23:03

    O MEU DEUS O MUNDO FOI PRO BURACO JÁ FAZ TEMPO, SATANÁS ESTA AQUI EM CIMA GOVERNANDO A VIDA DE PRATICAMENTE TODOS, PORQUE NAS MENTES DELES JÁ NÃO SABEM MAI O QUE É CERTO E O QUE É ERRADO ! MAS SEI MEU DEUS QUE TUA PALAVRA JÁ DE MUITO TEMPO ATRAS, PROFETIZOU QUE ISTO ESTARIA AQUI UM POUQUINHO ANTES DE ESTA TERRA SER DESTRUÍDA PELO FOGO, E AGORA DA PARA SABER MEU DEUS O PORQUE TU IRAS DESTRUIR TUDO ISTO TODAS ESTAS PESSOAS TANTO ADULTAS QUANTO CRIANÇAS PORQUE QUE MENTES IRÃO TER ESTAS CRIANÇAS QUE CRESCEM NUM AMBIENTE DIABÓLICO ? PORQUE NÃO QUEREM FAZER O QUE É CORRETO COMO TU ESTABELECESTES DESDE O PRINCIPIO MAS QUEREM ANDAR DE ACORDO COM O QUE LHES DA NA CABEÇA, E OQUE DOMINA ESTAS CABEÇAS É O DIABO POR ISSO SE REBELAM CONTRA TI SENHOR MAS SEI QUE ESTA MUITO PRÓXIMO DE ESTAS BOMBAS DE ACORDO COMO QUE DISSE TEU PROFETA QUE NOS ENVIASTE PARA ESTES DIAS, ELE DISSE QUE ISTO É O QUE VAI ACONTECER, PIS FOI A ULTIMA VISÃO DE SETE QUE DESTE A ELE EM 1933 E DESTAS SETE VISÕES A ULTIMA FOI UMA GRANDE EXPLOSÃO SOBRE OS ESTADOS UNIDOS DA AMERICA, E ELE OLHOU E SÓ VIU CRATERAS PROFUNDAS E FUMAÇA POR TODA A NAÇÃO QUE ACABARA DE SER VARRIDA DO MAPA, Ó DEUS , O QUÃO PERTO ESTAMOS DISSO AGORA, MAS MESMO ASSIM ESTES TEM DE AGIR DO JEITO QUE ESTÃO AGINDO PERVERSAMENTE PARA QUE A DESTRUIÇÃO VENHA, SE ELES SOUBESSEM QUE ELES PRÓPRIOS É QUE ESTÃO PRODUZINDO ESTA DESTRUIÇÃO EM MASSA, ELES IRIAM REFLETIR, MAS ESTÃO COMO QUE DROGADOS POR SATANÁS, COM SUAS MENTES ENTORPECIDAS E NÃO PODEM VOLTAR ATRAS EM SUAS MALDADES ! "MARATA,ORA VEM SENHOR JESUS" !

  15. Ricardo Postado em 06/Aug/2013 às 15:46

    Morra, Luis Carlos. Você, Márcio e Eduardo são o câncer da nossa sociedade. Apenas.

  16. Aline Postado em 06/Aug/2013 às 16:01

    Um tempo atrás eu passaria o dia inteiro revoltada e triste por uma pessoa que como Luis Carlos e muito pior, as pessoas que com ele convivem, viverem da maneira que vivem por crenças cegas. Essas pessoas que tem a cabeça mais dura que diamante, pode o próprio Deus que eles tanto falam, descer e dizer "Meu filho, eu discordo da Bíblia, não fui eu quem escreveu nada daquilo, eu só quero amor e felicidade, esqueça os mandamentos que seus irmãos inventaram milhares de anos atras." que eles vão continuar falando "mas não pq na biblia blablabla" Imagina os filho dum Luis Carlos da vida.. não vão poder nem respirar sem serem condenados. A pessoa não vive.E o pior, vive de olho na vida alheia, julga e condena.