Luis Soares
Colunista
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Saúde 30/Apr/2013 às 15:58
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Brasil terá 500 mil novos casos de câncer em 2020

Brasil terá aumento de 38% em novos casos de câncer até 2020, dizem especialistas

Os novos casos de câncer devem aumentar 38,1% no Brasil ao longo desta década, passando de 366 mil casos diagnosticados em 2009 para mais de 500 mil novos casos em 2020, segundo um artigo assinado por mais de 70 especialistas na revista especializada Lancet Oncology.

O artigo adverte que a América Latina corre o risco de enfrentar um aumento substancial no número de mortes por câncer se não houver uma melhoria no diagnóstico precoce da doença e no acesso a tratamentos pelas populações mais pobres.

Segundo o relatório, há 163 casos de câncer para cada 100 mil pessoas na América Latina, número inferior aos 264 casos por 100 mil habitantes registrados na União Europeia ou os 300 por 100 mil dos Estados Unidos.

câncer brasil 2020

América Latina tem proporcionalmente menos casos de câncer, mas uma taxa de mortalidade maior (Foto: Reprodução)

Apesar disso, a mortalidade na América Latina é muito mais alta, com 13 mortes para cada 22 casos. Nos Estados Unidos, são 13 mortes para cada 37 casos, enquanto na União Europeia são 13 mortes para cada 30 casos.

Segundo os especialistas, o diagnóstico tardio e problemas no acesso a tratamento são as principais causas para a disparidade dos números.

Com o aumento da expectativa de vida na região, além do aumento do poder aquisitivo e da adoção de hábitos verificados em países desenvolvidos, o problema tende a se acentuar, advertem os autores do artigo.

Eles calculam um aumento de 35% na detecção de novos casos de câncer na América Latina e no Caribe entre 2009 e 2020. No Brasil, esse percentual seria de 38,1%.

Apesar de ser similar ao aumento esperado para outros países em desenvolvimento, como China (34,6%) e Índia (33,8%), a proporção é bastante superior à esperada nos Estados Unidos (26,2%), na Grã-Bretanha (15,5%) ou no Japão (15,4%).

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Comportamentos de risco

O relatório dos especialistas adverte que os latino-americanos estão adotando cada vez mais comportamentos considerados de risco em relação ao câncer, incluindo vidas mais sedentárias, alimentação menos saudável e consumo maior de cigarros e de álcool.

A exposição das pessoas ao sol sem proteção e a poluição interna gerada pela queima de combustíveis sólidos também são apontados como fatores que devem contribuir para o aumento no número de casos de câncer na região na próxima década.

Os especialistas estimam que até 2030 haverá 1,7 milhões de casos de câncer diagnosticados por ano na América Latina e no Caribe, com mais de 1 milhão de mortes anuais.

“A adoção mais generalizada de estilos de vida semelhantes aos dos países desenvolvidos levará ao rápido crescimento no número de pacientes com câncer, com um peso para o orçamento para o qual os países latino-americanos não estão preparados”, afirma o coordenador da pesquisa, Paul Goss, professor de medicina da Escola Médica de Harvard, em Boston.

“Esse problema crescente do câncer ameaça causar sofrimento generalizado e se tornar um peso econômico para os países da América Latina”, diz.

Segundo ele, “a região está mal preparada para lidar com o aumento crescente na incidência de câncer e as taxas de mortalidade desproporcionalmente altas em comparação com outras regiões do mundo, enfatizando a magnitude do problema do controle do câncer”.

Custos

O relatório estima que o custo total com câncer em todos os países da América Latina chegou a US$ 4,5 bilhões em 2009 (cerca de um terço disso somente no Brasil), comparado com US$ 142,8 bilhões nos Estado Unidos, US$ 11,3 bilhões na Grã-Bretanha, US$ 30,8 bilhões no Japão, US$ 5,8 bilhões na China e US$ 656 milhões na Índia.

Quando considerado o tamanho da população, o custo médio por paciente na América do Sul foi calculado em US$ 7,92 (no Brasil, US$ 8,04). Nos Estados Unidos, os gastos por paciente foram de US$ 460,17, na Grã-Bretanha, de US$ 182,73 e no Japão, de US$ 243,7.

A disparidade diminui quando esses gastos por paciente são analisados em relação ao PIB per capita de cada país, mas ainda assim os custos por paciente como porcentagem do PIB per capita, de 0,12% na América do Sul (0,11% no Brasil) ficam bem abaixo das proporções nos Estados Unidos (1,02%), no Japão (0,60%) e na Grã-Bretanha (0,51%).

BBC Brasil

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Comentários

  1. Anon Postado em 30/Apr/2013 às 16:11

    E enquanto isso, uma planta que pode até curar alguns casos de câncer (a cannabis) continua proibida.

  2. Caio Postado em 30/Apr/2013 às 23:05

    Não há motivos para desespero, quem pegar cancer é só ingerir óleo de cannabis. Por que vcs acham que a proibição proíbe até mesmo estudos cientificos com a cannabis? Pq certamente eles tem algo mais a esconder. A ciencia deve estar sempre acima de tudo para que possa estudar toda a matéria existente no universo, inclusive a planta cannabis. Proibir até estudos cientificos, pra mim isso cheira sacanagem. Lembrem-se que a indústria farmacêutica foi uma das que mais apoiou o lobby proibicionista que levou o governo dos EUA a criminalizar td e decretar guerra as drogas. Aa vezes vender quimioterapia pode ser mais lucrativo do que cannabis, sem falar no fato de a planta ainda pode ser cultivada em casa. Não sei se cura câncer, mas há indícios fortes!

  3. Leonel Postado em 01/May/2013 às 00:03

    Não entendo muito de estatísticas, mas se pegar os 500.000 mil casos e multiplicarmos isso por 20 anos, significa que em 20 anos quase 5% da população terá algum tipo de câncer e que mais ou menos 5.000.0000 morreram de câncer nos próximos 20 anos... isso esta certo? Não entendi a estatística sobre cada 100.000 habitantes quando se diagnosticou 366.000 casos apenas em 2009 e se prevê 500.000 casos diagnosticados em 2020. A estatística não dá idéia da dimensão do problema.

  4. Kênia Postado em 01/May/2013 às 00:24

    Outro fator muito importante além dos já citados no texto, é a qualidade da alimentação que nos é proporcionado, consumimos diariamente alimentos que passaram por algum processo de industrialização, a gente ingere um monte de porcaria acreditando que os fabricantes vão utilizar ingredientes atestadamente não carcinogênicos no pequeno, médio e longo prazo (ingenuidade!!!), não espere que a ANVISA tenha a resposta/histórico para todos os ingredientes. E para os que decidem banir produtos industrializados, o cerco está se fechando, a cada ano que passa entram mais e mais frutas, verduras e grãos transgênicos e/ou banhados em muito agrotóxico (veneno!!!!) no mercado. Se vê mais incentivos fiscais e financeiro pra essa modalidade de produção, ao passo que à agricultura orgânica não é incentivada como deveria, é vista como algo "bonitinho na estante", coisa de ambientalista...

  5. Larissa Postado em 01/May/2013 às 09:32

    Kênia, antes fosse só alimentação, porém, os cosméticos que usamos também contêm substâncias carcinogênicas. Alguns medicamentos são genotóxicos, estamos expostos a uma química sem igual. Anon, não somente a Cannabis, mas a graviola associada a algumas plantas medicinais. O problema é que a indústria farmacêutica nunca deixará ser divulgado alimentos e plantas naturais que curam o câncer. E melhor, esses produtos naturais matam as células tumorais, sem interferirem no ciclo celular de células saudáveis, com isso, não tem os efeitos colaterais dos antineoplásicos da indústria. Mas como só acreditam nos médicos e na propaganda, paciência. Infelizmente, muitos médicos têm o conhecimento, mas acabam por praticarem a profissão vendidos ao sistema. Caso queiram ler mais a respeito: UMA NOVA GUERRA DOS MEDICAMENTOS: http://www.fenafar.org.br/portal/mais-artigos/38-publicados/1314-uma-nova-guerra-dos-medicamentos.html CIENTISTAS ENCONTRAM A CURA PARA O CÂNCER, MAS NINGUÉM TEM CONHECIMENTO: http://www.sott.net/article/228583-Scientists-cure-cancer-but-no-one-takes-notice AS DOENÇAS QUE MAIS VENDERAM EM 2012: http://networkedblogs.com/rWrhU