Redação Pragmatismo
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Racismo não 09/Apr/2013 às 14:13
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Angela Davis: "racismo de hoje é mais perigoso"

“Enfrentamos hoje um racismo mais perigoso”. Confira a entrevista com a ativista, professora da Universidade da Califórnia e ex-pantera negra Angela Davis

Os gestos sutis e comedidos de Angela Davis, 68, enquanto conversa, quase não lembram a imagem que correu o mundo da jovem revolucionária que integrou os Panteras Negras, nos Estados Unidos. Sua prisão, após envolvimento numa ação para libertar jovens negros acusados de matar um juiz, mobilizou o mundo nos anos 1970.

angela davis racismo brasil

Angela Davis. (Foto: Raul Spinassé / A Tarde)

Tema de músicas de John Lennon e Yoko Ono (Angela), além dos Rolling Stones (Sweet Black Angela), a hoje professora da Universidade da Califórnia continua ativista. Seu espaço de luta é o movimento anticarcerário e a mobilização de mulheres. Em ambos, ela enfatiza que o racismo continua muito presente, mesmo no país que reelegeu como presidente Barack Obama. “Pessoas que estão encarceradas dizem que um homem negro na Casa Branca não é suficiente para anular um milhão de homens negros na casa-grande, ou seja, no sistema carcerário”. Ela conversou com a Muito na sua quarta passagem pela Bahia, onde teve como principal compromisso participar de um fórum na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Cachoeira.

Como foi a sua experiência no Fórum 20 de Novembro, no campus da Universidade Federal do Recôncavo, em Cachoeira?

Fiquei bastante impressionada com o evento, mas também em perceber como a universidade se expandiu. É uma instituição pública federal majoritariamente negra, com ações afirmativas. Deveria ser um exemplo para os EUA. Lá, as ações afirmativas estão sendo questionadas e abolidas.

No Brasil, vivemos um momento em que o entendimento sobre a importância das ações afirmativas consolidou-se na universidade e nos movimentos sociais. Mas parte da sociedade e da mídia tem dúvidas. Qual a situação dessas medidas nos EUA?

No contexto atual, o Brasil está bem à frente dos Estados Unidos, no que diz respeito à implementação das ações afirmativas. Lá, nos anos 1990, vários programas nesse sentido foram juridicamente eliminados.

Quais as principais consequências desse processo?

Há mais homens negros encarcerados nos EUA do que nas universidades. Há um milhão de homens negros na cadeia. Temos que avaliar o que leva um homem negro a chegar a esse ponto.

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Se não há oportunidade para ingresso no setor da educação formal, se não há assistência à saúde, condições de habitação e de lazer, a prisão se torna a única alternativa viável. Fiquei muito feliz em saber que o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil manteve o programa de ações afirmativas nas universidades brasileiras.

Este é um ponto-chave para o combate às desigualdades?

As políticas de ações afirmativas, quando praticadas repetidamente, têm um poder de transformação bastante significativo. Existe a pressuposição de que as ações afirmativas estão beneficiando indivíduos de tal maneira que prejudicam outros. Mas essa é uma interpretação incorreta sobre as ações afirmativas. Essas ações não dizem respeito à ascensão individual. O objetivo é a ascensão de comunidades que foram afetadas desproporcionalmente por legislações e pelo racismo que remetem à época da escravidão.

Quando falamos em ações afirmativas, destacamos a formação de uma classe média negra. No Brasil, ela é incipiente. É possível fazer uma comparação com o contexto americano?

É uma comparação difícil, pois são contextos históricos diferenciados. A formação da classe média negra americana começou a ocorrer no período pós-abolição. No processo de segregação racial, houve uma relação íntima entre a classe trabalhadora e parte da população. Eram professores negros que davam aulas em escolas segregadas, por exemplo. O dinheiro circulava entre eles. A partir do momento em que houve um desmantelamento dessa estrutura formal de segregação racial, começaram a emergir negros e negras com alto poder aquisitivo.

Então, mesmo na sociedade americana, com uma classe média negra mais consolidada, os obstáculos persistem?

Sim. Ativistas mais radicais reconhecem que não é possível falar da comunidade negra da mesma forma que costumávamos falar antes. A questão política tornou-se hoje muito mais importante que o recorte racial. É importante estabelecer alianças com outras comunidades. Uma das lutas mais importantes pró-direitos civis nos EUA é o movimento em defesa dos imigrantes que estão ilegais no país. Há também a luta que surgiu a partir da fobia ao Islã, em função da guerra contra o terror. É preciso que haja o engajamento de negros progressistas que expressem sua solidariedade nesse âmbito.

A eleição e reeleição de Obama é vista no Brasil como indicativo de que o problema racial nos EUA foi superado. Essa impressão está correta?

Pessoas que estão encarceradas dizem que um homem negro na Casa Branca não é suficiente para anular um milhão de homens negros no sistema carcerário. É preciso enfatizar que muitos racistas continuam a protestar pelo fato de Obama ocupar essa posição. De vários modos, continuamos a experimentar, no século 21, um racismo muito mais perigoso do que o racismo institucional do passado. Trata-se de um racismo que está arraigado nas estruturas. É necessário elaborar um novo vocabulário para que possamos acessar as novas estruturas do racismo.

É este o cenário que a levou à luta contra o sistema carcerário?

Sim. Se observarmos os números desproporcionais de negras e negros nesse sistema, podemos constatar como o racismo direciona o que chamamos de complexo industrial carcerário. Não é somente em função de a prisão ser um espaço no qual se contêm aqueles que se tornaram supérfluos no contexto do modelo econômico contemporâneo. Esse processo americano tornou-se padrão, ele é pautado pelo racismo numa esfera global.

A senhora tem um ativismo brilhante também na área de gênero. Na Bahia, as mulheres sustentam ofícios em que são majoritárias, como baianas de acarajé e marisqueiras. Como esses saberes tradicionais podem auxiliar o movimento?

As mulheres tornaram-se líderes comunitárias e, cada vez mais, assumem cargos de liderança. É importante que acadêmicos treinados na estrutura da universidade reconheçam o conhecimento produzido para além das fronteiras dessas instituições. O feminismo, tanto no âmbito acadêmico, mas também como metodologia de luta, enfatiza um tipo de interdisciplinaridade. O conhecimento acadêmico deve estar em diálogo constante com as formas de luta. As pessoas associam o movimento pró-direitos civis dos EUA à imagem de Martin Luther King. Mas, na verdade, foram mulheres negras que iniciaram o movimento. Tratava-se, especificamente, de trabalhadoras domésticas. Foram elas que tiveram uma visão coletiva e acreditaram que era possível construir uma sociedade sem racismo. Em 1955, essas mulheres recusaram-se a utilizar um ônibus em Montgomery e esse boicote resultou no desmantelamento do racismo institucional no sul dos EUA. Devemos um tributo a essas trabalhadoras anônimas, domésticas e lavadeiras, que atuavam em casas de brancos.

Revista Muito

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Comentários

  1. Rodrigo Teixeira Postado em 10/Apr/2013 às 16:56

    "Há um milhão de homens negros na cadeia. Temos que avaliar o que leva um homem negro a chegar a esse ponto." Essa frase é por si só racista, pois falha em romper com o conceito de raça. As atrocidades cometidas contra não-Europeus ( a militância que abraça o termo afrodescendente, adora ignorar o fato de que a escravidão não foi um fenômeno que só os africanos e negros experimentaram) só foram possíveis, justamente por se acreditar que existe uma raça negra, uma raça caucasiana. Cor da pele é meramente um fenótipo que não contém nenhum per si, nenhum imperativo. Portanto, o que "levaria um homem negro a chegar a esse ponto", levaria qualquer outro. Não resta dúvida que o passado não se apaga e que o fato de as pessoas de pele negra serem maioria entre as classes sociais não é mera coincidência.Temos que incessantemente lembrar desse período como vergonhoso e moralmente subdesenvolvido . Porém não há também de se confundir : A escravidão dos africanos gerou o Racismo contra o fenótipo negro e não o contrário. Os europeus compravam seus escravos negros de Senhores negros. Nações africanas já haviam dominado e escravizado outras nações africanas, muito antes da chegada dos Europeus. O Racismo só irá acabar quando não houver mais discursos de raça. Por isso "justiça racial" não faz sentido, o que precisamos é de justiça social.

    • eu daqui Postado em 29/Jul/2014 às 12:18

      Precisamos de mais do que isso: de Justiça como valor e prática diferente de nazirevanchismo.

    • Antonio Peres Postado em 05/Aug/2014 às 13:53

      Rodrigo Teixeira, acho que seu comentário põe fim a discussão vazia de que vivemos no Brasil, um racismo monstruso. Vivemos sim, um problema de preconceito social. O preconceito racial existe como existe o preconceito em relação a nordestinos e religiosos. É uma coisa muito particular e não esse movimento articulado para arruinar com os negros. Para mim é falta de assunto, por isso concordo plenamente com tudo que você disse e muito bem dito.

    • Junior Postado em 09/Aug/2014 às 01:44

      Em qualquer classe social no Brasil aqueles com a pele mais clara estão em uma situação de desenvolvimento social superior. Dos mais pobres, o branco pobre tem uma casa de alvenaria e o preto pobre um casa de maderite, aos mais ricos, o negro rico é dono de uma cobertura o branco rico é dono do predio inteiro, os negros sempre estão em desvantagem ao eurodescendente. Racismo existe sim.

    • Junior Postado em 09/Aug/2014 às 01:47

      E esse discurso da classe média favorecida (fenótipicamente da epiderme clara) já está meio anacrônicom por favor. Manter o status quo é vantagem para quem já está na vantagem.

  2. joao Postado em 10/Apr/2013 às 20:13

    Rodrigo Teixeira fala bastante mas não fala nada tem uma visão estereotipada e imposta pelo colonizador capitalista mercador de escravos,esse papo furado de que o racismo só vai acabar quando naõ houver mais o discurso é furado se fosse assim o brasil não seria um dos paises mais racistas do mundo,convesinha de classe média que não admite que é um racista.

    • Raquelis Postado em 17/Apr/2014 às 05:37

      De fato. Ele é só mais um homem branco de classe média falando que a culpa do racismo é do negro, e não desse sistema sujo do qual ele faz parte, mas não admite!

    • eu daqui Postado em 29/Jul/2014 às 12:20

      Tanto o Brasil não é o mais racista que um monte de nazirevanchistas tem os seus comentarios nazivitimistas publicados.

  3. Elienai Postado em 10/Apr/2013 às 21:12

    Entendo o raciocinio de Rodrigo e concordo que precisamos de Justiça social,mas para isso é necessário sim reconhecer que existe o preconceito independente se ele é declarado racista ,a scoiedade é desigual pela existência das classes e quanto a isso não há o que se discutir.

  4. Rodrigo Teixeira Postado em 11/Apr/2013 às 12:44

    É sério que apagaram meu comentário ?

  5. Rodrigo Teixeira Postado em 11/Apr/2013 às 13:01

    "se fosse assim o brasil não seria um dos paises mais racistas do mundo" Incrível como tem gente que é capaz de afirmar coisas sem se basear absolutamente nada. (Além é claro de de fazer julgamentos sobre o meu caráter sem me conhecer !) Nunca neguei que há racismo no Brasil. É claro que ainda há racismo no Brasil. Claro que não tenho a sua capacidade intelectual de definir uma escala de racismo, e ainda saber definir em que ponto da escala se encontra o Brasil (talvez você tenha acesso a pesquisas que eu não tive, ficaria feliz se me indicasse !) Como a maioria dos Brasileiros, sou fruta da mistura. Não tenho muitos registros sobre a origem do passado da minha família. Mas já na geração dos meus bisavós ( a última geração com registros confiáveis a que tenho acesso) já há pessoas de pele negra, parda e branca. Jamais usaria diria que tenho membros da raça essa ou aquela. Também não conheço nenhum antropólogo de respeito que usaria o termo raça. Só é possível haver racismo, se acreditarmos que existe raça. É uma premissa muito simples, e não entendo como elucida-la tenha causado tanta perturbação. Políticas afirmativas são importantíssimas, não importa a minoria em questão, eu jamais questionaria uma política afirmativa. Agora jamais concordarei com quem usa a palavra raça. O conceito de raça é usado no brasil como agenda política. "Eu e você somos da mesma raça. Vote em mim e vou proteger a nossa raça daquela outra raça" Chamar de racista, alguém que acabou de anunciar que raça não existe, demonstra uma enorme dificuldade de lidar com a lógica.

  6. Rodrigo Teixeira Postado em 11/Apr/2013 às 13:03

    Sem falar é claro sr João que você acabou de cometer o crime de injúria. Covardia muito comum na internet (infelizmente) Se você decidiu me acusar de racismo, o ônus da prova é seu.

  7. N Postado em 11/Apr/2013 às 15:24

    E o discurso mais racista e classe media branca de todos esse que não existe racismo,todo mundo e igual, que não existe diferença social, e assim que a classe media despolitiza o lugar da fala,sem saber de onde se fala ,sem que se reconheça as diferenças não ha conversa de igualdade possivel , desconfigura qualquer nivel de articulação ja na base,isso sim e covardia.

  8. Rodrigo Teixeira Postado em 11/Apr/2013 às 15:33

    N Demonstre que no meu discurso, em algum trecho eu diga o que você sugeriu : 1 - não existe racismo Eu disse explicitamente "Nunca neguei que há racismo no Brasil. É claro que ainda há racismo no Brasil." 2 - Todo mundo é igual Eu não que somos todos iguais, eu disse que não existe raça e reafirmo. 3 - não existe diferença social É sério isso ? "Não resta dúvida que o passado não se apaga e que o fato de as pessoas de pele negra serem maioria entre as classes sociais* não é mera coincidência." *Ficou faltando eu colocar "mais pobres e marginalizadas" ao lado de classes sociais, o que estou fazendo agora. Mas acho que o sentido geral da frase ficou claro desde o começo. Acusar levianamente é fácil. Quero ver dialogar com lógica e coerência e sustentar acusações com argumentos !

  9. Maurício Postado em 11/Apr/2013 às 17:39

    RT, é muito bonito seu discurso, aparentemente lógico e sensato, mas completamente fora da realidade. Em primeiro lugar gostaria de dizer que é muita pretensão de alguém ocupar um espaço para comentários de uma entrevista com Angela Davis, dizendo que raça não existe, será que vc conhece a história dessa mulher? Ela simplesmente dedicou sua vida combatendo, estudando e lutando contra uma coisa que vc diz que não existe! Será que vc fez o mesmo (de forma inversa, claro)? Será que vc é um grande estudioso, caro Rodrigo, da temática racial? Se for, perdoe-me por não te conhecer. "Cor da pele é meramente um fenótipo que não contém nenhum per si, nenhum imperativo." "O Racismo só irá acabar quando não houver mais discursos de raça." Sinceramente eu não entendo como pode existir racismo se nõ existe raça, tb não entendo de como existe uma lei contra a discriminação racial se não existe raça. O discurso de que somos todos da raça humana é lindo, chega a ser poético. Será que pensam que os negros não sabem disso (parece que descobriram a pólvora!). Será que pensam que a luta do movimento negro é para provar que existe várias raças dentro da raça humana??? Meu camarada, diga pra polícia que somos todos da raça humana porque foi sobre os negros que incidiram mais de 60% dos homicídios cometidos pelos agentes do estado. Fale pro médico do posto de saúde que somos todos da raça humana, pq mais de 60% das mulheres brancas fazem 7 ou mais consultas de pré natal, quando só 30% das mulheres negras conseguem esse número de atendimento. Fala pros anestesistas do sistema público de saúde que somos todos da raça humana, quando mulheres negras são menos anestesiadas na hora do parto e morrem três vezes mais que mulheres brancas da mesma faixa etária e mesma classe social. Diga pros professores da rede pública que somos todos humanos, pq o índice de desempenho escolar de uma criança negra é comprovadamente inferior a de uma criança branca de mesma classe social e com pais com a mesma escolaridade. Diga aos empregadores que tudo é uma raça só, quando trabalhadores negros ganham menos que os brancos pra realizarem a mesma função. Portanto, não me venha com essa de que "o que levaria um homem negro a chegar a esse ponto, levaria qualquer outro" porque é óbvio que não. Não me venha querer classificar o problema do racismo como problema social, como fazem esse intelectuais que nunca sofreram de perto o problema da discriminação, com o racismo institucional. Não me venha querer minimizar um problema que é enorme e deveria ser preocupação de todos nós. Não me venha me dizer que "O Racismo só irá acabar quando não houver mais discursos de raça." porque não se acaba com um problema simplesmente parando de falar nele, senão, meu amigo, não existiria mais inflação alta, nem pobreza, nem desemprego, era só todo mundo só falar de futebol. Grande Abraço.

  10. Sebastian Postado em 11/Apr/2013 às 18:31

    Rodrigo, por favor me mostre alternativas para a superação dos estragos que o racismo causou ao nosso país. Vejo seu discurso armado como um reflexo da falta de identidade e principalmente uma lógica voraz do Estado Neoliberal...vamos caro amigo apresente soluções práticas como as políticas de ações afirmativas.

  11. N Postado em 11/Apr/2013 às 20:40

    A raça e uma contrução histórica,apoiar essa visão transcendental e nega la como historia e seus desdobramentos, essa "ingenuidade" de ir em dados cientificos para a parti dele tomar uma postura e classista,academicismo dos piores, " É claro que ainda há racismo no Brasil.”"????!!! o racismo do Brasil e dos mais safados e covardes que existe,esta longe de ser um resquicio, ele consegue suspender a diferença quando lhe convem ,esta entranhado principalmente nesses dircursos de igualdade como o seu, que o despolitiza e lhe tira a cara,o local da fala por que "não existe raça".partindo do seu pensamento não ha nem conversa possivel sobre racismo,nois que temo que gostar de nois,se não tamo fudido

  12. Antonio Araujo Postado em 11/Apr/2013 às 23:27

    Não vou entrar na discussão. Teria que escrever muito, não só embasando o meu discurso com argumentos e estudo acadêmico, mas tb por ser negro, morar em salvador, cidade com mais de 80% da população negra e uma das mais, se não a mais, cidade racista no país. Eu tenho conhecimento acadêmico sobre esse assunto, sou negro, vivo numa cidade de negros, ou seja tenho teoria e vivência. A questão do racismo no brasil é muito mais profunda do que vc possa imaginar, Rodrigo Teixeira. No brasil VC passa como branco. Não conheço sua aparência "global". Contudo, é possível que isso não ocorra em outros países onde questões de "negritude" vai além da cor da pele apenas (dê uma olhada na expressão "uma gota de sangue". Na sua frase " É claro que AINDA há racismo no Brasil." mostra uma visão meio errada da sua parte. A realidade é que nunca deixou de haver racismo no brasil, e não ouve nenhuma melhora. As coisas agora são mais camufladas e isso ocorre por muitas questões. Eu não sofri em um ano atitudes racistas qdo morei na alemanha do que sofro aqui em 5 meses. Acho que vc é uma pessoa que tem um discurso da posição que vc ocupa na realidade onde vc vive. (as diferentes raças que se formam pelo intereese como vc colocou). Contudo, isso não te faz uma pessoas melhor ou pior. Tb é preconceituoso achar que uma pessoa é melhor que alguém que não tenha seu conhecimento acadêmico. O se humano é muito mais que esses conhecimentos.

  13. Rodrigo Teixeira Postado em 11/Apr/2013 às 23:30

    É claro que há racismo ! E muito ! Muito mesmo ! Principalmente por que ao contrário de mim, existem pessoas ( e muitas pessoas mesmo !) que (por conveniência ou não) ainda pensam que seres humanos tem raça. Em quanto alguém acreditar que existem raças, haverá gente questionando qual raça é melhor. Nossa ! Nunca pensei que seria tão difícil esclarecer uma premissa tão simples ! g Sem falar que achei que ao defender sistematicamente o princípio de política afirmativa, havia deixado bem claro e explícito que a "intenção" por trás de defender que seres humanos não tem raça, eram ideológicas e não políticas. Pelo visto os mantras do "politicamente correto" já anestesiaram você, por que nem e deu ao trabalho de referenciar suas acusações, usando o meu texto, como cordialmente pedi. Políticas afirmativas de caráter social, ipso facto atendem os mais afetados socialmente. Argumentos, argumentos... é tão difícil encontra-los em discurso hoje em dia !

  14. Jorge Postado em 13/Apr/2013 às 01:22

    Pergunte para um policia, se existe raça...!

  15. Ilnar Postado em 22/Apr/2013 às 09:27

    Boa discussão, Rodrigo. Pena que a net é um espaço difícil para esse diálogo. As interpretações são muitas, pela leitura apressada, e a violência verbal desestimula qualquer um a questionar a crença geral postando outro pensamento distoante da mídia e da "literatura de moda", sem que seja por meio de violência. Não tenho raça, tenho irmãos/ãs que devem ser respeitados!

  16. JA Postado em 02/May/2013 às 09:36

    é tão difícil entender que quando o movimento negro fala de raça, não é o mesmo conceito genético/biológico? pq a biologia diz que raça não existe, ninguém mais tem direito de falar no assunto? vc sabe que "não existe raça", ok. Mas a universidade parece saber que existe, a polícia sabe que existe... tente entender em que consiste a ideia de raça através das próprias pessoas que a utilizam.

  17. Miguel Bezerra Postado em 02/May/2013 às 10:23

    Nosso coleguinha rodrigo teixeira acabou de provar o perigo do racismo atual. Primeiro acusa a vitima depois se esquiva dizendo que EU NÃO, RACISTAS SÃO VOCÊS. Ainda veio que esse papo de otário de acusar alguém de injúria que por acaso foi a mesma solução do FELICIANO quando acusaram ele de racista... Vai lá rodrigão, seu não racismo vai salvar o mundo... o mundo dos racistas.. o rodrigão não acredita em racismo mas vamos ver quem acredita? - a policia acredita em raça - o ibope acredita em raça - o senso acredita em raça - o vestibular acredita em raça - rede globo acredita em raça - a publicidade acredita em raça Aí você vai dizer que a pessoa que se considera negra que é a racista? você é um tolinho, ingenuo e comete o mais perverso dos racismos. Lê um texto que tem como eixo o PRECONCEITO DE COR e começa a procurar pêlo em ovo, finge que não entendeu sobre o que o texto está falando e ainda vem arrotar groselha. Espero não estar cometendo nenhum crime ao dizer que você é um imbecil. um abraço

  18. dilma celia de carvalho Postado em 04/May/2013 às 18:56

    O Rodrigo é preparado e colocou os outros no chinelo. Gostei Rodrigo. Continue estudando e pesquisando . Fiquei encantada

  19. Nonata Corrêa Postado em 06/May/2013 às 09:47

    Concordo ,plenamente com você ! no Brasil os militantes precisam compreender que a questão racial esta ligada a luta de classe,eu conheço muitos negros e negras que estão precisando de espelhos !!!

  20. Beatriz Postado em 23/May/2013 às 14:56

    Rodrigo, o conceito de "raça" não existe de um ponto de vista científico, mas olhando de uma perspectiva social, é impossível negar que ele exista. O sentimento de irmandade e união entre as ditas minorias raciais (principalmente em países como os EUA) é simplesmente um reflexo da opressão que essa população sofreu durante séculos, é a recuperação de uma identidade étnica há muito prejudicada. O seu primeiro comentário me pareceu uma tentativa de culpar os oprimidos pela opressão, como se você estivesse dizendo que o racismo só existe até hoje pela preocupação das pessoas de se afirmarem como membros de uma determinada raça. É um discurso bonito, mas é importante lembrar que a identidade étnica (já que você é contra o uso da palavra "raça") é parte importante da identidade geral de muitas pessoas. Querer apagar os séculos de opressão e o passado que não deu oportunidades para todos me parece loucura, assim como negar que "raça" é um conceito que ainda está cristalizado no senso comum. Talvez os outros comentaristas tenham se exaltado porque o argumento de que "raça não existe, portanto racismo também não" é muito utilizado por homens brancos que se recusam a ver seus privilégios. (não que esse seja o seu caso, necessariamente)

    • eu daqui Postado em 29/Jul/2014 às 12:24

      Raça não precisa ser cientifico newm social, é fenotípico e portanto obvio.

  21. Caio Postado em 28/May/2013 às 13:42

    Oi Beatriz, "O sentimento de irmandade e união entre as ditas minorias raciais (principalmente em países como os EUA) é simplesmente um reflexo da opressão que essa população sofreu durante séculos, é a recuperação de uma identidade étnica há muito prejudicada." Essa sua frase é contraditória não? Ou a união se deu por conta da opressão ou ela é anterior, por conta de uma identidade étnica. Parece-me difícil argumentar que os "negros" constituem uma etnia. O que é etnia e como ela se diferencia de raça? Acho que o que o Rodrigo quer dizer é que o combate ao racismo precisa passar pela desracialização - pela destruição da ideia de raça como um conceito válido socialmente. É uma discussão complexa, mas fundamental. E de fato ninguém até agora atacou o cerne do argumento dele.

  22. Marcela Postado em 28/Jun/2013 às 10:29

    Beatriz, muito bom o seu comentário.O conceito de raça é sim muito solidificado e por mais que tentemos usar a palavra etnia,grupo étnico para falar sobre racismo parace que estamos querendo não falar sobre passados de opressão que moldaram o que somos hoje.O discurso de que ´os próprios africanos iniciaram o racismo através da venda de seus escravos´parece mais discurso de quem quer realmente livrar alguém de alguma culpa,pega até mal pois devemos considerar vários fatores aí de maior interesse no mundo ocidental como capitalimo,necessidade de mão de obra e etc.Obrigado pela interessante discussão!

  23. jorge nune dias Postado em 29/Jul/2013 às 17:26

    de onde falo ainda andai arde a fogueira e o cheiro de carne queima.. mais um irmão foi jogado a fogueira ..isto e a lembrança dos atos da kuklux klan queimando negros... sinto do gosto da terra não respiro agora e minha mãe em algum lugar em vários fui enterrado vivo.. era filho da escrava com o senhor só tinha um jeito de negar a herança interamdo vivo o herdeiro ..no,tronco primeiro AÇOITE fogo depois a dor e ausencia de tudo inclusive de mundo inferno ou ceu não to neste mundo ..;de maio abril vejo quem não sentiu ou tem sentimento estudar , pesquisar conceituar .. racismo...o,navio tumbeiro ecoa através da NEBLINA MEDO .. DE UM PORTO INSEGURO FUTURO ..AONDE..AINDA IRAO PENSAR FILHOS DE SENHORES COMO EM UM SARAU A DISPUTAR VERBOS EM VERSOS..IRACI VEIS . QUE NEGAM RACISMO

  24. kilkiki Postado em 29/Jul/2013 às 20:07

    bla bla bla bla bla

  25. Ogã Mario de Ogun Postado em 31/Jul/2013 às 12:28

    Do ponto de vista científico realmente não existe o conceito de raça, mas, no social sim! Tanto nos EUA, como no Brasil, a maioria da população carcerária é negra. Por quê? Essa é uma das discussões! Por que, a partir das políticas reparadoras, de 2001 a 2009, cresceu em 700% o número de negros nas universidades brasileiras, mas, nos cargos estratégicos cresceu-se apenas 2%? Essa é outra discussão! Uma coisa eu tenho certeza, as políticas de ações afirmativas, são a única forma de diminuição das desigualdades desse país!

  26. Diario Preto Postado em 31/Jul/2013 às 20:18

    Rodrigo... Quando o ultimo homem branco foi liberto dentro de uma sociedade que escravizava brancos? Qual foi o ultimo apartheid que um homem branco viveu sendo vitima? Onde existe uma sociedade que seja racista com o branco e suas leis, em que o comportamento social da mesma impeça o homem branco de uma facil (igualitaria) acensão? Achar que o fator que faz com que os homens negros estejam nas cadeias seja o mesmo para homens brancos é uma visão estranha de igualdade. Bom, existem os mais diversos estudos, pesquisas, dados e fatores para explicar essa questão... E Angela Davis é uma especialista nisso... Não enxergar e explicar de forma rasa como se brancos e pretos vivessem as mesmas condições é sem duvidas uma visão de quem possui uma opinião sem muito embasamento e mais achismo.

  27. Lilly Postado em 31/Aug/2013 às 01:50

    Isso aí Rodrigo! Eu nao teria paciência de tentar explicar! E você teve essa consideração. Expôs o que você acha sem agressividade. Gostei da educação.

  28. lu Postado em 31/Aug/2013 às 04:59

    O problema maior do Brasil é que até as políticas raciais, no princípio, foram incentivadas por quem não tinha nada a ver com o problema (não negros), só pra mão de obra negra ser incorporada por que seria mais barata, uma vez que os europeus não queriam mais trabalhar só pra comer. Muito interessante propagar o discurso de que "não há racismo no brasil" com esses interesses. ao mesmo tempo que (debaixo dos panos) o fortalecimento da noção de que somos cidadãos de segunda(quiçá terceira, quarta...) classe também foi fortalecido.

  29. Marco Pereira Postado em 18/Sep/2013 às 19:14

    Rodrigo deveria atualizar seus conhecimento, buscando entender o conceito sociológico de raça. do contrário, fica nesse discurso prolixo, próprio de quem tenta em vão, justificar o injustificável. Pergunte a qualquer policial ou funcionário de Recursos Humanos sobre seus critérios raciais na hora de encontrar um suspeito ou contratar um funcionário, que desconstruirão seu blá bla blá travestido de sociologês em menos de um minuto. Vai para os livros Rodrigo e quiçá eles possam te livrar da ignmorância

  30. Juliana Correia Postado em 10/Nov/2013 às 15:55

    Rodrigo, se te interessar e vc puder, por favor, leia "Rediscutindo a Mestiçagem no Brasil" de Kabengele Munanga. Talvez isso te ajude a entender quem não concordou contigo.

  31. Rafa Marins Postado em 08/May/2014 às 16:26

    Muito bem colocado, Beatriz. Infelizmente o racista não mudará sua visão diante de tais colocações. O espaço do Povo Negro tem de ser conquistado diariamente e as ações afirmativas servem para fortalecer isso. O blá blá blá, Kikiki, expressa o seu também.

    • eu daqui Postado em 29/Jul/2014 às 12:27

      Ações afirmativas, é? Depois das cotas o que vcs vão "afirmar"? A revogação da lei auréa Às avessas? KKKKKKKKKKKKKKKK

  32. Ednay de Cerqueira Lucas Postado em 17/Aug/2014 às 22:58

    Interessante que só agora estão sobre embates raciais no Brasil. Quando somos filhos da violência colonizadora e até então nenhum partido político, governantes, sociedades de apoio (ONGs, Fundações, etc) tomaram quaisquer atitudes o mecanismos para estancar situação tão grave entre os nacionais brasileiros. Ficam apenas nas dialéticas e sem concretismos de qualquer espécie...como por exemplo onde estão as atrizes e, modelos, promotores, juízes, etc... em ação? Até então só vi o ex ministro JB chegar no alto...