Luis Soares
Colunista
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Exploração Trabalhador 06/Apr/2013 às 09:25
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Domésticas? E o direito das patroas, como é que fica?

A patroa e duas domésticas. Um depoimento justo, digno e surpreendente, que serve de exemplo para todos que reagiram com ódio à ampliação dos direitos das domésticas

Leonardo Sakamoto, em seu blog

Tenho recebido muitas mensagens de pessoas questionando meus elogios às mudanças constitucionais que trouxeram mais direitos às empregadas domésticas. “Quero ver defender isso no dia em que você tiver filhos”, “Não posso mais pedir para ela preparar algo para eu comer à noite porque vou ter que pagar hora extra?” e – aquela que adoro – “Já que gosta de ficar defendendo empregadinha, por que não vem ajudar minha faxineira aqui então”. Sobre esse último ponto, recomendo a leitura de notícia do The piauí Herald.

Pensei que era apenas mais um ataque do pessoal que surfa nas ondas cibernéticas conservadoras, mas meus colegas também têm recebido o mesmo tipo de achaque em suas caixas postais jornalísticas. Daí, achei por bem pedir um texto a alguém na mesma situação e condição que os missivistas chorões. O único pedido dela foi o de manter o anonimato, pois não quer se indispor (ainda mais) com amigos e família. Segue:

Sou uma mulher branca, de 42 anos, curso superior completo, cinco filhos, dois casamentos. Trabalho fora de casa o dia inteiro. Sou adequadamente remunerada pelo que faço e exerço meu trabalho em condições de liberdade, equidade e segurança, o que me garante uma vida digna. Para conciliar minhas responsabilidades familiares com as exigências do meu trabalho, conto com os serviços de duas empregadas domésticas em minha casa.

doméstica brasil

Aprovação da ampliação dos direitos das domésticas no Brasil ganhou repercussão internacional (Foto: Reprodução)

Sou consciente de que meu arranjo trabalho-família só é possível porque está lastreado nas desigualdades sociais do meu país. Se o Brasil não fosse um país tão desigual, tão injusto, a diferença entre o que ganho e o que uma empregada doméstica ganha seria muito menor e eu, certamente, não poderia pagar por um serviço tão caro.

Se fossemos mais iguais, as duas empregadas que cuidam dos meus filhos e da minha casa teriam estudado em boas escolas, como eu estudei, e seriam profissionais qualificadas, como eu sou. A vida delas seria muito melhor do que é. Ambas ganhariam melhor e não teriam que deixar seus filhos de segunda a sexta-feira com outras pessoas, para cuidar dos meus.

Mas a minha vida também seria muito melhor. Minha demanda por serviços domésticos prestados por outras pessoas seria a menor possível (por razões econômicas) e tudo dentro de casa seria diferente: todos os adultos teriam que cuidar de sua própria roupa, da limpeza dos ambientes que usam individualmente; as crianças teriam mais consciência sobre a necessidade de manter a ordem dos objetos que usam; a preparação das refeições e a limpeza dos espaços comuns seria uma linda oportunidade de colaboração entre todas as pessoas da casa; haveria uma economia brutal de recursos já que todos seriam mais conscientes da carga de trabalho envolvida em lavar, limpar, passar, cozinhar.

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Cresci em uma casa onde sempre houve uma empregada doméstica prestando serviços e estou certa de que isso me fez muito mal. Naturalizou a desigualdade dentro de mim, quando criança, e me fez sentir que o trabalho doméstico não era para pessoas como eu e sim para os pobres “que não se esforçaram, não estudaram porque não quiseram e agora tem mesmo que fazer esse trabalho”.

Parecia justo. Tive que chegar à vida adulta para perceber que não havia justiça nenhuma nessa forma de pensar. Que os pobres são pobres não por serem preguiçosos e sim em função de um caminhão de injustiças sociais acumuladas desde sempre. Mesmo assim, o fato é que repliquei e sigo replicando esse modelo até hoje dentro da minha própria casa. Vejo meus filhos crescendo com a mesma inconsciência, achando que no universo as coisas naturalmente se arrumam (já que tem sempre uma empregada doméstica arrumando tudo) quando o que acontece é o contrário: tudo se desarruma o tempo todo e é preciso um esforço constante de por ordem nas coisas.

E aí, espetacularmente, a PEC das empregadas domésticas é aprovada. Alegria real em meu coração! Um passo a mais no rumo da justiça. Solto foguetes coloridos, quero mais é que tudo mude mesmo. Que a trabalhadora doméstica seja olhada com todo o respeito com o qual se olha para qualquer outra pessoa trabalhadora. Que o trabalho dela seja cada vez mais protegido e bem remunerado. Que seja tão digno quanto o meu. Vai pesar mais no bolso de empregadores? Vai haver demissões em massa por conta disso? Me poupem… O impacto no bolso de quem emprega vai ser mínimo. Milhares de empregadas domésticas nem sequer têm suas carteiras de trabalho assinadas e ganham menos do que o salário mínimo. Nesse cenário, como assim demissão em massa? Estamos falando do mesmo país?

Incendiária, quero tocar fogo nas revistas semanais desta semana. Truculenta, tenho vontade de bater boca com várias mulheres que empregam domésticas e que, injuriadas, reclamam dessa lei que vai dar mais direitos para essas empregadas “que não merecem nem um centavo a mais, que são péssimas, que dormem na nossa casa, comem demais, trabalham pouco, são desatentas, são preguiçosas, ficam grávidas, tratam mal as nossas crianças…” Meu Deus…

Entendo o que é fazer uma reclamação sobre o serviço de uma empregada: tal pessoa cozinha mal, lava mal, não corresponde às expectativas. Já reclamei nesses termos e me parece natural num processo de ajuste em torno dos acordos de trabalho feitos. Mas esse tom, que faz referência “às empregadas” é muito nocivo e injusto. Me perdoem, mas lembra sim uma relação escravagista. Temos muito caminho pela frente em termos de curar essa relação de trabalho e até lá, pessoalmente, declaro minha alegria e minha satisfação de me sentir parte de uma sociedade que caminha num rumo melhor depois da nova lei.

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Comentários

  1. Miriam Postado em 06/Apr/2013 às 22:12

    Excelente texto. Vale lembrar que, se tivermos os mesmos benefícios das pequenas empresas não teremos carga tributária tão pesada. As meninas (empregadas) precisam ter os mesmo direitos, nunca ganhei bem mas sempre fiz questão de assinar a carteira e pagar os direitos.

    • elisangela Postado em 25/Jul/2014 às 16:22

      Trabalho de doméstica, lavo, passo,cozinho e limpo uma casa grande . Estou 2 mês e não vejo interesse de registrar e nem paga meus direitos,tenho estudo tenho curso se financeiro e brigadista.e cadê meus direitos,quanto devo receber.Ela me paga 800

  2. isabelle Postado em 07/Apr/2013 às 00:44

    concordo plenamente. infelizmente o pensamento de 'o mundo precisa de lavadores de prato' [naquele velho pensamento ofensivo, 'ele não estudou, então tem que lavar prato mesmo'] está impregnado em nossos pensamentos e parece que não vai mudar nunca. e o problema maior nem é não mudar, mas sim a falta de respeito total com 'trabalhos inferiores'. que pensamento miserável, esse! ...

  3. Betina Postado em 07/Apr/2013 às 00:56

    Texto perfeito!

  4. leni Postado em 07/Apr/2013 às 01:41

    Perfeito! Não podemos acrescentar mais nada! Parabéns patroa, pague o devido as suas 2 empregadas!

  5. Cleide Postado em 07/Apr/2013 às 02:26

    Conheço empregadas domésticas, com curso superior, que não conseguiram emprego em sua área,...e tem muitas domésticas que trabalham para pagar seus estudos, nos dias de hoje, elas não são mais as bobas de antigamente, que aguentavam desaforos de patrões e filhos de patrões, isso quando não eram molestadas por seus patrões e não podiam contar nada a ninguém...ganhando um míseral salário. Aí aparece uma lei para protegê-las, para que se torne uma profissão de respeito, digno, como qualquer outra profissão, as patroas se alteram...Ora pois, se não pode pagar o que realmente elas merecem, simplesmente faça você mesma, eu não posso me dar ao luxo de ter uma Colaboradora em casa, então faço eu mesma...FICA A DICA (PATROAS)

  6. Isis Postado em 07/Apr/2013 às 09:43

    Excelente texto!!

  7. Alexandre Buhr Magalhães Postado em 07/Apr/2013 às 09:48

    Quando a classe média vai procurar emprego, quer tudo,carteira assinada,férias,décimo,plano de cargo e carreira,plano de saúde,tudo,tudo. Vem uma lei absolutamente justa e começa o esperneio fanático pela Casa-Grande...parabéns pelo texto !

  8. Pedro Postado em 07/Apr/2013 às 09:54

    Eu tenho um medo de qualquer comentário sobre empregadas domésticas que começe com "Esse povo...". Porque o nível de distanciamento emocional, carga cultural e falta de empatia é tão grande que não te permite reconhecer a empregada seja sua ou de seus amigos, gente como a gente, é como se fosse outro povo que nasceu em condições inferiores e merecem condições inferiores, isso me dá arrepios.

  9. Fernanda Postado em 07/Apr/2013 às 10:22

    Perfeito. Ótima leitura para começar o domingo;)

  10. Tunico Bastos Postado em 07/Apr/2013 às 10:49

    Quem pode pagar, faça-o. Quem não pode, busque a melhor solução financeira. Simples, porque é sim ples mesmo. O mercado se ajusta.

  11. Vera Ciuffo Postado em 07/Apr/2013 às 10:59

    Excelente texto!!!!Infelizmente, como disse uma pessoa que me antecedeu, na nossa história ,ao longo dos anos o conceito Casa Grande/Senzala O Brasil é um dos poucos países que ainda mantém empregados que passam o dia inteiro nas casas dos patrões cuidando de todos os afazeres domésticos.Se, por acaso, fizessem conosco, trabalhadores de empresas nós faríamos movimentos, gritarias e até greves.Então, como diria minha saudosa vovó:"pau que dá em Chico ,dá em Francisco":O que é de direito para nós, é do direito de todos!!!!

  12. Fabrício Postado em 07/Apr/2013 às 11:21

    Acho que é uma questão de justiça e ponto final, elas merecem ganhar o justo, possuem direitos como todo e qualquer cidadão. Finalmente isto está acontecendo aqui no Brasil, acredito vai se haver reajustes para a nova realidade, mas não acho que "demissões" em massa vão ocorrer (até por que é difícil ser demitida quando nem se é contratada de verdade).

  13. Eduardo Postado em 07/Apr/2013 às 11:55

    Essa matéria é uma mentira. Só acredita quem vota no PT, ou seja quem é burro. Ninguém está reclamando da lei, todos estão gostando. A não ser quem vai perder o bolsa família, como minha emprega que eu sempre quis assinar a carteira dela mas ela se nega porque não quer perder a bolsa o benefício. Vocês são ridículos, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  14. Thaigo Postado em 07/Apr/2013 às 12:13

    Eduardo, Você é bem experto né?? NÃO ASSINA a carteira da sua empregada porque ela não quer, e assim, se expõe ao risco de tomar um PROCESSO trabalhista. Quer mesmo chamar a todos de burro por terem votado no PT (lembrou que segundo turno foi PSDB e PT? me diz aí qual solução para esse problema?)? reveja seu conceito camarada!

  15. Lucia Postado em 07/Apr/2013 às 12:23

    A pessoa que escreveu foi extremamente feliz na forma de expor a situação. Enquanto tive filhos pequenos mantive funcionária em casa, com carteira assinada e recolhimento da previdência, pagamento do que sempre entendi ser direito do trabalhador. Sou professora concursada e, hoje, meu salário, apesar de trabalhar 44 horas fora de casa, não me garante condições de manter, nem mesmo uma diarista, para auxiliar na organização dos trabalhos domésticos. Quando, minha última funcionária, engravidou, após mais de seis anos trabalhando comigo, não me adaptei com mais ninguém, pois esse é um trabalho que exige confiança e respeito, afinal você entrega a chave da sua casa e o cuidado do que tem de mais precioso: seus filhos. Hoje, acumulo as funções de professora e doméstica. O mais difícil, como disse a autora do referido texto, foi (re)educar meus filhos para a responsabilidade de que a casa é um espaço de convivência, portanto, de uso coletivo e que regras básicas referentes ao sujou-lavou, tirou do lugar-repôs, deveriam ter sido, mais insistentemente trabalhados/ensinados por eu própria. Não fiz e hoje pago o preço de ter que ensiná-los, permanente e pacientemente. Fico feliz por esse direito reconhecido e, somente os que nunca enxergaram o trabalho desenvolvido por pessoas que, muitas vezes, preparam refeições fantásticas nas casas de suas patroas, mas que não têm comida em suas próprias mesas, para seus filhos, podem questionar tal direito. A mídia é responsável pelo pânico criado e está na hora de orientar muitas "patroas" que estão meio perdidas nos encaminhamentos que devem adotar. Está na hora de dar voz aos contadores e solicitar que orientem quanto aos procedimentos legais e econômicos a adotar. Tudo o que é novo assusta. Talvez a experiência concreta de muitas "patroas" colocando "a mão na massa" sirva para que compreendam o quanto esse trabalho é cansativo e merece o nosso respeito.

  16. Caissa Postado em 07/Apr/2013 às 12:35

    Dei saltos de alegria qnd a PEC foi aprovada e lendo esse texto me deu esperança na humanidade. Minha mãe, empregada doméstica desde sempre, conseguiu me criar (e muito bem) com o suor do seu trabalho pesado em casas de famílias abastadas e que pra mim, sempre a remuneraram de forma injusta, com excessão de uma ou outro. SIM! Vai ficar até mais tarde pra fazer o lanche ou a janta das crianças? Merce hr extra! Pq afinal, eu sei muito bem oq é ver minha mãe chegando cansada e tarde do trabalho e ainda tendo que cuidar de sua própria família e casa. Nisso, a maior parte dos patrões não pensam! ME ORGULHO DE RESPIRAR O MESMO AR QUE A PATROA QUE ESCREVEU ESSE BELÍSSIMO TEXTO!

  17. nilcelia Postado em 07/Apr/2013 às 12:43

    tudo muito bonito sentimentos nobres ,mais nós sabemos que não é assim na pratica.A empregada sem carteira entra na sua casa já programada atrabalhar tres meses e depois começar a destruir tudo que vc gosta pra que vc a mande embora para ela então poder te colocar no pau. A outra que vc assina carteira trabalha bonitinho um ano e depois vai pelo mesmo caminha pra recebe ferias decomo terceiro e outras coisinhas ,imagina agora?sem falar que agora só os ricos teram epregada domestica,porque classe media não vai ter confições de pagar o novo salario.então vamos para de sonhar e falar de realidade.emprega virou coisa de rico..isso sim é a verdade.

  18. G Postado em 07/Apr/2013 às 13:07

    Nosso pais é um país com quase todas as leis necessárias, mas o cumprimento delas é q não acontece. E o nível de serviço vai continuar o mesmo? Morei na Austrália por mais de 18 anos e quando alguém vai a sua casa fazer um serviço eles sabem o q estão fazendo. Concordo q esse trabalho precisa ser valorizado, mas deveria existir um período de adaptação para q ambas as partes pudessem se organizar. Papo de relógio de ponto em casa??? Piada. No final vão falar: olha eu tenho isso pra te pagar, não tenho condição de pagar isso tudo. E aí vamos ver se a lei vai funcionar ou não .

  19. Rafa Postado em 07/Apr/2013 às 13:39

    Achei o texto muito interessante, mas me surgiu uma dúvida: as empregadas dos ricos, se assim podemos classificar de acordo com o texto, deixam seus filhos com outras pessoas para cuidar dos filhos dos "ricos", como pagariam o que é justo, e realmente acho que é o justo, àquelas que estão cuidando dos seus filhos, pois conforme estabelecido em lei, babas também são empregadas domésticas??? Ou surgiria duas classes de empregadas domésticas, a dos ricos e a dos pobres? A que merece salário justo e a que não merece? Ainda não consigo ver como essa nova lei irá se enquadrar a realidade. Sou de classe média e conheço a realidade de muitas mulheres que deixam seus filhos para prestar serviço doméstico a outras mulheres e pagam "alguém" para olhar suas crianças (nem ousam denominar de baba, pois isso é coisa pra rico), mas, se olharmos objetivamente, são empregadas domésticas contratando empregadas domésticas.....Como ficaria essa realidade? Alguém poderia responder: deixa na creches. E eu pergunto: Em qual? Como eu disse, a Lei é linda, mas não se ajusta a verdadeira realidade.....

  20. SOFIA Postado em 07/Apr/2013 às 15:51

    O Brasil é um pais indecente feito por pessoas indecentes e egoistas, pois quem reclama do dado aos direito dos outros porque quer manter caprichios e privilegios do tempo da escravatura não merece nem sequer ser ouvido e sao os mesmos que nao aceitam que os seus direitos nao mudem de uma so virgula. Gostaria que as pessoas que sao contra a igualdade de chances, acordasseM na na mesma situaçao das pessoas que foram e sao excluidas pelo sistema. A MADAME que declara q a sua "empregada " nao quis ser registrada pra nao perder o bolda familia, esquece que o dinheiro dado pelo governo raramente excede os 50 REAIS, isto quer dizer que se a madame epagasse um salario decente pra "sua empregada" os 50 REAIS NAO FARIAM DIFERENça .

  21. Beto Postado em 07/Apr/2013 às 17:46

    Não sei porque o "medo" de assinar o texto! Contraditório toda a sua "coragem" na escrita e escusa em assumir o que pensa.

  22. Clara Postado em 07/Apr/2013 às 21:44

    Como que a autora "anônima" não consegue pagar um salário bom? Paga DOIS ruins? Paga inss, 13o, férias? É só valorizar mais o trabalho da empregada do que a bolsa Louis Vuitton ou a garrafa de Veuve Cliquot. Engraçado que -como sempre- quem reagiu "com ódio" foram aquelas (e não aquelES, que os homens parecem ficar por fora do assunto) para os quais a mudança não faz menor diferença no bolso. Mas a autora que diz ter reagido "com alegria", à PEC, paga quanto? e ela própria, ganha quanto? É fácil acusar uma anônima "desigualdade do meu país" quando vc mesmo não faz nada para reduzi-la. Leviandade total.

  23. Ana Maria Postado em 07/Apr/2013 às 22:14

    Estas dondocas, que acham a lei injusta,deveriam ficar de quatro pés limpando o chão,e aguentando desaforosde patrões e de seus filhos. Demorou para serem respeitadas. Parabéns para todos que aprovaram a lei....

  24. DEBORAH VOGELSANGER GUIMARÃES - Postado em 08/Apr/2013 às 10:07

    Excelente texto, concordo com ela plenamente e da mesma forma, cresci assim: com empregadas fazendo o trabalho (ou alguém da família). Nunca achei justo e tentei mudar sendo vencida pelo filhos pequenos e por uma mudança no arranjo familiar tradicional. Porém, nunca é tarde para educar os filhos e cansada de tentar explicar que não são apenas direitos trabalhistas que contam, mas responsabilidade para com seu emprego também, aproveitei a deixa e deixei tudo isso de lado. Todos em casa fazendo o trabalho doméstico e já!!!!

  25. Paula ZZT Postado em 08/Apr/2013 às 10:11

    TEXTO EXCELENTE!! Adoro qdo acho alguém que expressa melhor que eu mesma td o que eu estava pensando... Para começar, uma boa maneira é acabar com esses eufemismos politicamente corretos que só mascaram. Empregada doméstica e pronto... Secretária do lar, aassistente... Peloamor... Se fossem mesmo secretárias e assistentes esses direitos estava garantidos há muito tempo, pois como bem apontou alguém ai nos comentários, qdo vamos trabalhar em empresas/comércio exigimos TODOS os nossos direitos...

  26. Sabrina Navarro Postado em 08/Apr/2013 às 10:32

    Bom dia a todos e todas! Também sou Empregadora Doméstica e estava ansiosa pela aprovação da PEC, pois é um erro histórico tal diferença entre empregados domésticos em relação aos demais trabalhadores. Eu fui criada por empregadas domésticas ao longo de minha infância e adolescência e, desde esta época, nunca entendi poque elas não eram tratadas com o devido respeito e reconhecimento, uma vez que eram elas que faziam tudo do jeito que eu gostava. Hoje, como empregadora, procuro não reproduzir as coisas que entendo erradas e, muito antes de a PEC ser aprovada, já adotava por analogia os mesmos direitos dos demais trabalhadores e hoje, a única diferença será que agora iremos formalizar tudo. De fato, o impacto financeiro no bolso dos empregadores será pequeno, ínfimo, perto dos direitos e garantia míinimas. Só não o será pequeno o impacto se o empregador já é um mal empregador e contrata no âmbito da informalidade... e isso é uma aberração, embora seja um traço incorrigível de nossa sociedade. Enfim, a PEC tardou e espero que ela não falhe e vença os discursos conservadores e aprimopre o mercado de trabalho das empregadas domésticas!

  27. crystyan Postado em 08/Apr/2013 às 12:45

    Otimo texto!

  28. Cristiane Marques Postado em 16/Apr/2013 às 15:30

    Bom texto, dá o que pensar. Também sou a favor de regulamentar a profissão pois sabemos que há muitas injustiças, tanto por parte do empregador e, porque não, dos empregados que contam com uma sistema judiciário completamente parcial. Minhas críticas à PEC são: - os empregadores que, como eu, já respeitam a legislação (assina carteira, recolhem tributos, pagam em dia, etc) e fizeram um acordo justo quando da contratação (por exemplo, preciso que alguns dias minha funcionária permaneça até mais tarde porque eu chego mais tarde do trabalho e, por isso, já pago a mais) estão sendo "punidos", pois precisarão pagar mais ainda... - não houve um tempo hábil para adpatação à nova lei, como acontece com todas as leis junto às empresas, por exemplo. A PEC entrou em vigor e, já no dia seguinte, todos deveriam estar adaptados. Não houve espaço para estudo, para conversa ou para adequações, como por exemplo, a revisão de horários. Concordo que essa mudança traz mais profissionalismo à classe e permite uma relação mais contratual, com direitos e deveres estabelecidos. Em meu parecer, todavia, deveria valer para novos contratos pois, respaldados pela nova lei, tanto patrão como empregados insatisfeitos com a relação atual poderiam buscar novas oportunidades.

  29. Suzana Postado em 26/Apr/2013 às 18:02

    Concordo com a lei, concordo com o respeito, concordo com os direitos. Mas existem questões complicadas aí. De má-f-é, quantas não "provocarão" a própria demissão? O que pode ser considerado "justa causa" em uma relação tão diferenciada, com um funcionário que está dentro da nossa casa? E em relação à qualificação? quantas realmente se preocupam em fazer o serviço bem feito, em utilizar corretamente os instrumentos de trabalho e os produtos, ser econômica, produtiva, competente? Querem ser tratadas como profissionais, profissionalizem-se!

  30. Julia Postado em 16/May/2013 às 05:33

    Se eu tenho direitos trabalhistas, que as domésticas também tenham. Simples e óbvio. É o mínimo de justiça que se pede para todo trabalhador no Brasil. Mas, quando eu tinha uma pessoa trabalhando aqui em casa, há anos atrás, o que eu achava realmente injusto era o fato de não poder declarar ao leão do IR o salário mínimo que eu pagava para a empregada doméstica. Hoje eu e os filhos crescidos damos conta do recado. Eles foram ensinados a arrumar gavetas, cuidar do mat. escolar, limpar banheiro, deixar a casa em ordem, arrumar a mesa, enxugar louça, ou estaríamos até hoje contando com o serviço de uma co-piloto de dona de casa aqui.

  31. Vera Lúcia Postado em 25/May/2013 às 17:54

    Tudo. Muito. Bonito. Mas. A. Realidade da. Classe media. E. Media. Mesmo. Não tem magica.

  32. Ligia Postado em 06/Jun/2013 às 00:24

    ótimo texto! Só faltam os chefes dos patrões da "classe MÉDIA" terem mais compreensão também. Vai alguém de cargo executico ou até médio falar que não vai poder ficar até mais tarde no escritório por causa do filho ou da louça pra lavar. Na Europa as pessoas se viram legal sem empregada e outros serviços que não temos aqui. Mas há uma licença maternidade maior, jornada flexível de trabalho etc...

  33. Luciana Postado em 17/Jul/2013 às 16:03

    A igualdade para todos é o desejo de todas as classes, inclusive a das empregadas domèsticas. A introdução dos direitos básicos de qualquer trabalhador a empregada doméstica na minha opinião demorou a acontecer, em muitos países da Europa este modelo já é adotado a muitos anos.Agora o Brasil passará por um processo de adaptação, embora algumas domésticas tinham um vínculo quase familiar em algumas residências outras eram praticamente exploradas em seu trabalho, a Lei está correta.

  34. Márcia Postado em 31/Jul/2013 às 01:12

    Só não concordo com essa de que quem cresce com empregada cria uma visão errada das coisas, que não aprende a colaborar. Isso depende muito da educação dada pelos pais. Sempre tivemos empregada aqui em casa, mas sempre arrumei minha cama, por exemplo, e me esforçava para manter arrumado o que elas faziam.

  35. Adalberto Postado em 23/Oct/2013 às 13:01

    Quem pode, paga. Quem não pode, deixe de ser preguiçoso...