Redação Pragmatismo
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Ditadura Militar 21/Mar/2013 às 22:50
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O envolvimento de empresários com a tortura no Brasil

Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, o ex-marido de Dilma Rousseff, Carlos Araújo, disse que empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) "não só financiaram, mas estimularam e assistiram às sessões de tortura" durante o regime militar

Pela proposta do advogado Carlos Araújo, ex-deputado estadual do Rio Grande do Sul pelo PDT e ex-marido da presidente Dilma Rousseff, não vai sobrar “um meu irmão” neste país.

O ex-marido da presidenta pediu que a Comissão Nacional da Verdade investigue, também, os empresários brasileiros que financiaram a repressão entre 1946 e 1988.

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Torturado na ditadura, Carlos Araújo denuncia a participação de empresários na repressão.

Há informações de que até os donos de empresas de comunicação emprestavam seus carros para a repressão capturar e transferir presos políticos de uma prisão a outra.

Segundo o advogado, no regime militar, havia empresários que iam para a sala de tortura estimular os torturadores e se envaidecer com a tortura de militantes contrários ao regime.

“Não foram poucos os empresários que foram para as salas estimular os torturadores e se envaidecer com a tortura dos nossos companheiros”, disse o ex-deputado.

Carlos Araújo aponta empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) teriam financiado e até participado de sessões de tortura durante a ditadura militar.

Militante da VPR, o ex-marido de Dilma pediu que a comissão investigue o “núcleo de tortura da Fiesp”.

Leia também

A revelação foi feita nesta segunda-feira pelo militante do PDT e ex-marido da presidente Dilma Rousseff, Carlos Araújo, durante depoimento à Comissão Nacional da Verdade, em Porto Alegre.

Apesar das denúncias, Araújo não citou nomes de empresários envolvidos, nem disse se foi submetido a interrogatório diante de integrantes da Fiesp. Contudo, o ex-militante do VPR disse que a federação financiava a Operação Bandeirante (Oban) e, posteriormente, o DOI-CODI. Ele disse ainda que considera relevante a investigação, porque essa “direita raivosa” ainda está integrada às atividades da Fiesp.

Esmael Morais, em seu blog

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Comentários

  1. sergio luís Postado em 22/Mar/2013 às 01:49

    Essa discussão deve ser levada até as últimas consequências, como reparação histórica e como forma de justiça, mesmo que tardia, pois os "autores intelectuais" das barbáries hoje gozam de prestígio e vivem intocáveis atrás das suas suntuosas mesas .

  2. fernanda vargas -- rs Postado em 22/Mar/2013 às 02:12

    Gostaria de entender por que no Brasil esta investigação tarda tanto , quando na Argentina e outros países os julgamentos e prisões foram feitos logo. Seria porque as pessoas civis que apoiavam a ditadura brasileira e a patrocinaam e incentivavam são muitas e muito poderosas ? E se os EUA foram os mentores e agentes disso, devem também ter agido na hora da abertura política com aquela lei da anistia . E falando sobre empresários que financiaram a tortura, tem também outros como Maluf que frequentava os porões . Não vai sobrar um.... acho difícil que algo aconteça se a própria justiça e seus representantes como o Gilmar Mendes e tantos togados estão envolvidos até o pescoço neesa lama.

  3. SOFIA Postado em 24/Mar/2013 às 06:54

    Isto não é novidade, novidade serà apuração dos fatos, visto que se trata de pessoas ditas "influentes" que não são nuncas responsabilizadas pelos crimes que cometem

  4. Roberto Postado em 24/Mar/2013 às 10:38

    Ao contrario do que se diz na grande imprensa de forma errônea a ditadura não foi somente militar ela foi apoiada em grande escala por setores civis da sociedade (empresários,vide o caso de Boilesen, parte do judiciário e setores conservadores da igreja católica )o Brasil precisa passar seu passado a limpo punir todos aqueles complacentes ou coniventes com os chamados crimes de sangue praticados pelo estado durante a ditadura, espero que a comissão da verdade cumpra esse papel.

  5. anonimo Postado em 15/Nov/2013 às 12:32

    Só durante o regime militar não, isto ocorre ainda hoje