Luis Soares
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Racismo não 20/Mar/2013 às 21:01
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"Ela nunca vai se recuperar", diz mãe de menina espancada por ser negra

Mãe diz que menina de 12 anos foi agredida por ser negra. Quatro meninas, duas delas encapuzadas, são apontadas por agressão. GDF lançou nesta quarta número de telefone para denúncias de racismo

A empregada doméstica Márcia Pereira do Nascimento afirmou que nunca foi tão difícil sair de casa para trabalhar quanto nesta quarta-feira (20). A filha dela de 12 anos foi espancada perto de uma parada de ônibus da avenida Potiguar, no Recanto das Emas, no Distrito Federal, há dois dias. Quatro desconhecidas socaram, arranharam e chutaram a garota por ela ser negra, diz a mãe.

As agressões ocorreram pela manhã, no trajeto para a escola. Acostumada a ir sozinha, a adolescente contou ter se confundido e pegado o coletivo errado. Ela desceu na terceira parada da via para trocar de ônibus, mas antes foi abordada pelas garotas, duas delas encapuzadas.

“As meninas disseram que não aceitavam negras no beco delas. Minha filha falou que tudo bem, que já estava indo embora, mas elas responderam que, como ela estava lá, ela teria que pagar pelo que fez”, afirma Márcia.

racismo menina negra espancada

Quatro desconhecidas deram socos e chutes em braços, pernas e barriga de adolescente de 12 anos porque a vítima é negra (Foto: Raquel Morais)

Enquanto as duas jovens encapuzadas a imobilizavam, as outras ofenderam a garota e a atingiram nos braços, pernas e barriga. A adolescente disse não ter ideia do tempo que passou sendo agredida e que escolheu não reagir por medo de que elas fossem ainda mais violentas. Tudo o que a menina queria era sair dali.

O caso foi registrado na delegacia da região na noite de segunda. A Polícia Civil informou que não vai se pronunciar a respeito até que as agressoras sejam identificadas. Na terça, a garota passou por exames no Instituto Médico Legal (IML) para confirmar as lesões. Depois, ainda mancando e reclamando de fortes dores, foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

“É muito ruim mesmo, uma dor que nem tem como descrever, você ver um filho passando por isso. Ela só chora”, diz. “Ela veio me perguntar se eu a amo de verdade, do jeito que ela é. E eu a amo e a amaria sempre, mesmo se não tivesse as duas pernas.”

Márcia afirmou que toda a família ficou horrorizada com o que aconteceu. Ela foi dispensada do trabalho na segunda e na terça para cuidar da filha, que também não foi à aula nesses dias. A adolescente voltou ao colégio nesta quarta para fazer uma prova de matemática.

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Ganhando um salário mínimo por mês para sustentar os três filhos e um neto, Márcia disse que teme pelo equilíbrio emocional da garota. “Não tenho condição de pagar um psicólogo, porque tem dias que a gente não tem nem o que comer. Ela ficou muito abalada e ainda mais reservada. Ela nunca vai se recuperar.”

Nesta quarta, o governo do Distrito Federal lançou o disque racismo. Por meio do 156, a população vai poder denunciar agressões a negros, indígenas, ciganos e quilombolas.

Futuro

Muito assustada com o que aconteceu, a adolescente pediu à mãe para morar com a avó, em Samambaia. A garota disse que quer continuar estudando, mas que sente medo de frequentar o colégio atual.

“Queremos transferi-la para a escola que é perto da casa da minha mãe, que aí ela vai se sentir mais segura e eu vou ficar mais tranquila. Mas depois disso que aconteceu, quero é sair com todo mundo daqui”, diz Márcia.

Fã de língua portuguesa, a menina disse que quer terminar os estudos e se tornar policial. O sonho dela, afirmou, é proteger as pessoas de agressões.

Outro caso

A mãe de um menino de 8 anos registrou boletim de ocorrência no final de fevereiro alegando que o filho sofreu preconceito racial dentro da escola, no Núcleo Bandeirante. Uma colega de turma teria dito ao garoto que ele nunca arrumaria namorada por ser “preto, sujo, feio e fedido”.

A coordenação do colégio afirmou ter conhecimento sobre o caso e disse não tolerar nenhum tipo de preconceito. O caso foi encaminhado para o Conselho Tutelar. Dados da Secretaria de Segurança Pública apontaram 31 registros de injúria racial em 2012 no DF.

Raquel Morais, G1-DF

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Comentários

  1. eve Postado em 20/Mar/2013 às 21:12

    Nem sei oq dizer....o racismo velado do Brasil nunca terá fim ? Porque será q essa noticia não saiu no Jornal Nacional?.... Não entendo pq isso ainda existe num país que 56% da sua população e de negros e mulatos

  2. Vanessa Postado em 20/Mar/2013 às 21:20

    Quero acreditar que essa história tem mais coisa por trás, sei que é grande muito grande o racismo e principalmente no Brasil, onde há maior concentração de Negros depois da Africa, mas apanhar apenas por ser Negra? pela foto a cor da pele dela não é tão escura... Polícia investigadora em ação!!! muito trabalho pra vocÊs!!!

  3. Rafael Postado em 20/Mar/2013 às 21:37

    Ali Kamel é a resposta para sua pergunta eve.

  4. Diogo Postado em 20/Mar/2013 às 21:45

    Que horror Vanessa, como pode duvidar de uma coisa dessas, não é a única reportagem desse tipo que vemos por aí. O racismo existe sim, e as pessoas apanham nas ruas e são ofendidas apenas por serem negras sim. Eu sou negro e lhe afirmo que não é fácil. As vezes é necessário se colocar no lugar do outro para entender melhor.

  5. Gustavo S Postado em 21/Mar/2013 às 09:36

    Vanessa, neste mesmo site há diversas matérias de pessoas que foram agredidas, verbal ou fisicamente, pela simples razão da cor de sua pele. Eu jamais ousaria duvidar deste caso, haja vista não se tratar de episódio isolado.

  6. Camila Chilelli Postado em 21/Mar/2013 às 13:52

    E se bobear, as palavras de ordem gritadas pelas CRIMINOSAS eram "Vc é decentendente de Noé, é amaldiçoada, meu pastor-sabe-tudo falou no Twitter". E depois dizem que são os homossexuais que estão "perseguindo" os evangélicos porque são "Cristofóbicos"...E alguém ainda tem dúvida de que discursos de ódio de líderes que se dizem religiosos não tem papel social? Esse é o Brasil que elege um racista, estelionatário, preconceituoso para presidir uma COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS.

  7. Dra kel Postado em 21/Mar/2013 às 14:49

    Toda historia tem duas versões. Nao estou dizendo que a historia é mentira mas ja vi muito negro interpretando mal as coisas e pensando que as pessoas sao racistas quando na verdade nao sao.

  8. Marina Postado em 21/Mar/2013 às 15:18

    Vanessa, se a pele dela fosse mais escura essa notícia faria mais sentido pra você? Eu hein, SOCORRO!

  9. Kao Postado em 22/Mar/2013 às 04:40

    Já parou pra pensar, Dra Kel, que talvez tu tenha interpretado mal as situações por não estar na pele de quem sofreu o preconceito? Às vezes a gente desconsidera o que os outros relatam como preconceito por estar em uma posição de privilégio e não saber como é viver, não uma situação, mas uma rotina de discriminação e assédio.

  10. Thiago Postado em 22/Mar/2013 às 16:31

    Comentando esse outro caso, do menino de 8 anos é a triste verdade se ele vivier na capital paulista. Também sou negro e só consigo arrumar mulher em outro estado, pois aqui nem as mulatinhas querem saber dos negão kkkkkkkkkkkk. Falando sério, esse tipo de violência se repete porque não punidade. A mídia, que atende a elite, não tem interesse na divulgação porque ninguém liga. Assim como os delegados (as) e promotores (as). Repa

  11. Roni Soares Palhano Postado em 22/Mar/2013 às 19:12

    TEM DE PEGAR QUEM A ESPANCOU E DESCER O CASSETE PARA APRENDEREM QUE RACISMO É CRIME, E SE ALGUÉM NÃO GOSTAR DESSA ATITUDE DESCE O CASSETE NESTE TAMBÉM, ENQUANTO O POVO FICAR ESPERANDO POR JUSTIÇA ISSO SEMPRE VAI ACONTECER.

  12. Isaac Postado em 08/Jun/2013 às 22:35

    Dra kel, o clássico mal entendido né? claro...