Redação Pragmatismo
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Política 25/Feb/2013 às 21:35
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Três razões para nunca dizer "nem esquerda, nem direita"

Este texto se dirige a quem diz a frase "nem esquerda, nem direita" de boa fé, na tentativa de convencê-los de que se trata de um engano tático

Por Rodrigo Guimarães Nunes, em seu blog

É comum que se responda à frase “nem esquerda, nem direita” com o adágio: “mostre-me alguém que não acredita em esquerda e direita, e eu lhe mostrarei alguém de direita”. Mas este não é sempre o caso, pelo menos no que toca às intenções. Se é verdade que é de má fé o uso mais comum que da frase se faz, há muita gente, talvez cada vez mais, que a usa sinceramente. Aos cínicos, não há nada a dizer; eles sabem (e nós sabemos) de que lado estão. Este texto se dirige, portanto, a quem diz a frase de boa fé, na tentativa de convencê-los de que se trata de um engano tático. Falar em “tática”, aqui, é deixar duas coisas nas entrelinhas: que há motivos legítimos que pelos quais alguns se sentem tentados a falar desta forma, e que as intenções com que o fazem são intenções das quais, em geral, compartilho. Dizer tratar-se de uma questão tática significa, portanto, fazer a pergunta: o uso desta frase é mais benéfico ou, pelo contrário, mais prejudicial a tais intenções? É aqui que se impõe a discussão.

1 – A frase é equívoca.

Seu sentido varia conforme o contexto e, principalmente, quem a usa. Ela significava uma coisa quando era usada, principalmente a partir dos anos 70 e 80, para se referir a lutas e sujeitos políticos que não eram reconhecidos por um lado nem por outro, ou cujas pautas eram, de alguma maneira, resistidas e/ou escamoteadas por ambos: mulheres, negros, índios, gays e lésbicas… Neste caso, queria dizer: “nenhum dos lados nos reconhece e luta por nós, por isso fazemos nossa própria luta”.

No surgimento do movimento ambiental, nos anos 70 e 80, ela tinha este significado e mais um, suplementar: o meio-ambiente, questão que demorou para ser incorporada à agenda tanto da esquerda quanto da direita (e que, na maioria dos casos, o foi no nível do discurso muito mais que na prática), nos diz respeito enquanto seres vivos e habitantes deste planeta, independentemente de preferência política. Logo, seria uma questão “nem de esquerda, nem de direita”, mas de todos.

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“Nem esquerda, nem direita” é uma frase com que convém se cuidar: não só o que se quer dizer com ela pode soar de maneira muito distinta a outros ouvidos, como aquilo que soa a nossos ouvidos pode ser muito distinto da intenção, de boa ou má fé, que outros têm ao usá-la.

Ela tinha outro sentido quando começou a ser usada por atores oriundos da esquerda histórica a partir dos anos 90. Neste caso, justificava a capitulação diante da realidade, agora aceita como absoluta e imutável, da economia de mercado e dos limites atuais da democracia representativa. Foi neste sentido – de “direita e esquerda (históricas) já não existem” – que ela foi a consigna da dita Terceira Via, isto é, a adesão, por parte de forças políticas cuja origem remonta às lutas operárias dos séculos 19 e 20, ao neoliberalismo. “Não há mais esquerda e direita”, no sentido de projetos que de alguma forma fundamental se opõe; “há apenas nuances”. O tempo fez estas nuances cada vez mais imperceptíveis, uma fratura na democracia representativa que foi exposta de forma cristalina pela crise financeira iniciada em 2008 – em que partidos “de esquerda” como Labour (Inglaterra), PSOE (Espanha) e Pasok (Grécia) estão tão implicados quanto seus equivalentes “de direita”. É este o sentido do grito de “não nos representam” que se ouve das multidões na Europa e nos EUA: a democracia representativa, nos países onde supostamente tinha atingido sua forma mais acabada, transformou-se num sistema em que todas as opções são essencialmente a mesma, e todos os partidos respondem essencialmente a um cartel de interesses corporativos financeiros, energéticos e midiáticos.

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Era também com este sentido de ruptura histórica – “já não existe” – que, no mesmo período, ela passou a ser usada por atores provindos da direita histórica. Com o fim do bloco soviético, já não existe mais projetos alternativos, “não há alternativa” (como disse Thatcher) ou “o único sabor no mercado agora é baunilha” (parafraseando Stiglitz); quem não aceita isto, é um dinossauro cujo tempo passou. O triunfalismo da direita de sempre e o oportunismo da “nova” esquerda partidária convergiam nisto: “fora nós, não há nada, e quem não vê isto, está ultrapassado”. Mas convém notar que, conforme a crise atual tem deixado claro, isto se deu não por uma convergência das agendas políticas, mas porque a “nova” esquerda (isto é, a esquerda histórica que se “renovou”) incorporou a agenda da direita, acrescentando-lhe “nuances” que o tempo desbotou por inteiro.

Em virtude desta equivocidade, é uma frase com que convém se cuidar: não só o que se quer dizer com ela pode soar de maneira muito distinta a outros ouvidos, como aquilo que soa a nossos ouvidos pode ser muito distinto da intenção, de boa ou má fé, que outros têm ao usá-la.

2 – A frase abre mão de redefinir o passado.

É no sentido de uma virada ou corte histórico, de novidade, que normalmente se emprega a frase hoje: a partir de um determinado momento, a divisão entre “esquerda” e “direita” teria perdido o sentido. A primeira coisa a fazer é observar que, enquanto o momento histórico apontado como aquele da ruptura varia e sempre encontra um novo “agora”, a frase em si já é usada assim há pelo menos 15 anos. A segunda é perguntar se o desaparecimento desta distinção política implica o desaparecimento das divisões sociais: ainda se pode falar de “pobres” e “ricos”, os que “têm acesso” e os que “não têm acesso”, os que “têm oportunidades” e os que “não têm oportunidades”? Foi nestas divisões, afinal, que a distinção entre esquerda e direita se originou. Introduzir uma distinção em termos de “mais” e “menos” – “mais ou menos” acesso, “mais ou menos” oportunidade – não parece suficiente para eliminar as divisões. No limite, sempre restam aqueles que têm “muito pouco” e os que têm “demais”; uma distância que, nas três últimas décadas tendeu, de forma geral no mundo, a aumentar.

A frase pode ser entendida como um exercício legítimo de distanciamento em relação ao desastre das experiências do “socialismo real”: os gulags, as coletivizações forçadas que levaram a mortes em massa, as ditaduras de um só partido. (Sem embargo, é curioso notar como, enquanto o socialismo real “foi testado e falhou”, o capitalismo real, em seus mais de cinco séculos de colonialismo, escravagismo, miséria sistêmica, negação de direitos e destruição ambiental, sempre nos pede que o julguemos de acordo com seu estado ideal: “é verdade que há muitos problemas – mas um dia haverá abundância para todos!”.) Mas então “esquerda” foi apenas aquilo?

O que dizer dos desejos de igualdade, liberdade e reconhecimento que animaram os indivíduos cujas lutas formaram aquilo que se veio a chamar de esquerda – e que, em muitos casos, acabaram oprimidos pelas instituições (partidos, sindicatos, estados) que contribuíram para criar? Por trás do esforço para escamotear este patrimônio e tornar “esquerda” sinônimo dos horrores feitos sob este nome, existe, no uso cínico que muitos fazem da frase, o desejo de afirmar que lutar contra as divisões que existem e buscar-lhe alternativas inevitavelmente acabará em desastre. É do papel de quem não tem interesse em que as coisas mudem dizer que o “melhor é inimigo do bom” (Voltaire), que “não há alternativa”; é do papel de quem tem o desejo de mudanças não ajudá-los. E se os desejos de mudança ainda existem, é fundamentalmente porque as divisões não acabaram, pelo contrário, estão sempre ressurgindo, em outros limites e de novas formas. E se alguém pode e deve encarnar estes desejos, é justamente aqueles que “não têm” – renda, acesso, oportunidades, reconhecimento.

Aceitar que se reduza a esquerda histórica a seus horrores não seria, então, admitir que os opressores de hoje reduzam aqueles que ontem lutaram e aqueles que hoje desejam àqueles que ontem oprimiram? Sim, os horrores foram muitos. Mas a inventividade e ousadia de milhões de homens e mulheres, quer se identificassem como “esquerda” ou não, que acreditaram na possibilidade de alternativas; e a riqueza daquilo que eles, por mais frágil e temporário que tenha sido, souberam construir – isto também foi o que historicamente se chamou de esquerda. Permitir que esta memória suma por trás da sombra de ditadores é enterrar estes mortos de novo, negar-lhes em morte os sonhos que apenas os vivos poderão, talvez, um dia redimir. É, ainda, negar aos vivos uma herança, e participar da negação da possibilidade de seus desejos por parte daqueles que são… “vivos demais”.

3 – A frase abre mão de redefinir o presente.

Com frequência, hoje, ela é usada de boa fé por quem pensa o seguinte: “existem partidos e instituições que se dizem de esquerda, mas se comportam como direita; e existem aqueles que não são de direita, mas que, mesmo que bem intencionados, estão completamente desconectados do presente e são, portanto, inteiramente irrelevantes”. Neste caso, ela está muito próxima do sentido que movimentos à margem da esquerda “clássica” nos anos 70 e 80 lhe emprestavam: ninguém nos representa, logo temos que fazer nossa própria luta. Existe uma diferença importante entre um momento e outro, contudo, que é precisamente o fato de que, entre aquele momento e agora, houve um outro em que o sentido de “nem esquerda nem direita” foi redefinido – e foi redefinido, como vimos, por quem empregava a frase com o intuito de dizer: “fora nós, não há alternativa, e quem não vê isto, está ultrapassado”.

Quanto à segunda parte do pensamento resumido no parágrafo anterior, é bom deixar claro: dizer que “esquerda” não é sinônimo de “dinossauro” não significa que o mundo não seja habitado por inúmeros dinossauros que se reivindicam de esquerda, aparentemente imunes a qualquer meteoro que os possa extinguir. Mas o que mais importa é a primeira parte, “a esquerda que assim se diz não o é, logo não existe esquerda”. Deixemos de lado sua lógica defeituosa (se eu digo “x não é de esquerda”, eu presumo a existência de alguma coisa chamada “esquerda” com que posso compará-lo); o sentimento que ela expressa é absolutamente real e amplamente compartilhado. O problema, contudo, é que ela aceita os termos impostos por quem se está criticando: se eu digo “não existe esquerda” porque um partido “que se diz de esquerda” não o é, estou consentindo exatamente aquilo que este partido quer me dizer – que ele “é a esquerda”, e fora dele “não há alternativa”. De maneira mais geral, isso significa admitir que a esquerda se reduz àquelas forças constituídas que reivindicam o nome; e, num sentido ainda mais geral, implica aceitar a redução da política à política representativa.

É aí que se encontra todo o impasse hoje: não apenas o sistema representativo colapsou muitas das diferenças que eram relevantes para que se distinguisse “esquerda” e “direita”, ele demonstra imensas dificuldades para reconhecer novas divisões surgidas no seio da sociedade. Mais do que isso, o próprio sistema hoje implica uma divisão, cada vez mais patente, entre “não-representados” e “representados demais”. É do papel do sistema, como mecanismo de auto-defesa, negar que esta e outras divisões existem. Mas o que importa, ainda e sempre, é que elas existem e implicam lados. São os lados que se opõem ao longo dessas divisões, e os sujeitos sociais que aí se confrontam, que devem definir, hoje, o que é esquerda e direita. Quando se diz que o atual momento está “para além de direita e esquerda”, o que se quer dizer é direita e esquerda dentro do espectro representativo representam a mesma (ou cada vez mais a mesma) coisa. Mas é só a este espectro que se reduz a política?

Afirmar os desejos de mudança de hoje passa por reconhecer as divisões que os sustentam, e que aqueles que não querem a mudança têm, portanto, todo interesse em esconder. E se a divisão mais aguda atualmente é que existe entre sub- e sobre-representados, representados “demais” e “de menos”, o primeiro passo para tornar o problema visível é, justamente, negar aquilo que a política representativa tenta afirmar: que ela é o limite absoluto, fora do qual não há nada. É preciso, portanto, dizer que a política se estende para além da política representativa e constituída; que ela hoje se dá, principalmente, naquelas divisões que a política constituída pretende ignorar. É preciso, sobretudo, apontar estas divisões e torná-las claras: há, sim, várias questões hoje que opõe um “eles” e um “nós”.

Com efeito, talvez seja justamente aquele caso em que a inexistência de divisões seria mais fácil de aceitar – o ambiental – o que melhor as exponha. Porque se é verdade que a mudança climática nos põe a todos, enquanto habitantes do mesmo planeta, no mesmo barco – como no Titanic, não estamos todos neste barco do mesmo modo. Pelo contrário, a questão ambiental evidencia diferenças claras quanto à distribuição de recursos, custos e efeitos. A distribuição dos recursos marca divisões tanto entre países e regiões do mundo quanto internas à países e mesmo cidades: tanto internacional quanto nacional e localmente, alguns consomem muitos recursos enquanto outros consomem muito poucos. Os custos, igualmente, se distribuem conforme as linhas da divisão internacional do trabalho, mas também regional e socialmente dentro de cada país: o passivo ambiental e social da exploração de novos recursos cai desproporcionalmente sobre alguns países (o petróleo na Nigéria), regiões (o fracking na Carolina do Norte, nos EUA; a região norte, no Brasil) e, principalmente, um determinado tipo de população (pobres, indígenas); os lucros e benefícios vão desproporcionalmente para países, regiões e grupos mais ricos. Finalmente, os efeitos da mudança climática afetam desproporcionalmente os mais pobres, desde os impactos sobre populações em áreas de risco a migrações forçadas e a suba do preço de alimentos por conta de eventos climáticos extremos. Em outras palavras, a questão ambiental é inteiramente atravessada por questões sociais e políticas, porque ela é inteiramente atravessada por divisões sociais e políticas. Nós podemos querer nos iludir quanto a isto; mas o poderosíssimo lobby exercido pelas indústrias automobilística e petrolífera, do agribusiness, da especulação imobiliária e das construtoras, no Brasil e em todo mundo, sabe muito bem que este é o caso.

O uso de “nem esquerda nem direita” é perigoso, portanto, porque um de seus sentidos – o principal – consiste em negar a existência de divisões. Se eu e meu adversário usamos as mesmas palavras, mas ele tem mais poder que eu para definir seu sentido, é hora de eu começar a usar outras.

*******

Em 1997, um grupo de movimentos sociais, organizações e intelectuais franceses assinou um manifesto dirigido ao Partido Socialista, que então se apresentava às eleições, com o título: “Nós somos a esquerda”. Em outras palavras, o que eles afirmavam era: “se vocês querem dizer que nos representam e esperam contar com nosso voto, esta é a plataforma que vocês devem adotar”.

Não se trata de propor imitar este exemplo, que, em retrospecto, não foi bem-sucedido, mas sim de ver aí um gesto mais radical que a repetição de uma frase de sentido equívoco e que serve tão bem ou melhor àqueles que têm intenções contrárias às nossas. Mais radical porque, ao invés de situar-se nos termos do debate impostos por aqueles que queremos criticar, se situa diagonalmente a eles, expondo seu ponto cego e tornando a raiz do problema visível de uma forma que a outra frase (que pode ser entendida de muitas formas) não consegue. Trata-se, neste caso, de afiançar a continuidade da existência de divisões e choques de interesse, e de expor o limite da democracia representativa, que cada vez mais trabalha para escamoteá-las; de afirmar que são estas divisões, e não a trajetória passada deste ou daquele político ou deste ou daquele partido, que deve definir por onde passa hoje a linha que separa “esquerda” e “direita” hoje; e, finalmente, de dizer que é a partir desta redefinição que se forma, por trás da “esquerda” – instituída, representativa –, uma outra esquerda que ainda não se fez ouvir, e que se fará ouvir através de ou apesar das instituições que reivindicam este nome.

Trata-se, em suma, de não aceitar a imagem que nos oferecem do presente e do passado, mas de dedicar-se ativamente a uma nova triagem que, descobrindo virtualidades passadas e presentes que se pretendia ocultar, abrem novos futuros possíveis.

Qual seria o conteúdo de um tal “nós”, no Brasil e no mundo, hoje?

Rodrigo Guimarães Nunes é doutor em filosofia pelo Goldsmits College, Universidade de Londres; atualmente é professor colaborador e pesquisador pós-doutoral CAPES/PNPD-Fapergs no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da da PUCRS, onde coordena o grupo de pesquisa Materialismos (http://materialismos.wordpress.com). É editor da revista Turbulence (www.turbulence.org.uk) e esporadicamente publica no blog OrangoQuango (http://orangoquango.wordpress.com)

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Comentários

  1. Filho Postado em 25/Feb/2013 às 22:04

    Infelizmente a tendência que enxergo hoje em alguns movimentos de sofativismo, que até considero importantes, é uma discussão política rasa que não vai além de exigir o fim da corrupção. Todo discurso deles passa por "se os políticos trabalhassem direito, o Brasil seria uma maravilha", como se não existissem interesses políticos por trás de "não trabalhar direito". O que eu vejo hoje é crescer um pseudo interesse em política entre jovens, mas que não passa disso. Inclusive o Anonymous, que acho que tomam atitudes interessantes, cai nesse mesmo erro que as vezes parece bem inocente, as vezes parece medo de se definir politicamente, por que direita e esquerda seriam a mesma coisa

  2. Luis de Magalhaes Postado em 25/Feb/2013 às 23:35

    Rio,26/02/2013 "NEM DIREITAS NEM ESQUERDAS:PARA A FRENTE" Me faz tremer que a frase cunhada por um dos mais sanguinários ditadores-antónio de oliveira salazar-assim mesmo em minúsculas-seja usada,na parte essencial,por quem prega a liberdade e o progresso. Essa frase foi lema de jornais no período mais negro da ditadura Portuguesa.Pensei não mais escutar essa blasfêmia !!!

  3. Rodrigo Teixeira Postado em 26/Feb/2013 às 09:36

    O que o Sr Filho disse acima é bem verdade acerca do "sofativismo". Porém essa "impressão" de que político não é tão infundada assim. Se as pessoas comuns tem essa impressão, é um sinal de que mudanças de comando com supostas enormes diferenças de visão política não mudaram de maneira tão visível a realidade das pessoas no dia-a-dia. A economia e industria, se desenvolveram muito durante a gestão do PT e isso é inegável (os números não mentem. Porém eu, aos meus 25 anos, mesmo tendo cursado uma faculdade bem conceituada e tendo uma formação acadêmica sólida, percebo claramente a origem da expressão "político é tudo igual". Desde que me entendo por gente, vi políticos dos mais diversos partidos tomando posse de prefeituras, governos estaduais, senado e o resultado "perceptível" ao eleitor é o mesmo : Escândalos de corrupção estampando capas de jornal todos os dias, escolas sem verba, hospitais em condições patéticas, criminalidade e insegurança. Um exemplo notório do descompromisso dos nossos políticos com suas supostas posições ideológicas se deu na campanha de Eduardo Paes a prefeitura do Rio de Janeiro no ano passado. http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,lula-grava-para-paes-que-o-havia-chamado-de-chefe-da-quadrilha,258026,0.htm O que devemos pensar ao ver Lula, que tem toda uma história dentro da causa operária apoiando e pedindo votos a um ex-tucano, envolvido diretamente na tentativa de compromete-lo no caso do mensalão, inclusive o acusando publicamente de "chefe de quadrilha". Fique também anotado que nesta mesma campanha, o PMDB foi apoiado pelo PC do B !!! O Partido COMUNISTA do Brasil apoiou o governo que ficou marcado pela relação prostituída que mantém com os grandes empresários da cidade, realizando obras ridiculamente superfaturadas e oprimindo severamente os movimentos de base (não se esqueça do caso dos bombeiros !). Aliás após ler este artigo, decidi ler o manifesto de ambos os partidos PT e PSDB, considerados as grandes representações da esquerda e direita no Brasil. Ambos manifestos são documentos de 2 páginas, uma breve leitura que garanto e convido a quem quiser ler, deixaria confuso qualquer pessoa que não conhece nada sobre o Brasil e estivesse lendo os manifestos para identificar quem é o partido de direita e quem é o de esquerda. Ora, então me desculpe caro autor por na minha humilde ignorância ao entender por tudo que escrevi, que os valores partidários manifestos não são levados em consideração na hora de se fazer alianças ou na tomada de decisões políticas.

  4. Rodrigo Postado em 27/Feb/2013 às 09:07

    O cuidado a ser tomado é no sentido de não ser agredido quem enxerga o caráter humano, mas não apenas um rótulo. Quem enxergou o fracasso não da idéia comunista, mas de seus executores, espectador esse que já enxergava que os executores do capitalismo também não apresentaram resposta última para o verdadeiro exercício coletivo da dignidade da pessoa humana em sua plenitude. Hoje vemos uma proliferação de rótulos, sendo certo que nenhum deles, de per si, revela-se um atestado de boa-fé, de idoneidade. Vimos que os mesmos vícios e virtudes são comuns a tucanos, petistas, pmdistas etc. Dessa forma, tentar impor o discurso de um ditador a quem apenas enxerga a falibilidade humana, independentemente da bandeira partidária ostentada, pode revelar forma de agressão, tentativa de desqualificação do interlocutor, o que não merece prosperar.

  5. Dilo Postado em 04/Mar/2013 às 17:24

    Vou citar um exemplo: " sou de esquerda, mas um carinha la de esquerda desviou é um mensaleiro etc..." Como acreditar na esquerda ou direita se fosse o caso ? Eu sou mais de um lado do que o outro isso eu sei, mas nao posso dizer que sou 100% porque tem gente desse lado que fez e faz muita merda ainda!

  6. Klaus Postado em 14/Apr/2013 às 16:11

    Nem esquerda, nem direita, sou libertário.

  7. Matheus Postado em 10/May/2013 às 14:47

    Nem esquerda, nem direita, sou libertário.²

  8. Kleiton Postado em 26/Aug/2013 às 20:03

    O autor do texto trata do tema sob sua atmosfera objetiva, dentro de uma dicotomia que não podemos superar apenas com nossos desejos. A meu ver, porém, ainda que reconheça alguma legitimidade da recusa dos lados sob esse mesmo estado objetivo, faltou reconhecer o espaço legítimo e específico dessa recusa ao indivíduo: sua subjetividade. Como disse Adorno, toda teoria ou filosofia que aspire ao todo é idealista e opressora por sua própria natureza. Assim são as ideologias e as religiões. Se o autor recusa uma relativização que, no limite, abre espaço e dá munição ao inimigo, termina por promover nas consciências um absolutismo que, como tal, nega ao sujeito sua liberdade de pensamento e concepção. Foi como fez Lucácks ao, a partir das relações de determinados pontos do pensamento de Nietzsche e outros filósofos com ideologias de extrema direita, responsabilizá-los por tudo o que aconteceu na Alemanha do Terceiro Reich, por exemplo, quando esses pensadores sequer haviam nascido. Reconhecer a sinceridade e boas intenções dos que recusam a dicotomia "esquerda-direita" não basta, é preciso reconhecer sua legitimidade e seu direito. A restrição ao pensamento e ao direito de opinião baseados em argumentos sobre o uso que se pode fazer dos mesmos levou parcelas inteiras da humanidade a viverem sob o tacão dos totalitarismos justificados e à censura das artes em geral, produzindo em seu lugar verdadeiros pastiches auto-lisongeiros para a esquerda e para a direita. Que se chegue julgue os lados dos homens a partir, primeiramente, de suas razões, seus motivos e intenções, tanto quanto nos seja possível enxergar e acreditar nisso. Afinal, todo mal acontece em nome do bem, e se fossemos julgar as esquerdas do século XX exclusivamente por seus atos, certamente mandaríamos muitos para os tribunais que julgam crimes contra a humanidade. Possamos entender que os crimes dos homens anulam sua inocência em nome de suas intenções, razões e motivos, mas possamos mais ainda entender que não poderemos nunca igualar o crime e a liberdade de pensamento, concepção, e de nossa subjetividade, a singularidade humana, sob pena de reviver as dores do mundo.