Luis Soares
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Religião 26/Feb/2013 às 08:57
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Ateus ascendem no Brasil com ajuda das redes sociais

Ateus ainda são minoria no Brasil (dados do IBGE) , mas ganham força com a ajuda das redes sociais

Para fazer frente ao que chamam de influência de grupos religiosos na política, organizações de ateus brasileiros aumentam cada vez mais seu alcance usando a mobilização pelas redes sociais e eventos temáticos em todo o país. Os ateus ainda são uma minoria de cerca de 615 mil pessoas no Brasil, segundo dados do Censo de 2010. Na categoria “sem religião”, que também inclui agnósticos, o número ultrapassa os 15 milhões, segundo o IBGE.

Nos últimos anos, novas associações têm sido criadas para reunir os não crentes em torno de questões como o combate ao preconceito e a defesa da laicidade do Estado brasileiro.

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Ateus ainda são minoria no Brasil (dados do IBGE) , mas ganham força com a ajuda das redes sociais

No mês de fevereiro, o 2º Encontro Nacional de Ateus, organizado por parceria entre as principais associações do país, reuniu ateus e agnósticos simultaneamente em 28 cidades de 25 Estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal, com transmissões ao vivo de palestras e discussões. Em São Paulo, a edição de 2013 teve 750 pessoas, mais que o dobro do ano anterior.

Na capital paulista, o encontro teve palestras sobre assuntos como o ateísmo na filosofia francesa e sobre o Estado laico, este com o procurador regional dos direitos do cidadão de São Paulo, Jefferson Dias. Entre os palestrantes também estava um comediante que ganhou popularidade na internet satirizando pastores evangélicos.

Na página do evento no Facebook, cerca de 1.700 pessoas confirmavam a presença, mas o número menor de participantes reais não decepcionou os organizadores. “Quando a gente organiza eventos no Facebook, sabe que vem entre 40 e 60% (das pessoas).

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A gente ainda está anestesiado porque não pensava que poderia realizar isso e ter sucesso”, disse Washington Alan, diretor jurídico da Sociedade Racionalista, organizadora do encontro, à agência britânica de notícias BBC.

Ateísmo digital

O presidente da Sociedade Racionalista, Diego Lakatos, diz que o encontro começou como uma tentativa de confraternização entre ateus de todo o país. “Num primeiro momento, não estávamos tão interessados em promover discussões mais profundas. Foi uma coisa bem mais informal, no Parque Ibirapuera.”

– Mas ao longo desse ano, alguns temas surgiram com mais força e se tornaram mais relevantes, como a defesa do Estado laico. Vemos a bancada evangélica tentando barrar discussões importantes na nossa sociedade de um ponto de vista religioso e achamos que isso é perigoso – afirma.

O primeiro encontro deu um impulso no número de adesões à Sociedade Racionalista pelo site, de acordo com Lakatos. Agora, cerca de 60 pessoas se filiam a cada mês. Este mesmo número também era o máximo arrebanhado pela Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), a maior do país, até sua entrada no Facebook, em 2010.

De acordo com o engenheiro Daniel Sottomaior, fundador da Atea, a criação de uma página no site mais do que dobrou o número de adesões que já chega a 200 novos membros por mês. A Atea já tem cerca de 7.800 membros filiados e 230 mil fãs no Facebook, cerca de um terço do que corresponderia ao número de ateus calculado pelo IBGE.

“Ganhamos um impulso nas associações com a chegada do Face. Eu sempre fui contra porque a nossa associação é de ativismo no mundo real. Na minha longa experiência de ativismo online percebi que especialmente entre ateus as discussões tendem a gerar mais calor do que luz”, diz Sottomaior.

Sottomaior diz que o objetivo da Atea é criar indignação em relação à discriminação de ateus e “fazer com que o Brasil, 120 anos depois da proclamação da República, se torne (de fato em) um Estado laico”.

Congregar os ateus em uma organização atuante, no entanto, não é fácil. De acordo com ele, o maior desafio é a “indiferença dos ateus”. “Grande parte dos ateus tem uma independência intelectual tão forte que acaba sendo contraproducente a eles mesmos. Eu entendo que lutar contra o preconceito e a favor da laicidade deveriam ser causas caras não só aos ateus, mas a toda a sociedade”, diz.

Alianças

O proselitismo, segundo Sottomaior, também tem que ficar de fora para conseguir mais mobilização dos associados. “Se nós nos voltássemos para isso teríamos um público menor, porque muitos ateus são visceralmente contra o proselitismo.”
– Eu não entendo. Acho que todo grupo organizado tem não só o direito, mas é até esperado que ele pratique o proselitismo. O Greenpeace faz isso, os partidos políticos também – defende.

A ênfase nas leis e na discriminação, no entanto, não é o suficiente para que religiosos apoiem a causa, segundo Sottomaior. “Algumas pessoas religiosas entram em contato com a associação, mas é um número pequeno, muito menor do que as pessoas que mandam e-mails de ódio.”

– Desde o começo venho tentando contactar minorias religiosas. Os maiores interessados nisso são os grupos religiosos afro-brasileiros, que também são afetados como nós pela discriminação e pela violação da laicidade. Que também é o caso dos homossexuais. Um dos grandes parceiros nossos sempre foi a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) – diz.

Ao contrário da Atea, a Liga Humanista Secular do Brasil (LiHS), criada em 2010, tem cerca de 3% de religiosos entre seus membros, e pouco mais de 500 filiados que não se declaram ateus. “Temos até mesmo um pastor de uma igreja evangélica inclusiva (a homossexuais) no Rio de Janeiro, que é colaborador”, diz Åsa Dahlström Heuser, de 56 anos, atual presidente da associação.

A adesão de religiosos, segundo Heuser, tem a ver com o fato de que ateísmo é “secundário” na Liga. “Entendemos como benéfica a associação com pessoas religiosas de mente mais aberta. E existem muitas, na verdade. Combatemos as arbitrariedades cometidas por instituições religiosas”, diz ela.

Heuser cita “restrições a homossexuais ou mulheres” impostas por algumas religiões como justificativa para a parceria entre a Liga e o movimento LGBT. “As organizações LGBT são as que têm mais força atualmente para se opor a essa bancada teocrática no Congresso”, explica.

A LiHS tem cerca de 2.800 membros e mais de 17 mil fãs no Facebook, e é, segundo o seu site, voltada para “céticos, agnósticos, ateus, livres pensadores e secularistas”. O fundador da organização, Eli Vieira, é o geneticista que ganhou fama na internet ao responder, com um vídeo no YouTube, à argumentação do pastor evangélico Silas Malafaia contra a homossexualidade.

O aumento da adesão, segundo ela, aconteceu a partir de setembro de 2012, depois da realização do primeiro Congresso Humanista. “A internet ajudou muito, mas os encontros reforçam a ideia de ações sociais. Para que não tenhamos um dia um governo que nos obrigue a fingir que temos uma religião, se a bancada teocrática conseguir impor suas ideias. É isso o que queremos evitar.”

Fonte: BBC

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Comentários

  1. Bertone Postado em 26/Feb/2013 às 17:25

    Algumas iniciativas são importantes, principalmente as que se voltam contra inserções ilegítimas de princípios religiosos nas legislações. Na minha cidade, por exemplo, foi aprovado um projeto de lei na câmara que torna obrigatória a leitura da Bíblia nas escolas municipais antes de cada aula. Esse tipo de ação precisa ser inibida ou muitos religiosos começarão a fazer "caça às bruxas" contra quem não concorda com suas ideias. http://bertonesousa.wordpress.com/

  2. Isaac Postado em 26/Feb/2013 às 22:15

    Qual o posicionamento do pragmatismo a respeito de ateísmo e laicidade, buscam um Estado ateu ou laico? O que seria o ideal do ponto democrático?

  3. Braiam Postado em 14/Mar/2013 às 08:37

    Isaac, e qualquer outro religioso que está lendo esse comentário, o que os nós queremos, é um estado laico, ou seja, um estado neutro em relação as questões religiosas, o problema é que os religiosos gostam de fazer com que o país ande de acordo com um amigo invisível e um livro fictício, as pessoas são livres para acreditar no que desejar, é um direito seu como ser humano,(um macaco evoluído), mas você não tem direito de obrigar as pessoas a seguir as regras do seu mundo imaginário.

    • Paulo Luiz MendonçA. Postado em 23/Feb/2014 às 08:10

      Imposição religiosa. Impor religião a uma criança é violar seu cérebro ainda em formação. Tirando da mesma o livre arbítrio e o direito de escolher qual caminho seguir, pois ela é explicitamente rotulada com a religião seguida pelos seus pais. A rotulação religiosa leva as pessoas quase que obrigadas a seguirem os passos religiosos dos seus genitores. Quem nasce nos países muçulmanos são dirigidos para o Islamismo, onde futuramente podem se transformar em homens bombas destruindo vidas em nome de um Deus. Quem segue o Hinduísmo, acaba no futuro por fanatismo religioso se banhando no altamente poluído rio Ganges, por acreditarem que o mesmo é sagrado. Quem segue o Cristianismo, também por sua vez, seguidos pela crença colaboram para o enriquecimento de falsos profetas dando a eles a oportunidade de montarem grandes impérios de poder e dinheiro. Enfim por todo o planeta, pessoas se mutilam, flagelam, e se fanatizam em nome de um Deus, o qual foi colocado em sua cabeça na infância, violando seu cérebro ainda em formação. Paulo Luiz Mendonça.

  4. Ewertontk Postado em 20/Mar/2013 às 09:49

    Braiam, aí já está falando besteira. Você pode ser ateu, homossexual, o que você anda fazendo com o vosso corpo não interessa a ninguém, mas aí você está ofendendo os religiosos por você acreditar que a Bíblia é um livro de faz de conta. Você tem todos os direitos de lutar pelo o que acredita, mas você se achar superior a quem se opõe a sua pseudo-filosofia já é muita prepotência.

  5. Murilo Postado em 23/Mar/2013 às 23:40

    Se ser sincero e afirmar que quem não tem senso crítico suficiente para ignorar um livro de opressão, machismo, sangue e ódio como a bíblia, é ser uma pessoa de mente fraca, pois então, eu sou "prepotente". Acho que são inferiores intelectualmente sim, ainda mais, pelo fato da esmagadora maioria dos teístas brasileiros estarem interessados em impor dogmas à todos, como se a cultura do povo fosse um critério para que todos os seres de uma democracia tivessem obrigação de seguir. Para mim, quem vive de dogma religioso e tenta impor isso aos outros, é idiota.

  6. Isis Postado em 25/Mar/2013 às 12:07

    Realmente BRAIAM você só pode ser um macaco evoluido!! Só o cerebro que não evoluiu. rsrs é preciso ter mais fá pra ser um ateu, do que para ser um cristão... ;) Jesus os ama - enquanto houver vida, há esperança pra vocês!

  7. Emmanuel Postado em 26/Mar/2013 às 13:23

    Braiam, você foi infeliz e sensacionalista no seu comentário, acabou generalizando ao declarar que "os religiosos gostam de fazer que o país[...]" (todos?) e inclusive demonstrou que deseja, de fato, um estado ateu, e não laico, quando mencionou o "amigo invisível". É isso que quem tem bom senso quer evitar, que o Brasil seja ligado a religiões ou a "não-religiões". Você evidentemente defende um estado ateu, e isso é tão errado quanto o "mundo imaginário" (religioso) que você próprio critica.

  8. filho da razão e ciência Postado em 12/Apr/2013 às 12:46

    O número de membros da ATEA, hoje, é de 8536 e contando... Quando entrei era de 2 mil e poucos... É um crescimento lento mas consistente. Não é "modinha"...

  9. Marcio Postado em 21/Apr/2013 às 00:39

    -Fico pensando o que “DEUS”, falaria para essas pessoas que se dizem aTEUS: “EU (DEUS), NÃO ACREDITO EM VOCÊS” !!

  10. carlos-rodrigues Postado em 27/Apr/2013 às 19:42

    Se'deus'dissesse-que-nao-acredita-nos-ateus'ele'estaria-afirmando-que-nao-acreditaria-na-sua-criaçao-e-portanto-nao-acreditaria-nele-mesmo-um-deus-ateu.Oh-louco-meu.rarara.