Luis Soares
Colunista
Compartilhar
Racismo não 23/Jan/2013 às 17:30
27
Comentários

"Ordem é abordar indivíduos negros e pardos"

PM dá ordem para abordar ‘negros e pardos’ e diz que não houve racismo. A reportagem, então, pediu um ofício semelhante em que o alvo das abordagens fosse um grupo de jovens brancos, mas não obteve resposta

Desde o dia 21 de dezembro do ano passado, policiais militares do bairro Taquaral, um dos mais nobres de Campinas, cumprem a ordem de abordar “indivíduos em atitude suspeita, em especial os de cor parda e negra”. A orientação foi dada pelo oficial que chefia a companhia responsável pela região, mas o Comando da PM nega teor racista na determinação.

O documento assinado pelo capitão Ubiratan de Carvalho Góes Beneducci orienta a tropa a agir com rigor, caso se depare com jovens de 18 a 25 anos, que estejam em grupos de três a cinco pessoas e tenham a pele escura. Essas seriam as características de um suposto grupo que comete assaltos a residências no bairro.

A ordem do oficial foi motivada por uma carta de dois moradores. Um deles foi vítima de um roubo e descreveu os criminosos dessa maneira. Nenhum deles, entretanto, foi identificado pela Polícia Militar para que as abordagens fossem direcionadas nesse sentido.

Para o frei Galvão, da Educafro, a ordem de serviço dá a entender que, caso os policiais cruzem com um grupo de brancos, não há perigo. Na manhã de hoje, ele pretende enviar um pedido de explicações ao governador Geraldo Alckmin e ao secretário da Segurança Pública, Fernando Grella.

racismo PM negro pardo

PM dá ordem para abordar ‘negros e pardos’. (Foto: Ofício Policial)

O DIÁRIO solicitou entrevista com o capitão Beneducci, sem sucesso.

Leia também

A reportagem também pediu outro ofício semelhante, em que o alvo das abordagens fosse um grupo de jovens brancos, mas não obteve resposta até o fim desta edição.

Confira a íntegra da nota de esclarecimento enviada pelo Comando da Polícia Militar:

A Polícia Militar lamenta que um grupo historicamente discriminado pela sociedade, que são os negros, seja usado para fazer sensacionalismo.

O caso concreto trata de ordem escrita de uma autoridade policial militar, atendendo aos pedidos da comunidade local, no sentido de reforçar o policiamento com vistas a um grupo de criminosos, com características específicas, que por acaso era formado por negros e pardos. A ordem é clara quanto à referência a esse grupo: “focando abordagens a transeuntes e em veículos em atitude suspeita, especialmente indivíduos de cor parda e negra com idade aparentemente de 18 a 25 anos, os quais sempre estão em grupo de 3 a 5 indivíduos na prática de roubo a residência naquela localidade”.

A ordem descreve ainda os locais (quatro ruas) e horário em que os crimes ocorrem. Logo, não há o que se falar em discriminação ou em atitude racista, tendo o capitão responsável emitido a ordem com base em indicadores concretos e reais. Discriminação e racismo é o fato de explorar essa situação de maneira irresponsável e fora de contextualização.

Thaís Nunes, DiárioSP

Recomendados para você

Comentários

  1. Virginia Postado em 23/Jan/2013 às 17:50

    Depois de ler a reportagem e a resposta da polícia militar, vou ter que dar razão à polícia. Sensacionalismo barato. Poxa, o pragmatismo político já foi bem melhor e com denúncias muito menos superficiais.

    • Moderação Postado em 26/Jan/2013 às 16:24

      Olá Virginia, Consideramos a denúncia relevante e longe de ser superficial. Os abusos de instituições como a PM contra as camadas mais desestimadas da população é uma realidade inquestionável. Sensacionalismo seria não divulgar a nota da polícia.

  2. MARIA VALENTINA SENA E SILVA Postado em 23/Jan/2013 às 18:03

    com isso se forma juizo de valores - quando ao PM é chamada em juízo como testemunha - que não é, pois trata-se de mero informante, emite esses juízos de valores, semelhantes ... Mas isso sempre se fez na polícia, pois tive a oportunidade de ver documentário escrito sobre perfil de um criminoso, no qual, de boletins de ocorrência, se tabulava o perfil do criminoso (falava especialmente de negros, e era realmente o perfil). (...)

  3. MARIA VALENTINA SENA E SILVA Postado em 23/Jan/2013 às 18:03

    com isso se forma juizo de valores - quando ao PM é chamada em juízo como testemunha - que não é, pois trata-se de mero informante, emite esses juízos de valores, semelhantes ... Mas isso sempre se fez na polícia, pois tive a oportunidade de ver documentário escrito sobre perfil de um criminoso, no qual, de boletins de ocorrência, se tabulava o perfil do criminoso (falava especialmente de negros, e era realmente o perfil). (...)

  4. Junior Postado em 23/Jan/2013 às 20:07

    Bobagem... a situação já está equilibrada com as quotas para negros nas universidades... a sociedade já pagando...

    • Antonio Carlos Postado em 08/May/2015 às 15:05

      Racista.

  5. Henrique Postado em 23/Jan/2013 às 22:15

    Será que sairia a ordem de serviço para abordar ' brancos'?

  6. Isaac Postado em 24/Jan/2013 às 00:10

    É, com certeza eu nesse bairro receberia um bom e velho baculejo da gloriosa Polícia Militar.

  7. Iolanda Postado em 24/Jan/2013 às 07:48

    Nem sei o que dizer! É uma barbárie, não tem cabimento! Revoltante!

  8. Léo Postado em 24/Jan/2013 às 12:11

    "A ordem do oficial foi motivada por uma carta de dois moradores. Um deles foi vítima de um roubo e descreveu os criminosos dessa maneira. " Qual a polêmica então? Tem gente querendo fazer sensacionalismo com tudo!

  9. Raoni Postado em 24/Jan/2013 às 12:21

    Todos nós sabemos que a polícia é racista. Que ela aborda, agride, prende e mata muito mais pessoas negras do que brancas. Há dados mais que suficientes, inclusive da própria polícia, para sustentar isso. E há a experiência cotidiana do cidadão também, seja ele branco ou negro. Porém, a ordem dada pelo comandante, por si só, não demonstra o racismo policial. Se a polícia ou qualquer outra instituição está procurando um grupo de pessoas e elas são negras, é evidentemente que não faz sentido ordenar que se procure por pessoas brancas, indígenas ou asiáticas. Claro que ficamos com sérias dúvidas se, caso os suspeitos fossem loiros, a ordem seria para abordar preferencialmente pessoas loiras. Mas não passam de suspeitas. No máximo, indícios. Para concluirmos que houve de fato racismo, seria necessário demonstrar que não há ordem de abordar pessoas brancas quando as testemunhas apontam suspeitos brancos ou, do contrário, que há ordens para abordar pessoas negras mesmo quando não há testemunhas que apontem suspeitos negros. Concluir por racismo sem o contexto para tal só é possível tirando conclusões a priori, sem evidências. Isso se chama preconceito. E, pensou eu, não se combate o preconceito com mais preconceito.

  10. Raoni Postado em 24/Jan/2013 às 14:23

    http://racismoambiental.net.br/2013/01/protestos-contra-ordem-racista-fazem-secretaria-prometer-explicacoes/#.UQEhreuumZ8.facebook Agora sim. Se forem atrás, vão achar o racismo de fato. Se nesse mato tem cachorro, primeiro tem que fazer ele aparecer, pra aí então poder pegá-lo.

  11. Comunicação Social da PMESP Postado em 24/Jan/2013 às 15:04

    A Polícia Militar do Estado de São Paulo lamenta todo o reflexo gerado pela redação infeliz de um documento administrativo elaborado pelo comandante da 2º Companhia do 8º Batalhão de Polícia Militar do Interior, que proporcionou interpretações de natureza racista. O oficial equivocou-se ao replicar na ordem se serviço o mesmo teor da solicitação de abordagem de pessoas em atitudes suspeitas, feita por moradores de bairros próximos ao aeroporto de Viracopos, na cidade de Campinas. A ordem de serviço foi revogada imediatamente pelo comandante do 8º Batalhão de Polícia Militar do Interior. Os fatos estão sendo apurados administrativamente. A Polícia Militar do Estado de São Paulo ressalta que um dos principais valores da instituição é a defesa integral dos direitos fundamentais do homem, sem qualquer discriminação de raça, cor, opção religiosa ou orientação sexual.

  12. Rogerio Nascimento Postado em 25/Jan/2013 às 12:12

    Com todo respeito mas eu discordo de voces. Reparem que o documento administrativo observado refere-se a um local especifico, dando inclusive nomes de ruas e do Colegio. Certamente o mesmo foi elaborado com base em estatisticas dos crimes praticados naquele local. Nao podemos criar fantasmas ou fantasias com base em um documento cujo conteudo nem foi totalmente publicado, vez que o zoom foi dado somente na parte que interessava aos polemizadores.

  13. maria veiga Postado em 25/Jan/2013 às 21:10

    Concordo com a opinião de Rogerio Nascimento, foi ,e eu prefiro acreditar nisto, um caso especifico, não se pode conceber tais idéias e desmandos direcionados notoriamente,não. Prefiro ainda acreditar que meuPaís cresceu,desenvolveu a mentalidade das pessoas com tantas fomentações á Educação ,á inserção Social á todos, que espero e acredito que foi um fato isolado

  14. Fidel Postado em 26/Jan/2013 às 02:45

    Camarada, ou você não leu nem a reportagem e nem o próprio documento, ou então tem dificuldade de compreender mesmo. A ordem não foi baseada em estatística de crimes, foi baseada no relato de supostas testemunhas. Mas o que transforma pessoas comuns em suspeitos não é a estatística e nem os relatos de testemunhas, é o pré-conceito. Ainda que ficasse demonstrado que a maior parte dos crimes é cometido por negros, isso não torna justo sair por aí abordando e revistando pessoas negras, apenas pelo fato de serem negras. Suponha que os suspeitos fossem orientais. Pare e pense: você acharia justo que todo oriental que os policiais encontrassem fosse revistado? Caso os policiais cumprissem a ordem, é isso o que aconteceria com os negros naquela área.

  15. Elivander Postado em 28/Jan/2013 às 21:54

    Geralmente quando se traça o perfil de um criminoso, esse deve vir acompanhado de diversas outras características, mas o que ocorreu nesse caso, a ÚNICA característica levanta foi "indivíduos de cor parda e negra". Quem consegue não exergar o preconceito nesse caso?... onde estão as outras características para a correta identificação do suposto criminoso?, tipo de cabelo, tipos de roupas, altura, perfil corporal, dentre vários outros que determinam com exatidão o perfil do suposto criminoso. Então não venha me dizer que a referida orientação foi direcionada a grupo com "característica específica". Sabemos que foi sim para grupo específico, não de criminosos, mas sim de negros.

  16. josé afonso Postado em 31/Jan/2013 às 08:58

    comentar o quê? é puro racismo. IDIOTAS AQUELES QUE NÃO SE OLHAM POR DENTRO (alma)

  17. paulo roberto machado Postado em 31/Jan/2013 às 14:20

    Infelizmente ainda vai demorar muito pra mudar este conceito que se formou onde o bonito é ser branco de olhos claros ou ter características que lembrem uma cultura eurocêntrica.São séculos de menosprezo e desrespeito a tudo aquilo que se mostra diferente dos padrões socialmene determinados pelas classes dominantes.E é muito triste ver que ainda muita gente não entende que políticas públicas positivas se fazem necessárias para amenizar estes problemas, é necessário sim que exista uma discriminação positiva para tentar corrigir algumas coisas.

  18. Daniel Salgado Postado em 08/Feb/2013 às 22:57

    Terei de dar razão a polícia. Foi uma descrição dada numa queixa. Se na descrição houvessem brancos, seriam brancos, barbados, seriam barbados. Não é uma questão de uma camada desfavorecida (Que se resume a gente sem estudo e sem condições, não necessariamente negros e pardos), racismo e nada disso, é um boletim de ocorrência e uma ordem de busca. Ponto. Seria muito mais difícil encontrar os suspeitos sem a descrição completa. Não foi racismo. Esta para chegar o dia em que os "preconceituados" deixarão de caçar preconceito em tudo para fazer sensacionalismo.

  19. Daniel Salgado Postado em 08/Feb/2013 às 23:02

    Infelizmente, não sei quantos já tiveram a "oportunidade" de serem assaltados, especialmente a noite e por bandos. O mais difícil é se lembrar das características físicas, roupas entre outros. E a burocracia da polícia não ajuda, da ultima vez em que fui assaltado me faltou pedirem o RG do meliante. Então a falta de características físicas é comum nesse tipo de caso, ainda mais a falta de roupas, já que a busca é por um bando de assaltos frequentes, a não ser que todos queiram vestir a mesma roupa todos os dias.

  20. Felippe Capistrano Postado em 26/Feb/2013 às 11:23

    O argumento que defende a polícia dizendo que a ordem apenas segue orientações dadas por testemunhas é falso: se fosse o caso, a investigação se restringiria APENAS a pessoas com estas características, já que os suspeitos seriam sabidamente desta cor de pele, como supostamente dito pelas testemunhas. Mas, pelo contrário, a ordem é genérica: "focando em abordagens a transeuntes e em veículos de atitude suspeita, ESPECIALMENTE indivíduos de cor parda e negra". A palavra "especialmente" deixa aberta a possibilidade de haver suspeitos de outra cor de pele, o que refuta a tese de que a orientação se deveu a informações de testemunhas. O "especialmente", pelo contrário, indica sim uma tendência pré-concebida de acreditar que há maior chance de encontrar criminosos nestes grupos de cor, o que atesta claramente o teor racista desta ordem.

  21. locomotive.breath Postado em 26/Mar/2013 às 10:04

    Que se pronuncie pelo menos um "PRETO" ou "PARDO" que tenha lido o artigo e esteja de acordo com as ordens da polícia, nesse caso específico. Pois é. Aparentemente é fácil para os "Brancos" - segundo a nomenclatura pelo IBGE, não minha - defender a visão conservadora e "não racista" da sociedade. Mas o que acontece na realidade é que, seja a matéria sensacionalista ou não, o preconceito racial é fato de extrema relevância em nosso país, e é basicamente isso que o autor desta mesma matéria tenta ressaltar. Essas falácias elementares que envolvem idéias mal desenvolvidas de uma maioria racial, e citam expressões "batidas" como "grupo historicamente discriminado", não servem como embasamento para absolutamente nada. Os fatos concretos, como o racismo dissimulado em nossa sociedade atual, sim.

  22. Mauro Postado em 21/Apr/2013 às 03:17

    Vcs tao vendo chifre em cabeca de cavalo. Existe muito racismo no mundo? Existe! Do negro, em relacao ao branco? Existe. Mas nesse caso especifico, se a populacao da as caracteristicas dos criminosos aos policiais, o q ha de errado em eles citarem essas caracteristcas na ordem? Se a populacao descrevesse os criminosos como sendo anoes, orientais ou loiros dos olhos azuis, e isso fosse citado, haveria racismo? Acho que nao.

  23. BAIANO Postado em 05/May/2013 às 12:02

    Cambada de Filhos da Putas racista !!! tenho vergonha dessa policia

  24. eu daqui Postado em 20/Jan/2014 às 16:07

    Por "especialmente" eu entendo "principalmente" e não "somente".

  25. Samuel Alencar Postado em 09/Jul/2014 às 10:27

    E os brancos?...