Luis Soares
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Palestina 15/Jan/2013 às 14:57
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Israel assassinou Yasser Arafat, admite presidente

Yasser Arafat foi assassinado pelos sionistas de Israel. Shimon Peres, presidente de Israel, assumiu publicamente que o governo israelense é responsável pela morte do líder palestino

A notícia de que os sionistas são os responsáveis pela morte de Arafat foi dada por ninguém menos do que Shimon Peres, presidente de Israel. Na sexta feira, 11 de janeiro, dia em que a resistência palestina entrou numa nova fase de luta contra a ocupação – a das ações diretas não violentas para tentar retomar suas terras, roubadas pelas autoridades israelenses –, Peres veio a público revelar que sim, os sionistas assassinaram o líder palestino Yasser Arafat.

yasser arafat assassinado israel

Presidente de Israel confessa que Yasser Arafat foi assassinado. (Foto: AFP)

Mais surpreendente do que a confissão foi o silêncio dos governos do mundo em relação a ela. Não houve nenhuma condenação formal, nenhuma indignação expressa em discursos diplomáticos, nada. Nem mesmo os grandes partidos palestinos se pronunciaram oficialmente, ao menos até agora. A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), chefiada durantes seus anos mais difíceis por Arafat, teve um fim de semana muito atarefado para emitir algum comunicado sobre o assunto: tentava convencer a União Europeia a trabalhar pelo fim imediato da ocupação militar israelense, depois que palestinos foram arrancados pela polícia sionista da vila de Bab Al-Shams, em seu próprio país.

Tem-se a impressão de que o assassinato da maior autoridade de uma nação pelo governo de um país estrangeiro é fato comum, sem nenhuma importância. Ou talvez os governantes do mundo não se tenham surpreendido com a confissão de Peres porque já sabiam do fato.

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Mas exatamente por isso as condenações deveriam ser efetivas, como as sanções econômicas que o Conselho de Segurança da ONU gosta de impor a países escolhidos a dedo por sua independência em relação às políticas econômicas dominantes, gestadas em grandes centros financeiros mundiais, e à agenda das guerras: às drogas, ao narcotráfico, ao terrorismo, guerra sem fim. Todas destinadas a alimentar o caixa do complexo industrial militar do eixo Estados Unidos-Europa-Israel.

A confissão de Simon Peres não teve nem mesmo algum sinal de arrependimento pela trama sórdida que levou à morte de um ser humano. O presidente limitou-se a dizer que a decisão foi um erro estratégico por dois motivos: porque com Arafat era possível conversar e porque sua eliminação levou a uma situação “mais difícil e complexa”.

As declarações do presidente de Israel não teriam sido feitas, porém, se a rede de mídias Al-Jazeera, financiada pelo Qatar, não tivesse enviado para exame alguns pertences pessoais de Arafat. Realizado pelo Instituto de Radiofísica de Lausane, na Suíça, o exame revelou “uma elevada, inexplicável e insuportável quantidade de polônio 210 nos fluidos biológicos encontrados nos objetos pessoais do sr. Arafat”, como explicou François Bochud, diretor do instituto à Al-Jazeera. O polônio 210 é um elemento radioativo potente, capaz de matar em pouco tempo, e provoca os mesmos sintomas que Arafat começou a sentir em 25 de outubro de 2004. Em 11 de novembro, ele estava morto.

O programa que a Al-Jazeera levou ao ar em 3 de julho de 2012 rompeu o pacto de silêncio que havia em torno da morte do líder palestino. Por insistência de Suha, viúva de Arafat, seu corpo foi exumado por especialistas suíços e franceses em novembro do ano passado e amostras seguiram para análise. Os resultados confirmaram o envenenamento.

Esse fato, e as provas documentais de que Ariel Sharon, primeiro-ministro israelense à época da morte de Arafat, havia mandado assassiná-lo, trouxeram à tona aquilo que todo palestino já sabia e vem falando abertamente em conversas nas ruas, nas lojas, nos ônibus da Palestina. Faltavam apenas as provas, conseguidas agora, nove anos depois do crime.

Baby Siqueira Abrão, Brasil de Fato

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Comentários

  1. Jean Postado em 15/Jan/2013 às 18:20

    E agora, o que será feito? Tem prova do que todos já sabiam, tem o pronunciamento do próprio mandante, qual será a alegação para que nenhuma providência seja tomada? Não o trará de volta, mas pode impedir que outros morram.

  2. Daniel Bacellar Postado em 15/Jan/2013 às 20:05

    Envenenamento radioativo... Às vezes penso que é isso que fizeram com Chavez. Sim, é teoria da conspiração, mas alguém já parou para pensar que vários líderes de esquerda da América do Sul tiveram câncer mais ou menos ao mesmo tempo (Lula, Dilma, Chavez, Cristina Kirchner - apesar de o diagnóstico desta ter sido retirado, depois)?

  3. Daniel Bacellar Postado em 15/Jan/2013 às 20:09

    Sobre o assassinato de Arafat, Israel já assumiu há muito tempo que assassinar seus inimigos é perfeitamente aceitável, apenas mais uma técnica da "diplomacia" tipica do país. Se usam mísseis lançados por helicópteros, assassinos infiltrados em países mais ricos ou um elemento radioativo como método, é mais uma questão do nível de discrição que pretendem obter. A morte de Arafat deveria parecer natural, ao melhor estilo das séries de TV americanas, algo como "faça parecer um acidente!".

  4. luiggi Postado em 16/Jan/2013 às 10:31

    Está na hora da humanidade abrir os olhos e enxergar a verdade que debochadamente escancarada diante de nossos olhos: o sionismo é o responsável pelas mazelas do mundo moderno. Desde o sistema financeiro e midiático que controlam, passando por suas gangues infiltradas nos congressos nacionais de quase todos os países, comprando e chantageando representantes eleitos pelo povo, recriando fatos históricos conforme suas conveniências, matando milhares em guerras que esistem para que sua indústria bélica se mantenha ativa, matando outras centenas de milhares pelo uso de substâncias narcóticas, semeando propositalmente o caos e a desordem com sua nova ordem mundial. O que esperam as pessoas? Uma corrente presa ao pé para se dar conta da escravidão que bate à porta? Até quando acreditarão no mito do povo oprimido e perseguido? Convenhamos, o exemplo está aí: o sistema financeiro internacional quebrando países inteiros na Europa, como se fossem parte de um dominó. Até os EUA, considerados inexpugnáveis em sua economia, começam a provar o que se chama de miséria. Quando os dirigentes de esquerda dos países latino-americanos resolvem tirar a corrente do pé são chamados de ditadores, sanguinários, homicidas, ladrões, irresponsáveis, mesmo que os índices sócio-econômicos demonstrem justamente o oposto e a população os aprove com maioria absoluta. E daí vem a mídia, a arma poderosa deste grupo, tão discutida em alguns posts deste blog, fazendo a apologia ao apocalipse político-econômico, como se estivéssemos à beira do abismo. O mesmo se dá lá na Palestina. Arafat foi eliminado porque era um líder reconhecido pela comunidade internacional e o único líder, à época, capaz de conduzir um processo de paz pelo lado Palestino, uma vez que o Hammas, grupo extremista anti-israel é uma criação do próprio governo israelense para que a paz entre os dois povos não seja alcançada. Arafat era um líder e tinha angariado a simpatia e o reconhecimento à legalização da Palestina como um país independente com demarcação terrritorial baseada nas fronteiras de 1967 entre muitas lideranças pelo mundo afora e isto incomodava o sanguinário Sharon e seu grupo de ultra-direita. Em meio a tanta sujeira, não deixa de haver um lado irônico nisso tudo: esperar para ver os grandes mestres e doutores em política e relações internacionais inventarem teses para justificar o assassinato de Arafat e o silêncio dos líderes mundiais. Sim, porque até o conhecimento e quem deveria propagá-lo estão em suas mãos.

  5. fabão Postado em 16/Jan/2013 às 12:04

    Liberdade da Palestina. Abaixo aos tiranos israelitas!

  6. Guilherme M Postado em 16/Jan/2013 às 12:37

    Procurei e procurei a mesma informação em vários sites e achei apenas em jornais de menor repercussão como Brasil de Fato e alguns desconhecidos gringos. Alguem tem outra fonte?

  7. celso Postado em 16/Jan/2013 às 15:24

    É o que sempre digo em minhas manifestações,o poder faz o homem cometer as maiores atrocidades que se tem visto em toda historia.Lá no inicio de nossa historia o que os poderosos faziam pra eliminar os opositores?jogavam nas arenas com feras para serem eliminados perante as plateias que ficavam estasiada com as feras devorando as pessoas por eles condenados.Dai segue:o que fizeram com Jesus Cristo, e por que não dizer com muitos lideres que se propuseram defender os direitos dos mais fracos e foram assassinados, como Chico Mendes,Irma Doroti e muitos que daria uma lista enorme,e que muitos Brasileiro nem si que tomam conhecimento.

  8. charles Postado em 16/Jan/2013 às 19:41

    Fui ver no site da ALJAZEERA : Testemunho publicado em diário israelense afirma que a morte de Abu Jihad 1988 em Tunis foi planejada pela agência de espionagem Mossad. vice de Arafat, nada mencionou de fato sobre o líder, procurei em alguns sites tbm, só o Estadão SP e a Rede Aljazeera deram essa informação. Mais acho que os Israelense tem o complexo dos novos Nazistas. Qqer coisa : http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en%7Cpt&u=http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2012/11/2012111191447383639.html

    • Luis Soares Postado em 16/Jan/2013 às 20:40

      Acho que os amigos antes de questionarem a informação, deveriam se questionar sobre o por que da maioria dos grandes veículos de comunicação do ocidente terem omitido a informação.

  9. Maria Postado em 20/Jan/2013 às 22:47

    Para quem estiver interessado, o link da entrevista do Peres que a reportagem faz referência (em inglês): http://www.nytimes.com/2013/01/13/magazine/shimon-peres-on-obama-iran-and-the-path-to-peace.html?pagewanted=all Ele não afirma em nenhum momento que Israel assassinou Arafat, só que ele (Peres) era "contra o assassinato dele" por razões táticas. Como a fala é dúbia, dá pra tirar de contexto e fazer parecer com uma confissão de assassinato (e não duvido nada que tenha sido assassinato mesmo, as provas estão aí), mas de forma alguma as declarações dele são condizentes com a manchete da reportagem. Em NENHUM momento o Peres afirma que o governo de Israel, muito menos sionistas, é responsável pela morte do Arafat.