Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 08/Jan/2013 às 18:56
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'Nobre' deputado, você sabe o que é um estupro?

estupro irreversível filme
(Cena do filme Irreversível – 2002)

Caso o relato a seguir não seja suficiente para entender o que um estupro provoca na vida de uma mulher, pense se sua mulher ou se sua filha fossem violentadas por um homem qualquer, na rua ou na igreja que vocês frequentam. O seu julgamento de que o estupro é um crime menor que um aborto seria o mesmo?

Por Lis Lemos, em Blogueiras Feministas

Carla sentiu um puxão no braço. Quando se virou levou um murro no nariz. Tentou gritar. Logo sentiu algo bem debaixo das costelas e ouviu: “se você gritar eu te mato agorinha mesmo”. Quando ele a jogou no chão sentiu o mato molhado, um cheiro de cocô de cachorro e um pedaço de tronco bem debaixo das suas costas. Pensou em pegar o toco e bater nele. Levou outro murro e viu, ou sentiu, já não lembrava mais, a arma encostada na sua cabeça. Ouviu de novo aquela voz nojenta, que não conseguia identificar: “se mexer de novo, eu te mato, sua vagabunda”.

Vagabunda, piranha, puta foi só o que ouviu dali em diante. Sentiu aquela mão pesada, grossa, percorrendo seu corpo, quando ele abriu o botão da sua calça com força começou a chorar. “Cala a boca vadia”. Sentiu os dedos arrancando sua calcinha, passando pela sua vagina, teve vontade de vomitar. Ele enfiou o pau dentro dela. Sentia ele respirando, arfando em seu pescoço. Depois que ele a penetrou, já não sentia nada. Cerrou os dentes. Não pensava mais. Sentia nojo. Ele a xingava. Passava a mão por seu corpo, puxou seu cabelo tão forte que arrancou vários fios de uma vez só. Ela gritou e levou mais um murro na boca. Sentiu ele ejacular, sair de cima dela e falar: “não sai agora sua vagabunda”.

Não se lembra quanto tempo ficou lá. Queria morrer, só isso. Morrer. Era a única coisa que esperava da vida agora. Mas não morreu. Teve que se levantar. Chorava, as pernas tremiam, não conseguiu andar. Estava descalça, as calças arriadas, a blusa rasgada, sentia a boca toda dormente, o rosto deveria estar inchado. Andou pela rua, não sabia para onde ir, pensou em atravessar a rua e morrer atropelada. Seria a solução. Mas não deixaram. Um taxista parou, ela tremeu toda, imaginou aquele homem em cima dela de novo; “moça, cê ta bem? Eu levo a senhora pra delegacia”.

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O que mais podia piorar? Aceitar ajuda de um estranho já não lhe causava horror. O homem a levou a uma delegacia. Se sentou num banco frio, num canto. De lá foi levada para o IML para fazer o exame. Na delegacia não lhe informaram que ela poderia ir primeiro a um hospital, tomar os remédios para evitar doenças sexualmente transmissíveis e pílula do dia seguinte para evitar engravidar. Teve que reviver aquela coisa asquerosa toda de novo, contando para a psicóloga da Deam e a delegada. Depois tomou os remédios e foi para casa.

Não queria ir pra casa. Não queria contar para a mãe e o pai o que lhe aconteceu. Queria morrer. Só isso. Mas foi para casa, chorou como uma criança no colo da mãe, ficou envergonhada, achou que tivesse culpa, “não devia estar andando naquela rua uma hora dessas”, tomou banho, vomitou, não quis jantar. Sentia um embrulho enorme por dentro. A irmã estudante de farmácia lhe deu dois calmantes, ela tomou e desmaiou.

*****************

Essa descrição pode ser a história de qualquer uma das milhares de vítimas de estupro desse país. Aí um deputado, que nunca será vítima de um crime desses, que faz parte de um grupo que se diz a favor da vida, resolve criar um projeto de lei que quer incentivar que mulheres estupradas não façam aborto, “pois essa seria outra violência”.

Ora, o que se percebe é que esses grupos não têm o menor entendimento do que é vida. A vida de uma mulher não vale muita coisa para essas pessoas, mas a vida de algo que pode, ou não, um dia vir a se tornar gente, ah isso vale muito. Esse tipo de gente, acha que mulher é cachorro: “ah, tem o filho, depois você dá pra alguém”. Mas também são os primeiros a crucificar uma mulher que entrega o filho para adoção. Essas pessoas não acham que mulher seja ser humano, que tem sonhos, vontades, desejos, responsabilidades, direitos.

Para gente desse tipo, um estupro é um crime pequeno, algo como tirar doce de criança. Aliás, de criança não, porque eles gostam mesmo é de feto. Para eles, toda a violência que uma mulher sofre não é nada, porque para eles mulher é nada. Aborto, mesmo o previsto em lei, é que é uma aberração.

Para o tal deputado que fez essa lei baseada apenas no seu eleitorado, e que se esquece que como representante do povo, ele não representa só a sua igreja na Assembleia Legislativa, fica uma dica: conheça a realidade das mulheres vítimas de violência sexual. Vá a Deam de Goiânia e veja como chegam lá as mulheres que foram estupradas. Caso isso ainda não seja suficiente para entender o que um estupro provoca na vida de uma mulher, pense se sua mulher ou se sua filha fossem violentadas por um homem qualquer, na rua ou na igreja que vocês frequentam. O seu julgamento de que o estupro é um crime menor que um aborto seria o mesmo?

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Comentários

  1. Maria Alice Machado Postado em 08/Jan/2013 às 22:37

    Esse deputado que está levando a tal Lei a voto precisa ser estuprado sim! mas com um cabo de vassoura bem grande espetado no ânus até o esôfago para sentir mais ainda o próprio umbigo. Sim porque ele só enxerga o próprio umbigo que deve ser roxo e enorme.

  2. Rita Kerouac Postado em 08/Jan/2013 às 23:05

    Alguns “Homens” como essa coisa que falou desse absurdo ainda tratam as mulheres como meras reprodutoras. Minha filha teve a melhor amiga estuprada há três anos e desde então vive enfiada em casa assustada, se o telefone toca ainda sai correndo,bater na porta a noite então nem se fala passamos horas para acalma – lá. A amiga uma menina que vivia dentro da minha casa infelizmente cometeu suicídio, e não foi só por ser estuprada e sim por ser tratada pela sociedade inteira como se não fosse nada.

  3. Larissa Postado em 09/Jan/2013 às 11:22

    kkkkkkkk o comentário da Maria Alice foi épico....kkkkkkkkkkk ri muito .... "do ânus ao esôfago" kkkk haja cabo de vassoura

  4. Saraiva Junior Postado em 09/Jan/2013 às 12:44

    Quem é o deputado? ISSO TEM QUER DIVULGADO.

  5. LUIS PAULO Postado em 09/Jan/2013 às 15:05

    PENSO, COMO DIZIA PAULO FREIRE A RESPEITO DOS INDIGNADOS: "GOSTARIA DE VER MARCHAS PELO BRASIL TODO. MARCHA DOS INDIGNADOS, DOS DESRESPEITADOS (CRIVO MEU), DOS DESESPERANÇADOS, DOS SEM CAUSA...ENFIM." É PRECISO, SE FAZ URGENTE QUE NOS INDIGNEMOS A TODOS E TODAS CONTRA ESSES PROCEDIMENTOS DE DEPUTADOS, POLICIAIS, DELEGADOS, DA SOCIEDADE EM GERAL ACERCA DO QUE ACONTECE COM A MULHER, COM OS MAIS FRAGILIZADOS SEJA PELA TRADIÇÃO, PELO MEDO, PELA RELIGIÃO, PELA IDEOLOGIA DOMINANTE. NÃO É MAIS POSSÍVEL (SE É QUE UM DIA FOI) QUE LEGISLADORES E QUEM DEVERIA NOS DAR PROTEÇÃO, SEJAM OS PRIMEIROS AS NOS DESRESPEITAREM. A DEMOCRACIA SE FORTALECE A PARTIR DA PARTICIPAÇÃO DOS CIDADÃOS E DAS CIDADÃS. NECESSÁRIO SE FAZ FORMAR UMA REDE NACIONAL, MUNDIAL, PLANETÁRIA PARA MOSTRAR QUE NÃO EXISTE LUGAR PARA ESSES DOENTES EM NOSSO MEIO; QUE SE ELES QUISEREM PERMANECER CONVIVENDO COM TODAS AS PESSOAS NA SOCIEDADE, TEM DE SE TRATAREM PORQUE SÓ ASSIM CONSEGUIRÃO SEREM MAIS HUMANOS.

  6. Rogério Aparecido Clemente Postado em 09/Jan/2013 às 21:44

    Um feto também tem terminações nervosas e sente dor. O padre Marcelo Rossi, já falou sobre esse tema. Segundo ele, não se conserta um erro com outro erro. Que culpa a criança tem se o pai foi um monstro? O inocente vai pagar com a vida o erro do pai? Pensem bem que é muito fácil criticar os políticos, mas no caso desse acho que há um exagero aqui. Pelo que vi ele não quer impedir as mães estupradas de fazer aborto, mas pensar melhor nessa decisão. Não vi má intenção desse deputado. Menos gente, menos.

    • Mariana Postado em 12/Sep/2013 às 10:34

      Obrigar a mulher a associar a violência de um estupro à benção de um filho, já é por sí mais uma violência! Culpá-la por não querer ter a lembrança daquele momento horrível pelo resto da vida mais do que já ocorrerá, é ainda mais violência. Não se deve pensar na concepção do feto, e sim nas inúmeras violências a que uma mulher que sofreu estupro é submetida!! Menos você né...

    • Camila Postado em 04/Feb/2014 às 11:24

      Menos gente? Ah é, você é homem, nunca terá um filho de um estuprador. Ser contra o aborto é fácil quando é homem. Você desmoraliza as vitimas de estupro, você desmoraliza as mulheres que são obrigadas a conviver com esse trauma, você desmoraliza TODAS as mulheres. Você está sendo homem e usando do seu privilégio como tal para vir falar sobre assuntos que não tem conhecimento, pois é homem. Você como homem está sendo machista. Você usa argumentos de um PADRE conservador e machista. Você é/deve ser do mesmo tipo de gente que se diz "PRÓ VIDA", mas quando se trata de bandido "tem que matar mesmo". Você vive no seu mundinho de HOMEM com seus privilégios de HOMEM. Então, quando o assunto não se trata de HOMEM, apenas não venha falar de "moral e bons costumes". Menos Rogério, menos.

    • Anônimo Postado em 23/Feb/2014 às 17:14

      Típico cidadão alienado.

    • Thais Postado em 20/Jul/2014 às 16:47

      Onde foi que você leu que pílula do dia seguinte é aborto, filho?

  7. Maria Postado em 10/Jan/2013 às 00:55

    Parece que Rogério também precisa de um cabo de vassoura.

    • Mari Postado em 12/Nov/2013 às 01:29

      É Maria.... Não vejo como uma mulher que sofreu a maior violação possa sequer pensar em manter um feto. Sua vida está arruinada. Não sabemos como a maioria das pessoas geradas em cenas como esta vivem com essa verdade, qual a relação delas com suas mães e quais suas opiniões em relação ao aborto. A religião sempre teve um peso muito grande, mas é preciso ouvir as mulheres antes de consultar teólogos que nunca experimentarão esse terror. Como podemos condenar alguém a viver uma vida destruída?

  8. Ariana Silva Postado em 10/Jan/2013 às 09:16

    "Um feto também tem terminações nervosas e sente dor" - depois de um certo período, é por isso que o aborto só é permitido em caso de estupro até 12 semanas. E quem é o padre marcelo e esse deputado-pastor na fila da buatch pra dizer alguma coisa sobre a vida e o corpo das mulheres. Eles que vão pregar a necessidade do feto não pagar pelo erro do pai na Igreja deles e ponto. E deixem as mulheres vitimas dessas atrocidades decidirem sem pressão sobre o que é melhor para sua vida e sanidade mental. Afinal, não deve ser fácil olhar para o fruto da maior atrocidade que ela já sofreu.

    • Dantas Postado em 14/Nov/2013 às 13:41

      Tanto o aborto quanto o estupro tem consequencias gravíssimas, minha esposa já teve aborto e depois de quase trinta anos ainda sofre por isso. No dia que houver julgamento justo para estupradores, e quando houver menos pornografia pública , essas coisas serão fichinhas para serem discutidas.

  9. Luiz Fernando Postado em 10/Jan/2013 às 19:12

    Menos nada, Rogério. Defender a vida é uma coisa, namorar ideias genocidas da idade média é outra. Lá, simplesmente não havia vez para mulheres. Além de não poder pensar grande, um país está fadado a andar para trás se tanto o estupro quanto sua minimização forem vistos com tanta frieza e passividade!

  10. Rafaela Postado em 11/Jan/2013 às 01:54

    Rogério, por mais que a criança não tenha culpa do ocorrido, a relação dela com a mãe não tende a ser boa. Ela vai nascer estigmatizada. Ao conviver com a criança, a mulher provavelmente vai lembrar todo dia da violência por qual passou. E o que responder quando a criança perguntar sobre o pai? Como abordar esse assunto? Como você reagiria de fosse um filho de estupro? Além de tudo isso, essa "bolsa estupro" pode incentivar as mulheres pobres a não abortar pelo motivo "certo" (que seria por amor ao feto), mas sim pela necessidade financeira. Talvez por esse motivo, a mulher não tenha um com relacionamento com ela, maltrate-a fisica e psicologicamente (lembrando sempre que, além de indesejada, ela é um "filho de estupro"). Você consegue entender a cadeia de problemas se formando?

  11. Fernando B. Ribeiro Postado em 12/Jan/2013 às 23:44

    E quem é Padre Marcelo pra falar de terminações nervosas de um feto? Só quem pode falar sobre isso é cientista, não padre.

  12. AnaLee Postado em 15/Jan/2013 às 14:07

    Rogério Aparecido, pimenta nos olhos dos outros é refresco, né? Pare de se embasar em quem nada entende de ciência e psicologia, e entende muito bem de Ibope na Rede BOBO! Ah, e tente ter um mínimo de empatia: finja que vc foi estuprado e que vc pode engravidar!

  13. Débora Postado em 18/Jan/2013 às 14:00

    Aqui na minha região hoje uma mulher foi internada em estago grave após ter sido espancada pelo meu marido. Lei para incentivar mulheres que foram estupradas a não abortar o jerico aí quer, agora uma lei de verdade que dê apoio para as mulheres agredidas ninguém se propoem a mudar.. Hipocrisia infernal

  14. Renato Bacca Postado em 01/Feb/2013 às 19:03

    enquanto vivermos numa sociedade medieval, esses abusos vão continuar, o Brasil é um país Bárbaro tentando ter leis civilizadas

  15. Alexandre Postado em 26/Feb/2013 às 10:59

    Pimenta nos fiofó alheio é refresco, quero ver esses que defendem o feto, ser ou ter mãe, esposa ou irmã estupradas se terá a mesma opinião.

  16. Paulo Nagyidai Postado em 26/Feb/2013 às 13:05

    Não dá pra cogitar opinar sobre essa "iniciativa" deprimente sem pensar em algumas centenas de palavrões! A bancada evangélica está conseguindo impor cada vez mais a religião de estado nesse país, a Comissão de Seguridade Social chegou a aprovar esse PL! Eu já havia avisado a minha esposa que, se um dia, um militante evangélico ou qualquer cristão fundamentalista como a Marina Silva, por exemplo, assumisse a presidência desse país, eu sairia do país. mas vejo que fui ingênuo. O Estado está se tronando teocrático aos poucos.

  17. ideane Postado em 02/Mar/2013 às 12:59

    Vocês que dizem que o aborto é um crime maior que o estupro, já pararam pra pensar em como vai ser a vida dessa criança se ela nascer e for criada pela mãe, que toda vez que olhar para o filho, vai ver a marca da violência que sofreu? Imaginaram como vai ficar a cabeça dessa criança ao saber que foi gerada através de uma monstruosidade, e que ele só trouxe dor a mãe e que talvez ela não o ame por esse motivo? Poucas mulheres são fortes o bastante para criar o filho de um estuprador, sem que essa criança não sofra nada.

  18. Natalia Zucchi Postado em 06/Mar/2013 às 08:44

    Quando o assunto é estupro ou aborto e, principalmente, quando é estupro E aborto, aqueles que não podem sofrer nem um, nem outro, deveriam abster-se de pronunciar qualquer opinião. Quem decide o que o meu corpo vai gerar e nutrir durante nove meses sou eu e ninguém pode obrigar uma mulher a passar todo esse tempo revivendo o pior trauma de sua vida simplesmente para honrar crenças que nem suas são. Aborto deveria ser direito fundamental de toda mulher, mas na falta de melhor disposição legal, que tal pensar melhor na dignidade desse ser humano que já sofreu tanto, ao invés de pensar nas pseudo-terminações nervosas de um agrupamento de células ainda sem diferenciação no útero alheio, Sr Deputado?

    • Mari Postado em 12/Nov/2013 às 01:50

      Concordo, Nathalia. A religião, nos põe cabrestos, joga-nos na fogueira, tranca-nos dentro de casa, esconde-nos, cala-nos, repreende-nos, inferioriza-nos. São instituições patriarcais que decidem como, quando e por quem nossos corpos serão usados e rejeitados. No século XXI ainda lutamos contra as decisões de Homens Bons sobre questões onde não deveriam opinar. Chega de se esconder atrás de falsos moralismos, livros machistas e ultrapassados e discursos sentimentalistas. Como alguém viver sem se sentir culpado ao saber que sua mãe além de ser ferida moral, fisicamente e psicologicamente também foi obrigada a manter aquela gestação, mudar o curso de sua vida porque TALVEZ haja uma alma naquele organismos pluricelular. E SE HOUVER?! Uma alma recém criada vale mais do que uma alma de 5, 10, 20 anos de idade? É preciso punir alguém para fazer o "bem"? Isso mais me parece o velho discurso de sempre. A luta é longa, o desgaste é grande mas tenho certeza que num futuro distante não sofreremos mais a dor e a vergonha impingida pela fé, pelo prazer, pelo orgulho e pelo poder dos homens.

  19. simone Postado em 18/Mar/2013 às 21:14

    olha sou contra o aborto porisso ja existi a pirula do dia seguinte um feto com 12 semanas ja sao quase tres meses de gestaçao entao a mulher ja deve se medicar no msm dia porq querendo ou ñ é uma vida agora ser estrupada só quem é ou foi sabe a dor q se sente falo por experiencia propria dor é uma dor q ñ passa acho erado vim um cara e fala q ñ é nd é humilhante é dolorido mais sei q sem Deus e mais dificil td temos q pensar pelos 2 lados

  20. marcos Postado em 20/Mar/2013 às 05:47

    Óbvio que uma pessoa que sofre uma violação dessas, precisa ser ajudada com orientação pscológica, pois isso é de uma brutalidade sem tamanho. Mas defender o aborto, não tem sentido, porque uma medida mais eficiente é tomar a pílula do dia seguinte, ou não?? Inclusive, não achem que fazer um aborto é uma coisa simples para mulher, como se ela fosse no médico com alguma doença, e o médico fizesse um procedimento cirúrgico, e assim ela fosse para casa "Curada". Aborto pode trazer, assim como o estupro, problemas dessa ordem. Negar isso, é negar o outro lado da moeda, o que não condiz com um debate sério. Por isso que digo, muito mais eficiente que o aborto, é a pílula. A reportagem mesmo diz que a moça a tomou. Então o aborto não seri necessário. Pelo menos esse argumento para o aborto, é difícil de defender.

  21. V Postado em 26/Mar/2013 às 09:44

    Engraçado. Todos que defenderam o deputado são homens.

  22. Val Postado em 05/Apr/2013 às 13:21

    Não sei se católico ou evangélico, mas mas recebi os piores xingamentos de um/a pessoa cheia de ódio que me chamava de "abortista de merda" e tantos outros. Era uma pessoa que destilava ódio por todos os poros e queria criar um Estado teocrático, baseado na lei bíblica, que diz inclusive que se pode vender a filha como escrava. Parecia que eu era sua inimiga mortal, tamanho seu ódio e fanatismo, mas dizia que estava salvando vidas, mesmo querendo aniquilar a mim e a todos aqueles que são favoráveis ao aborto seguro. Eu nunca vi tanto ódio, engraçado que ele vinha de uma pessoa que se dizia cristã. Ele achava que ser cristão é ser contra o aborto seguro. Eu lhe disse que é muito fácil ser cristão assim, ser contra o aborto seguro. Também é muito fácil ser cristão, falando mal dos LGBTs. Sempre os outros são os expurgados. Mas ao contrário dessa interpretação pervertida do que é ser cristão, ser cristão é justamente julgar os seus próprios defeitos, em lugar de julgar os dos outros, ser cristão e acolher, repartir, perdoar e amar. Eu sou a favor do aborto seguro até a 12.ª semana de gestação, para proteger a mulher e a ela cabe a decisão de interromper ou continuar uma gravidez. O aborto legal para mulheres estupradas já existe, este maldito deputado é um retrocesso, quer que voltemos para a Idade das Trevas. Só falta ele querer que a mulher estuprada ainda receba 100 chibatadas por ter engravidado do estupro, como ocorreru recentemente um país fundamentalista.

  23. Benito Postado em 07/May/2013 às 08:34

    A bancada evangélica do pais é financiada pelo dinheiro dos otários que pagam seu dizimo todo mês para um bando de abutres que se dizem pastores...leiam a bíblia e verão que tudo esta escrito lá muitos falarão em meu nome sem que tenham ordem para isto ...na Etiópia as igrejas evangélicas americanas estão insuflando a população para matar os guri e lésbicas em nome de Deus...quando ele Jesus mesmo perdoou uma prostituta...tomem cuidado com as igrejas que vcs frequentão e se perguntem se foi mesmo isto que um cara pregou a 2.000 mil anos atras...

  24. Cristiane Postado em 08/Jun/2013 às 18:57

    Marcos e Rogério, meus queridos! Quantas mulheres conhecem o direito delas a se medicar após um estupro? Quantas mulheres realmente denunciam, procuram ajuda depois dessa violência? Quantas torcem pra que não haja resquícios além dos psicológicos? Quantas são sua irmã, esposa, amiga, mãe, filha? Quantos vezes vocês já ovularam na vida? Acho que a resposta pra última pergunta, diferente das demais, é nenhuma! Não falem de um assunto que vocês desconhecem, não falem de uma anatomia que vocês não possuem e de um peso que vocês nunca carregarão, não insistam em fingir que tem propriedade alguma sobre o assunto. Caso vocês não tenham atingido toda a questão, como é o que parece, notem que em todos os casos que eu citei acima, chega-se a um resultado X de mulheres VITIMAS, grávidas de um CRIMINOSO, que serão obrigadas a conviver com esse ser (que definitivamente não é humano), pelo resto de suas vidas, legitimando assim um CRIME pro resto de MAIS de uma vida. Então façam-nos, a todas nós, mulheres, e a todos nós, seres dotados de inteligência e sensibilidade, um único favor: vão caçar uma louça pra lavar e parem de falar bobagens!

  25. Ed Postado em 12/Jun/2013 às 13:56

    1) A pílula falha. Por isso a importância do aborto ser realizado; 2) Poucas das mulheres estupradas se dirigem à delegacias, já que lá recebem o tratamento de "vagabundas que deram motivo"; Com isso, não têm acesso à medicação imediata; Ah, e pros "classe média" que talvez não saibam, muitas vezes uma mulher POBRE (sim, pobre. isso não é xingamento) não tem dinheiro sequer pra comer, muito menos pra comprar medicamento logo depois de ser estuprada; 3) Sobre o procedimento do aborto: quanto menos se criminalizar esse direito, em melhores condições e mais cedo (primeiras semanas) ele pode ser realizado. E sim, é algo relativamente simples, como uma curetagem, se for feito adequadamente, dentro do prazo e por um profissional; 4) Padres, obreiros, "irmãos", calem as bocas! Deixem os profissionais falar dos aspectos científicos e técnicos. Se limitem a falar besteiras a respeito da "espiritualidade" alheia, que é algo a que vcs supostamente se dedicam. 5) A vida de uma MULHER é sim mais importante do que a vida de um EMBRIÃO, que é algo vivo, mas que nem de longe é um feto, muito menos "um bebê"! 6) Vocês que se importam tanto assim com os fetos, deviam se dedicar às milhares de crianças já nascidas que vivem na miséria absoluta. Delas vcs não querem saber, só se importam com "o feto". "Nasceu, que se dane!" 7) Por fim, deixem de hipocrisia! Mais de 15% das mulheres brasileiras em idade fértil já fez um aborto (muitas delas, fervorosas defensoras de ideias "anti-aborto").

  26. Dirceu Postado em 22/Jun/2013 às 14:16

    E SE a mulher, mesmo tendo sido estuprada a mulher DECIDE não abortar? Ela não deve ter o mesmo direito à acompanhamento psicológico, tratamento médico, orientação e até mesmo auxílio financeiro? Tudo bem se questionar sobre o auxílio, pois ela poderia - se já não estiver - ser inserida num dos programas como bolsa família ou outros que a própria previdência já oferece. Criar mais um auxílio seria desnecessário. Tudo bem se questionar o ponto que implicaria na grande e dolorosa possibilidade de conhecer o estuprador (mas, isso se dá no reconhecimento do acusado também). Esse ponto poderia ser substituído ou mesmo suprimido. Agora querer desmoralizar todo estatuto visa apenas uma coisa: tirar todo e qualquer empecilho contrário a "legalização" do aborto. E um parêntese "Aborto seguro", sério? Numa alternativa onde em 100% dos casos alguém saíra morto não me parece seguro. Não sou favorável a expressões como "abortista de merda" ou "seu fanático religioso", pois tudo isso gera não a busca do melhor a se fazer. O que temos são fanáticos de todos os lados: seja nos pró-aborto, seja nos contra-aborto. Resultado: manipulação de dados, ofensas, destruição da reputação (com boatos) dos que defendem essa ou aquela ideia.... isso só alimenta ódios desnecessários para a nação.

  27. edson rockeiro Postado em 25/Jun/2013 às 00:47

    O deputado evangélico Henrique Afonso (PV-AC) disse que não desiste do seu Projeto de Lei 1763/2007 que estabelece o pagamento pelo Estado ao longo de 18 anos de um salário mínimo à mulher grávida de estupro que não fizer aborto.

  28. Kahina Postado em 01/Jul/2013 às 22:46

    Gente que diz que "nascituro" já é uma vida, mas diz pra usar pílula do dia seguinte: meus caros, sabiam que uma das ações da pílula é impedir o alojamento das células (digo, do "nascituro") ao útero? Então a pílula do dia seguinte, segundo a ótica de vocês, também é um aborto =) Digo isso pro pessoal ficar alerta quanto ao "Estatuto do Nascituro" que quer criminalizar a venda/propaganda de abortivos "em especial quando anunciados apenas como contraceptivos" (não me lembro se é o Art. 24, por aí...). A bancada evangélica certamente está de olho na pílula do dia seguinte! Sem contar que toda a burocracia que querem criar para a denúncia de um estupro vai acabar fazendo com que o aborto não seja realizado em tempo hábil (muito menos a pílula, caso entre nesse crivo, pois só tem eficácia até 72h depois do ato). Não tenho nada contra evangélicos DECENTES. Mas essa CORJA no Congresso é NOJENTA! Muito me dói imaginar que tem gente à solta na sociedade que colocou esses infelizes lá dentro...

  29. Ogã Mario de Ogun Postado em 20/Jul/2013 às 15:48

    Precisamos aprofundar as discussões sobre o que é Estado laico!O laicismo é uma doutrina que defende a ausência de qualquer obrigação de caráter religioso nas instituições governamentais. Ou seja, a religião não se intromete nos assuntos políticos!Mas, o que temos visto é o contrário. Líderes religiosos estão se empoderando da política, fazendo dela seu curral religioso, usando artifícios jurídicos para mascarar seus dogmas religiosos, transformando-os em leis. E a nossa política é conivente, com medo dos votos que poderão perder, caso seja contrária a esta pratica. Estamos ficando reféns da religião,, em nome da eleição!