Redação Pragmatismo
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EUA 18/Jan/2013 às 13:30
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Adolf Hitler, fã do controle de armas ou pura falácia?

As tentativas de equiparar o controle de armas com o fascismo são falsas. Mas o argumento "Hitler tomou as armas" há muito tempo tem um papel de destaque e é bastante eficaz no debate sobre o controle de armas nos EUA

Por Gavin Aronsen

Perto do início de seu discurso retórico em ‘Piers Morgan Tonight’ na segunda-feira, o divulgador de conspirações Alex Jones alertou que a Segunda Emenda é tudo que está entre a democracia e a ditadura. “Hitler tomou as armas, Stalin tomou as armas, Mao tomou as armas, Fidel Castro tomou as armas, Hugo Chávez tomou as armas, e eu estou aqui para te dizer, 1776 começará novamente se você tentar tirar nossas armas de fogo!” ele gritou.

Dois dias depois, o Drudge Report publicou um eco visual do pedido de Jones. Enquanto isso, as buscas no Google por “Hitler controle de armas” estão bombando.

hitler armas eua controle

Hitler teria sido realmente um fã do controle de armas? (Arquivo)

É claro, as tentativas de equiparar o controle de armas com o fascismo são falsas. Mas o argumento “Hitler tomou as armas” há muito tempo tem um papel de destaque e é bastante eficaz no debate sobre o controle de armas da América, apesar de seu óbvio reducionismo.

Suas origens remontam a pelo menos o início de 1980, quando os adversários de uma proposta de Chicago para proibir armas invocaram em grande parte do subúrbio judaico de Skokie “lembrando os moradores da aldeia, que os nazistas desarmaram os judeus como uma preliminar para enviá-los para a gás câmaras”, o Chicago Tribune noticiou. Em 1989, um novo grupo pró-armamento chamado de Judeus a Favor do Porte de Armas de Fogo começou argumentando que o projeto de lei federal do controle de armas de 1968 uma vez favorecido pela velha guarda da NRA (Associação Nacional dos Rifles da América) “foi levantado, quase em sua totalidade, desde a legislação nazista”. (Essa afirmação falsa ainda está sendo repetida.)

Em 1994, o fundador de JPFO (Judeus a Favor do Porte de Armas de Fogo), Aaron Zelman, implorou ao corpo do NRA para aprovarem a reconhecida conexão nazista:

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Alguns de vocês podem ter se dado conta que a menos que a NRA mude sua estratégia, o direito a porte de arma de fogo permanente na América vai seguir o caminho dos judeus na Europa ocupada pelos nazistas: extermínio… A escolha é sua, você pode virar as costas para uma estratégia falida – um dos acordos com malfeitores – e atacar o conceito de “controle de armas”, expondo as raízes nazistas de “controle de armas” na América. Ou, você pode persistir em uma estratégia falida, e aceitar a sua própria extinção.

Se NRA foi influenciada por seu conselho ou não, no mesmo ano que seu CEO, Wayne LaPierre, publicou “Guns, Crime, and Freedom” (Armas, Crime e Liberdade), no qual ele afirma: “Na Alemanha, o registro da arma de fogo ajudou a levar para o holocausto”, deixando os cidadãos “indefesos contra a tirania e a matança cruel de todo um segmento de sua população.” No ano seguinte, o presidente George H. W. Bush, notoriamente se demitiu do NRA após LaPierre atacar funcionários policiais federais como “bandidos fardados do governo” que usavam “capacetes nazistas e uniformes pretos como armaduras.” Mais recentemente, Stephen Halbrook, um advogado que tem representado a NRA, argumentou que “se a experiência nazista ensina alguma coisa, ela ensina que governos totalitários tentarão desarmar seus súditos, de modo a extinguir qualquer capacidade de resistir a crimes contra a humanidade.

Será que Hitler e os nazistas realmente tiraram as armas dos alemães, tornando o Holocausto inevitável? Este argumento é superficialmente verdadeiro na melhor das hipóteses, como professor de direito da Universidade de Chicago Bernard Harcourt explicou em um artigo de 2004 sobre o impacto da Alemanha nazista nas guerras culturais americanas.

Como a I Guerra Mundial se aproximava do fim, o novo governo da República de Weimar proibiu quase todos de portar armas privada para cumprir o Tratado de Versalhes e determinou que todas as armas e munições “seriam entregues imediatamente”. A lei foi relaxada em 1928, e as licenças de armas foram concedidas a cidadãos “de fidelidade inquestionável” (nas palavras da lei), mas não “pessoas que são itinerantes, como ciganos.” Em 1938, sob o regime nazista, as leis sobre armas tornaram-se significativamente mais liberais. Posse de rifle e espingarda foi desregulada, e o acesso de arma para caçadores, membros do Partido Nazista, e funcionários do governo se expandiu. A idade legal de possuir uma arma foi reduzida. Os judeus, no entanto, foram proibidos de possuir armas de fogo e outras armas perigosas.

“Mas as armas não tiveram um papel particularmente importante em qualquer caso”, diz Robert Spitzer, que preside o departamento político científico de SUNY-Cortland e investigou extensivamente a política de controle de armas. A posse de armas na Alemanha após a I Guerra Mundial, mesmo entre os membros do partido nazista, nunca foi difundida o suficiente a uma séria resistência civil aos nazistas para ser nada mais que uma fantasia de vingança de Tarantino. Se os judeus tivessem estado mais bem armados, Spitzer diz, teriam apenas acelerado sua morte. A política de armas “não foi o momento decisivo que marcou o início do fim para o povo judeu na Alemanha. Isso porque eles foram perseguidos, foram privados de todos os seus direitos, e eles eram um grupo minoritário.”.

Entusiastas de armas muitas vezes mencionam que a União Soviética restringiu o acesso às armas em 1929 depois que Joseph Stalin subiu ao poder. Mas sugerir que a população mais bem armada da Rússia teria derrubado os bolcheviques também é muito simplista, diz Spitzer. “Responder a questão da relação entre armas e as revoluções nesses países é estudar o comparativo político e o comparativo político das nações”, explica ele. “É preciso uma análise para decompor e explicar, e muitas vezes não é passível de o som de uma mordida ou um título.”

(Ironicamente, nacionalistas brancos a favor de armas, tentaram reverter a ideia que “Hitler tomou a armas”, argumentando que ele era de fato um firme defensor do direito de portar armas – para arianos. William Pierce, autor da fantasia de guerra racial “The Turner Diaries” (Os Diários de Turner), fez esta afirmação em seu livro Controle de Armas na Alemanha, 1928-1945. Então, quem está por trás do esforço para pintar Hitler como antiarmas? Os judeus, é claro.)

Mesmo se o Presidente Obama de repente liberasse seu interior totalitário, não há nenhuma chance de que ele pudesse, com sucesso, agregar todos os 300 milhões de armas de fogo que os americanos possuem. Tal ideia é prática e politicamente impossível. Um duro ataque à proibição das armas como os democratas estão propondo atualmente afetaria apenas uma fração do total dos donos de armas de fogo no país. No entanto, invocando a ameaça histórica de desarmamento, Spitzer diz, “o lobby das armas tem trabalhado para lançar um susto em proprietários de armas, a fim de atraí-los para o lado da NRA”.

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Comentários

  1. Ismael Postado em 18/Jan/2013 às 18:39

    Não posso acreditar que alguém em sã consciência acredite que Hugo Chávez é igual a Hitler e que Chávez "tenha tomado armas de quem quer que seja"!! Esses direitistas são capazes de qualquer coisa! Que estupidez!!!!!!!!!!!!!

  2. Thuriot Postado em 18/Jan/2013 às 19:46

    Cada vez me surpreendo mais com as falácias e mentiras proferidas por esses grupos reacionários.

  3. Wesley Postado em 18/Jan/2013 às 22:32

    Não há problema nenhum o cidadão possuir armas. No Brasil o acesso a armas legais e o fracasso do Estatuto do desarmamento só aumentou a criminalidade desde que o mesmo entrou em vigor. O Brasil é um imenso matadouro e temos 50 mil homicídios anuais desde 2003, quando o fracassado Estatuto do desarmamento entrou em vigor. Obviamente os cidadãos americanos não vão aderir ao fracasso do lobby desarmamentista financiado pela ONU porque não são idiotas e nem governados por vigaristas. Diversas pesquisas mostraram que o desarmamento só aumentou a criminalidade onde ele foi imposto. Insistir na ideia de que as armas são culpadas pelos homicídios é o mesmo que insistir na ideia de que as mortes no trânsito são causadas pelos carros e não pelas pessoas irresponsáveis. Somente ignorantes, vigaristas ou mentecaptos que insistem nessa ideia.

  4. Bruno S Postado em 21/Jan/2013 às 14:17

    "Diversas pesquisas mostraram que o desarmamento só aumentou a criminalidade onde ele foi imposto. " já ouvi essa fresa diversas vezes, mas nunca vi uma dessas pesquisas.

  5. Wesley Postado em 25/Jan/2013 às 00:53

    As próprias estatísticas da ONU mostram que não há relação alguma entre o número de armas de fogo e o número de homicídios. Portanto a própria ONU admite que o desarmamento é ineficaz para a redução da criminalidade e dos homicídios, mas num país atrasado e controlado por uma mídia golpista como o Brasil, a opinião pública ainda acredita que a redução do número de armas de fogo reduzirá o número de homicídios. Além do mais as estatísticas brasileiras mostram que os estados onde mais se têm armas legalizadas têm menos homicídios e os estados onde se têm menos armas legalizadas têm mais homicídios. Somente um vigarista, um ignorante ou deficiente mental pode insistir na ideia falsa do desarmamento.

  6. W. Rizzo Postado em 25/Jan/2013 às 20:25

    Não se pode misturar na mesma cesta homicídios em massa praticados por sociopatas (psicopatas) com homicídios praticados por criminosos e delinquentes. Embora com a mesma materialidade (uso de armas de fogo como instrumento) as causas dessas mortes são de origem e motivação totalmente diversa. Há os sociopatas piromaníacos, os unabombers, etc, e nem por isso se cogita em proibir a venda de combustíveis e outros produtos inflamáveis abertamente.

  7. Rodrigo Teixeira Postado em 08/Mar/2013 às 11:20

    Wesley, links para pesquisas ou GTFO. Se quer citar números como argumentos APRESENTE os números. E pegando carona no seu argumento "Os carros não causam acidentes, as pessoas irresponsáveis causam". Nesse ponto você tem toda razão. Como o carro é ao mesmo tempo, uma NECESSIDADE REAL e um INSTRUMENTO PERIGOSO, nós (uso "nós" como catacrese ao conceito complexo de sociedade civil) damos acesso a carros para as pessoas, mas antes as obrigamos a passar por um processo de preparação. O acesso não é universal e está sujeito a inúmeras restrições do tipo : consumo de álcool. Poderia continuar mas acho que ficou claro aonde quero chegar. Só nos damos ao trabalho de regular o acesso a carros por que carros são uma necessidade real. Seria uma arma, uma necessidade real no aspecto da segurança ? Isso é discutível. Há uma lista enorme de países onde o acesso a armas é altamente controlados e são sociedades seguras com baixos índices de criminalidade ( Reino Unido, Japão, França, Alemanha..) , há também países com margens de criminalidade baixas onde o comércio é liberado (Suíça, Suécia, Noruega) e o mesmo vale para países com alto índices de homicídios, em ambos os casos há exemplos que sustentam as duas hipóteses. Qual é a minha conclusão lógica dessa análise ? A priori não há nenhuma relação clara e direta entre criminalidade e porte de arma. O que faz total sentido. Criminalidade como furtos,assalto e sequestros, Logo perdemos o critério da NECESSIDADE REAL. Se ficarmos nos apegando a argumentos infantis como o " direito universal" , vamos também discutir por extensão o direito universal a propriedade de tanques blindados, submarinos, o direito universal de produzir sua própria energia nuclear e por ai vai.....

  8. Sidney Honigsztejn Postado em 04/Apr/2013 às 19:32

    Faltou aspas na fala de William Pierce.