Luis Soares
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Palestina 22/Nov/2012 às 11:54
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Jovem israelense é preso em solidariedade a Gaza e divulga depoimento

O jovem israelense foi para a prisão. Em solidariedade a Gaza. Natan Blanc, 19, se apresentou no dia 19 ao escritório de recrutamento do exército israelense para informar que se recusava a prestar o serviço militar

Natan Blanc, 19 anos de idade, nasceu em Haifa, cidade palestina tomada com violência por Israel em 1948. No dia 19 de novembro, ele se apresentou ao escritório de recrutamento do exército israelense, informou aos oficiais que se recusava a prestar serviço militar e foi preso. Essa atitude, de objeção de consciência, é em parte consequência da atual ofensiva sionista contra Gaza.

soldado israel gaza

Natan Blanc se recusou a servir exército israelense. (Foto: Soldado de Israel aponta armas para civis palestinos)

A decisão já tinha sido tomada muito antes de Natan ter conhecimento, no domingo, dia 18, do terrível assassinato de cinco mulheres e quatro crianças, resultado de mais um bombardeio israelense em Gaza.

Leia o depoimento de Natan:

“Comecei a pensar em não me alistar no exército durante a Operação Cast Lead [ofensiva militar de Israel a Gaza que matou quase 1,5 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, e deixou centenas de milhares de feridos, além de mais de 50 prédios destruídos, entre 2008-2009], em 2008. A onda de militarismo agressivo que tomou conta do país na época, as expressões de ódio mútuo e a conversa vazia sobre esmagar o terror* e criar um efeito de dissuasão foram os motivos principais da minha decisão.

Hoje, depois de quatro anos cheios de terror*, sem um processo político [em relação a negociações de paz] e sem calma em Gaza e Sderot [cidade no sul de Israel onde as brigadas de Gaza atiram os foguetes Qassan de fabricação caseira], está claro que o governo de [Benjamin] Netanyhau, como o de seu antecessor [Ehud] Olmert, não está interessado em encontrar uma solução para a situação, mas sim em preservá-la. Do ponto de vista deles, não há nada errado em iniciar uma “Cast Lead 2” a cada três ou quatro anos (e depois a cada 3, 4, 5 e 6 anos): vamos falar em dissuasão, vamos matar alguns terroristas*, civis dos dois lados serão mortos e prepararemos terreno para uma nova geração cheia de ódio, de ambos os lados.

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Como representantes do povo, os membros do gabinete [do governo] não têm o dever de apresentar sua visão para o futuro do país e podem continuar com esse ciclo sangrento, sem término à vista. Mas nós, como cidadãos e seres humanos, temos o dever moral de recusar participação nesse jogo cínico. Por isso decidi me recusar a entrar para o Exército de Israel no dia de minha convocação, 19 de novembro de 2012″.

Natan não é o único a recusar-se ao alistamento no exército israelense, ou a sair dele por rejeição aos crimes praticados contra os palestinos. A organização Breaking the Silence reúne pessoas que, por objeção de consciência, abandonaram as forças armadas sionistas.

No portal da entidade (http://www.breakingthesilence.org.il/) podem-se assistir a vídeos e ler documentos em que ex-soldados e ex-oficiais contam os horrores praticados pelo exército de Israel contra a população desarmada da Palestina.

* Natan, assim como toda a população israelense, fala em “terror” e em “terroristas” em função da propaganda dos sucessivos governos israelenses, que usam esses termos para se referir às brigadas de Gaza. Trata-se de mais uma mentira dos sionistas que governam Israel, massivamente divulgada entre os israelenses. A legislação internacional e resoluções da ONU são muito claras em garantir a povos sob ocupação, como os palestinos, o direito à luta armada como defesa de ataques e opressão exercidos pela potência ocupante (no caso, Israel). Portanto, as brigadas de Gaza não são terroristas. Fazem, isso sim, resistência armada, e evitam alvos civis (os foguetes Qassan são atirados, em geral, em locais inabitados). Isso não é terrorismo. Trata-se de autodefesa, ação legal e legítima, assegurada pelo direito internacional.

Baby Siqueira Abrão, Brasil de Fato. Com informações de Adam Keller, da organização pacifista israelense Gush Shalom

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Comentários

  1. julio Postado em 22/Nov/2012 às 14:29

    Acho péssimo essa campanha anti-Israel promovido por esta página. Os muçulmanos acreditam que Abrão, Isaque, David, Salomão, etc são muçulmanos e não judeus. Eles possuem uma noção distorcida da realidade e de si mesmos. Sem contar que o Alcorão é uma cópia de outros mitos... Por que vocês não divulgam isso? Porque são desinformados.

  2. Alexandre Postado em 22/Nov/2012 às 18:04

    Julio é muito simples: o que está sendo discutido é o "conflito" sustentado por um discurso vazio e não religião. Isto não é campanha anti-israel é apresentação de fatos que caracterizam todos atos covarde e sínicos de um governo, uma guerra onde o alvo é uma população desarmada... péssimo é você achar que pelo fato de "Eles possuem uma noção distorcida da realidade e de si mesmos" seja pretexto pra serem massacrados... ou você também acha que todo muçulmano é terrorista???

  3. André Postado em 23/Nov/2012 às 12:27

    " péssimo é você achar que pelo fato de 'Eles possuem uma noção distorcida da realidade e de si mesmos' seja pretexto pra serem massacrados… ou você também acha que todo muçulmano é terrorista???" Nesse caso ficou evidente que quem tem de fato uma noção distorcida da realidade é o nosso colega julio. Quem, em sã consciência, defende a política do governo sionista contra os palestinos devia refletir no significado dos termos moral e ética, assim como fez o jovem israelense que se recusou a servir em campanhas de massacre contra civis palestinos.

  4. corporations offshore Postado em 24/Nov/2012 às 18:13

    Segundo o exército israelense, objetivo da operação por terra seria "dar um duro golpe no Hamas" e advertiu que "qualquer pessoa que esconder armas ou um terrorista em sua casa será considerada um terrorista". As forças israelenses pretendem destruir o que restar da infra-estrutura do Hamas em Gaza, capturar militantes e ocupar os postos de onde são lançados foguetes qassam em direção ao território de Israel.

  5. Eson Postado em 26/Nov/2012 às 22:59

    Israel não segue a Bíblia, entre os dez mandamentos existe que os militares israelenses não segue: NÃO MATARÁS, quem for a favor dos crimes cometidos pelo exército de Israel está contrariando a vontade de DEUS.

  6. Joas fellipe Postado em 26/Nov/2012 às 23:26

    População desarmada?, os islãs recrutam gravidas e crianças, e usam estes como guerrilheiros e suicidas, colocando bombas no corpo destes, fazendo os mesmos dirigirem carros cheios de explosivos. Outra coisa, os islãs querem dominar o mundo, querem estar por toda a parte, na vez que Israel entrou nesta lista, eles se deram mal, perdendo todas as guerras. O plano prosseguiu mas de uma outra forma, eles entraram em Israel como civis e estão ocupando la de uma forma diferente, Se reproduzindo. Antes que algum ''controlado pela mídia'' venha falar que estou cagando pela boca, saiba de uma coisa antes. Eu leio livros.

  7. Rebecca Postado em 18/Dec/2013 às 11:14

    Cambada de ignorantes mas entre mortos e feridos alguém há-de escapar. É uma vergonha nos tempos de hoje a humanidade continuar a matar-se. só se observa isto no planeta terra que e consumido por ódios e inveja onde o ser humano é carne para canhão. tudo feito em nome de Deus imaginem se fosse no nome do diabo. cada vez mais a humanidade permanece na ignorância é brutal a capacidade do ser humano o mais terrivel de todas espécies. reflitam um pouco e pensem por que foram colocados na terra. Será que foi para se matarem uns aos outros e numa guerra afinal quem tem razão? ´São todos iguais k vergonha para a raça humana. Fiquem bem