Luis Soares
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Palestina 20/Nov/2012 às 15:57
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Guerra ou massacre, o que está acontecendo na Faixa de Gaza?

O que está acontecendo na Faixa de Gaza? Guerra ou massacre? Diferenças entre as capacidades militares de israelenses e palestinos marcam conflito no Oriente Médio

A atual investida de Israel contra a Faixa de Gaza, denominada de “Pilar Defensivo”, tem como suposto objetivo defender o povo israelense dos mísseis lançados por combatentes do Hamas que atingem o sul do país. Mas será que é apropriado chamar de guerra ou de defesa quando um dos lados é uma superpotência militar e o outro, um grupo político armado sem a organização e a estrutura de Forças Armadas?

É verdade que a organização palestina dispara foguetes contra o território de Israel, mas é preciso analisar a sua verdadeira capacidade militar. Desde que o conflito teve início, na quarta-feira (14/11), três israelenses foram mortos pelos mísseis, enquanto pelo menos 95 palestinos perderam suas vidas e centenas ficaram feridos. Ao longo deste ano, nenhum israelense foi vítima dos projéteis e apenas alguns ficaram feridos em comparação a dezenas de palestinos mortos que, em sua vasta maioria, eram civis.

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Palestinos rezam durante funeral dos 11 membros da família Al Dullu, vítima de bombardeio em sua casa. (Foto: Agência EFE)

Os projéteis lançados pelos palestinos procedem de diferentes locais e estão longe de integrar o moderno mercado de armas. Enquanto muitos são produtos domésticos, outros são equipamentos da década de 1990. Com alcance de 6 a 25 milhas, esses mísseis não possuem a tecnologia necessária para mirar alvos no território israelense e acabam por atingir, muitas vezes, terrenos inabitados. Além disso, na maior parte dos casos, os militares israelenses conseguem interceptar os foguetes pelo seu avançado sistema de defesa, mantendo uma taxa de 90% de sucesso nos casos. Nos últimos seis dias, cerca de 740 misseis foram lançados e apenas 30 atingiram Israel.

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Além de possuir poucos recursos financeiros, o Hamas encontra grande dificuldade em comprar armas por conta do bloqueio israelense nas fronteiras da Faixa de Gaza. Tudo o que consegue provém de túneis ilegais. O grupo palestino tão pouco possui uma estrutura militar comum às Forças Armadas, com treinamento regular e corpo de oficiais. Seus combatentes não atuam em batalhas, mas sim em ações de guerrilha.

É este o corpo organizacional que uma das Forças Armadas mais potentes do mundo enfrenta hoje. Com orçamento militar anual ao redor dos US$12 bilhões, Israel recebe ajuda de US$3 bilhões dos Estados Unidos para investir em equipamentos. Jatos de tecnologia militar de última geração bombardeiam a Faixa de Gaza e sistemas de defesa aprimorados derrubam os projeteis.

Há uma imensa assimetria na capacidade de cada um dos lados de infligir danos e sofrimento devido ao domínio militar total de Israel na região. Esse fato transparece no número desproporcional de mortos e destruição afligida. Até agora, mais de um terço das vítimas palestinas são civis, incluindo crianças e idosos, e o número parece estar apenas aumentando.

criança palestina

Garoto palestino observa edifício destruído por bombardeio israelense na Cidade de Gaza. (Foto: Agência EFE)

Se Israel é tão superior militarmente ao Hamas e em poucos dias já conseguiu destruir grande parte do território palestino, por que realizar uma operação? Se o objetivo das autoridades era atingir o grupo, por que não optar apenas por ações de seu desenvolvido serviço de inteligência contra seus líderes?

Essas perguntas parecem ingênuas, mas, com certeza, foram consideradas pelo governo e pelos chefes de segurança do país, que escolheram deliberadamente a opção militar. Não podemos nos esquecer da afirmação de Eli Yishai, vice-premiê de Israel, de que o objetivo da operação “é mandar Gaza de volta para a Idade Média”.

Longe de ser uma ruptura com a política israelense para a Faixa de Gaza, a nova investida integra as iniciativas de ocupar e sitiar o território palestino que vão desde o bloqueio econômico e militar à expansão de assentamentos israelenses.

E, para aqueles que não se lembram, essa não é a primeira vez que as Forças Armadas atacam a Faixa de Gaza em uma suposta luta contra o Hamas. Em 2009, as autoridades realizaram a operação “Chumbo Fundido”, que, em apenas 22 dias, deixou 1.434 palestinos mortos, incluindo 1.259 civis.

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Até os dias atuais, os palestinos não conseguiram se recuperar desses ataques pela falta de materiais de construção disponíveis, que permanecem bloqueados por oficiais israelenses nas fronteiras. De acordo com relatório das Nações Unidas de setembro deste ano, apenas 25% dos edifícios danificados na investida foram reconstruídos.

Analisando os dados da operação, o professor norte-americano Norman Filkenstein conclui que não houve uma guerra, mas sim um massacre contra o povo palestino. Será que o que estamos assistindo nesses últimos dias na Faixa de Gaza não deve receber essa conotação, em vez de “guerra” ou “ação defensiva”?

Marina Mattar, Opera Mundi

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Comentários

  1. Natália Postado em 21/Nov/2012 às 21:58

    Lamentável essa situação. Os EUA, como sempre, fornecendo apoio a esses abutres, que são responsáveis por cerca de 1/3 da economia norte-americana. Até quando essa situação vai perdurar? O Hamas também é um grupo que utiliza de métodos horríveis por usar crianças como escudo humano e treiná-las para morrer.. Tantos inocentes perdendo a vida por meros interesses econômicos e ''religiosos''! Lamentável!

  2. julio Postado em 22/Nov/2012 às 14:31

    Acho péssimo essa campanha anti-Israel promovido por esta página. Os muçulmanos acreditam que Abrão, Isaque, David, Salomão, etc são muçulmanos e não judeus. Eles possuem uma noção distorcida da realidade e de si mesmos. Sem contar que o Alcorão é uma cópia de outros mitos… Por que vocês não divulgam isso? Porque são desinformados.

    • Wallace Postado em 14/Jul/2014 às 10:35

      Júlio, o desinformado aqui e VC... Quem disse a VC q o Alcorão e uma copia dos outros livros? Foi revelado ao profeta (Muhammad) Maomé pelo anjo gabriel

    • Igor Pereira Postado em 23/Jul/2014 às 17:33

      Tu já pensou em, ao invés de se preocupar com a parte religiosa da coisa (profetas, livros etc.), se preocupar mais com a parte humanitária (pessoas inocentes morrendo)?

  3. Helena Postado em 15/Jan/2013 às 17:41

    O que está em pauta nesta matéria, segundo minha interpretação, é antes a defesa do ser, enquando humano, do que em relação a sua postura religiosa, Júlio. É realmente inacreditável nossa capacidade de nos submetermos às condições e aos combates impostos pelas supeerstruturas - como religião, política e economia - em detrimento da essencialidade da vida humana.

    • Simone Postado em 12/Jul/2014 às 11:01

      Concordo Helena. No vamos sair do foco, se no, no podemos ajuda-los. Pois, o povo Palestino esta sozinho neste massacre.

  4. rogerio melo Postado em 18/Jul/2013 às 17:44

    Venho afirmando que não se trata de uma guerra, conflito, batalhas, embates...trata-se de um MASSACRE legitimado pela comunidade internacional (entenda-se mercadores, banqueiros, guerreiros, mercenários sedentos por lucros a todo custo, sobre as VIDAS humanas). Necessitamos sim, de opiniões como a de Norman Filkenstein, para que a terminologia passe de "Guerra Santa" para MASSACRE...E digo mais um dos maiores de nosso recente século XXI.

  5. Rafael M, Postado em 12/Jul/2014 às 01:50

    Eli Yishai fez esse comentário que desejaria levar Gaza de volta à Idade Média em 2009, durante a Operação Chumbo Fundido, e foi duramente reprimido por seu comentário. Eu acho que ele sequer é mais vice-premiê de Israel. De qualquer forma, o texto esquece-se de apontar uma coisa: os foguetes do Hamas são rudimentares e sem precisão. Mas da mesma forma que podem acertar um campo inabitado, também podem destruir uma escola ou cair encima de um ônibus coletivo. Esse é o maior capital militar dos terroristas do Hamas: o terror. Você simplesmente não sabe se o míssil vai cair longe de você, se vai cair na sua cabeça, você não tem como prever e normalmente esses foguetes, até mesmo os Qassams mais rudimentares, podem penetrar o telhado de uma casa e matar todo mundo que estiver lá dentro. Para infelicidade de Israel, o Hamas tem desenvolvido capacidades tecnológicas em seus artefatos, aumentando alcance e poder de destruição. Eles já tem mísseis do mesmo grau tecnológico dos que o Hezbollah tem. Para quem não sabe, o Hezbollah, em 2006, tornou todo o norte de Israel um campo de morte e destruição. Centenas de grads, katyushas e outros artefatos mataram 40 cidadãos israelenses em menos de 30 dias de guerra. É uma situação alarmante e perigosa que só tende a piorar com o tempo caso Israel não faça nada. Não é uma questão de castigar, por puro prazer, os palestinos. A única coisa que impede o Hamas de se tornar tão destrutivo quanto o Hezbollah na sua capacidade operacional de lançar mísseis e foguetes contra Israel é a pequena quantidade de arsenais. Porque a princípio ele já tem os mesmos mísseis destrutivos do Hezbollah. Se nada for feito, eses caras estarão com 50.000, quem sabe 100.000 mísseis guardados esperando para arrasar Tel Aviv e Jerusalém, e quando essa saraivada for liberada, Israel irá perder centenas de civis. O pior disso tudo é que basta muito menos que isso para tornar a vida em Israel um inferno. As sirenes tocando todos os dias, as pessoas tendo que correr para seus bunkers...isso não é vida. É claro que Israel precisa retaliar, caso contrário, será destruído.

  6. Alul Oicani Avlis Postado em 12/Jul/2014 às 14:23

    "Nos últimos seis dias, cerca de 740 misseis foram lançados" contra Israel pelo grupo Hamas que covardemente se escondem entre inocentes, mas espere um pouco? Inocentes que permitem que estes guerrilheiros pratiquem o terrorismo não são coniventes? Não tem essa de dano colateral, já era hora de Israel dar um fim a isso. Se nenhum ataque fosse feito a Israel não haveria retaliação. Outra coisa, os primeiros ataques foram avisados antecipadamente como uma advertência. Mesmo assim os ataques por mísseis do Hamas persistiram, porque esta página "neutra" não comenta estes fatos?

  7. David Postado em 12/Jul/2014 às 21:51

    Julio, infelizmente você está deixando suas paixões religiosas, ou sei lá quais, lhe cegarem, pois não se trata de religião nem desse papo de anti-Israel. Está claro que Israel quer território e extermina quem atravessar na sua frente. Olha o poderio militar impiedoso dos caras! Infelizmente, mais 90% dos que estão morrendo lá são inocentes, inclusive crianças. Não tem nada a ver com religião... Não precisa ser muçulmano para ver a verdade sobre o que está acontecendo na Faixa de Gaza. Basta SER HUMANO! Agora quanto ao Alcorão, pelo menos ainda existe um Alcorão em sua língua original – árabe – que está intacto, desde os tempos do último dos profetas. A própria ciência tem sido beneficiada pelo conteúdo do Alcorão e nada nem ninguém conseguiu desmentir Sua veracidade – ou seja, que o Alcorão é realmente o Último Testamento enviado por Deus, através do anjo Gabriel. Já o que restou da Bíblia foram cópias das cópias das cópias das cópias das cópias do que os escribas deixaram ‘em grego’. Aí eu pergunto, onde estão os evangelhos originais com as mensagens originais de Jesus? Deveriam estar em algum lugar, em sua língua original, ou seja, em aramaico, a língua que Jesus Crista falava. Mas infelizmente, não existem mais... Por fim, ‘Islam’ significa ‘entrega total e sincera a vontade de Deus’ e 'muçulmano' significa 'aquele que se submete (voluntariamente) a vontade de Deus'. Então, Adão foi o primeiro muçulmano porque ‘se submeteu a vontade de Deus’. Do mesmo modo, todos os outros profetas posteriores a Adão também 'se submeteram a Deus'. Portanto, eram todos muçulmanos. Obrigado!

  8. Dani Postado em 21/Jul/2014 às 12:38

    Não se trata de campanha anti-Israel. E sim pró-Palestina. Basta você ler o texto com um pouco de criticidade e humanidade, para ver quem merece nosso apoio. Óbvio que não há "mocinhos" numa guerra. Mas nesse caso, seria uma guerra, de fato? Ou se trata claramente de um massacre, de uma limpeza étnica? Além disso, até onde que a religião é, verdadeiramente, o elemento propulsor de um conflito no Oriente Médio? Está mais do que claro pra mim que se trata de um conflito de interesses econômicos, mais do que políticos, culturais e religiosos. Se os judeus (lembrando que estou falando dos sionistas e não de todos os judeus) estivessem tão preocupados com justiça e com sua religião, não receberiam de maneira tão vergonhosa o apoio dos Estados Unidos, que todo mundo sabe o interesse que tem nesse massacre todo. Só não vê tudo isso quem é cego e sem compaixão. Porque está mais do que claro.