Luis Soares
Colunista
Compartilhar
América Latina 29/Nov/2012 às 12:38
3
Comentários

Exemplo: Equador reduz lucro dos bancos para aumentar desenvolvimento humano

O governo do presidente Rafael Correa vai aumentar os impostos dos bancos para subir o valor do bônus de desenvolvimento humano – que é uma espécie de bolsa família equatoriana – de 35 para 50 dólares mensais, a partir de janeiro do ano que vem

A Assembléia Nacional do Equador aprovou na noite desta terça-feira uma lei, enviada em caráter de urgência pelo presidente Rafael Correa, que aumenta a contribuição dos bancos. Foram 79 votos a favor, cinco contra e 11 abstenções. Com o resultado, o imposto de renda dos bancos vai subir de 13 para 23%, o mesmo percentual aplicado a outros setores da economia. As instituições financeiras, que antes eram isentas, também terão que pagar 12 % de Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Será cobrada ainda uma tarifa sobre ativos no exterior, que fica maior no caso da captação de recursos em paraísos fiscais.

rafael correa equador lucro bancos

Equador aprova lei que reduz lucro dos bancos privados para aumentar bônus social. (Foto: divulgação)

A nova regra permite que o Banco Central imponha limites aos salários de banqueiros e executivos das instituições financeiras.

As empresas estão proibidas de repassar os novos encargos para os consumidores e serão fiscalizadas pela Superintendência de Bancos, que pode multar as instituições que desrespeitarem a regra.

Para o presidente da Comissão de Regime Econômico da Assembléia, Francisco Velasco, com a aprovação da lei, “ganha a justiça do país, ganha a redistribuição da riqueza. Que ela não se concentre numa cúpula, que tenham todos a oportunidade de ganhar.”

O governo diz que o setor é um dos que mais se beneficiaram do crescimento da economia equatoriana nos últimos anos. Os bancos lucraram mais de seiscentos milhões de dólares em 2011, o que representa 36% de acréscimo em relação ao ano anterior.

O parlamentar da oposição, Patrício Quevedo, considera a medida uma interferência do governo no setor bancário, que deixa aberta uma porta para a intervenção em outras áreas, gerando instabilidade na economia. “Com essa instabilidade não teremos investimento e sem investimento não teremos fontes produtivas, não teremos trabalho.”

A associação dos bancos privados alertou para os riscos de que a redução de crescimento do setor pode representar uma diminuição da oferta de crédito. Mas ao receber a notícia da aprovação da lei, o presidente Rafael Correa disse que “eles verão que seguirão ganhando, um pouco menos, mas seguirão ganhando e graças às políticas que este governo impulsionou”.

Também ontem, quatro bancos foram multados em aproximadamente 8 mil dólares por terem enviado cartas aos clientes nos últimos dias manifestando preocupação com a medida. Segundo a Superintendência de Bancos, foram “mensagens confusas que podem gerar reações ou interpretações adversas com consequências irreparáveis, em detrimento do interesse público.

O incremento do subsídio social foi um dos primeiros embates da campanha para as eleições presidenciais de fevereiro. A idéia foi lançada pelo principal adversário de Correa, o ex-banqueiro Guillermo Lasso, que propôs aumentar o bônus cortando gastos com publicidade oficial. Correa, que está na frente nas pesquisas de intenção de voto, reagiu dizendo que daria o aumento ainda neste mandato, mas diminuindo o lucro dos bancos. Outro candidato, o ex-presidente Lucio Gutierrez, prometeu subir o subsídio para 65 dólares se for eleito.

Ana Maria Passos, Carta Maior

Recomendados para você

Comentários

  1. Piracetam Postado em 03/Dec/2012 às 21:17

    A Assembléia Nacional do Equador aprovou na noite desta terça-feira (20) uma lei, enviada em caráter de urgência pelo presidente Rafael Correa, que aumenta a contribuição dos bancos. Foram 79 votos a favor, cinco contra e 11 abstenções. Com o resultado, o imposto de renda dos bancos vai subir de 13 para 23%, o mesmo percentual aplicado a outros setores da economia. As instituições financeiras, que antes eram isentas, também terão que pagar 12 % de Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Será cobrada ainda uma tarifa sobre ativos no exterior, que fica maior no caso da captação de recursos em paraísos fiscais.

  2. Sandro san Postado em 04/Dec/2012 às 17:23

    ....quanta bobagem ...e quem paga a conta......os clientes.....com falta de creditos, e aumento das tarifas......Boa coisa de Rafael Correa, Cristina Kirchner, Evo Morales, Hugo Chaves.... é mais facil acreditar em Papai noel, Coelho da pascoa e outros contos mais,.......

  3. Guilherme Augusto Postado em 17/Feb/2013 às 13:15

    Sandro, vc não percebe que os clientes vão sempre pagar a conta? De um jeito ou de outro... Os reajustes ocorrem sem aviso e quando os donos dos bancos bem entenderem. Se eles acharem que há 2 anos se passando com os mesmos valores, e que estes valores estão muito baixos para alimentar sua fome de lucros insaciável, então eles vão simplesmente aumentar tarifas e outros serviços que eles cobrem dos clientes, simplesmente porque eles acharão que está na hora de aumentar. Não se engane, é só olhar para o Brasil mesmo, como tudo, dentro do espaço de tempo de 2 anos, sobe de valor misteriosamente (e provavelmente o seu, como o meu salário, não). Esse alertismo, esse medo de que toda vez que um governo interferir na economia, e principalmente nos bancos, ocorrerá um aumento no preço de tarifas e serviços, dentre outras desgraças financeiras no bolso da família média, é improcedente, a partir do momento em que de um jeito ou de outro os banqueiros, os empresários mais gananciosos vão aumentar os preços do trabalho deles. Então preferencial que o motivo seja por que eles estão perdendo também...