Luis Soares
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Mercado 23/Nov/2012 às 16:02
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Black Friday: Organizadores admitem manipulação de preços

“A busca pela felicidade passa cada vez mais pelo ato de comprar. E a satisfação está disponível nas lojas a uma passada de cartão de distância. É o capitalismo, estúpido!” – Leonardo Sakamoto

Os varejistas participantes voltaram a praticar a chamada “maquiagem de preços” nas ofertas do Black Friday, megaliquidação que acontece hoje (23/11), no Brasil. (Veja imagem abaixo.) “É um absurdo. É lamentável”, afirmou Pedro Eugênio, CEO do Busca Descontos.

black friday iphone

Gráfico mostra variação de preço (curva vermelha) do Iphone. (Reprodução)

Gráficos gerados em buscadores de preços, como o JáCotei e o Baixou, mostram claramente o aumento dos maiores preços. A tática é usada para que a porcentagem de desconto anunciada pelos varejistas pareça maior do que ela realmente é, fazendo com que o consumidor fique mais inclinado a efetuar a compra.

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Segundo o executivo, é impossível praticar grandes descontos em alguns produtos como eletrônicos. “Não existem descontos absurdos em preços, principalmente em eletrônicos, até porque não existe essa margem. Hoje, o ganho que o e-commerce tem em um notebook é de pouco mais de 1%, por exemplo”, explica.

Ou seja, apesar de os participantes alardearem descontos de até 90%, de acordo com o Busca Descontos, a maioria das promoções oferecem preços de 15% a 30% menores, em média.

As promoções mais vantajosas, com desconto realmente maiores (cerca de 75%) são possíveis em itens de vestuário e calçados. Nesses casos, os lojistas têm uma margem maior no produto e condições diferentes de negociação.

A sugestão de Eugênio para que o consumidor se proteja é que ele observe os preços ofertados e faça uma pesquisa. “Seja na loja física ou na online, independentemente da porcentagem, veja se a compra vale a pena ou não pela média de preços no mercado.”

black friday brasil

(Reprodução)

O Procon e especialistas em varejo online deram algumas dicas para se proteger de compras duvidosas. Segundo o Busca Descontos, o site criou algumas ferramentas para evitar problemas como este. Uma delas foi um time com a função de verificar se ofertas são ou não maquiadas e tirar do ar o que for “maquiagem” automaticamente. A ideia é evitar novos problemas com o Procon.

Outra é o botão “Denuncie”, por meio do qual o consumidor pode denunciar descontos irreais. Se a denúncia for verdadeira, ela também sairá da página do Black Friday. O selo “Oferta Black Friday” também garante a segurança do consumidor e funciona como indicação dos melhores anúncios. “Uma boa dica é entrar pelo portal do Black Friday e não pelo site dos varejistas.”

As redes sociais podem funcionar como aliadas na hora da compra. A página do Black Friday no Facebook já possui 227 mil seguidores. Lá e no endereço oficial do Twitter é possível acompanhar os principais acontecimentos e ofertas do evento. O agregador Zoom fez parceria com o Facebook e reunirá as promoções do Black Friday.

“Seguir as páginas dedicadas ao Black Friday e seguir amigos que vão participar do dia de promoções são uma boa. Vai rodar muita informação nesses lugares”, afirma Eugênio. Além disso, as redes funcionam ainda como salvaguarda para os clientes. “Sinto que tem sido uma preocupação dos parceiros, eles sabem o tamanho da repercussão que uma reclamação pode ter nas redes.”

Revista Época

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Comentários

  1. Guilherme Augusto Postado em 23/Nov/2012 às 16:59

    Um dos fatores que levam o capitalismo no Brasil a dar tão errado é a impressão que dá de que nosso capitalismo é tão sovinas... O baluarte do capitalismo, berço de todo o consumismo e publicidade marqueteira do mundo, os EUA, pelo menos fomenta o consumismo sem essas "fraudes legais" (porque do ponto de vista moral, isto que ocorre no Brasil é uma fraude, já do ponto de vista legal, não é proibido) para sempre querer estar levando vantagem em tudo, ganhar e lucrar mais. A 'black friday', nascida nos EUA inclusive, naquele país é justa (claro, dentro dos parâmetros do atual capitalismo desenfreado e "lucrista", do que podemos considerar justiça de preços), dá impressão que lá o empresário pensa um dia pelo menos "tá bom, hoje eu não vou lucrar... só hoje", e admite abrir mão dessa margem "a mais" de vantagem, conquistando ainda mais o consumidor com tamanha simpatia, pois o consumidor percebe quando o preço está realmente reduzido. Aqui não, o varejista não quer baixar a guarda, largar o osso: reduz-se o IPI, mas maquiam os preços de novo; tem o dia do Jogo Justo, mas os games não me parecem a um preço justo ainda assim, numa UZGames da vida, por exemplo... e por aí vai, diversos outros exemplos similares de como a estratégia de descontos à brasileira é mão-de-vaca e desrespeita o consumidor (este ser que já recebe um tratamento tão sucateado dos prestadores de serviços no Brasil). E claro, tudo isso, com o apoio, deles, sempre deles, que estão em todas, são como mercenários modernos, utilizados nas guerras travadas no campo de batalha econômico e concorrencial: os publicitários.

  2. Diego /furtado Postado em 26/Nov/2012 às 11:20

    Como não da para ter desconto em produto eletrônico, um celular que vendido o galaxy s3 nas lojas de nome erá vendido a 1,600 reais em outros lugares fazendo uma pesquisa de preço você conseguia achar de 1,300 que foi o preço vendido nessa promoção chamada "otário todo dia". e isso porque eles lucram so 1 % imagina se fosse mais de 100% .. Me engana que gosto.