Luis Soares
Colunista
Compartilhar
América Latina 07/Oct/2012 às 15:05
2
Comentários

Biometria e impressão: sistema eleitoral da Venezuela é o mais seguro do mundo

Um dos mais seguros do mundo, sistema eleitoral venezuelano une biometria e impressão. Ao todo são cinco processos distintos e separados, o que permite que até quatro eleitores possam votar simultaneamente

Nas eleições desse domingo (07/10) na Venezuela, não será preciso levar uma cola com o número do candidato para o centro de votação. Ao contrário do Brasil, os quase 19 milhões de eleitores aptos a votar escolherão apenas o presidente – governadores e deputados são escolhidos em outras datas. Além disso, no sistema venezuelano o voto é dado também para os partidos políticos.

eleições venezuela chávez

Cada partido apoia um candidato, logo, na urna eletrônica, haverá 12 fotos do presidente e candidato a reeleição, Hugo Chávez; 22 fotos do opositor Henrique Capriles e um foto de cada um dos cinco candidatos independentes: María Bolívar, Yoel Acosta Chirinos, Reina Sequera, Luis Reyes e Orlando Chirinos. Acosta Chirinos já desistiu da disputa, mas a foto permanece (ver foto ao lado).

Diferente das urnas eletrônicas brasileiras, onde se utilizam números para identificar cada candidato a presidente, na Venezuela cada partido registrado no CNE (Conselho Nacional Eleitoral) terá um espaço com a foto do candidato que apoia. A urna venezuelana é composta por uma tela tátil, como se fosse um enorme aparelho celular touch screen, e uma pequena impressora. O partido que obteve mais votos nas eleições legislativas de 2008 escolhe onde posicionar seu espaço. Neste caso, o PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela), ao qual é filiado o presidente Chávez, é o primeiro da lista. Chavistas e opositores separaram a enorme tela com fotos dos dois candidatos juntas para facilitar a vida do eleitor.
(Cartão com foto e nome dos candidatos à presidência de cada partido que ficará disponível ao lado das urnas eletrônicas)

eleições venezuela chávezElogiado pelo renomado Centro Carter, comandado pelo ex-presidente dos EUA Jimmy Carter, o sistema eleitoral venezuelano promete ser blindado contra fraudes e erros, já que passou por duas simulações nacionais, 16 auditorias e está sendo observado por 245 acompanhantes internacionais e cerca de quatro mil observadores nacionais. O chefe da missão de acompanhamento da Unasul (União das Nações Sul-americanas) na Venezuela, Carlos Álvarez, destacou a confiabilidade do sistema. “Em um processo em que se joga com certas notas dramáticas, o importante é contar com um árbitro de confiança”, afirmou.

A sala de votação deverá esta pronta para o voto às 06h. Se não houver mais eleitores nas filas, o local é fechado pontualmente às 18h. Serão 13.810 centros de votação. Dentro deles, 39.322 mesas eleitorais, o que dá uma média de três urnas por local de votação. Geralmente são utilizados colégios da rede pública.

Durante a disputa eleitoral, iniciada em 1 de julho, houve algumas modificações nos 39 partidos que concorrerem às eleições. De acordo com a normativa do CNE, até 10 dias antes das eleições os partidos podem fazer mudanças ou declinar de apoiar algum candidato. Uma dessas mudanças foi a de Acosta Chirinos, que irá apoiar Chávez. Os partidos Vota Piedra, Cambio Pana e Manos por Venezuela retiraram o apoio a Henrique Capriles. Quem escolher por eles estará anulando o voto. O Partido Unidade Democrática também retirou seu apoio a Capriles e migrou para o lado de Sequera. Como nenhuma dessas mudanças pode ser realizada na urna, o CNE vai afixar em todos os centros de votação advertências para os eleitores desavisados.

Ferradura

Outro processo criado para agilizar o voto é o formato de ferradura utilizado na sala de votação. A sala é organizada em cinco processos distintos e separados, o que permite que até quatro eleitores possam votar simultaneamente.

Primeiro, o eleitor apresentará a cédula de identidade e colocará seu polegar direito na máquina para a impressão digital. A urna então é habilitada quando os dados do eleitor aparecem na tela, conferidos com a identidade. Se os dados não aparecerem, o mesário utiliza outros dedos do eleitor. Se mesmo assim a máquina não reconhecer a impressão digital, é utilizada uma planilha de incidência para registrar o fato, verifica-se a documentação, toma-se as impressões digitais do eleitor, e é autorizada a votação.

“Há algum problema com trabalhadores da construção civil, com pessoas mais velhas e com quem faz trabalho manual. Mas das 16 auditorias que foram feitas no sistema até hoje, uma delas foi a revisão das impressões digitais”, explica Karlha Velasquez, jornalista venezuelana especializada no tema.

eleições venezuela chávez

Depois de terminada essa etapa, o eleitor escolhe na tela tátil seu partido de preferência, entre os atuais 36 que estão habilitados. Aparecerá então em outra tela em frente ao eleitor a foto do candidato, o nome do partido e a opção “votar”. A máquina imprimirá um boleto com o voto para que o eleitor verifique-o e deposite-o em uma urna de papelão que estará ao lado.

O terceiro passo será assinar a ata de presença e colocar outra vez sua impressão digital no caderno. Por último, cada eleitor deverá pintar seu dedo mindinho com uma tinta indelével, também para evitar qualquer tipo de fraude. O eleitor” tem seis minutos para votar”, explica o diretor de planejamento do CNE Luis Piedra. Depois desse tempo, a urna se bloqueia e abre-se para outro eleitor.

Além de todo esse processo, os principais partidos políticos mobilizaram grandes grupos de fiscais para verificar a votação em cada uma das urnas do país. O PSUV terá 50.397 fiscais, a MUD (Mesa da Unidade), coligação de Capriles, 52.776 e o candidato Luis Reyes, 830.

Opera Mundi

Recomendados para você

Comentários

  1. silver account Postado em 09/Oct/2012 às 14:20

    Em seguida o eleitor dirige-se a outra mesa, oferece ao mesário sua cédula de identidade. Localizado seu nome no caderno de votação, aporá sua assinatura e imprimira a impressão digital do polegar direito ao lado.

  2. Aparício Fernando Postado em 18/Nov/2012 às 20:53

    Em Saquarema-RJ aconteceu um fato muito estranho. Antes das eleições era só andar pelas ruas e perguntar em quem o eleitor iria votar que a resposta era unânime: Pedro Ricardo, candidato da oposição. Pois bem, o rapaz perdeu em todas, eu disse todas as 173 urnas da cidade. Perdeu e perdeu de muito. O mais estranho é que hoje, um mês após as eleições, você vai às ruas e os eleitores continuam unânimes em dizer que votaram em Pedro Ricardo. Seria muito mais cômodo pro eleitor dizer que votou na candidata vitoriosa. Mas não, o eleitor bate o pé afirmando que votou no outro. Curiosamente, é difícil encontrar alguém que confirme que votou na candidata vencedora, que coincidentemente é a esposa do deputado estadual Paulo Melo, presidente da ALERJ. Existem vários relatos da internet e inclusive vídeos no YOUTUBE atestando a vulnerabilidade das urnas eleitorais. Está lá pra quem quiser assistir. O fato é que esse triunvirato: Cabral, Zveiter e Paulo Melo atenta contra a democracia. Todos os poderes encontram-se de um lado só da balança, prejudicando a alternância do poder, principal filosofia da democracia. O fato é que não adianta espernear, pois o TSE, por mais que existam evidências que comprovem, jamais irá admitir fraudes em suas 'caixas pretas'. O ideal seria que a urna eletrônica emitisse, também, um cupom onde mostrasse em quem o eleitor votou. E que esse cupom fosse colocado numa urna tradicional ao lado dos mesários, para fins de comprovação posterior. Uma coisa é certa: nenhum outro país no mundo, depois de examinar, quis comprar nosso ‘avançadíssimo, rápido e moderno' método de escrutínio, nem o Paraguai.