Luis Soares
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Direita 15/Oct/2012 às 23:42
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Senador conservador defende pena de morte para "crianças rebeldes"

Republicano defende pena de morte para “crianças rebeldes” nos EUA. Para o senador Charlie Fuqua, crianças que desrespeitam os seus pais devem ser removidas da sociedade

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Senador republicano Charlie Fuqua. Foto: divulgação

Expulsar muçulmanos dos Estados Unidos, reforçar as leis contra o consumo e o tráfico de drogas, proibir o aborto em qualquer tipo de circunstância e preservar o direito de carregar armas estão entre as propostas do senador republicano Charlie Fuqua, que busca a reeleição no Arkansas. Em seu ultimo livro, o republicano ainda introduziu uma nova ideia: permitir a pena de morte para “crianças rebeldes”, informou o jornal Arkansas Times.

Em “Lei de Deus: a única solução política”, o senador argumenta que “crianças que não respeitam seus pais devem ser removidas permanentemente da sociedade” e que este processo de condenação já estava descrito na Bíblia.

Segundo sua interpretação do texto sagrado do cristianismo, os pais podem acusar seus filhos de rebeldia e pedir à Justiça sua morte. O tribunal iria avaliar a denúncia e poderia condenar crianças à pena de morte.

Fuqua acredita, no entanto, que poucos pais “desistiriam” de seus filhos e os colocariam frente ao perigo da morte. Por essa razão, a lei de pena de morte para crianças teria o efeito pedagógico de dissuadir jovens a não desafiarem seus pais e a se comportarem de maneira adequada.

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O republicano afirma, entretanto, que se uma criança for condenada à pena de morte, o seu caso servirá de exemplo para outros jovens “rebeldes”.

Como senador do Arkansas, Fuqua foi premiado com o título de “Amigo da Família” pela Coalizão Cristã do estado.

Confira o trecho do livro disponibilizado pelo Arkansas Times:

A manutenção da ordem civil na sociedade repousa sobre o fundamento da disciplina da família. Portanto, uma criança que desrespeita seus pais deve ser removida permanentemente da sociedade de uma forma que dê um exemplo para todas as outras crianças da importância do respeito pelos pais. A pena de morte para os filhos rebeldes não é algo a ser encarado com leveza. As orientações para administrar a pena de morte para os filhos rebeldes são dadas em Deuteronômio 21:18-21:

Esta passagem não dá aos pais a autoridade para matar seus filhos. Eles devem seguir o procedimento adequado, a fim de ter a pena de morte executada contra seus filhos. Eu não consigo pensar em um exemplo na Escritura onde os pais tiveram seu filho morto.

Por que é assim? Que não seja o amor que Cristo tem por nós, não há maior amor, então de um pai para seu filho. As últimas pessoas que gostariam de ver uma criança morta seriam os seus pais. Mesmo assim, a Escritura oferece um guarda de segurança para proteger as crianças de pais que, erroneamente, queiram sua pena de morte. Os pais são obrigados a levar seus filhos à porta da cidade.

A porta da cidade era o lugar onde os anciãos da cidade se encontraram e fizeram pronunciamentos judiciais. Em outras palavras, os pais foram obrigados a levar seus filhos a um tribunal de direito e a expor o seu caso perante a autoridade judiciária competente. E a autoridade judicial que determinava se a criança deveria ser condenada ou não à morte.

Eu sei de muitos casos de crianças rebeldes e, no entanto, não posso pensar em um caso em que seus pais tenham desistido de seus filhos a ponto de leva-los a um tribunal de justiça para condenação de morte. Mesmo que este procedimento raramente seria usado, daria aos pais autoridade. Crianças que sabem que seus pais têm autoridade (ou seja, podem acusa-las à pena de morte) seria um enorme incentivo para elas darem o devido respeito aos seus pais.

Opera Mundi

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Comentários

  1. angela Postado em 16/Oct/2012 às 00:04

    ele condena os muçulmanos e tem a mesma ideia enganosa sobre a bíblia

  2. felipe Postado em 16/Oct/2012 às 01:40

    Ele nao tem ideia enganosa sobre a bíblia. Está escrito conforme ele disse. É isso que acontece quando um imbecil se guia por um livro igualmente imbecil.

  3. luiggi Postado em 16/Oct/2012 às 11:05

    eu não acredito que li uma barbaridade destas. Os EUA foram construídos em cima de premisss como liberdade, oportunidades e trabalho e foi isto que atraiu milhares e milhares de emigrantes que tornaram o país na potência que é hoje. Aí estão inclusos os muçulmanos, sejam árabes ou não. Pregar a expulsão deste segmento do país é pisar sobre o histórico democrático do país e sobre as bases que o formaram. Quanto a essa "interpretação" da Bìblia, está na hora de as pessoas abrirem os olhos para alguns pontos: 1. Todas essas interpretações fundamentalistas (tão horríveis quanto as do fundamentalismo islâmico) são, na verdade, uma distorção propositada e premeditada patrocinada por um grupo que se auto-entitula cristãos sionistas. Este grupo, na verdade, não é cristão, usa o nome de Cristo mas baseia-se nos rigorismos da lei mosaica como forma de sanar os males da sociedade e recriar uma moral exclusiva, machista e patriarcal. 2. Os chamados cristãos sionistas são grupos de seitas financiados pelo soinismo internacional que usa o cristianismo como arma social e política, adulterando-o em sua essência, levando os seguidores a acreditarem que o mundo está em estado caótico e somente a volta às antigas leis (acabadas com a morte de Jesus Cristo) são a salvação. Esta situação leva a uma postura política perigosíssima, onde os judeus são considerados o povo eleito de Deus e, portanto, irretocáveis em seus atos, o que endossaria qualquer ato político ou militar perpretrado por Israel. Afinal, o "povo eleito" estaria, em tese, sempre certo. Mais ou menos a mesma coisa que a tese da infalibilidade papal para os católicos romanos. 3. A corrosão do cristianismo. Quando Cristo veio ao mundo e deixou sua mensagem de perdão e amor para todos aqueles que quisessem mudar suas vidas através destes novos valores, ele quebrou os paradigma da lei mosaica e dos sacerdotes, pois não há ser humano capaz de cumprir com o rigorismo daquelas leis. Com ele se inaugura uma nova era de fé, esperança, amor e perdão para a humanidade. A institucionalização de seus ensinamentos (igrejas) demonstra que desde o início eles foram utilizados como arma política e vendiam uma visão do estado e da instituição e não do Cristo. O que ocorre hoje em dia nada mais é do que uma nova tentativa de manipulação destes valores, desta vez, a favor do sionismo internacional e de sua fome inesgotável de poder.

  4. Rachel Lopes Postado em 16/Oct/2012 às 18:05

    Concordo com o comentário Luiggi, só não compreendo propor uma Lei de matar crianças "rebeldes" só para dar um corretivo e servir de exemplo. Fico aqui pensando... na certa se esta Lei entrasse em vigor certamente colocariam uma criança negra para bode expiatório. Que tal o senador, já que leva a Bíblia ao pé da letra, devia oferecer seus filhos como exemplo e expiaria os pecados da nação norte-americana. Faça-me o favor!

  5. josé Postado em 16/Oct/2012 às 21:21

    imagina se o filho dele for de esquerda

  6. Carol Postado em 17/Oct/2012 às 12:41

    felipe, em 16 de outubro de 2012 às 1:40 disse: Ele nao tem ideia enganosa sobre a bíblia. Está escrito conforme ele disse. É isso que acontece quando um imbecil se guia por um livro igualmente imbecil. [2]

  7. Marcelo Postado em 17/Oct/2012 às 16:11

    Ele nao tem ideia enganosa sobre a bíblia. Está escrito conforme ele disse. É isso que acontece quando um imbecil se guia por um livro igualmente imbecil. [3]

  8. Luís Postado em 21/Dec/2012 às 20:51

    Felipe, Carol e Marcelo... três pessoas que não entendem nada de religião para saber que a Lei do Antigo Testamento não é a que vale mas, sim, a Lei de Cristo, mostrada no Novo Testamento. Então, antes de criticar a religião, procurem uma pessoa formada em Teologia, especializado em religiões cristãs e na palavra da Bíblia para saber o verdadeiro dogma da mesma. Luiggi, só discordo sobre essa questão de tratar o povo israelense como culpado disso aí, pois, assim como temos radicais ateus como os colegas que citei anteriormente, que pela maioria deles (espero que os colegas citados sejam excessão), só querem sair para a balada, encher a mente de álcool, drogas e sexo e querem mais que o mundo se exploda... aí, vira um alcóolatra, um viciado, pega uma AIDS e... quando fica na pior, advinha o que faz? Procura uma igreja para ver se Deus os salvará... pois bem, existe também o oposto, que são esse bando de radicais que usam as palavras de livros sagrados de diversas religiões (Bíblia, Alcorão, Vedas, Mahabharata, etc.) de maneira totalmente distorcida para justificar o apoio a ideologias semelhantes a uma espécie de Nazismo. Iremos encontrar ateus e radicais entre todos os povos e digo pra ti: esses são os verdadeiros demônios em forma humana! Eu ainda sou um que acredito em Religião e Ciência andando juntos em harmonia.

  9. Luís Postado em 21/Dec/2012 às 21:02

    Só corrigindo... aonde escrevi "excessão", o correto é "exceção"... "ERRAR É HUMANO, PERMANECER NO ERRO É NÃO EVOLUIR!"

  10. Cyro Morais Postado em 01/Jan/2013 às 18:01

    Luís, sinto dizer que essa desculpa de "lei do velho testamento ser passado" é extremamente esfarrapada e não redime em nada a sua bíblia. Afinal, essa era a vontade do seu deus bipolar. Quanto à buscar a interpretação das escrituras pela boca de um teólogo (pastor, padre ou afins) é no mínimo tendencioso, prefiro a interpretação individual e imparcial. E não, a maioria das pessoas que "só querem sair para a balada, encher a mente de álcool, drogas e sexo e querem mais que o mundo se exploda" aqui no Brasil, ironicamente, possuem religião, e, na maioria das vezes, são cristãos.