Redação Pragmatismo
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Academia 01/Oct/2012 às 15:33
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Morre Eric Hobsbawm, um dos maiores intelectuais do século XX

Morre aos 95 anos em Londres o historiador Eric Hobsbawm. Intelectual é considerado um dos maiores historiadores do século XX. Britânico escreveu ‘A era dos extremos’, ‘A era do capital’ e outras obras

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Hobsbawm afirmou que ele tinha vivido “no século mais extraordinário e terrível da história humana”. (Foto : divulgação)

O historiador britânico Eric Hobsbawm morreu de pneumonia nesta segunda-feira (1º) aos 95 anos no hospital Royal Free de Londres, informou sua família.

O intelectual marxista é considerado um dos maiores historiadores do século XX e escreveu “A era das revoluções”, “A era do capital”, “A era dos impérios”, “Era dos extremos”, entre outras obras.

Ele também era um entusiasta e crítico do jazz, escrevendo resenhas para jornais sobre o gênero musical e publicando o livro “História social do jazz”.

Sua filha, Julia Hobsbawm, disse: “Ele morreu de pneumonia nas primeiras horas da manhã em Londres. Ele fará falta não apenas para sua esposa há 50 anos, Marlene, e seus três filhos, sete netos e um bisneto, mas também por seus milhares de leitores e estudantes ao redor do mundo”.

“Até o fim, ele estava se esforçando ao máximo, ele estava se atualizando, havia uma pilha de jornais em sua cama”, completou a filha.

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Na manhã desta segunda-feira, Julia escreveu em seu perfil no Twitter que se sentia “comovida” pela “gentileza e pelas condolências de amigos e desconhecidos hoje pelo meu amável e incomparável pai”

Trajetória

Eric John Ernest Hobsbawm nasceu de uma família judia em Alexandria, no Egito, em 9 de junho de 1917. Seu pai era britânico, descendente de artesãos da Polônia e Rússia, e a família de sua mãe era da classe média austríaca. Hobsbawn cresceu em Viena, capital da Áustria, e em Berlim, capital da Alemanha.

Ele aderiu ao Partido Comunista aos 14 anos, após a morte precoce de seus pais. Na ocasião, ele foi morar com seu tio.
Na escola, ele informou o diretor que ele era comunista e argumentou que o país precisava de uma revolução.

“Ele me fez umas perguntas e disse: ‘Você claramente não faz ideia do que está falando. Faça o favor de ir à biblioteca e veja o que consegue descobrir'”, disse em uma entrevista à BBC em 2012. “E então eu descobri o Manifesto Comunista [de Karl Marx] e foi isso”, relatou, indicando o começo de sua formação marxista.

Em 1933, quando Hitler começava a subir no poder na Alemanha, Hobsbawm foi para Londres, na Inglaterra, onde obteve cidadania britânica.

O historiador se filiou ao Partido Comunista da Inglaterra em 1936 e continuou membro da legenda mesmo após o ataque das forças soviéticas à Hungria em 1956 e as reformas liberais de Praga em 1968, embora tenha criticado os dois eventos. O ex-líder do partido Neil Kinnock chegou a chamar Hobsbawm de “meu marxista predileto”.

Anos depois, ele disse que “nunca havia tentado diminuir as coisas terríveis que haviam acontecido na Rússia”, mas que acreditava que, no início do projeto comunista, um novo mundo estava nascendo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Hobsbawm foi alocado a uma unidade de engenharia em que foi apresentada a ele, pela primeira vez, a classe proletária.

“Eu não sabia muito sobre a classe proletária britânica, apesar de ser comunista. Mas, vivendo e trabalhando com eles, pensei que eram boas pessoas”, disse à BBC em 1995.

O historiador aprovou neles a “solidariedade, e um sentimento muito forte de classe, um sentimento de pertencer junto, de não querer que ninguém os derrubasse”.

Hobsbawm afirmou que ele tinha vivido “no século mais extraordinário e terrível da história humana”.
Ele veio ao Brasil em 2003 participar da primeira edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), evento do qual foi estrela.

Vida acadêmica

Hobsbawm estudou no King’s College de Cambridge e começou a dar aula na Universidade de Birkbeck em 1947, mais tarde tornando-se reitor da instituição.

Ele também passou temporadas como professor convidado nos Estados Unidos e lecionou na Universidade de Stanford, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e na Universidade de Cornel.

Em 1998, ele recebeu o título de Companhia de Honra. O prêmio, raramente concedido a historiadores, o colocou ao lado de ilustres como Stephen Hawking, Doris Lessing e Sir Ian McKellan.

Seu colega historiador A.J.P. Taylor, morto em 1990, disse que o trabalho de Hobsbawm se destacava pelas explicações precisas dos acontecimentos pelo interesse em pessoas comuns.

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O historiador britânico Eric Hobsbawm posa durante a primeira edição da Flip, em 2003; ele foi considerado a estrela daquela edição (Foto: Divulgação)

“A maior parte dos historiadores, por uma espécie de mal da profissão, se interessa somente pelas classes mais altas e pressupõe que eles mesmos fariam parte destes privilegiados se tivessem vivido um século ou dois atrás – uma possibilidade muito remota”, escreveu Taylor. “A lealdade do Sr. Hobsbawm está firmemente do outro lado das barricadas”, disse.

Obras

O primeiro livro de Hobsbawm, “Rebeldes primitivos”, publicado em 1959, é um estudo dos que ele chamava de “agitadores sociais pré-políticos”, incluindo ligas de camponeses sicilianos e gangues e bandidos metropolitanos, um exemplo de seu interesse pela história das organizações da classe trabalhadora.

No mesmo ano, ele escreveu uma obra sobre jazz e começou a colaborar como crítico para a revista “New Statesman” usando o pseudônimo Francis Newton, em homenagem ao trompetista comunista que acompanhava a cantora americana de jazz Billie Holiday.
Em 1962, ele publicou “Era da revolução”, primeiro de três volumes sobre o que chamou de “o longo século XIX”, cobrindo o período entre 1789, ano da Revolução Francesa, e 1914, começo da I Guerra Mundial. Os seguintes foram “Era do capital” (1975) e “Era dos impérios” (1987).

O quarto livro da sequência, “Era dos extremos” (1994), retratou a história até 1991, com o fim da União Soviética. Ele foi traduzido para quase 40 línguas e recebeu muitos prêmios internacionais.

Suas memórias, publicadas quando tinha 85 anos, elencaram os momentos cruciais na história europeia moderna nos quais ele viveu, e também foram um best-seller.

Seu último livro é “Como mudar o mundo”, de 2011, e é um compilado de textos escritos, desde a década de 1960, sobre Karl Marx e o marxismo.

De acordo com o jornal britânico “The Guardian”, ele tem um livro em revisão a ser publicado em 2013.

Agências Internacionais

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