Redação Pragmatismo
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Educação 23/Oct/2012 às 12:38
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Um sucesso para ninguém botar defeito: negros e pobres ascendem ao ensino superior

Número de jovens negros na universidade quintuplica, mas 91% ainda estão fora. Censo da Educação Superior 2011 mostra grande avanço de matrículas de jovens negros e pardos entre 1997 e 2011

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Nunca na história do Brasil tantos jovens negros, pardos e pobres ascenderam ao ensino superior como agora. (Foto: reprodução)

A notícia pareceu uma simples estatística: entre 1997 e 2011, quintuplicou a percentagem de negros e pardos que cursam ou concluíram o curso superior, indo de 4% para 19,8%. Em números brutos, foram 12,8 milhões de jovens de 18 a 24 anos. Isso aconteceu pela conjunção de duas iniciativas: restabelecimento do valor da moeda, ocorrido durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, e as políticas de ação afirmativa desencadeadas por Lula.

Poucos países do mundo conseguiram resultado semelhante em tão pouco tempo. Para ter uma ideia do tamanho dessa conquista, em 2011 a percentagem de afrodescendentes matriculados em universidades americanas chegou a 13,8%, 3 milhões em números brutos. Isso depois de meio século de lutas e leis. Em 1957, estudantes negros entraram na escola de Little Rock escoltados pela 101ª Divisão de Paraquedistas.

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Pindorama ainda tem muito chão pela frente, pois seus negros e pardos formam 50,6% da sua população e nos Estados Unidos são 13%. O percentual de 1997 retratava um Brasil que precisava mudar. O de 2011, uma sociedade que está mudando, para melhor. Por trás desse êxito estão políticas de cotas ou estímulos nas universidades públicas e no ProUni.

Em seis anos, o ProUni matriculou mais de 1 milhão jovens do andar de baixo, brancos, pardos, negros ou índios. Deles, 265 mil já se formaram. Novamente, convém ver o que esse número significa: em 1944, quando a sociedade americana não sabia o que fazer com milhões de soldados que combatiam na Europa e no Pacífico, o presidente Franklin Roosevelt criou a GI-Bill. Ela dava a todos os soldados uma bolsa integral nas universidades que viessem a aceitá-los. Em cinco anos, a GI-Bill matriculou 2 milhões de jovens.

Hoje entende-se que a iniciativa foi a base da nova classe média americana e há estudiosos que veem nela o programa de maior alcance social das reformas de Roosevelt.

Dados: brancos, negros e pardos

De 1997 a 2011, a proporção de pretos e pardos na universidade cresceu praticamente quatro vezes. Apenas 1,8% dos jovens autodeclarados pretos com idade entre 18 a 24 anos frequentavam ou haviam concluído o ensino superior em 1997. A proporção aumentou em 2004 e chegou a 8,8% no Censo 2011. No universo de pardos, também houve melhora: em 2011, 11% dos jovens pardos frequentavam ou haviam concluído o ensino superior, ante 2,2% em 1997.

Os jovens brancos seguem com maior presença no ensino superior: 25,6% deles frequentavam ou haviam concluído essa etapa em 2011, índice superior aos 18,7% de 2004 e aos 11,4% de 1997. O MEC não divulgou números da população indígena.

Entre os mais pobres (grupo classificado pelo MEC como o “20% da população de menor renda”), 4,2% dos jovens frequentavam ou haviam concluído o ensino superior em 2011; em 2004, o índice era de 0,6% e em 1997, de 0,5%. Entre os mais ricos (os “20% de maior renda”), a porcentagem de jovens com passagem pela educação superior saltou de 22,9% em 1997 para 47,1% em 2011.

Agência Brasil, Uol e Pragmatismo Politico

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Comentários

  1. Renan Postado em 25/Oct/2012 às 10:01

    E o sucesso da educação (que tornaria as cotas desnecessárias), cadê?

    • Gustavo S Postado em 25/Oct/2012 às 12:52

      Esse sucesso emergencial já trata-se de um adendo para o sucesso de uma educação futura. O sucesso de um sistema educacional não se constrói em 5, 10 ou 15 anos, como bem frisou Cristovam Buarque, mas é processo de longo prazo. É possível que já estejamos no caminho.

  2. Ivan Postado em 25/Oct/2012 às 14:43

    Bem, já é alguma coisa... pena que não grande coisa... gostaria de ser mais positivo a esse respeito, mas números não refletem nenhuma realidade (pelo menos não enquanto política), basta ir em qq escola, menos crianças nas ruas mais analfabetos funcionais, as faculdades de hoje tem qualidades dúbias, os profissionais resultantes disto são assombrosos, isso em qq área. Pense e repare bem... por isso já é alguma coisa, talvez avance daqui 5, 10 15 sei lá qtos anos, fato é que se a forma com que a política que organiza nossa vida continuar precisaríamos de uma era histórica pra sentir os efeitos da mudança.

  3. Helder Postado em 26/Oct/2012 às 02:55

    Renan, em 25 de outubro de 2012 às 10:01 disse: Virá com muito investimento e a longo prazo, a curto e médio prazo as cotas são extremamente necessárias. Convém também lembrar que isso for levado a sério pelos governantes, além disso a sociedade tem que cobrar muito mais.