Luis Soares
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Racismo não 24/Oct/2012 às 17:38
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Ator da Globo critica pouco espaço para negros na televisão brasileira

Érico Brás deu como exemplo a própria série onde atua. “Sou o único negro do programa e, além disso, apareço em menos de 10% das cenas. Isso está errado”

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De acordo com ator global Érico Brás, oportunidades para negros na televisão brasileira são limitadas. (Foto: divulgação Flaac 2012)

Horas antes da abertura do Festival Latino-Americano e Africano de Arte e Cultura 2012 (Flaac 2012), na Universidade de Brasília (UnB), estudantes de escolas públicas tiveram a oportunidade de ouvir o ator Érico Brás, que interpreta o papel do garçom Jurandir na série Tapas & Beijos, da Rede Globo. No encontro, ele reclamou do pequeno espaço que atores negros têm na televisão brasileira.

Érico Brás deu como exemplo a própria série onde atua. “Sou o único negro do programa e, além disso, apareço em menos de 10% das cenas. Isso está errado”, disse. O ator volta à Flaac à noite, às 18 horas, para ser o mestre de cerimônias do evento de abertura, no espaço Mandala Global Mestre Teodoro, e recitar poemas que contam a história da miscigenação brasileira. Ele é baiano e sua formação se deu no Bando de Teatro Olodum, de Salvador, grupo conhecido pelo conteúdo crítico do trabalho.

A discussão sobre discriminação racial, ideológica e religiosa, entre outras, está presente no Flaac 2012, cuja programação pode ser consultada na internet. Os organizadores querem incentivar a reflexão sobre a valorização das etnias. “Nós não reconhecemos que somos latino-americanos”, disse o coordenador-geral do festival, Zulu Araújo, que também é negro.

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Zulu lembrou que o espaço escolhido para a palestra de Brás e a conversa com os estudantes, pela manhã, a Oca dos Povos Indígenas Darcy Ribeiro, é um exemplo de convivência entre os diferentes. “Ela [a oca] é toda feita de material orgânico”, explicou. O coordenador também relacionou a vitória da política de cotas da UnB, que reserva vagas para mestiços e indígenas, com a preocupação do festival de estimular a integração das culturas latinas e africanas.

Durante as palestras do ator Érico Brás e de Zulu, os estudantes, todos do ensino médio de escolas públicas do Distrito Federal, reconheceram que o debate sobre os temas latinos e africanos está presente de forma limitada no cotidiano deles. “Temos o Dia da Consciência Negra, mas é preciso dar continuidade a esses trabalhos”, disse Thiago Palma, de 17 anos, que cursa o terceiro ano do ensino médio em uma escola de Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal.

As alunas Mirielle Tomaz, de 16 anos, e Kerollainy Lopes, de 18 anos, querem conhecer a cultura da América Latina e a da África. “É interessante, é diferente”, disse Mirielle. “Quero aprender sobre a universidade e sobre essas culturas, às quais não tenho acesso”, acrescentou Kerollainy.

Agência Brasil

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Comentários

  1. IDAN Postado em 26/Oct/2012 às 17:24

    Enquanto esse ESGOTO informativo chamado rede GLOBO ser a maior e mais assistida emissora do Brasil, disseminando uma cultura européia como padrão de família perfeita, essa situação turva de discriminação e marginalização irá prevalecer/subsistir. Na ótica dessa emissora medíocre, os negros dessa avenida Brasil só servem para servir de empregados e personagens estigmatizados do talante de traficantes, malandros, mendigos, ou melhor, "A CARA DA POBREZA", como assim quer nos fazer acreditar o ZORRA TOTAL. Os diretores de filmes americanos acusam o Brasil de NEGAR A COR DE SEU POVO, eis que em todo filme eles colocam UM SÓ negro, UM SÓ!, mesmo sabendo que nesse país há negros e brancos em números quase proporcionais(...) A lamentar, ESSE É O PAÍS DOS CACHOEIRAS, DOS DEMOSTENES, DOS SERRAS, DOS ALI KAMELS e etc., o país onde uma só família (marinho's) abocanha grande parte do PIB brasileiro E que ainda é contra as políticas afirmativas de inclusão social e redistribuição de rendas; o pais onde, mesmo com TODO UM POVO acenando para aprovação de um presidente, encontra uma MIDIA CORRUPTA tentando derrubá-lo, ÀS MENTIRAS (...)....enfim, é o país onde a justiça é igual as serpentes: só picam os DESCLAÇOS.

  2. Igor Fonseca Postado em 27/Nov/2012 às 00:04

    A televisão sempre se justifica falando que apenas retrata a realidade como ela é. Mas a verdade é que a televisão é um poderoso mecanismo de reforço comportamental que promove uma massificação de modelos sociais. Não precisa inventar, basta mostrar a realidade dos bons exemplos de representantes das minorias. As pessoas logo se identificarão e elas próprias se encarregaram de transformar a própria realidade. Bons comportamentos devem ser reforçados exaustivamente pela grande mídia com exemplos de sucesso, de pessoas antes discriminadas agora exitosas em profissões tradicionais. A televisão deve mostrar que é possível construir uma nova realidade.

  3. Igor Fonseca Postado em 27/Nov/2012 às 00:08

    A televisão deve promover a seguinte reflexão: "Nunca imaginei que a personagem honesta de fulano de tal fosse se dar bem depois de tanto sofrer na vida. Se fosse eu ..."

  4. web imoveis Postado em 30/Nov/2012 às 22:27

    Também concordo com o Érico.

  5. Pablo Vieira de Mendonça Postado em 29/Dec/2012 às 16:56

    E é verdade. Eu sei de cada coisa... Só não digo NOMES porque esse povo é PODRE e faz qualquer coisa. Set de gravação de certas NOVELAS é SENZALA e certos DIRETORES E DIRETOAS, DEBOCHAM dos atores de pele negra. Quem sabe um tiquinho da GLOBO, já tem nomes em mente. Rola RACISMO mesmo!

  6. Pablo Vieira de Mendonça Postado em 29/Dec/2012 às 16:58

    Lembram da mini-séria CARGA PESADA? Refeita a pouco tempo? ... pois é ... Procurem os nomes. ;D