Luis Soares
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Esquerda 04/Sep/2012 às 07:51
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Marilena Chauí rouba cena em debate: 'classe média paulistana é sinistra'

Marilena Chauí e a classe média: ‘Como se o mundo tivesse posto em risco todos os seus valores’

A filósofa e professora Marilena Chauí foi uma das participantes do debate A Ascensão Conservadora em São Paulo. Abaixo, no vídeo, concorde-se ou não, vale a pena conferir a fala dela no evento

Na mesma semana, num evento em defesa da liberdade de expressão e por uma Ley de Medios, realizado no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, a professora Marilena Chauí fez outra palestra antológica, que você pode conferir textualmente abaixo.

I. Democracia e autoritarismo social

Estamos acostumados a aceitar a definição liberal da democracia como regime da lei e da ordem para a garantia das liberdades individuais.

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Visto que o pensamento e a prática liberais identificam a liberdade com a ausência de obstáculos à competição, essa definição da democracia significa, em primeiro lugar, que a liberdade se reduz à competição econômica da chamada “livre iniciativa” e à competição política entre partidos que disputam eleições; em segundo, que embora a democracia apareça justificada como “valor” ou como “bem”, é encarada, de fato, pelo critério da eficácia, medida no plano do poder executivo pela atividade de uma elite de técnicos competentes aos quais cabe a direção do Estado. A democracia é, assim, reduzida a um regime político eficaz, baseado na idéia de cidadania organizada em partidos políticos, e se manifesta no processo eleitoral de escolha dos representantes, na rotatividade dos governantes e nas soluções técnicas para os problemas econômicos e sociais.

marilena chauí usp classe média

Marilena Chauí. Foto: reprodução

Ora, há, na prática democrática e nas idéias democráticas, uma profundidade e uma verdade muito maiores e superiores ao que liberalismo percebe e deixa perceber.

Podemos, em traços breves e gerais, caracterizar a democracia ultrapassando a simples idéia de um regime político identificado à forma do governo, tomando-a como forma geral de uma sociedade e, assim, considerá-la:

1. forma sócio-política definida pelo princípio da isonomia ( igualdade dos cidadãos perante a lei) e da isegoria (direito de todos para expor em público suas opiniões, vê-las discutidas, aceitas ou recusadas em público), tendo como base a afirmação de que todos são iguais porque livres, isto é, ninguém está sob o poder de um outro porque todos obedecem às mesmas leis das quais todos são autores (autores diretamente, numa democracia participativa; indiretamente, numa democracia representativa). Donde o maior problema da democracia numa sociedade de classes ser o da manutenção de seus princípios – igualdade e liberdade – sob os efeitos da desigualdade real;

2. forma política na qual, ao contrário de todas as outras, o conflito é considerado legítimo e necessário, buscando mediações institucionais para que possa exprimir-se. A democracia não é o regime do consenso, mas do trabalho dos e sobre os conflitos. Donde uma outra dificuldade democrática nas sociedades de classes: como operar com os conflitos quando estes possuem a forma da contradição e não a da mera oposição?

3. forma sócio-política que busca enfrentar as dificuldades acima apontadas conciliando o princípio da igualdade e da liberdade e a existência real das desigualdades, bem como o princípio da legitimidade do conflito e a existência de contradições materiais introduzindo, para isso, a idéia dos direitos (econômicos, sociais, políticos e culturais). Graças aos direitos, os desiguais conquistam a igualdade, entrando no espaço político para reivindicar a participação nos direitos existentes e sobretudo para criar novos direitos. Estes são novos não simplesmente porque não existiam anteriormente, mas porque são diferentes daqueles que existem, uma vez que fazem surgir, como cidadãos, novos sujeitos políticos que os afirmaram e os fizeram ser reconhecidos por toda a sociedade.

4. graças à idéia e à prática da criação de direitos, a democracia não define a liberdade apenas pela ausência de obstáculos externos à ação, mas a define pela autonomia, isto é, pela capacidade dos sujeitos sociais e políticos darem a si mesmos suas próprias normas e regras de ação. Passa-se, portanto, de uma definição negativa da liberdade – o não obstáculo ou o não-constrangimento externo – a uma definição positiva – dar a si mesmo suas regras e normas de ação. A liberdade possibilita aos cidadãos instituir contra-poderes sociais por meio dos quais interferem diretamente no poder por meio de reivindicações e controle das ações estatais.

5. pela criação dos direitos, a democracia surge como o único regime político realmente aberto às mudanças temporais, uma vez que faz surgir o novo como parte de sua existência e, conseqüentemente, a temporalidade é constitutiva de seu modo de ser, de maneira que a democracia é a sociedade verdadeiramente histórica, isto é, aberta ao tempo, ao possível, às transformações e ao novo. Com efeito, pela criação de novos direitos e pela existência dos contra-poderes sociais, a sociedade democrática não está fixada numa forma para sempre determinada, pois não cessa de trabalhar suas divisões e diferenças internas, de orientar-se pela possibilidade objetiva de alterar-se pela própria práxis;

6. única forma sócio-política na qual o caráter popular do poder e das lutas tende a evidenciar-se nas sociedades de classes, na medida em que os direitos só ampliam seu alcance ou só surgem como novos pela ação das classes populares contra a cristalização jurídico-política que favorece a classe dominante. Em outras palavras, a marca da democracia moderna, permitindo sua passagem de democracia liberal á democracia social, encontra-se no fato de que somente as classes populares e os excluídos (as “minorias”) reivindicam direitos e criam novos direitos;

7. forma política na qual a distinção entre o poder e o governante é garantida não só pela presença de leis e pela divisão de várias esferas de autoridade, mas também pela existência das eleições, pois estas ( contrariamente do que afirma a ciência política) não significam mera “alternância no poder”, mas assinalam que o poder está sempre vazio, que seu detentor é a sociedade e que o governante apenas o ocupa por haver recebido um mandato temporário para isto. Em outras palavras, os sujeitos políticos não são simples votantes, mas eleitores. Eleger significa não só exercer o poder, mas manifestar a origem do poder, repondo o princípio afirmado pelos romanos quando inventaram a política: eleger é “dar a alguém aquilo que se possui, porque ninguém pode dar o que não tem”, isto é, eleger é afirmar-se soberano para escolher ocupantes temporários do governo.

Dizemos, então, que uma sociedade — e não um simples regime de governo — é democrática quando, além de eleições, partidos políticos, divisão dos três poderes da república, respeito à vontade da maioria e da minoria, institui algo mais profundo, que é condição do próprio regime político, ou seja, quando institui direitos e que essa instituição é uma criação social, de tal maneira que a atividade democrática social realiza-se como uma contra-poder social que determina, dirige, controla e modifica a ação estatal e o poder dos governantes.

Se esses são os principais traços da sociedade democrática, podemos avaliar as enormes dificuldades para instituir a democracia no Brasil. De fato, a sociedade brasileira é estruturalmente violenta, hierárquica, vertical, autoritária e oligárquica e o Estado é patrimonialista e cartorial, organizado segundo a lógica clientelista e burocrática. O clientelismo bloqueia a prática democrática da representação — o representante não é visto como portador de um mandato dos representados, mas como provedor de favores aos eleitores. A burocracia bloqueia a democratização do Estado porque não é uma organização do trabalho e sim uma forma de poder fundada em três princípios opostos aos democráticos: a hierarquia, oposta à igualdade; o segredo, oposto ao direito à informação; e a rotina de procedimentos, oposta à abertura temporal da ação política.

Além disso, social e economicamente nossa sociedade está polarizada entre a carência absoluta das camadas populares e o privilégio absoluto das camadas dominantes e dirigentes, bloqueando a instituição e a consolidação da democracia. Um privilégio é, por definição, algo particular que não pode generalizar-se nem universalizar-se sem deixar de ser privilégio. Uma carência é uma falta também particular ou específica que se exprime numa demanda também particular ou específica, não conseguindo generalizar-se nem universalizar-se. Um direito, ao contrário de carências e privilégios, não é particular e específico, mas geral e universal, seja porque é o mesmo e válido para todos os indivíduos, grupos e classes sociais, seja porque embora diferenciado é reconhecido por todos (como é caso dos chamados direitos das minorias). Assim, a polarização econômico-social entre a carência e o privilégio ergue-se como obstáculo à instituição de direitos, definidora da democracia.

A esses obstáculos, podemos acrescentar ainda aquele decorrente do neoliberalismo, qual seja o encolhimento do espaço público e o alargamento do espaço privado. Economicamente, trata-se da eliminação de direitos econômicos, sociais e políticos garantidos pelo poder público, em proveito dos interesses privados da classe dominante, isto é, em proveito do capital; a economia e a política neoliberais são a decisão de destinar os fundos públicos aos investimentos do capital e de cortar os investimentos públicos destinados aos direitos sociais, transformando-os em serviços definidos pela lógica do mercado, isto é, a privatização dos direitos transformados em serviços, privatização que aumenta a cisão social entre a carência e o privilégio, aumentando todas formas de exclusão. Politicamente o encolhimento do público e o alargamento do privado colocam em evidência o bloqueio a um direito democrático fundamental sem o qual a cidadania, entendida como participação social, política e cultural é impossível, qual seja, o direito à informação.

II. Os meios de comunicação como exercício de poder

Podemos focalizar o exercício do poder pelos meios de comunicação de massa sob dois aspectos principais: o econômico e o ideológico.

Do ponto de vista econômico, os meios de comunicação fazem parte da indústria cultural. Indústria porque são empresas privadas operando no mercado e que, hoje, sob a ação da chamada globalização, passa por profundas mudanças estruturais, “num processo nunca visto de fusões e aquisições, companhias globais ganharam posições de domínio na mídia.”, como diz o jornalista Caio Túlio Costa. Além da forte concentração (os oligopólios beiram o monopólio), também é significativa a presença, no setor das comunicações, de empresas que não tinham vínculos com ele nem tradição nessa área. O porte dos investimentos e a perspectiva de lucros jamais vistos levaram grupos proprietários de bancos, indústria metalúrgica, indústria elétrica e eletrônica, fabricantes de armamentos e aviões de combate, indústria de telecomunicações a adquirir, mundo afora, jornais, revistas, serviços de telefonia, rádios e televisões, portais de internet, satélites, etc..

No caso do Brasil, o poderio econômico dos meios é inseparável da forma oligárquica do poder do Estado, produzindo um dos fenômenos mais contrários à democracia, qual seja, o que Alberto Dines chamou de “coronelismo eletrônico”, isto é, a forma privatizada das concessões públicas de canais de rádio e televisão, concedidos a parlamentares e lobbies privados, de tal maneira que aqueles que deveriam fiscalizar as concessões públicas se tornam concessionários privados, apropriando-se de um bem público para manter privilégios, monopolizando a comunicação e a informação. Esse privilégio é um poder político que se ergue contra dois direitos democráticos essenciais: a isonomia (a igualdade perante a lei) e a isegoria (o direito à palavra ou o igual direito de todos de expressar-se em público e ter suas opiniões publicamente discutidas e avaliadas). Numa palavra, a cidadania democrática exige que os cidadãos estejam informados para que possam opinar e intervir politicamente e isso lhes é roubado pelo poder econômico dos meios de comunicação.

A isonomia e a isegoria são também ameaçadas e destruídas pelo poder ideológico dos meios de comunicação. De fato, do ponto de vista ideológico, a mídia exerce o poder sob a forma do denominamos a ideologia da competência, cuja peculiaridade está em seu modo de aparecer sob a forma anônima e impessoal do discurso do conhecimento, e cuja eficácia social, política e cultural está fundada na crença na racionalidade técnico-científica.

A ideologia da competência pode ser resumida da seguinte maneira: não é qualquer um que pode em qualquer lugar e em qualquer ocasião dizer qualquer coisa a qualquer outro. O discurso competente determina de antemão quem tem o direito de falar e quem deve ouvir, assim como pré-determina os lugares e as circunstâncias em que é permitido falar e ouvir, e define previamente a forma e o conteúdo do que deve ser dito e precisa ser ouvido. Essas distinções têm como fundamento uma distinção principal, aquela que divide socialmente os detentores de um saber ou de um conhecimento (científico, técnico, religioso, político, artístico), que podem falar e têm o direito de mandar e comandar, e os desprovidos de saber, que devem ouvir e obedecer. Numa palavra, a ideologia da competência institui a divisão social entre os competentes, que sabem e por isso mandam, e os incompetentes, que não sabem e por isso obedecem.

Enquanto discurso do conhecimento, essa ideologia opera com a figura do especialista. Os meios de comunicação não só se alimentam dessa figura, mas não cessam de institui-la como sujeito da comunicação. O especialista competente é aquele que, no rádio, na TV, na revista, no jornal ou no multimídia, divulga saberes, falando das últimas descobertas da ciência ou nos ensinando a agir, pensar, sentir e viver. O especialista competente nos ensina a bem fazer sexo, jardinagem, culinária, educação das crianças, decoração da casa, boas maneiras, uso de roupas apropriadas em horas e locais apropriados, como amar Jesus e ganhar o céu, meditação espiritual, como ter um corpo juvenil e saudável, como ganhar dinheiro e subir na vida. O principal especialista, porém, não se confunde com nenhum dos anteriores, mas é uma espécie de síntese, construída a partir das figuras precedentes: é aquele que explica e interpreta as notícias e os acontecimentos econômicos, sociais, políticos, culturais, religiosos e esportivos, aquele que devassa, eleva e rebaixa entrevistados, zomba, premia e pune calouros — em suma, o chamado “formador de opinião” e o “comunicador”.

Ideologicamente, o poder da comunicação de massa não é um simples inculcação de valores e idéias, pois, dizendo-nos o que devemos pensar, sentir, falar e fazer, o especialista, o formador de opinião e o comunicados nos dizem que nada sabemos e por isso seu poder se realiza como manipulação e intimidação social e cultural.

Um dos aspectos mais terríveis desse duplo poder dos meios de comunicação se manifesta nos procedimentos midiáticos de produção da culpa e condenação sumária dos indivíduos, por meio de um instrumento psicológico profundo: a suspeição, que pressupõe a presunção de culpa. Ao se referir ao período do Terror, durante a Revolução Francesa, Hegel considerou que uma de suas marcas essenciais é afirmar que, por princípio, todos são suspeitos e que os suspeitos são culpados antes de qualquer prova. Ao praticar o terror, a mídia fere dois direitos constitucionais democráticos, instituídos pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789 (Revolução Francesa) e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, quais sejam: a presunção de inocência (ninguém pode ser considerado culpado antes da prova da culpa) e a retratação pública dos atingidos por danos físicos, psíquicos e morais, isto é, atingidos pela infâmia, pela injúria e pela calúnia. É para assegurar esses dois direitos que as sociedades democráticas exigem leis para regulação dos meios de comunicação, pois essa regulação é condição da liberdade e da igualdade que definem a sociedade democrática.

III.

Faz parte da vida da grande maioria da população brasileira ser espectadora de um tipo de programa de televisão no qual a intimidade das pessoas é o objeto central do espetáculo: programas de auditório, de entrevistas e de debates com adultos, jovens e crianças contando suas preferências pessoais desde o sexo até o brinquedo, da culinária ao vestuário, da leitura à religiosidade, do ato de escrever ou encenar uma peça teatral, de compor uma música ou um balé até os hábitos de lazer e cuidados corporais.

As ondas sonoras do rádio e as transmissões televisivas tornam-se cada vez mais consultórios sentimental, sexual, gastronômico, geriátrico, ginecológico, culinário, de cuidados com o corpo (ginástica, cosméticos, vestuário, medicamentos), de jardinagem, carpintaria, bastidores da criação artística, literária e da vida doméstica. Há programas de entrevista no rádio e na televisão que ou simulam uma cena doméstica – um almoço, um jantar – ou se realizam nas casas dos entrevistados durante o café da manhã, o almoço ou o jantar, nos quais a casa é exibida, os hábitos cotidianos são descritos e comentados, álbuns de família ou a própria são mostrados ao vivo e em cores. Os entrevistados e debatedores, os competidores dos torneios de auditório, os que aparecem nos noticiários, todos são convidados e mesmo instados com vigor a que falem de suas preferências, indo desde sabores de sorvete até partidos políticos, desde livros e filmes até hábitos sociais. Não é casual que os noticiários, no rádio e na televisão, ao promoverem entrevistas em que a notícia é intercalada com a fala dos direta ou indiretamente envolvidos no fato, tenham sempre repórteres indagando a alguém: “o que você sentiu/sente com isso?” ou “o que você achou/acha disso?” ou “você gosta? não gosta disso?”. Não se pergunta aos entrevistados o que pensam ou o que julgam dos acontecimentos, mas o que sentem, o que acham, se lhes agrada ou desagrada.

Também tornou-se um hábito nacional jornais e revistas especializarem-se cada vez mais em telefonemas a “personalidades” indagando-lhes sobre o que estão lendo no momento, que filme foram ver na última semana, que roupa usam para dormir, qual a lembrança infantil mais querida que guardam na memória, que música preferiam aos 15 anos de idade, o que sentiram diante de uma catástrofe nuclear ou ecológica, ou diante de um genocídio ou de um resultado eleitoral, qual o sabor do sorvete preferido, qual o restaurante predileto, qual o perfume desejado. Os assuntos se equivalem, todos são questão de gosto ou preferência, todos se reduzem à igual banalidade do “gosto” ou “não gosto”, do “achei ótimo” ou “achei horrível”.

Todos esses fatos nos conduzem a uma conclusão: a mídia está imersa na cultura do narcisismo.

Como observa Christopher Lash, em A Cultura do Narcisismo, os mass media tornaram irrelevantes as categorias da verdade e da falsidade substituindo-as pelas noções de credibilidade ou plausibilidade e confiabilidade – para que algo seja aceito como real basta que apareça como crível ou plausível, ou como oferecido por alguém confiável Os fatos cedem lugar a declarações de “personalidades autorizadas”, que não transmitem informações, mas preferências e estas se convertem imediatamente em propaganda. Como escreve Lash, “sabendo que um público cultivado é ávido por fatos e cultiva a ilusão de estar bem informado, o propagandista moderno evita slogans grandiloqüentes e se atém a ‘fatos’, dando a ilusão de que a propaganda é informação”.

Qual a base de apoio da credibilidade e da confiabilidade? A resposta encontra-se num outro ponto comum aos programas de auditório, às entrevistas, aos debates, às indagações telefônicas de rádios, revistas e jornais, aos comerciais de propaganda. Trata-se do apelo à intimidade, à personalidade, à vida privada como suporte e garantia da ordem pública. Em outras palavras, os códigos da vida pública passam a ser determinados e definidos pelos códigos da vida privada, abolindo-se a diferença entre espaço público e espaço privado.

Assim, as relações interpessoais, as relações intersubjetivas e as relações grupais aparecem com a função de ocultar ou de dissimular as relações sociais enquanto sociais e as relações políticas enquanto políticas, uma vez que a marca das relações sociais e políticas é serem determinadas pelas instituições sociais e políticas, ou seja, são relações mediatas, diferentemente das relações pessoais, que são imediatas, isto é, definidas pelo relacionamento direto entre pessoas e por isso mesmo nelas os sentimentos, as emoções, as preferências e os gostos têm um papel decisivo. As relações sociais e políticas, que são mediações referentes a interesses e a direitos regulados pelas instituições, pela divisão social das classes e pela separação entre o social e o poder político, perdem sua especificidade e passam a operar sob a aparência da vida privada, portanto, referidas a preferências, sentimentos, emoções, gostos, agrado e aversão.

Não é casual, mas uma conseqüência necessária dessa privatização do social e do político, a destruição de uma categoria essencial das democracias, qual seja a da opinião pública. Esta, em seus inícios (desde a Revolução Francesa de 1789), era definida como a expressão, no espaço público, de uma reflexão individual ou coletiva sobre uma questão controvertida e concernente ao interesse ou ao direito de uma classe social, de um grupo ou mesmo da maioria. A opinião pública era um juízo emitido em público sobre uma questão relativa à vida política, era uma reflexão feita em público e por isso definia-se como uso público da razão e como direito à liberdade de pensamento e de expressão.

É sintomático que, hoje, se fale em “sondagem de opinião”. Com efeito, a palavra sondagem indica que não se procura a expressão pública racional de interesses ou direitos e sim que se vai buscar um fundo silencioso, um fundo não formulado e não refletido, isto é, que se procura fazer vir à tona o não-pensado, que existe sob a forma de sentimentos e emoções, de preferências, gostos, aversões e predileções, como se os fatos e os acontecimentos da vida social e política pudessem vir a se exprimir pelos sentimentos pessoais. Em lugar de opinião pública, tem-se a manifestação pública de sentimentos.

Nada mais constrangedor e, ao mesmo tempo, nada mais esclarecedor do que os instantes em que o noticiário coloca nas ondas sonoras ou na tela os participantes de um acontecimento falando de seus sentimentos, enquanto locutores explicam e interpretam o que se passa, como se os participantes fossem incapazes de pensar e de emitir juízo sobre aquilo de que foram testemunhas diretas e partes envolvidas. Constrangedor, porque o rádio e a televisão declaram tacitamente a incompetência dos participantes e envolvidos para compreender e explicar fatos e acontecimentos de que são protagonistas.

Esclarecedor, porque esse procedimento permite, no instante mesmo em que se dão, criar a versão do fato e do acontecimento como se fossem o próprio fato e o próprio acontecimento. Assim, uma partilha é claramente estabelecida: os participantes “sentem”, portanto, não sabem nem compreendem (não pensam); em contrapartida, o locutor pensa, portanto, sabe e, graças ao seu saber, explica o acontecimento.

É possível perceber três deslocamentos sofridos pela idéia e prática da opinião pública: o primeiro, como salientamos, é a substituição da idéia de uso público da razão para exprimir interesses e direitos de um indivíduo, um grupo ou uma classe social pela idéia de expressão em público de sentimentos, emoções, gostos e preferências individuais; o segundo, como também observamos, é a substituição do direito de cada um e de todos de opinar em público pelo poder de alguns para exercer esse direito, surgindo, assim, a curiosa expressão “formador de opinião”, aplicada a intelectuais, artistas e jornalistas; o terceiro, que ainda não havíamos mencionado, decorre de uma mudança na relação entre s vários meios de comunicação sob os efeitos das tecnologias eletrônica e digital e da formação de oligopólios midiáticos globalizados (alguns autores afirmam que o século XXI começou com a existência de 10 ou 12 conglomerados de mass media de alcance global).

Esse terceiro deslocamento se refere à forma de ocupação do espaço da opinião pública pelos profissionais dos meios de comunicação. Esses deslocamentos explicam algo curioso, ocorrido durante as sondagens de intenção de voto nas eleições presidenciais de 2006: diante dos resultados, uma jornalista do jornal O Globo escreveu que o povo estava contra a opinião pública!

O caso mais interessante é, sem dúvida, o do jornalismo impresso. Em tempos passados, cabia aos jornais a tarefa noticiosa e um jornal era fundamentalmente um órgão de notícias. Sem dúvida, um jornal possuía opiniões e as exprimia: isso era feito, de um lado, pelos editorais e por artigos de não-jornalistas, e, de outro, pelo modo de apresentação da notícia (escolha das manchetes e do “olho”, determinação da página em que deveria aparecer e na vizinhança de quais outras, do tamanho do texto, da presença ou ausência de fotos, etc.). Ora, com os meios eletrônicos e digitais e a televisão, os fatos tendem a ser noticiados enquanto estão ocorrendo, de maneira que a função noticiosa do jornal é prejudicada, pois a notícia impressa é posterior à sua transmissão pelos meios eletrônicos e pela televisão. Ou na linguagem mais costumeira dos meios de comunicação: no mercado de notícias, o jornalismo impresso vem perdendo competitividade (alguns chamam a isso de progresso; outros, de racionalidade inexorável do mercado!).

O resultado dessa situação foi duplo: de um lado, a notícia é apresentada de forma mínima, rápida e, freqüentemente, inexata – o modelo conhecido como News Letter – e, de outro, deu-se a passagem gradual do jornal como órgão de notícias a órgão de opinião, ou seja, os jornalistas comentam e interpretam as notícias, opinando sobre elas. Gradualmente desaparece uma figura essencial do jornalismo: o jornalismo investigativo, que cede lugar ao jornalismo assertivo ou opinativo. Os jornalista passam, assim, o ocupar o lugar que, tradicionalmente, cabia a grupos e classes sociais e a partidos políticos e, além disso, sua opinião não fica restrita ao meio impresso, mas passa a servir como material para os noticiários de rádio e televisão, ou seja, nesses noticiários, a notícia é interpretada e avaliada graças à referência às colunas dos jornais.

Os deslocamentos mencionados e, particularmente, este último, têm conseqüências graves sob dois aspectos principais:

1) uma vez que o jornalista concentra poderes e forma a opinião pública, pode sentir-se tentado a ir além disso e criar a própria realidade, isto é, sua opinião passa a ter o valor de um fato e a ser tomada como um acontecimento real;

2) os efeitos da concentração do poder econômico midiático. Os meios de comunicação tradicionais (jornal, rádio, cinema, televisão) sempre foram propriedade privada de indivíduos e grupos, não podendo deixar de exprimir seus interesses particulares ou privados, ainda que isso sempre tenha imposto problemas e limitações à liberdade de expressão, que fundamenta a idéia de opinião pública. Hoje, porém, os conglomerados de alcance global controlam não só os meios tradicionais, mas também os novos meios eletrônicos e digitais, e avaliam em termos de custo-benefício as vantagens e desvantagens do jornalismo escrito ou da imprensa, podendo liquidá-la, se não acompanhar os ares do tempo.

Esses dois aspectos incidem diretamente sobre a transformação da verdade e da falsidade em questão de credibilidade e plausibilidade. Rápido, barato, inexato, partidarista, mescla de informações aleatoriamente obtidas e pouco confiáveis, não investigativo, opinativo ou assertivo, detentor da credibilidade e da plausibilidade, o jornalismo se tornou protagonista da destruição da opinião pública.

De fato, a desinformação é o principal resultado da maioria dos noticiários nos jornais, no rádio e na televisão, pois, de modo geral, as notícias são apresentadas de maneira a impedir que se possa localizá-la no espaço e no tempo.

Ausência de referência espacial ou atopia: as diferenças próprias do espaço percebido (perto, longe, alto, baixo, grande, pequeno) são apagadas; o aparelho de rádio e a tela da televisão tornam-se o único espaço real. As distâncias e proximidades, as diferenças geográficas e territoriais são ignoradas, de tal modo que algo acontecido na China, na Índia, nos Estados Unidos ou em Campina Grande apareça igualmente próximo e igualmente distante.

Ausência de referência temporal ou acronia: os acontecimentos são relatados como se não tivessem causas passadas nem efeitos futuros; surgem como pontos puramente atuais ou presentes, sem continuidade no tempo, sem origem e sem conseqüências; existem enquanto forem objetos de transmissão e deixam de existir se não forem transmitidos. Têm a existência de um espetáculo e só permanecem na consciência dos ouvintes e espectadores enquanto permanecer o espetáculo de sua transmissão.

Como operam efetivamente os noticiários?

Em primeiro lugar, estabelecem diferenças no conteúdo e na forma das notícias de acordo com o horário da transmissão e o público, rumando para o sensacionalismo e o popularesco nos noticiários diurnos e do início da noite e buscando sofisticação e aumento de fatos nos noticiários de fim de noite. Em segundo, por seleção das notícias, omitindo aquelas que possam desagradar o patrocinador ou os poderes estabelecidos. Em terceiro, pela construção deliberada e sistemática de uma ordem apaziguadora: em seqüência, apresentam, no início, notícias locais, com ênfase nas ocorrências policiais, sinalizando o sentimento de perigo; a seguir, entram as notícias regionais, com ênfase em crises e conflitos políticos e sociais, sinalizando novamente o perigo; passam às notícias internacionais, com ênfase em guerras e cataclismos (maremoto, terremoto, enchentes, furacões), ainda uma vez sinalizando perigo; mas concluem com as notícias nacionais, enfatizando as idéias de ordem e segurança, encarregadas de desfazer o medo produzido pelas demais notícias. E, nos finais de semana, terminam com notícias de eventos artísticos ou sobre animais (nascimento de um ursinho, fuga e retorno de um animal em cativeiro, proteção a espécies ameaçadas de extinção), de maneira a produzir o sentimento de bem-estar no espectador pacificado, sabedor de que, apesar dos pesares, o mundo vai bem, obrigado.

Paradoxalmente, rádio e televisão podem oferecer-nos o mundo inteiro num instante, mas o fazem de tal maneira que o mundo real desaparece, restando apenas retalhos fragmentados de uma realidade desprovida de raiz no espaço e no tempo. Como desconhecemos as determinações econômico-territoriais (geográficas, geopolíticas, etc.) e como ignoramos os antecedentes temporais e as conseqüências dos fatos noticiados, não podemos compreender seu verdadeiro significado. Essa situação se agrava com a TV a cabo, com emissoras dedicadas exclusivamente a notícias, durante 24 horas, colocando num mesmo espaço e num mesmo tempo (ou seja, na tela) informações de procedência, conteúdo e significado completamente diferentes, mas que se tornam homogêneas pelo modo de sua transmissão. O paradoxo está em que há uma verdadeira saturação de informação, mas, ao fim, nada sabemos, depois de termos tido a ilusão de que fomos informados sobre tudo.

Se não dispomos de recursos que nos permitam avaliar a realidade e a veracidade das imagens transmitidas, somos persuadidos de que efetivamente vemos o mundo quando vemos a TV ou quando navegamos pela internet. Entretanto, como o que vemos são as imagens escolhidas, selecionadas, editadas, comentadas e interpretadas pelo transmissor das notícias, então é preciso reconhecer que a TV é o mundo ou que a internet é o mundo.

A multimídia potencializa o fenômeno da indistinção entre as mensagens e entre os conteúdos. Como todas as mensagens estão integradas num mesmo padrão cognitivo e sensorial, uma vez que educação, notícias e espetáculos são fornecidos pelo mesmo meio, os conteúdos se misturam e se tornam indiscerníveis. No sistema de comunicação multimídia a própria realidade fica totalmente imersa em uma composição de imagens virtuais num mundo irreal, no qual as aparências não apenas se encontram na tela comunicadora da experiência, mas se transformam em experiência. Todas as mensagens de todos os tipos são incluídas no meio por que fica tão abrangente, tão diversificado, tão maleável, que absorve no mesmo texto ou no mesmo espaço/tempo toda a experiência humana, passada, presente e futura, como num ponto único do universo.

Se, portanto, levarmos em consideração o monopólio da informação pelas empresas de comunicação de massa, podemos considerar, do ponto de vista da ação política, as redes sociais como ação democratizadora tanto por quebrar esse monopólio, assegurando a produção e a circulação livres da informação, como também por promover acontecimentos políticos de afirmação do direito democrático à participação. No entanto, os usuários das redes sociais não possuem autonomia em sua ação e isto sob dois aspectos: em primeiro lugar, não possuem o domínio tecnológico da ferramenta que empregam e, em segundo, não detêm qualquer poder sobre a ferramenta empregada, pois este poder é uma estrutura altamente concentrada, a Internet Protocol, com dez servidores nos Estados Unidos e dois no Japão, nos quais estão alojados todos os endereços eletrônicos mundiais, de maneira que, se tais servidores decidirem se desligar, desaparece toda a internet; além disso, a gerência da internet é feita por uma empresa norte-americana em articulação com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, isto é, gere o cadastro da internet mundial. Assim, sob o aspecto maravilhosamente criativo e anárquico das redes sociais em ação política ocultam-se o controle e a vigilância sobre seus usuários em escala planetária, isto é, sobre toda a massa de informação do planeta.

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Na perspectiva da democracia, a questão que se coloca, portanto, é saber quem detêm o controle dessa massa cósmica de informações. Ou seja, o problema é saber quem tem a gestão de toda a massa de informações que controla a sociedade, quem utiliza essas informações, como e para que as utiliza, sobretudo quando se leva em consideração um fato técnico, que define a operação da informática, qual seja, a concentração e centralização da informação, pois tecnicamente, os sistemas informáticos operam em rede, isto é, com a centralização dos dados e a produção de novos dados pela combinação dos já coletados.

Texto: Marilena Chauí. Edição, Pragmatismo Político e Viomundo

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Comentários

  1. Cristiane Magalhães Postado em 04/Sep/2012 às 20:25

    ESCLARECEDOR O TEXO DESTA PENSADORA SOCIAL MARAVILHOSA!

  2. Francisco Postado em 04/Sep/2012 às 21:23

    Tu é loko!!! Sensacional.....

  3. Giulio Proietti Postado em 05/Sep/2012 às 06:36

    Concordo com cada vírgula! Parabéns Prof.ª!

  4. Vera Postado em 05/Sep/2012 às 22:26

    Fantástia as colocações dela!!!!!!

  5. Elisa Postado em 06/Sep/2012 às 02:57

    Brilhante,simpática e corajosa como sempre ! Que saudades dos anos 80 e deste tipo de prof. universitário, que privilegia o aprimoramento da capacidade crítica e não visa apenas a inserção no mercado de trabalho !

  6. Arlete Mariuza Mathias Postado em 06/Sep/2012 às 19:04

    Concordo plenamente com a professora , esses elementos são frutos do" ter e não do se"r parabéns pela reação neste nivel com certeza eles jamais entenderão

  7. Antonio Carlos Quinelato Postado em 07/Sep/2012 às 23:15

    Amiga da palestra adorei o livro o que é ideologia. Mas gostaria que vocÊ EU e todos os pensadores reflexionassem sobre os caminhos do ser no planeta...

  8. roberto sampaio Postado em 07/Sep/2012 às 23:50

    Essa mulher é uma mistificadora mal intencionada. Quer que os paulistanos nos sintamos todos uns fascistóides reacionários - e tudo com o propósito subliminar de nos dizer que, por não deixarmos o PT tomar o poder por aqui e, enfim, concretizar o seu abjeto projeto de controle absoluto do Estado e perpetuação no comando do país, somos uns conservadores a serem combatidos e, se possível, postos a nos envergonhar de nós mesmos, como se correspondêssemos a essa visão caricata com a qual tenta nos classificar. Justo ela que defende um partido que tem como aliados exatamente as oligarquias, a alta burguesia (que os financia fartamente em suas campanhas) e uma ampla gama de pilantras corruptos da política nacional; um partido que vale-se, por exemplo, de um programa de auditório como o do Ratinho para veicular, numa lamentável "entrevista" do Lula, o seu insípido e aguado candidato à Prefeitura; justo ela que faz parte de um partido que, para se manter no poder a qualquer custo, drena dinheiro público e loteia estatais para comprar o apoio de personagens como o Maluf, o Sarney, o Collor, o Renan Calheiros, o Jader Barbalho e um vastíssimo rol de sem-vergonhas do mesmo naipe. Não, Dona Marilena. Eu não compro esse seu discursinho safado, estúpido e mistificador. Não compro a idéia de falar mal da Revolução Constitucionalista, ao menos quando se tenta contrapô-la a algo como a ditadura Vargas, que, entre outras atrocidades, teve um Filinto Muller como chefe da repressão a entregar Olga Benário aos nazistas, entre outros feitos da mesma natureza. Tive, de resto, nos anos 80, o desprazer de acompanhá-la de perto em sua trágica passagem como Secretária da Cultura da gestão Erundina em São Paulo, eu que trabalhava, na época, no Centro Cultural São Paulo. Poucas vezes na vida vi alguém que fosse tão despótica, tão incompetente do ponto de vista administrativo, tão mal quista por todos os que a ela, na Secretaria, eram subordinados. Poucas vezes pude ver o quanto um discurso podia se diferenciar da prática, o quanto uma pessoa podia se valer de sofismas para, às escuras, fazer exatamente o que parecia criticar. Nós, os paulistanos, certamente temos defeitos. Mas temos também qualidades que não nos colocam em dívida com gente de qualquer outra cidade ou outro Estado do Brasil, Estados que, aliás, por terem nos agraciado com a presença de muitos de seus filhos, fazem desta cidade, mais do que qualquer outra, o retrato mais bem acabado de convivência real - e não hipotética - entre todos os brasileiros. Eu, ao menos em vista desse prisma de culpa que a Marilena tenta nos impingir, não me reconheço nem reconheço meus concidadãos. E guardo, ao menos quando me contraponho a esse tipo de apelo sórdido, especial orgulho por ser paulistano.

  9. Gustavo S Postado em 08/Sep/2012 às 00:04

    Também tenho orgulho de ser paulistano e da nossa gente, mas concordo com a Marilena porque sei exatamente de quais tipos ela está falando. Hoje moro em Belo Horizonte e sei que parte da classe média daqui é também um retrato do que ela expõe em sua fala, embora em proporções bem menores. O conservadorismo em São Paulo é notadamente mais acentuado e difícil de digerir.

  10. roberto sampaio Postado em 08/Sep/2012 às 00:31

    E o que há de progressista, Gustavo, em tipos como a Marilena Chauí, que está a serviço de governos como este do PT que, como se sabe, é o mais amplamente financiado pelos capitalistas nativos, o que se aliou às oligarquias que ela critica em seu discurso, o que joga dinheiro público no colo de fisiológicos da pior direita da era militarista, que tem na retórica populista do Lula o exemplo mais bem acabado da mistura entre o pessoal e o público, entre o privado e o social, e tudo sob a estética lamentável dos programas de auditório? Sinceramente. Reacionário, hoje, é aderir ao PT e considerá-lo, contra todas as evidências, algo que tenha minimamente a ver com as forças progressistas.

    • Gustavo S Postado em 08/Sep/2012 às 09:05

      Roberto, nesse caso nem estou a incluir em minhas considerações a política profissional partidária, até porque essa referida classe-média, a meu ver, atualmente independe de sigla partidária, mesmo que em São Paulo esteja mais guinada a votar no PSDB. No que tange os últimos governos federais de PSDB e PT (FHC e Lula), tenho dezenas de críticas mas também de constatações positivas para fazer a respeito de ambos. Mas suponho que o espaço para fazê-las seja em outra postagem.

  11. João Postado em 08/Sep/2012 às 10:07

    Show de preconceito dessa intelectualoidezinha. Botar como "grande intelectual brasileira" uma mulher tão pequena, tão parcial e que contribuiu tão pouco para a filosofia é uma coisa muito triste e reflete muito bem o que se tornou a intelectualidade brasileira.

  12. clau brugnara Postado em 08/Sep/2012 às 11:13

    já disseram: "é possível montar uma grande mentira contando um monte de verdades"...Situar os problemas da individualização e seus desdobramento negativo na convivência social apenas numa classe e numa região é a negação dos próprios valores que ela apregoa. Concordo com ela no que tange à denuncia do mal estar da nossa sociedade atual por conta da exacerbação do individualismo, do estreitamento do espaço para a solidariedade e a civilidade...enfim; Mas Marilena só enxerga isso em São paulo? Só na "classe média paulistana"? - A paixão distorce e reduz a capacidade de visão, inclusive de filósofos, Ela é um bom exemplo disso. Visite o Rio, Brasília e outras capitais, Dra. Marilena. Vai encontrar arrogância e prepotência sem distinção de lugar; gente disputando "à tapa" vaga pra estacionar, filhinhos de papai espancando mendigos ou destratando pessoas que acham menos importantes. Mas essa violência é produto só da classe média? - Olhe também a arrogância e a violência de seus aliados ideológicos ocupando posições de poder na política, ou desviar dinheiro público pra fazer campanha não é o cúmulo da violência, da arrogância e do individualismo? - Marilena é inteligente demais para acreditar no que acredita..Um paradoxo. A paixão exacerbada infelizmente tem atrapalhado lucidez e minado a potencia do pensamento desta brilhante intelectual. Liberte-se da paixão, Marilena..Ouse mais!

  13. SANDRO BORELLI Postado em 08/Sep/2012 às 14:03

    MARILENA BRILHANTE COMO SEMPRE!!!!!!!

  14. Rogerio Postado em 08/Sep/2012 às 15:22

    Propaganda da Veja e Estadão nesse site?

  15. WALTER VIEIRA Postado em 08/Sep/2012 às 15:33

    EXELENTE CONTEUDO!!!!!!!!!

  16. celso Postado em 08/Sep/2012 às 17:10

    ptz como tem idiotas que ainda discorda dessas colocaçoes desta magnifica pessoa como é Marilena Chaui.É como eu ja disse para esse tipo de idiotas se Cristo voltar com a mesma idiologia de dois mil anos eles os crucificarão de novo.

  17. Maurício Postado em 09/Sep/2012 às 06:33

    A visão encurtada e previsível de certos comentários esclarece o contagioso medo de indivíduos que realmente não sabem seu lugar no conteúdo democrático do nosso país. Exemplos são esclarecedores e não objetivos coleguinhas leitores,não necessariamente a cidade de São Paulo é uma unidade isolada,mas sim o exemplo mais caricatural do exposto. Estou admirado com o conteúdo da publicação e enviarei para uma série de amigos, assim como foi-me encaminhado.

  18. Sibélius Postado em 09/Sep/2012 às 08:01

    Tudo que mesmo vindo de in telectuais, tenha no fundo um viéz ou um objetivo politico, se perde diante da própria concepção originária, ou seja, não acrescenta nada porque defende uma posição politica partidária, embora disfaraçada, e isso diminui o poder do que foi falado ou escrito.Oras, eu sou do tempo de fanátismo pelo Lula-lá, era seguidor, eleitor. Pois bem ganhando o Poder, as ações favoráveis não justificam de forma alguma a corrupção, a apologia da corrupção, a negação daquilo que se pregava antes...ou pior, mantendo aparentemente o discurso, para que paralelamente se possa roubar e espoliar, de uma forma ou outra, o erario publico. Lastimável.

  19. JOSÉ CARLOS GOMES Postado em 09/Sep/2012 às 08:56

    CLASSE MÉDIA NOJENTA, NÃO ME TOQUES, NÃO ME RELES, E POR AÍ VAI!

  20. Vânia Lima Postado em 09/Sep/2012 às 09:38

    Penso, que há dois parâmetros importantes discutidos pela Profª Marilena Chaui - um é o texto escrito e postado; outro é a sua fala e, sim é impossível não referendar em ambos sua construção meticulosa e coerente de análise e denúncia sobre o comportamento atual dos sujeitos - individuos, meios de comunicação, politicos. Marilena Chauí é racional e visceral quando expõe suas idéias: seu texto é claro e fundamentado, sua fala interpreta e não deixa dúvidas, o que a faz brilhante pensadora e professora. há um ano numa Conferência ela relatou esse episódio que viveu na av Indianápolis, no caixa eletrônico, que é bem típico do que pode nos envolver a qualquer momento cotidiano em São Paulo e, usá-lo para exemplificar seu pensamento é muito pertinente. se todos os sujeitos refletissem sobre os atos cotidianos chegariam à conclusão construída nesse discurso, de como nos tornamos idiotizados pela mídia e como isso repercute no comportamento social do dia à dia, exemplificado pelos esterótipos - que nos desafiam e perplexiam - de violência das relações humanas coletivas e privadas. sim, há em nós o predador, o monstro a destruir as relações cordiais de convivio urbano, contaminando tudo e todos, inviabilizando o espaço público e tornando-o propicio aos reacionários, daí é tempo de alertados, reagirmos a esse mal estado das coisas.

  21. roberto sampaio Postado em 09/Sep/2012 às 16:20

    Esse discurso, se feito por qualquer pessoa, já seria totalmente pueril, tendencioso e mistificador, já que atribui de forma rasa e simplista, a uma estranha entidade chamada "a classe média paulistana", seja lá o que isto for, praticamente o monopólio do comportamento frívolo, mesquinho e individualista no país. Quando esse tipo de coisa é dita por alguém como a Marilena Chauí, aí então podemos certeza de que por trás do que se diz há intenções inconfessáveis. A não ser que fechemos os olhos à flagrante incoerência entre a crítica a uma suposta elite que, estranhamente, é a mesma elite que financia, mais do que a qualquer outro partido, as campanhas eleitorais do PT; que fechemos aos olhos ao discurso populista do Lula, que, mais do que qualquer outro, a misturar o público e o privado, empregou e emprega largamente a estética comum aos mais lamentáveis programas de auditório da TV brasileira e não se cansa de tratar a coisa pública como privada e vice-versa; que não nos toquemos, enfim, que a evidente finalidade do discurso é estigmatizar o povo de São Paulo, e tachá-lo de burguês, em razão da falta de aderência da gente daqui à instalação do PT no poder do Estado ou do Município, coisa que inviabiliza o seu projeto de plena ocupação da máquina do Estado brasileiro como um todo e a conseqüente perpetuação no Poder. Desculpem-me os devotos, mas acreditar nessa mulher não é coisa, a meu ver, de gente que conte, ao menos no plano da inteligência política, com mais de dois míseros neurônios.

  22. Paulo Santiago Postado em 09/Sep/2012 às 16:31

    No Brasil, não é preciso ir muito longe para observar o comportamento descrito por Marilena Chauí. Os exemplos da Marilena Chauí são bons para reflexão. Não vejo problemas com a paixão. Inferir que essa pensadora está exagerando é pensar que de fato há um modo de expressão totalmente livre de paixão. É mesmo uma pândega e uma triste ilusão pensar que há um modo de construir um discurso sem paixão, no Brasil, ou qualquer parte desse mundo. Mesmo os serviços repressivos fazem uso da paixão e a reconhecem como um traço de todos os seres humanos quando treinam oficiais. Onde se pode encontrar algo sem paixão? O estilo pode mudar, mas está lá, em todos nós. Alguém pode esclarecer neste forum o que são "forças progressistas"? Creio ter lido quase todos os livros e estudos da Marilena. Não gostei de todos. Concordo que há paixão e concordo que professores universitáriios não são, e nem podem ser (com raras exceções), bons administradores, bons políticos, bons diretores de uma secretaria. Essa falta de vocação parece ser mundial. São bons consultores e bons analistas, mas muito inexperientes sobre como lidar com uma máquina burocrática. Isso não quer dizer que sejam "mistificadores". Isso quer dizer que, de fato, o governo de um país ou de uma secretaria pode não ser o lugar ideal para um intelectual. É muito difícil, mas para todos - de direita, esquerda e meio! Prefeitura de São Paulo? Uma ninharia! Pensem sobre qualquer governo, em qualquer cidade e país do mundo. Atualmente, esse tipo de informação está alcance de todos para ler e comparar. Não creio que Marilena seja mal intencionada. Os comentários são básicos de qualquer democracia. Marilena peca por tentar ser muito civilizada, sem a intenção de enlouquecer todos os brasileiros. Não é preciso ir muito longe no Brasil para observar o que a Marilena descreve e muito mais. É uma pena que toda a vida pública e a vida política no Brasil ainda cause tanta cegueira e ressentimento, a ponto de impedir um debate. Isso não é só uma crítica a alguns comentadores, mas um convite (nada inocente) para que pensemos juntos sobre como melhorar a vida pública. É o que acontece em todas as democracias.

  23. Ivo Bueno Ferraz Postado em 10/Sep/2012 às 04:56

    Uma mente muito estreita e curta pra quem tem o rótulo de socióloga e filósofa. Usar tanto conhecimento e poder de retórica para manipular, ou tentar fazer isso, não é outra coisa senão AUTORITARISMO (impor uma condição ou pensamento valendo-se de seu cargo, título ou posição social). "A classe média de São Paulo é protofascista", disse ela... O que isso significa? "Proto" quer dizer: Ensaio, preparação, origem, início... "Fascismo": É o regime totalitário de Governo estabelecido por Benito Mussolini na Itália entre os anos de 1922 e 1945, onde o autoritarismo substitui a democracia. Portanto, ela quis dizer que a classe média paulistana se comporta como os primeiros fascistas que apoiavam a extrema-direita na Itália em 1922. A tentativa desesperada dela em aniquilar a Classe Média é, ao meu ver (e fica muito claro em sua "palestrada"), a mais autêntica reação fascista que alguém pode ter, visto que seu discurso tenta beneficiar o Governo estabelecido (PT) que já há muito tempo abandonou (e traiu) sua ideologia "esquerdista" do comunismo-marxista que fez a base de seu palanque político. Incoerente também é seu discurso quando diz que a Classe Média não conhece sua posição: "A Classe Dominante" - formada por intelectuais e políticos - "...tem um lugar claro na economia, na política... tende a deter o poder do Estado...". "Os trabalhadores têm um lugar claro..." como força de produção. "A Classe Média não tem lugar...". "...Ela não tem a propriedade privada dos meios sociais de produção... E ela não é detentora da força produtiva, da força de trabalho e da produção da mais valia... Ela está (a Classe Média) na produção de serviços, das profissões liberais...". Ora, são exatamente os médicos, advogados, comerciantes, jornalistas, dentistas, professores, etc. Na cabeça dela existe só Governo e trabalhadores braçais! É típico de quem estudou e não entendeu a ideologia Marxista. E ela continua seu discurso dizendo: "Se ela (a Classe Média) não tem um lugar..." "...onde ela exerce seu poder? ...Ela é o Poder Ideológico. Ela é o sustentáculo ideológico!...". " ..."Qual é o núcleo ideológico da Classe Média?... ...O núcleo é Ordem e Segurança!"... Ora! Pra quem não conhece seu "lugar" na estrutura social, a Classe Média tem uma função essencial!!! Não sei se a Dona Marilena Chauí reconhece a Bandeira Nacional Brasileira como símbolo máximo de nossa Nação, e se ela teve interesse em ler o que está escrito nela: "Ordem e Progresso"! Chegar ao Poder em nome do proletariado para distribuir "migalhas e esmolas" a ele a fim de mantê-lo subjugado é a forma mais perversa, danosa e humilhante de se governar! Reacionária é esta senhora, que defende seus "colegas" travestidos de arautos do socialismo, que cospem na democracia ao tentar dizimar a classe média com tanto revanchismo e ódio, de olhos e ouvidos fechados, sem medir consequências ao futuro das próximas gerações! É bastante temerário o uso do termo "trabalhadores" para identificar uma classe social, visto que na classe média as pessoas também são "trabalhadoras", diferenciando-se apenas seu grau de instrução e seu poder aquisitivo. A segregação e a exclusão são condenáveis e abomináveis em qualquer nível, e é extamente o que ela fez com seu discurso! Pra ela seria aconselhável voltar a sentar no auditório de uma faculdade e ter (muitas) aulas com o Mestre Filósofo Mário Sérgio Cortella! Quem sabe assim ela aprenda alguma coisa com ele. Sou profissional liberal e CLASSE MÉDIA com muito orgulho, à custa de muito estudo e trabalho! Me senti profundamente ofendido por essa senhora.

  24. Arthur Moura Postado em 10/Sep/2012 às 09:18

    Uma democracia burocrática, regida pela eleição aos moldes como o texto sugere não conseguirá na prática negar as principais contradições do liberalismo e de todas as formas de controle social inventadas pela modernidade. A perspectiva de igualdade perante a lei enquadra o gênero humano dentro do contratualismo de Rousseau. Há de se pensar, portanto, qual diretriz política historicamente se aproveitou dessa forma de organização social para manter as bases de exploração e controle de uma classe em detrimento de outra. A burocracia resulta diretamente das estruturas de poder que institucionalizam, segmentam e controlam a sociedade. Essa mesma forma legalista de controle social vai reger e instituir um novo ordenamento onde cabe ao Estado se edificar em bases não muito distintas da democracia que experimentamos hoje. A democracia representativa não abre caminhos para a democracia participativa. As duas democracias são incompatíveis e uma nega a outra em sua prática provando que o critério da verdade se faz no cotidiano. Para que exista a democracia participativa é preciso antes superar a organização da sociedade em classes. Para isso, não é possível realizar essa transformação dentro de um contexto burocratizado e institucionalizado, dividido em fronteiras e camuflados por uma concepção de universalidade. Pensar numa sociedade livre não pode nos resumir a afirmar as contradições da democracia representativa, que historicamente provou servir a classe burguesa. Buscar mediações institucionais para os conflitos da sociedade garante ao poder o controle das reivindicações transformando os conflitos em sua essência em nada mais que acordos políticos entre representantes. Quando não cabe ao povo se autorepresentar, resta-lhes apenas confiar suas próprias verdades e sonhos às necessidades particulares do projeto alheio que nega em sua essência o outro. Este projeto de classe não diz respeito às demandas de uma comunidade local. Este projeto prioriza as demandas dos que detém o poder e o poder não está a serviço do povo. Ter direitos dentro da concepção burguesa não garante a igualdade, mas sim a permanência dos aparatos que garantem a supremacia do Estado e do capital. Dessa forma é impossível que os indivíduos possam desenvolver suas autonomias, já que estarão sujeitos às demandas que não prioriza a liberdade, mas sim o controle sob a forma de organização institucional. Afirmar que a democracia é verdadeiramente histórica nesse tom, nega diversas outras formas de organização social fora do conhecimento ocidental e nega também a autogestão como forma que busca superar principalmente todo esse ordenamento que constrói a ideia de liberdade dentro dos limites da representatividade burguesa. “Eleger significa não só exercer o poder, mas manifestar a origem do poder, repondo o princípio afirmado pelos romanos quando inventaram a política: eleger é “dar a alguém aquilo que se possui, porque ninguém pode dar o que não tem”, isto é, eleger é afirmar-se soberano para escolher ocupantes temporários do governo.” Dentro desse contexto, quem exerce o poder é o eleito que num determinado tempo terá a função de legislar e “trabalhar” para todos. Os romanos podem até ter inventado as bases da democracia ocidental, mas não inventaram a política. É ridículo e tendencioso afirmar isso. Eleger é entregar e confiar ao representante a possibilidade que ele desenvolva uma sociedade sustentável através da garantia de abdicar-nos de fazer a política no cotidiano construída a partir das demandas reais da população.

  25. Jowglas Postado em 10/Sep/2012 às 10:03

    O que tem de conservador aí subindo pelas paredes não é mole! Fiquem com medo mesmo! Ou então convoquem mais uma "Marcha da Família com Deus pela Liberdade"! Marilena mexe na ideologia que nem mesmo a classe média percebe e só reproduz com a máscara do discurso científico, para não dizer cientificista. E, olha, o prognóstico não é bom; Vem mais paulada aí;

  26. Marco Costa Postado em 10/Sep/2012 às 12:34

    Sobre o vídeio aqui veiculado: o espaço privado funciona melhor porque há menos corrupção e maior zelo com seu corpo de pessoal e seu capital. No espaço público, como sabemos, ocorre, infelizmente, completamente o contrário: corrupção elevada a um potencial sem igual e total descaso com o elemento humano que o compõe. Respeito a Prof. Dra. Marilena Chauí, mas, desculpe-me... um bate-boca, um "barraco" numa agência de banco, levado a efeito por ela mesma, não retrata a conduta somente da classe média paulistana, mas de pessoas mal educadas em todo o mundo. A ilustre professora, quando secretária municipal, deixou a cultura da capital bandeirante num marasmo sem fim...

  27. Gian Postado em 10/Sep/2012 às 13:22

    É engraçado como essa turma da "classe média" paulistana fica ofendida quando a mesma é citada negativamente por uma brilhante intelectual como Marilena. Só irão refletir sobre isso se forem, por exemplo, ofendidas ou violentadas na rua ou no transito por alguém com o carro "maior" que os seus. Provavelmente será por alguem com poder aquisitivo maior. Evidentemente que Marilena não quis se referir APENAS à classe média paulistana, mas mostrar como isso acontece principalmente na capital de São Paulo. O que é intolerável no Brasil são nossas elites protagonizarem o preconceito que já conhecemos. Mas pior que isso, é a estúpida classe média "querendo e assumindo" o preconceito desta elite que ela nem faz parte. ACORDA gente.....

  28. Rodrigo Postado em 10/Sep/2012 às 20:49

    É incrível, mas boa parte dos comentários, e mais ainda dentre aqueles que se declararam paulistas, asseveram o que problematizou a professora. Na verdade, parecem discursos caricatos do que foi falado por ela e... estão aí, são reais mesmo!

  29. ClaudioM Postado em 11/Sep/2012 às 18:00

    Ah, dona Marxilena Oiapoque, deixa de bancar a ressentidinha e explica pra gente as falcatruas do lullo-petismo, vai! Porque esquerdista gosta mesmo é de grana -- principalmente a dos outros...

  30. Zafir Postado em 12/Sep/2012 às 10:46

    Grande Marilena, uma abominação intelectual! Sinto pena das pessoas que se deixam impressionar com exemplos tão exagerados, que, embora verdadeiros em certos aspectos culturais e sociais, são confessadamente unilaterais, generalizados, completamente superficiais, e o pior, mesmo que bem humorados, estão prefaciando uma conclusão bem menos impressionante que a introdução; uma conclusão totalmente previsível, igualmente norteada por uma ideologia unilateral, caduca, ridícula. Tanto é que eu já sabia qual seria a sua conclusão assim que ela começou a "definir" a classe média -- segundo a "anti-epistemologia" da "ciência" maluca dela. Quem é a classe média, Dona Chaui?? Titio vai te ensinar: são médicos, policiais, delegados, despachantes, padeiros, PROFESSORES, dentistas, sapateiros, pequeno e médio empreendedor, enfim, os que socialmente falando carregam uma nação nas costas... Sem os quais, NADA FUNCIONA... Sem os quais tudo seria um caos. Mas vamos ao que interessa, superada essa tentativa de generalização um tanto estúpida, na minha opinião. Primeiro, não apenas a classe média paulistana, mas sim a maioria dos brasileiros é autoritária, violenta, quando não machista, preconceituosa, emocionalmente burra, intolerante, e isso tem origem na determinante da vida social, que é a EDUCAÇÃO... Ah!!! esqueci!! Ela é marxista!!! Então tá explicado, já que pros marxistas a economia é a determinante de tudo, e o estado é a causa... O exemplo que ela citou sobre a "violência" gerada pela depravação ética chega a homicídios por causa de um xingamento em qualquer classe (mostrando que titio Marx estava TOTALMENTE errado ao achar que economia determina alguma coisa, uma vez que pobres podem ser mais educados que ricos, como comprovam muitas experiências)... Agora, nessa reedição mirabolante do marxismo que segue em moda na América do Sul é de fato surpreendente e assustador. Só faltava essa, reeditar o inimigo da sua ideologia furada.... ainda mais atribuindo o ápice da estupidez a uma classe que de fato se pretende extinguir na atual conjuntura política que enfrentamos... Todo ser doutrinado por essa ou aquela doutrina (seja religiosa ou política) sempre usa os mesmos vícios de linguagem, assim não precisa ser muito esperto pra saber até mesmo como se comporta ou o que pensa de acordo com esses vícios. "Sangue de Jesus tem Poder"... "Heil Hitler".... "Luta de classes"... Um é evangélico, geralmente hipócrita (mas nem sempre, é errado generalizar)... Outro é um nazista, invariavelmente racista e preconceituoso... E outro marxista, invariavelmente pseudo-intelectual... Essa tentativa de explicar o poliedro social através do aspecto histórico e das lutas de classes é mais que um clichê sem vergonha e arreganhado... basta ter uma mente científica, e isso é mais que suficiente... Não dá pra engolir depravações anti-axiológicas e anti-epistemológicas da "sociologia" vista a partir dessa ou daquela doutrina... Certa vez Einstein disse pra Niels Bohr: "o filósofo é aquele que sabe tudo sobre coisa alguma"... Eis ai o exemplo vivo, cuspido e escarrado do que Einstein quis dizer...

  31. Rodrigo Postado em 12/Sep/2012 às 16:10

    Essa mulher tem que ser processada!!!

  32. Guerreiro de Fé Postado em 13/Sep/2012 às 08:27

    Adianta mais nada, o Brasil está vivendo uma guerra só quem é bobo não percebe

  33. Zafir Postado em 13/Sep/2012 às 14:35

    Eu devo complementar... Se por acaso alguma figura com certa notoriedade e respeito se atreve a chamar os pobres de "bestas selvagens", imediatamente seria crucificado pela opinião pública, independentemente da "lógica" que embasa seu pensamento, pois, afinal, tal afirmação não tem qualquer justificativa capaz de remover o seu substrato criminoso. Por outro lado, não é a classe social que determina se a pessoa é uma besta selvagem ou não... "VAMOS ENFIAR A FOICE NA CABEÇA DE TODOS OS RICOS, POIS SÂO TODOS DESGRAÇADOS E EXPLORADORES".... Nesse exemplo exagerado o homicida que é o "bonzinho, altruísta", pois ele quer matar os desgraçados. E quem sabe a foice não seja enfiada na cabeça de um rico generoso, honesto, trabalhador e querido pelos seus empregados, que é condenado e sentenciado à morte porque assim decidiu um homicida "bom e justo".... Veja que neste exemplo, que é exagerado propositalmente, eu quero mostrar o quanto é absurda e estúpida a tentativa de "julgar" a índole e o caráter de acordo com a classe; o quanto é absurda e estúpida a generalização da Chaui, que na verdade não passa de um clichê sepultado pela lógica da sociologia... Pra mim é nitidamente estúpida a tentativa de enfiar uma "foice" (nesse caso ideológica) na cabeça da classe média paulistana... A classe média paulistana é uma fera selvagem??? Queria apresenta-la para o meu médico cardiologista, um japonês cuja paciência e serenidade são invejáveis. Filho de japoneses refugiados da segunda guerra, preserva os hábitos orientais, que em muitos aspectos se chocam com a nossa cultura. Eu, por exemplo, sou como a Dra. Marilena ou qualquer brasileiro, pois não consigo ser tolerante, sereno ou deixar de ser violento ao atacar tamanha depravação do significado do direito, da lógica, da própria textualização da lei... É surpreendente a quantidade de besteira que se exala de cada vírgula do que a dra. Marilena Chaui falou no vídeo.. Não apenas no todo, mas também em cada fragmentação, enfim, daria pra escrever uma enciclopédia sobre tais equívocos, que se estendem desde as relações sociopatológicas e ideológicas até a criminologia e a sociologia... Quanto ao texto, eu o considerei mais técnico e menos horrível do que o vídeo, mas não deixa de ser facilmente refutado por um sopro da lógica... Eu não faço tal generalização... Ela deveria ao menos tomar esse cuidado, e apenas dizer "sem generalizar"... Mas nem isso... Como no exemplo do meu cardiologista, eu poderia citar muitos outros, onde não há como associar as valorizações ruins a um determinado grupo. Não dá pra fazer um julgamento coletivo, sobre qualquer classe que seja... Não dá pra estereotipar dessa maneira... É exatamente assim que se incita a pior violência, ou seja, sem responsabilidade pelas suas ideias, generalizando, extravasando seu ódio e sua violência no exercício da hipocrisia nítida e irrefutável, classificando como demônios seres de tal grupo social, discriminando e destilando seu veneno e seu preconceito... Quanto à mídia, igualmente não dá pra generalizar... Cada um aceita as informações que são passadas a sua maneira... Eu não sou neo-liberalista, e sei que a tendência é me classificar assim simplesmente porque considero uma abominação política justamente pensamentos como os marxistas... E não sou reacionário simplesmente porque a ciência me dá razão pra me insurgir contra esse pensamento de esquerda ultrapassado e caduco... Não sou paulistano, e estou mais para pobre do que para classe média que anda de mercedes-benz gigante (?)....

  34. Rafael Bacarolo Postado em 15/Sep/2012 às 02:40

    senhor, Ivo Bueno Ferraz a Prof. Drª Marilena Chauí qualifica a classe média paulistana como "PROTOFAGISTA" e não como "PROTOFASCISTA".

  35. Carlos Fuser Postado em 17/Sep/2012 às 01:23

    Essa palestra, como muitas, pode ser comparada a uma metralhadora e a um monolito. Há um discurso logicamente articulado mas não há espaço sequer para a respiração, quanto mais para a reflexão. Como num clipe de idéias, os conceitos se sucedem vertiginosamente e se articulam como uma verdade fechada e inquestionável. A cada meia dúzia de palavras há um conceito que pode ser questionado ou rejeitado por qualquer tendência filosófica dos últimos 150 anos, inclusive por outros marxistas. Mas o texto os arremessa, ou melhor, dispara-os, de modo ininterrupto e fulminante, só deixando ao ouvinte recebê-los de peito aberto ou deles se esquivar, como de um perigo eminente. Uma metralhadora de conceitos, críticas e avaliações absolutamente questionáveis, varrendo a platéia como verdades absolutas, definitivos como projéteis mortais. Por outro lado, o texto não é falado - é apresentado, mostrado, como uma imagem pronta e acabada, como uma pintura, uma verdadeira obra-prima aguardando admiração, espanto e reconhecimento. Ao ouvinte/expectador é proposto que aplauda a filósofa-clipeira-palestrista como a uma estrela pop - ou se ajoelhe como diante de um santo iluminado a proclamar a verdade. É o discurso fechado típico, que só aceita a adesão total ou a rejeição absoluta. Não há diálogo, não há parceria, não há dúvida, não há frestas. Um monolito divino ou alienígena, a iluminar os destinos dos pobres bípedes ignorantes, como no filme 2001 Uma Odisséia no Espaço. É a prova de que o discurso filosófico pode ser uma forma de poder, no caso, o poder político alicerçado na titulação acadêmica, na bajulação político-partidária e na tietagem personalista. No final, resta a pequenez do ouvinte, público, audiência, platéia - gente comum e pobre de espírito, pequena e desamparada tanto diante do poder da mídia ou da burguesia ou sei-lá-o-quê que nos oprime de maneira tão insidiosa e revoltante, como diante da superioridade grandiloquente e loquaz da sabedoria de nossa filósofa-soldado-franco-atiradora-e-guerrilheira. Proteção contra isso? Talvez você encontre em Habermas, em Rorty, em Foucault, em Gadamer, em Deleuze, em Merleau-Ponty, em Lyotard. Ou no bom senso de não dar audiência a iluminados!

  36. Taiane Postado em 17/Sep/2012 às 18:03

    Porto Alegre está no mesmo caminho de São Paulo.

  37. Maruska Postado em 17/Sep/2012 às 22:48

    O discurso da professora Marilena Chauí foi brilhante. Tenho pena de alguns comentários aqui presentes nesse site. Para mostrar mais um fato que mostra que a classe média paulistana é conservadora e reacionária mesmo, posso falar por mim mesma. Casei-me com um homem que tinha mais posses que eu. Os familiares dele me olhavam como se eu fosse um bicho do mato, mas como eu sempre trabalhei e nunca dependi de marido nenhum, estudei muito, e fui atrás dos meus sonhos. Hoje eu ganho quatro vezes mais que meu cônjuge e, de repente, agora, para a família dele eu sou legal, eu sou a bacana. Então tá! Estão vendo como essa classe "mérdia" é. Se eu sou pobre, eu não presto. Se eu ganho muito bem, eu sou respeitada! Ser bem tratada só por causa de dinheiro me deixa muito triste. A minha mágoa ainda é profunda!

  38. Carlos Fuser Postado em 18/Sep/2012 às 13:21

    Ô, Maruska, você tem pena dos comentários de que discorda? Que bom coração esse seu, que se penaliza dos seres inferiores que não pensam como você!! Mas, com expressões como esta ("classe mérdia") você condena ao inferno (ou à lata de lixo da história) milhões de pessoas que você sequer conhece, só porque pensam de modo diferente de você. Esse tipo de mentalidade deve se assemelhar à de Stalin e outros líderes, que mandaram matar milhares de pessoas por razões semelhantes. Mas você é diferente de Stalin, provavelmente você sentiria pena das pessoas que mandaria fuzilar!

  39. Bethania Maranhão Postado em 18/Sep/2012 às 16:05

    Qdo os muito ricos tiverem q enfrentar o transito ou as filas, vamos ver em que tipos de "bestas" eles se transformarão. Colocar toda a classe média em um mesmo saco, é no mínimo, medíocre, e o Brasil não se resume a São Paulo.

  40. Zafir Postado em 19/Sep/2012 às 16:15

    Carlos Fuser "Ô, Maruska, você tem pena dos comentários de que discorda? Que bom coração esse seu, que se penaliza dos seres inferiores que não pensam como você!! Mas, com expressões como esta (“classe mérdia”) você condena ao inferno (ou à lata de lixo da história) milhões de pessoas que você sequer conhece, só porque pensam de modo diferente de você. Esse tipo de mentalidade deve se assemelhar à de Stalin e outros líderes, que mandaram matar milhares de pessoas por razões semelhantes. Mas você é diferente de Stalin, provavelmente você sentiria pena das pessoas que mandaria fuzilar!" Excelente observação! Que senso de justiça é esse dessa gente? como seria possível progredir em grupo sem divergências, cerceando a possibilidade de se refutar uma ideia evidentemente errada? Que tipo de "inteligência" é essa?

  41. Rafael Guimarães Postado em 20/Sep/2012 às 19:11

    É a primeira vez que visito este site. Estou impressionado com dois fatos: (1) como há leitores e comentaristas neste espaço que criticam a dita filósofa com profundidade e consistência, e (2) como os críticos da Sra. Marilena parecem ser intelectualmente muito mais capazes e preparados do que aqueles que a apóiam. Vários fundamentos do primeiro grupo (críticos) foram apresentados de forma clara, lógica, com argumentos que denotam boa formação em ciências humanas e grande dose de leitura filosófica ou de Teoria do Estado. Os outros (apoiadores) parecem mais estar numa torcida de futebol, pois já entram em campo sabendo para que lado vão torcer e limitam-se a comentários rasos, focados muito mais na pessoa da palestrante do que no seu discurso (que deveria ser o objeto do debate). Na verdade, se eu parar para uma reflexão maior, devo concluir que já esperava essa segunda constatação, consciente ou inconscientemente. Isso porque eu quis buscar um discurso da Sra. Chauí justamente por curiosidade intelectual, tendo em vista que ela é a última ou um dos últimos ditos "intelectuais" que fundaram o PT e ainda não abandonaram o partido: eu queria verificar "se" e "como" os conceitos simplórios e infantilóides de "burguesia", "proletariado", "revolução comunista", entre outros, continuam sendo utilizados pelos socialistas/comunistas de hoje... Francamente, Senhores: o discurso da dita filósofa, se for interpretado calmamente e longe da metralhadora de conceitos, é uma ofensa à inteligência das pessoas. São várias as "pérolas" dessa senhora que nos fazem sentir numa máquina do tempo, perdidos em algum lugar da Europa oriental na década de 50... Mas fico com apenas uma, dita aos 20min15s: segundo ela, a classe média não teria "lugar definido na Economia" (será que mais de 50% da população brasileira passa o dia dormindo, em sono profundo???), nem "poder social ou político" (ah! E dormem tanto que deixam de votar e se relacionar com os outros???)... Tanta bobagem seria cômico, não fosse o seu efeito trágico: adolescentes e jovens com muito ímpeto e pouco estudo ainda se impressionam com discursos assim.

  42. angela Postado em 22/Sep/2012 às 21:03

    Já ví pessoas da classe baixa extremamente egoístas, mal educados, insensíveis e violentos e .....preconceitiosos.Portanto, Marilena Chauí foi parcial.

  43. Maruska Postado em 22/Sep/2012 às 22:56

    Senhor Carlos Fuser, o senhor não compreendeu nada do que eu disse. Eu disse que tenho pena das pessoas que discordaram da grande professora Marilena Chauí, porque não entenderam a mensagem principal que ela nos ensina: O QUE NÓS NÃO DEVEMOS SER. Só isso! O que nós, paulistanos, de classe média ou não, DEVEMOS SER É SOLIDÁRIOS COM TODOS. Todos somos iguais, embora tenhamos, infelizmente, diferenças materiais. E temos que lembrar que todos nós estamos aqui, nessa existência, de passagem. Tudo o que é material fica aqui. Então, não podemos perder nosso precioso tempo tratando mal os outros. Logo, logo viraremos ossos dentro dos nossos túmulos. Gostaria de dizer que venho de família operária muito pobre (que, muitas vezes, não tinha dinheiro suficiente para pagar contas de água, luz, etc.), mas meus pais nunca me deixaram ficar sem estudos; também não faltou a educação espiritual dada por eles. É justamente a educação espiritual vinda do AMOR, que se adquire em família, que faz TODA A DIFERENÇA. Graças a Deus! Por isso, eu JAMAIS trataria mal uma pessoa dentro de um banco ou em qualquer outro lugar. EDUCAÇÃO ESPIRITUAL VEM DE BERÇO! E não há dinheiro no mundo que pague a educação espiritual. Entretanto, em havendo lacunas familiares, há os professores como a Marilena Chauí que mostram o caminho...

  44. angela Postado em 22/Sep/2012 às 23:51

    Um depoimento bombástico porém disse uma meia verdade. Ando de trem, metrô e ônibus e vejo pessoas de outras classes bem menos privilegiadas com comportamentos ostensivamento antipáticos, grosseiros, arrogantes e insensíveis. Marilena disparou sua metralhadora para a classe provilegiada pois é militante de esquerda e portanto enxerga apenas um lado da questão. Mostra um preconceito rancoroso em sua argumentação. Por mais que nós paulistas sejamos defeituosos em nossa postura ao lidar com o gigantismo desta cidade de grandes desafios em todos os sentidos , acomodamos um país inteiro em nossa metrópole. Marilena talvez precise se olhar no espelho antes de atirar nos outros.

  45. luis felipe deutsch Postado em 24/Sep/2012 às 23:20

    SENSACIONALLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ;)

  46. Carlos Fuser Postado em 05/Oct/2012 às 09:01

    Olá, Maruska, concordo com a solidariedade e com a educação espiritual vinda do amor, isso é muuuito importante. Mas o discurso da Marilena Chauí não é um discurso de amor e solidariedade, é um discurso político sectário que, embora faça, às vezes, alguma crítica pertinente, acaba disseminando ódio e intolerância. Ela atribui a falta de amor e de solidariedade à classe social, ao pensamento político das pessoas e a influência da mídia, o que é uma simplificação grosseira e filosoficamente ultrapassada (o que é grave, em se tratando de uma filósofa prestigiada). A nossa existência e nosso modo de ser (com mais ou menos amor, que sem amor não há quem viva!) não é determinada nem pela nossa situação econômica, nem pela opção política, nem pela mídia jornalística)l!! O discurso dela não nos ajuda a compreender a situação e menos ainda a encontrar caminhos para superar a falta de amor e de solidariedade em nossa sociedade! Existe uma insistência muito grande da esquerda em censurar a imprensa, e, certamente, o que pretendem com essa censura não é disseminar amor e solidariedade.

  47. Wilmar Postado em 12/Oct/2012 às 19:54

    Classe Média Paulistana.... A primeira questão, Marilena ao narrar o episódio na agência bancária, nos leva a pensar em como nossa sociedade é autoritária, vertical, hierarquizada e violenta por não reconhecer a humanidade do outro, e cita, principalmente, a classe média paulistana como exemplo maior dessa violência. Sendo a mais populosa e uma das mais antigas cidades brasileiras a ênfase é maior. Outra questão importante é que, essa capital tornou-se símbolo do progresso industrial, econômico e cultural do país, mas também adquiriu grandes mazelas. Impulsionada pelo neoliberalismo essa sociedade encolheu os espaços públicos e alargou os espaços privados enfatizando, cada vez mais os acontecimentos íntimos pessoais em detrimento do coletivo, sendo muito oportuno seu comentário, sobre a ideologia da ética e como a sociedade deteriora os princípios éticos. Finalizando, ela nos mostra três níveis dessa sociedade: a burguesia, a classe trabalhadora (força de produção) e no meio das duas a classe média. Essa classe média conservadora luta, desesperadamente, para não perder seu espaço para a expansão da classe trabalhadora, ou seja, é inadmissível que o filho do porteiro possa estar na faculdade ou "qualquer pessoa utilizar o transporte aéreo", ou comprar um carro que não seja o popular. A classe média paulistana, que tem como único poder a ideologia, está sofrendo por ter que se misturar com a "gentalha" proletária dos programas sociais dos últimos anos. E posso até estar enganado, mas a última eleição do primeiro turno é um reflexo de tudo isso, pois colocou o senhor Serra, símbolo dessa classe média, juntamente com o representante do metalúrgico-presidente Lula e, a despeito dos mensalões da vida, que discordo, veementemente, estou até torcendo para a derrocada do primeiro. É cômico se não fosse trágico, mas esse é o retrato de nossa sociedade

  48. Mário Postado em 21/Oct/2012 às 14:42

    Jamais a classe média aceitará qualquer crítica e, também, jamais admitirá que mais gente ascenda à sua posição e se torne igual a ela (que se julga a única perfeita...). O pior de tudo ainda não é este DNA típico da classe média: o mais grave de tudo é o "monte" de gente que NÃO PERTENCE à classe média e toma as dores dela: comem feijão e arrotam caviar!!!

  49. Arthur Souza de Lima Postado em 28/Oct/2012 às 06:58

    Estava justamente interessado em ler os comentários que se opunham ao monólogo da Marilena. Daí que me deparo com um bem pomposo, como o do Rafael Guimarães, que fez críticas consideráveis aos que estão comentando mas solta isso como análise: "São várias as “pérolas” dessa senhora que nos fazem sentir numa máquina do tempo, perdidos em algum lugar da Europa oriental na década de 50… Mas fico com apenas uma, dita aos 20min15s: segundo ela, a classe média não teria “lugar definido na Economia” (será que mais de 50% da população brasileira passa o dia dormindo, em sono profundo???), nem “poder social ou político” (ah! E dormem tanto que deixam de votar e se relacionar com os outros???)… " 1. Céus, juro que voltei o texto para tentar entender onde diabos você pode ter encontrado um meio de considerá-la tão atrasada assim. Não faria mal citar uma dessas pérolas tão paradas no tempo. 2. Não sei se eu que fui estúpido demais assistindo ao vídeo, mas em nenhum momento fica entendido que por ausência de “lugar definido na Economia” ela queira dizer falta de contribuição direta na Economia, 'dormindo'... (e 50%? Será que não entra aí nessa porcentagem, se não for hipotética, a tal nova Classe-Média?). Ao meu ver, ela foi bem direta afirmando que, com isso, ela se referia a essa indefinição de ter essa forçada jornada de trabalho 'convivendo' com um status social superior, de burguesia. 3. Concluindo, 'poder socio-político' passa longe, BEM longe de ser apenas esse forçado direito cívico de dois em dois anos, por favor né.

  50. AninhA Postado em 30/Oct/2012 às 18:29

    A maior prova concreta do que ela diz é a própria forma agressiva e instransigente com a qual ela apresenta suas idéias. Falando desta maneira até orquídeas iluminadas pelo pôr-do-sol podem soar uma bandeira de palanque.

  51. Skakyamuni Postado em 31/Oct/2012 às 15:14

    muito bom...quando eu poderia contar com a transcrição da 'classe média paulistana é sinistra' no debate A Ascensão Conservadora?? Abraços.

  52. walter altino Postado em 03/Nov/2012 às 18:46

    Concordo plenamente com Marilenta Chaui. A classe media é conservadora sim! E termina universalizando sua ideologias para as classes mais Baixas

  53. Prof.Adv Postado em 25/Nov/2012 às 14:52

    A avaliação da Mestre Marilene Chaui, sobre a classe média, demonstra a realidade do capitalismo individualista que está sendo formado em nosso País. Temos que tomar cuidado com as novas gerações para que não se formem uns mosntros individualistas pelos aparatos capitalistas atuais.

  54. Nell Barros Postado em 29/Dec/2012 às 00:59

    De fato, uma sociedade absolutamente conservadora e sinistra - lamentável, para não dizer vergonhoso !!!

  55. Luiz R Postado em 31/Dec/2012 às 02:50

    Independente de partido, ela só disse a real. A classe méRdia FEDE!

  56. Augusto César Postado em 01/Jan/2013 às 22:31

    Espetacular....Apesar do reducionismo da discussão (lembrem-se, ela só tinha alguns minutos para apresentar essa reflexão sociológica sobre a dimensão social dos espaços público e privado na cidade em que vive...), Marilena Chauí, que é uma pesquisadora brilhante, mostrou, de maneira bem crua, a realidade do cotidiano de uma metrópole como São Paulo onde a humanidade das relações interpessoais é substituída pela ideologia de uma classe média que,inegavelmente, em São Paulo, opera numa relação simbiótica entre um Estado Imperial Nacionalista japonês e outro onde o Fascismo italiano 'superior' cria a cultura dos 'losers', desqualificando o Brasil mulato, cafuzo e ex-escravocrata...Essa sensação 'Miami' dessa classe média se irradia nas instituições públicas e privadas de São Paulo, tornando a cidade segregadora, impessoal e pouco democrática! Parabéns professora!!!!!!

  57. Ivan de Paula Postado em 13/Jan/2013 às 08:29

    Uma vez eu vi na tv uma propaganda do jornal Folha de São Paulo brilhante, a propaganda iniciava com a câmara focando um ponto e, lentamente, ia se afastando, enquanto uma voz dizia; este homem em pouco tempo tirou seu pais de uma hiperinflação, construiu estradas e ferrovias, reduziu o altíssimo desemprego para praticamente zero, elevou a autoestima de seu povo, etc. Ao final aparecia a foto do Hitler. O que podemos ver é que com muitas verdades podemos contar uma grande mentira. Infelizmente parece ser este o caso dasta senhora, recatada e de uma certa forma obtusa e tendenciosa. Parabéns Carlos Fuser e Zafir pela profundidade e clareza de seus textos.

  58. Luiz Guilherme Prats Postado em 08/Feb/2013 às 21:16

    Por fim, nas entrelinhas, esta senhora traz o velho espectro do totalitarismo. Ele vem disfarçado com a crítica a tudo que é liberal e com o discurso das boas intenções da esquerda. Prega uma sociedade de cidadãos plenos, conscientes, sempre atentos as más intenções dos conservadores e liberais (sempre eles) e a consciência de classe que lhes permite identificar seus interesses de maneira profunda e dialética. Pronto, eis o discurso que matou milhões. Pol Pot mesmo achou que seu povo ainda não estava pronto para o paraíso proletário. Muito burguês ou sem consciência de classe ainda. Matou quase um terço de seus compatriotas. Eis o que leva o discurso politicamente correto da esquerda: ao totalitarismo, à morte de muitos, à perseguições. Não conheço ditadura de direita que tenha matado 5% de seu próprio povo. Só as de esquerda fazem isso!

  59. Ana Helena G. Postado em 22/Feb/2013 às 13:08

    O negócio é que aqui ninguém pode falar nada, porque somos todos classe média, não tô vendo ninguém catando moeda nas sarjetas ou chegando ao debate no seu helicóptero, então, a vcs que criticam, só resta dizer que deveriam abrir seus olhos: vocês não são nem miseráveis nem milionários, estão aqui com a gente na "classe mérdia"

  60. Minerva Postado em 10/Mar/2013 às 12:17

    Incrível como os comentários negativos (os que eu li pelo menos), apenas legitimam os argumentos dela.

  61. Edson Cristovão Postado em 11/Mar/2013 às 09:04

    A critica dela as escolas públicas com o termo de "porcarias", precisaria explicar melhor o que diz... precisariamos entender o que é "porcaria" as escolas públicas...

  62. Rodrigo Postado em 19/Mar/2013 às 12:31

    Onde a esquerda se tornou dominante no mundo, reinou o atraso, a corrupção, a violência, o totalitarismo, a ignorância e tudo de pior que o ser humano consegue manifestar. O discurso de esquerda tenta inverter a lógica das coisas, pregando como se o (neo)liberalismo fosse contrário à democracia e a uma sociedade mais justa. Confunde alhos com bugalhos, com argumentos desonestos e artifícios retóricos deploráveis. Está na hora das pessoas que realmente desejam construir uma sociedade avançada e aberta ao progresso, se manifestem e combatam essa cambada de esquerdistas complexados e hipócritas. É certo que nossos sistemas de gestão, controle social, livre concorrência e redistribuição de renda precisam de aperfeiçoamento, mas desqualificá-lo como o fez a professora acima não resolverá o problema.

  63. Caio Postado em 14/May/2013 às 10:04

    Eu faço parte da classe média e convivo com esse tipo de gente, por isso eu gargalhei durante o vídeo todo, pois é EXATAMENTE isso que ela descreveu. Sobre as universidades então....é um retrato detalhado da realidade! Os jovens (mas isso não só da classe média) no Brasil estão na Universidade em busca de TÍTULOS e não conhecimento!

  64. ADAUTO SILVA Postado em 14/May/2013 às 12:40

    MUITO BOM, E ESCLARECEDOR.... MARAVILHOSA!!!

  65. marcio Postado em 15/May/2013 às 08:28

    pobre e rico é muito civilizado na rua né? ta legal...

  66. Romeu Natale Postado em 28/Jun/2013 às 12:24

    Minha ex-professora de filosofia, a Dra Marilena está acima da realidade impressa por órgãos estúpidos e demagógicos! Parabéns, professora!

  67. Mauro Postado em 14/Aug/2013 às 11:05

    Ver a vida pelo noticiário é como olhar a paisagem com binóculos, mas são os outros que determinam para onde apontá-lo. Só vemos parte da paisagem, a que interessa para eles!

  68. ALGOPI Postado em 21/Aug/2013 às 12:27

    Chauí, diva da cidadania! Graças a Deus a classe média dispensa a sabedoria em troca de uma ideologia dominante.

  69. Sérgio Almeida. Postado em 28/Sep/2013 às 08:55

    Não obstante a Profª demonstrar algum conhecimento e ser bastante articulada no desenvolvimento das suas idéias, ela é uma autêntica representante comunista... Esquece entretanto de uma grande verdade, no mundo atual, não há vida, não há desenvolvimento, não há conforto, não há segurança, não há realização fora do modelo neo liberal ( como sempre foi ). Como Karl Max, é muito inteligência, é muito bla bla blá, pra questionar o óbvio e esquecer do principal, o ser humano é necessariamente desigual nas suas habilidades, nos seus interesses, nas suas aptidões ( e por isso é lindo ) e a tentativa de igualar os desiguais, sempre será malograda, sendo a filosofia socialista, uma completa furada, dos que contribuem menos, para prover o seu conforto e sobrevivência.

  70. luciano Postado em 05/Nov/2013 às 01:22

    Leitores de O Globo , Veja , Folha de SP , Estado de SP ( que financiaram a campanha do PSDB ) , etc , revoltados com marilena . Hahahahahaha... As ligacoes destes veiculos de imprensa com o DEM e o PSDB , alem da reacao coxinha de certos usuarios , sao a maior prova de que e a mais pura verdade o que Marilena fala a respeito das ligacoes da grande imprensa com os rebentos das antigas oligarquias rurais e burguesas do Brasil . Ate imagino esses coxinhas correrem as lagrimas para bater a porta do Olavo , do Reinaldo , ou do Merval , para implorar uma resposta a Marilena . Hahahahahahaha

  71. Marcos Postado em 05/Jan/2014 às 23:01

    Perfeito, só discordo que seja exclusivamente da classe média paulistana, e sim de toda classe média das grandes cidades, pois nas cidades pequenas e médias as pessoas se conhecem dificultando ações "sinistras" e todos sabem quem é quem.

  72. Júlio Cardoso Postado em 01/May/2014 às 19:01

    Engraçado! A filósofa petista também não é classe média? Ou os petistas classe média são diferenciados? Em Porto Alegre há um petista classe média alta, Tarso Genro, que também gosta de esnobar contra o capitalismo. Mas ele é um capitalista enrustido e prega contra o capital...

  73. Lauro de Almeida Neto Postado em 15/Jun/2014 às 14:25

    como eu sou um cara não antenado na mídia só vi isso agora, mas cabe refletir em tudo, como observador coloco aqui mais alguns pontos para reflexão: 1- a manipulação da mente coletiva através da mídia ocorre aqui e no mundo inteiro, e determina muito do pensamento de quem lê essa midia, o cara nasce lendo Estadão, cresce lendo Estadão, é natural que pense 90% Estadão, sem qualquer outra reflexão, como a midia daqui é claramente anglo americanizada, Folha-NYT e BBC, Globo-News TV, Estadão-The Guardian e BBC, Veja-Sionismo, não seria natural que quem le esses veículos fique pensando igualzinho à classe média estadunidense? 2- Como é que nós vamos ter democracia sem justiça? é possível uma democracia funcionar de forma eficiente sem o firme alicerce da justiça? o que nós temos hoje é realmente uma democracia? Existem ditaduras que funcionam muito bem, China é um exemplo, sem duvida o melhor planejamento estratégico do mundo, o que de fato funcionaria ou não no Brasil? Sugiro Ibn Khaldun (1332) - " para se consolidar uma nação é necessário primeiro um ciclo de estado forte e estruturante antes de um ciclo de liberdade e democracia"

  74. Edna Postado em 18/Jun/2014 às 23:20

    MARILENA , como sempre maravilhosa , excelente debate !!!

  75. Luiza Postado em 30/Jun/2014 às 02:40

    Sou nascida e criada em São Paulo por quase 5 décadas. Não sou fã de Marilena Chauí, não sou petista nem simpatizante do discurso do PSDB, mas tenho que dar o braço a torcer - ela disse tudo!!. Para quem se der a chance de assistir ao vídeo acima, vai ser difícil não concordar com ela na análise que ela faz, porque é a pura verdade. Sou da classe média em SP e reconheço que a coisa está nesses termos mesmo. Parece representar um "fracasso da classe média" ( não só de SP, mas em todos os estados da federação) ver a ascensão do povo, porque essa melhora pode, sim, ser vista e sentida. Só no governo Lula é que vi isso acontecer, e não estou aqui falando do PT, não, porque o partido não me convence. O Lula foi e é um excelente estadista, além de um bom presidente, ponto. Se ele se concorresse as eleições votaria nele de novo e de novo. Ninguém teve ou tem, atualmente, a competência que teve esse sindicalista para produzir as mudanças que ele foi capaz de fazer. Apesar dos pesares, entre Dilma e o Aécio Neves, vou de Dilma sem pensar duas vezes, porque PSDB está mais é para uma nova versão do FHC que foi uma péssima idéia para o Brasil. Aqui em SP o PSDB está há 20 anos no governo e não temos do que nos orgulhar. Já o PT na prefeitura está saindo uma bela porcaria! Em SP o PT do Haddad não me convence em nada e o PSDB do Alckmim menos ainda. Verdade é que em SP estamos mesmo é numa encruzilhada nesses eleições. Triste isso.

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