Luis Soares
Colunista
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Educação 17/Aug/2012 às 15:46
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USP rejeita negros e pobres; Uerj e Unicamp defendem inclusão

Mesmo com pesquisas favoráveis à inclusão, e após a aprovação do projeto de cotas pelo Senado, a Universidade de São Paulo (USP) mantém barreiras contra o acesso de negros e pobres à universidade

usp cotas negros

A arte que simboliza o Núcleo de Consciência Negra da USP.

Estudos realizados pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pela Universidade de Campinas (Unicamp) mostraram que o desempenho médio dos alunos que entraram na faculdade graças ao sistema de cotas é superior ao resultado alcançado pelos demais estudantes.

Tradicionalmente a USP descarta a adoção de qualquer tipo de cota, sempre indicando valorizar exclusivamente o mérito. A USP entende que o sistema de bônus do Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp), voltado a alunos de escola pública, independentemente da cor da pele, já atende às demandas por inclusão. O Inclusp foi adotado a partir de 2007 e dá bônus na nota do vestibular a esses alunos, independentemente da cor da pele.

O Núcleo de Consciência Negra da USP luta há anos para mudar esta realidade. Em resposta, a reitoria tem ameaçado fechar o espaço onde o Núcleo de Consciência Negra desenvolve cursinhos populares para o vestibular. A inciativa envolve professores voluntários que sonham em ver a reserva de vagas com cota racial uma realidade na maior universidade do país.

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“Além de dar acesso à população, a universidade tem que criar as condições para que estas pessoas permaneçam na universidade para que não haja evasão”, defendeu Leandro Salvático, coordenador do Núcleo de Consciência Negra.

Apesar da pressão e com amplo apoio e reconhecimento da comunidade acadêmica, o Núcleo tem se mantido dentro da universidade com o “famigerado” espaço onde continua a realizar seu cursinho popular.

Segundo a Fuvest, fundação que realiza o vestibular, a participação de alunos de escola pública na USP chegou a 28% em 2012, ante 26% no ano passado. Se calculados os ingressantes negros e pardos, eles representaram 13,8 % dos aprovados no vestibular deste ano. No ano anterior, esse porcentual era de 13,4%. Os pardos registraram pequeno aumento, de 10,6% para 11,2%. Os candidatos que se declararam negros representaram 2,6%, ante 2,8% em 2011. Neste ano, foram aprovados 283 estudantes negros, de um total de 10.766.

Levantamento feito em junho pelo Estado de S. Paulo, com dados do vestibular de 2011, mostrou que, em cinco anos, apenas 0,9% – o equivalente a 77 alunos – dos matriculados em Medicina, Direito e na Escola Politécnica eram negros. Em Medicina, por exemplo, nenhum negro havia passado nos vestibulares de 2011 e 2010. Esse recorte do vestibular de 2012 ainda não está disponível.

A USP sempre sofreu críticas em relação ao perfil dos estudantes que ocupam suas vagas – a maioria absoluta vem de escolas particulares. Além do Inclusp, a universidade inaugurou a partir deste ano um novo modelo de bonificação para alunos de escola pública.

Para quem sempre estudou em escola pública – do ensino fundamental ao médio –, a universidade criou o Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp). Neste ano, o primeiro após a mudança nos critérios, o bônus chegou a até 15%, de acordo com o desempenho do estudante na Fuvest. Para participar, o aluno precisa estar cursando o ensino médio e realizar as provas no 2º e no 3º anos.

O desempenho dos cotistas

O primeiro levantamento sobre o tema, feito na Uerj em 2003, indicou que 49% dos cotistas foram aprovados em todas as disciplinas no primeiro semestre do ano, contra 47% dos estudantes que ingressaram pelo sistema regular.

No início de 2010, a universidade divulgou novo estudo, que constatou que, desde que foram instituídas as cotas, o índice de reprovações e a taxa de evasão totais permaneceram menores entre os beneficiados por políticas afirmativas.

A Unicamp, ao avaliar o desempenho dos alunos no ano de 2005, constatou que a média dos cotistas foi melhor que a dos demais colegas em 31 dos 56 cursos. Entre os cursos que os cotistas se destacaram estava o de Medicina, um dos mais concorridos – a média dos que vieram de escola pública ficou em 7,9; a dos demais foi de 7,6.

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A mesma comparação, feita um ano depois, aumentou a vantagem: os egressos de escolas públicas tiveram média melhor em 34 cursos. A principal dificuldade do grupo estava em disciplinas que envolvem matemática.

Vermelho e Agências

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Comentários

  1. Carol L. Postado em 18/Aug/2012 às 10:22

    E ainda tem gente que insiste que o Brasil não tem problemas raciais. A questão é que quem está pagando seu cursinho ou o seu ensino médio, querer ter certeza que entrará numa federal e não querer de forma alguma que essa certeza seja afeta por cotas, que segundo eles é uma forma de preconceito, vejam vocês mesmos: http://www.facebook.com/events/139148909559566/

  2. Renato Postado em 18/Aug/2012 às 15:23

    Não me considero negro (porque tenho sangue negro e indígena também) mas sou totalmente contra cotas raciais, por uma série de motivos, mas o principal deles é: só existe UMA RAÇA: A HUMANA! Ao se afirmar que a "a USP é contra o ingresso de negros na faculdade" pelo fato da mesma não apoiar cotas raciais, é o mesmo que dizer que a ÚNICA forma de um negro conseguir ingressar na faculdade é através de cotas. Isso me enoja e me ofende profundamente. Se querem criar cotas para estudantes de escolas públicas, eu também não apoio, mas não sou totalmente contra e respeito. Agora cotas raciais é simplesmente grotesco e criminoso.

  3. Felipe Postado em 14/May/2013 às 20:12

    Eu acho um absurdo que o meu dinheiro de imposto seja usado com outro critério que não seja MÉRITO! Se só passarem pra esse curso negros, que seja! Se for a turma inteira de brancos, que seja! Que culpa esses estudantes (brancos) têm se nenhum negro conseguiu entrar no curso deles? Fazer benesses com dinheiro dos outros (=impostos) é molezinha. Quero ver doar metade do seu salário pra um negro pois ("ele não teve oportunidade"). Hipocrisia X 100.