Redação Pragmatismo
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Desenvolvimento Brasileiro 27/Aug/2012 às 16:54
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Pela primeira vez, modelo 'tradicional' de família já não é maioria no Brasil

Formação clássica ‘casal com filhos’ deixou de ser maioria no Brasil: segundo o IBGE, representa 49,9% dos domicílios, enquanto outros tipos de famílias já somam 50,1%

tradicional família brasileira

Pai, mãe e filho já não reinam mais nos lares brasileiros. Foto: reprodução

A família brasileira se multiplicou. O modelo de casal com filhos deixou de ser dominante no Brasil. Pela primeira vez, o censo demográfico captou essa virada, mostrando que os outros tipos de arranjos familiares estão em 50,1% dos lares. Hoje, os casais sem filhos, as pessoas morando sozinhas, três gerações sob o mesmo teto, casais gays, mães sozinhas com filhos, pais sozinhos com filhos, amigos morando juntos, netos com avós, irmãos e irmãs, famílias “mosaico” (a do “meu, seu e nossos filhos”) ganharam a maioria.

O último censo, de 2010, listou 19 laços de parentesco para dar conta das mudanças, contra 11 em 2000. Os novos lares somam 28,647 milhões, 28.737 a mais que a formação clássica.

Essa virada vem principalmente com a queda na taxa de fecundidade. Em 1940, a mulher tinha em média seis filhos, hoje tem menos de dois, fazendo a população crescer mais devagar e ficar mais velha.

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Ao optar por uma família menor, a mulher entrou forte no mercado de trabalho: em 1969, elas eram 27,3% da força de trabalho, em 2009, 43,6%. A renda feminina trouxe a segurança para a mulher seguir seu caminho sem marido e os costumes chegaram à legislação, como a nova lei do divórcio, que dispensa a mediação do juiz. E, lembra o sociólogo Marcelo Medeiros, da UnB, o trabalho feminino distribuiu melhor a renda:

— Menos filhos e mais renda ajudaram a reduzir a desigualdade.

Viver pelo mundo é mais barato que no Rio

Os casais sem filhos crescem e já chegam a dois milhões. São os dinks, sigla em inglês para “Dupla renda, nenhum filho”. Vinicius Teles e Patrícia Figueira são exemplo. Eles só têm endereços temporários pelo mundo ou os contatos eletrônicos. No Facebook, não poderia ser mais apropriado: Casal Partiu. Embora tenham se conhecido em Niterói, eles agora não têm casa: passam quatro meses no Brasil e, no resto do ano, vivem em países como Líbano, Japão, Argentina, Grécia, Índia ou Nova Zelândia. Juntos há dez anos, sempre tiveram uma certeza: não teriam filhos. A decisão de viver pelo mundo foi tomada com a evolução da carreira de ambos: ele trabalha remotamente na criação de softwares e ela é fotógrafa de casamentos.

— Não somos milionários. Viver viajando pelo mundo, mesmo na Europa, é mais barato que ter casa no Rio — afirma Vinícius.

— Nossas famílias cobravam os filhos, hoje entendem, isso é mais comum — diz Patricia.

— Antes, a realização era casar e ter filhos. Hoje os dinks são quatro milhões de pessoas, de renda alta, moram em apartamento e grandes metrópoles — diz José Eustáquio Diniz, professor da Escola Nacional de Estatística, do IBGE.

Os desafios para o IBGE permanecem. O instituto ainda não mede casados em casas separadas e filhos que têm duas casas. Ana Saboia, coordenadora de Indicadores Sociais, estuda como outros países tratam essas novíssimas famílias.

Henrique Gomes Batista e Cássia Almeida, O Globo

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Comentários

  1. Hamilton Postado em 28/Aug/2012 às 07:09

    A verdadeira famíla sempre será composta por um pai, uma mãe e filhos naturais ou adotivos. Podem querer mudar a interpretação, podem vir teóricos pseudo-intelectuais, etc dizendo o contrário, mas serão sempre um embuste. Não se muda a autenticidade dos conceitos de uma instituição por mero interesse político ou ideológico. Simplesmente a coisa é assim e fim de papo. O que fugir disso é uma tentativa torpe de forjar algo artificialmente. Há tempos atrás começamos a adotar ritmos diferentes de vida e assimilar valores estranhos que hoje comprovam ser equivocados. Em sociedades mais adiantadeas está havendo um retorno aos antigos valores, mas disso pouca gente fala.

  2. Danilo Postado em 02/Oct/2012 às 01:28

    Hamilton, Só porque sempre foi assim, não significa que é errado mudar, como já está acontecendo. O conceito de família hoje é muito mais abrangente do que foi a 20, 30 anos atrás. Esse conceito de família que vc defende é o pregado pela comunidade judaico-cristã. Pode-se observar que algumas comunidades tribais o conceito é totalmente diferente. E funciona. O que não é errado, só diferente.

  3. Sara Postado em 30/Dec/2012 às 16:28

    Quando leio, num argumento, algo como "retorno aos antigos valores", "verdadeira família", já começo a pensar em esquilinhos...

  4. Tiago Postado em 30/Dec/2012 às 16:36

    Hamilton, Em primeiro lugar, o tipo de família que você defende nem sempre existiu. O que você chama de "família que sempre foi assim", na verdade, é uma criação moderna, consolidada no século XX, a família burguesa. Estude um pouco de História antes de falar bobagens. Em segundo lugar, a família burguesa que você ingenuinamente acredita ter sempre existido, também é uma criação baseada em interesses políticos e ideológicos: os interesses da classe burguesa. Que tal estudar um pouco para sair do seu mundinho de fantasia?

  5. Tiago Postado em 30/Dec/2012 às 16:38

    Apenas corrigindo, a família burguesa foi consolidada no século XIX.

  6. Beto Postado em 31/Dec/2012 às 10:49

    O fato é que..as coisas mudaram e continuaram mudando,vamos aceitar e nos adaptar a estas mudanças.