Luis Soares
Colunista
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Ditadura Militar 16/Aug/2012 às 14:27
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Esperançosas mudanças na concepção brasileira sobre a ditadura militar

Três necessários fatos novos fazem população rediscutir a ditadura militar no Brasil. Hoje, finalmente, se fala mais em ditadura, mas a versão deles ainda prevalece

ruas nome ditadores

As homenagens aos militares que comandaram a ditadura está na maioria das cidades brasileiras, como em Ribeirão Preto, cidade de porte médio no interior paulista, onde permanece a praça em lembrança a Garrastazu Médice

Vitor Gianotti

Pelo Núcleo Piratininga, dou cursos pelo Brasil afora. Uma das minhas tristezas, até uns dois anos atrás, era ver a maioria dos abaixo dos 60 não saber que no Brasil houve uma Ditadura Militar que amordaçou o país e prendeu, torturou, assassinou e exilou milhares de pessoas. Este fato tem suas explicações. A Ditadura que dominou o Brasil de 64 a 84 conseguiu enganar muitos com o seu breve “milagre econômico” e uma enorme máquina de propaganda, capitaneada primeiramente pelo IPES e depois pela Rede Globo.

Meu grande espanto era descobrir que esta memória estava esquecida. E que os ditadores eram homenageados. Em todos os Estados por onde andava, me deparava com avenidas, praças, escolas, estádios e pontes com o nome dos ditadores que comandaram o assassinato, a tortura e a morte de milhares de opositores do regime.

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Hoje as coisas estão mudando. Há três fatos novos:

1 – Nestes dois últimos anos, dezenas de livros e artigos foram publicados sobre este período encoberto da nossa história. Todos os meses saem um ou dois livros novos que contam as prisões, as torturas e as mortes de heróis da luta pela liberdade.

2 – Em muitas capitais o Levante Popular da Juventude denuncia torturadores, assassinos e estupradores, que agiram a serviço da repressão comandada pelo Estado, para reprimir qualquer protesto contra o capital que reinava absoluto protegido pelo regime.

3 – O terceiro é a criação da Comissão da Verdade para apurar os crimes cometidos por funcionários públicos a serviço do regime de repressão e extermínio da esquerda naquele período.

A versão deles ainda prevalece

A visão dominante ainda é a da ditadura. Ainda se inauguram monumentos aos ditadores da época. E o pior, ainda há milhões de alunos e de professores de escolas de ensino fundamental que não sabem, ou não ligam para este assunto. Mas hoje a memória destes anos de morte está em disputa.

É ainda uma disputa desigual. Mas possível. Estamos disputando com quem ajudou a implantar esta ditadura e a apoiou até o fim. Ou seja, estamos disputando com a mídia patronal que, em peso, com exceção do jornal Última Hora, implorou pelo golpe em 64 e o aplaudiu.

A Comissão da Verdade, para cumprir com louvor sua tarefa, precisa apoiar mil iniciativas de divulgar, publicizar, espalhar o que aconteceu nesta época. A Comissão pode aproveitar seu peso político para estimular que suas discussões, suas conclusões sejam espalhadas para milhões de alunos do ensino fundamental através de caderninhos, cartilhas, livretos, vídeos, músicas. Incentivar a produção e sua distribuição em massa em escolas, sindicatos e para os movimentos sociais.

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Comentários

  1. Thiago Postado em 16/Aug/2012 às 16:17

    Particularmente eu me descobri como uma pessoa não devotada à esquerda, porém não suporto hipocrisia e anfalbetismo funcional. Tem gente que pra diminuir as carcaterísticas das ditaduras, no nosso caso a brasileira, acha que existiu liberdade de expressão (??!!) nesse período. Pode isso? Outros querem exterminar qualquer um que não seja adepto dos "valores da família" como se isso não fosse nazismo, apenas um modo de "limpar" o país. É de dar pena.