Luis Soares
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Mídia desonesta 25/Aug/2012 às 17:38
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Ministro Lewandowski rebate jornalista global Merval Pereira

Ricardo Lewandowski rebate argumentos do colunista de O Globo de forma civilizada, mas jornalista avisa que só estará satisfeito se vierem as condenações de acordo com seus desejos pessoais

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Merval Pereira (foto) recebe telefonema de Ricardo Lewandowski. Ministro ligou para corrigir jornalista de O Globo sobre acusações infundadas. Imagem: divulgação

Um dia depois de Ricardo Lewandowski absolver João Paulo Cunha de quatro acusações na Ação Penal 470, o colunista Merval Pereira (foto) escreveu uma coluna intitulada “Sem nexo” para julgar o voto do juiz do STF. Disse ainda que o voto confirmava as piores expectativas sobre a ação do revisor. De forma civilizada, Lewandowski telefonou para Merval e explicou o porquê de sua decisão, reproduzida na coluna deste sábado do jornalista do Globo.

Merval publicou os argumentos do juiz, mas avisou: “espero ter me precipitado ao afirmar que ele agia assim para ajudar os réus políticos, especialmente os petistas”. Ou seja: Lewandowski só não será condenado no tribunal do Globo se julgar de acordo com a opinião de Merval Pereira. Leia abaixo:

As razões de Lewandowski, por Merval Pereira

“Sou juiz há 22 anos, professor titular da Universidade de São Paulo, tenho uma história, vou julgar de conformidade com os autos, vou absolver alguns, condenar outros vários.” Quem diz isso ao telefone é o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão, um dia após ter sido criticado, inclusive por mim, pelo voto absolutório dado ao ex-presidente da Câmara, o petista João Paulo Cunha.

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Ele telefonou para esclarecer um ponto específico de seu voto, apenas para que eu não repetisse a informação errada: “Eu iria fazer meu voto por ordem da denúncia, assim como foram feitas as sustentações orais, e não por ordem alfabética como você escreveu já duas vezes.”

Lewandowski revela então que começaria pelo ex-ministro José Dirceu, depois pegaria o núcleo político. “É um processo extremamente complexo, ninguém é perfeito, pode ter erro, mas estou procurando fazer o melhor possível.”

Nenhuma queixa pelas críticas que tem recebido: “A democracia é isso, a liberdade de imprensa é isso, eu aqui sempre defendi com unhas e dentes a liberdade de imprensa, fui contra a Lei de Imprensa, contra o diploma de jornalista.” Ele apenas admite que se “aborreceu um pouco” com a mudança de metodologia de apresentação do voto, pois trabalhou “durante meses e meses com uma certa lógica” e de repente “peguei meu voto e tive que cortar”. Como é professor universitário, e não só fez várias teses como participou de várias bancas, Lewandowski gosta de frisar que é “muito cioso” sobre “a questão da lógica, da correção doutrinária, da citação bibliográfica correta”.

Com a mudança de metodologia, ele diz que, juntamente com sua equipe, está trabalhando quase todo dia até meia-noite. Mas ele ressalta que, “se há três juízes aqui mais chegados, mais próximos, somos eu, o Joaquim (Barbosa) e o (Ayres) Britto. Agora uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. São teses que nós defendemos”.

Talvez tenha tréplica na reunião de segunda-feira, talvez não, desconversa. E explica porque o raciocínio que valeu para condenar Henrique Pizzolato não valeu para Cunha. “A questão do João Paulo Cunha tem nuances, e você vai ver que cada réu que é acusado de lavagem de dinheiro, dentro das circunstâncias específicas em que ele sacou, vai ter uma solução”, explicou, reforçando a ideia que já antecipara no julgamento quinta-feira, quando ressaltou que, ao contrário de outros réus, que enviaram até garçons e contínuos para pegar o dinheiro, Cunha havia mandado a própria mulher, o que a seu ver demonstra que agira às claras.

“Cada caso é um caso que vou me reservar a estudar.” Em outros casos, diz, pode haver o dolo eventual, a pessoa tinha que ter desconfiado que o dinheiro poderia ser ilícito.

Lewandowski diz que procura ser “muito coerente, na idade que a gente tem, é preciso poder dormir bem com o travesseiro, por que, se não, fica complicado”. Ele lembra que há 22 anos, quando entrou na alçada criminal e começou a condenar, “não dormia direito”, e ressalta que “a única salvação de um juiz é se ater à técnica”.

O caso de Cunha pode caracterizar “um outro crime”, mas alega que isso “não está na denúncia”. Nesse caso, afirma ele, “me pareceu que, embora o dinheiro tivesse vindo da SMP&B, em sendo um crime eventualmente eleitoral (também não estou afirmando isso), não ficou caracterizada a lavagem do dinheiro”. Pode ser crime eleitoral, ou até tributário, mas, no entender de Lewandowski, não se encaixou naquele tipo de lavagem, “e os tipos penais são muito estritos, e não se pode inventar em matéria penal porque, se não, vamos viver num estado arbitrário, e o juiz está muito jungido, adstrito ao tipo penal”.

Lewandowski diz que “houve crimes graves, e quem os cometeu vai ter de pagar mesmo”. Nos casos divergentes, como o de Cunha, em que ele absolveu, e o relator Joaquim Barbosa condenou, “o plenário vai dizer, e o plenário tem sempre razão”.

De minha parte, mesmo ele não tendo reclamado, depois da conversa franca e educada com o ministro Ricardo Lewandowski, espero ter me precipitado ao afirmar que ele agia assim para ajudar os réus políticos, especialmente os petistas.
Vamos aguardar para ver como o ministro revisor distribuirá sua justiça.

Brasil 247

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Comentários

  1. Natividade Postado em 25/Aug/2012 às 19:15

    Se a imprensa cobra tanto a liberdade de imprensa e a defende, que conceda e respeite também a liberdade e capacidade de julgamento da autoridade em questão que tem às mãos todo o histórico e fundamentos do caso em questão.Há que se respeitar a postura do magistrado que além de uma carreira limpa e rica em experiência e estudo da lei, apresenta uma serenidade inquestionável digna de um magistrado, STF! É preciso coragem, discernimento e muito compromisso com os princípios da justica e da lei para se afirmar como Lewwandovski nesse evento no STF!

  2. JUREMÍ DE OLIVEIRA CARVALHO Postado em 25/Aug/2012 às 23:01

    Quem é este senhor Merval Pereira? Quem é esse jornalistazinho que só assumiu depois da demissão do grande profissional Franklin Martins? Prá mim não ficou claro até hoje como é que chegou à Academia Brasileira de Letras, pois não se trata de nenhum escritor de renome e nem demonstra ser esse grande jornalista que pensa que é. E outra, já que ele é tão cioso com o seu dever de zelar para que a informação seja o retrato da verdade, deveria explicar porque um dos donos da empresa em que trabalha foi à Brasília interceder em favor de um jornalista bandido que atende pelo nome de Policarpo Jr., pressionando sob o silêncio das grandes mídias deste país o vice-presidente Michel Temer para que o jornalista bandido não fosse convocado pela CPMI. Já que se acha o cara, porque não comenta o escândalo do mensalão mineiro de autoria de parlamentares do PSDB de Minas Gerais, partido da preferência das Organizações Globo, da Folha de São Paulo, do Estadão e da revista portavoz dos bandidos, a VEJA. Prá terminar só por hoje porque não comenta o escândalo da privataria tucana que virou livro de um outro grande profissional da imprensa, o Amaury Ribeiro Jr? Estranho não. Assuntos tão polêmicos e escandalosos mas que não conseguiram chamar a atenção deste "Pelé" do jornalismo brasileiro. Muito estranho mesmo. Talvez ele tenha alguma desculpa a dar ao invés de ficar dando pitaco numa área em que nada entende e sem o conhecimento dos autos. Ele inquiriu o Ministro de forma deselegante, acintosa, prepotente e arrogante insinuando uma provável proteção a petistas. Aproveito para perguntar-lhe o que é que ele tem contra os petistas? Quem é ele para fazer julgamentos sumários de pessoas que não conhece e sem ter conhecimento jurídico? Ve se te manca o Merval. Cuidado que nós estamos de olho nas suas manobras e distorções dos fatos em favor dos aliados da grande mídia.

  3. Luiz Eduardo Postado em 26/Aug/2012 às 11:57

    Por que um ministro do Supremo tem que ficar dando satisfação de seu voto a um jornalista? Que pais é este, que alguém deve ser trucidado por ter contrariado os interesses da Grande Imprensa? Se o jornalismo vive reivindicando o direito a livre expressão, por que também não respeita o direito de livre expressão daqueles que não concorda com a opinião da Grande Imprensa?

  4. Haroldo Nogueira Postado em 27/Aug/2012 às 17:36

    Não há muito a acrescentar pois Juremí de Oliveira Carvalho o fez com excelência. MERDAL é simplesmente um capacho dos filhos do roberto marinho...

  5. Rogério Ventura Postado em 30/Oct/2012 às 11:14

    Como é que alguém que entra para a Academia não sabe a diferença entre "por que" e "porque"? Alguém aí pode me explicar?

  6. ana santos Postado em 04/Dec/2012 às 22:58

    Quanta arrogância!será que esse merdal não se enxerga?ele é desprezível,maldoso e se acha acima da lei,mas seu dia vai chegar ,toda essa maldade se voltará contra ele mesmo,esse ridículo!