Luis Soares
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Política 13/Aug/2012 às 19:52
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Julgamento do mensalão: defesa é mais consistente que acusações; entenda

Os votos dos ministros do Supremo não suscitam expectativa só por carregarem consigo a absolvição e a condenação, mas pela maneira como encarem as divergências perturbadoras entre acusação e defesas

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Procurador Geral Roberto Gurgel (esquerda), relator Joaquim Barbosa (centro) e presidente do STF, Carlos Ayres Britto (direita). Foto: divulgação

Numerosas contestações pareceram muito mais convincentes do que as respectivas acusações

Os advogados que até agora atuaram no julgamento do mensalão não merecem menos aplauso e defesa do que têm recebido, com fartura, o procurador-geral e acusador Roberto Gurgel. Não bastando que sua tarefa seja mais árdua, os defensores são alvos, digamos, de uma má vontade bem refletida na imprensa, por se contraporem à animosidade da opinião pública contra os seus clientes.

Ainda que não assegurem, necessariamente, a inocência de tal ou qual acusado, numerosas contestações pareceram muito mais convincentes, em pontos importantes, do que as respectivas acusações.

Na maioria desses casos, a defesa se mostrou mais apoiada do que a acusação em testemunhos e depoimentos tomados pelo inquérito, assim como em documentos e fatos provados ou comprováveis.

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Com isso, outros pontos importantes da acusação estão ainda mais em aberto. É o caso, crucial, do mensalão como múltiplos pagamentos para assegurar votos ao governo na Câmara ou como dinheiro para gastos de campanha eleitoral.

A acusação não comprova a correspondência entre as quantias entregues a deputados e os votos na Câmara. Nem, sobretudo, a relação entre os pagamentos com valores tão diferentes e os votos que teriam o mesmo peso na contagem.

Não fica resolvida também, na acusação, a afirmada finalidade de compra de votos na Câmara e o dinheiro dado, por exemplo, aos leais deputados petistas Professor Luizinho e João Paulo Cunha, entre outros bem comportados aliados do governo também agraciados.

E houve, ainda, dinheiro destinado a seções partidárias estaduais, que nada tinham a ver com votações de interesse federal.

A afirmação de compra de votos, sustentada pelo procurador-geral Roberto Gurgel, foi tomada à CPI dos Correios por seu antecessor, Antonio Fernando de Souza, para formular a denúncia ao Supremo Tribunal Federal, há cinco anos.

A afirmação prevaleceu na CPI, porém, por conveniência política da oposição, e não porque os fatos apurados a comprovassem. Acertos de campanha eram muito mais coerentes com o constatado pela CPI. E já figuravam nas acusações de Roberto Jefferson, quando admitiu também haver recebido do PT, para o PTB e para candidatos petebistas.

Outro exemplo de afirmação fundamental e em aberto, porque construída de palavras e não de comprovações, está na acusação agora apresentada por Roberto Gurgel ao STF: “Foi José Dirceu quem idealizou o sistema ilícito de formação da base parlamentar de apoio ao governo mediante pagamento de vantagens indevidas” -e segue.

Seriam indispensáveis a indicação de como o procurador-geral soube da autoria e a comprovação de que José Dirceu “idealizou” o “sistema ilícito”. Não só por se tratar de acusação com gravidade extrema.

Ocorre que o “sistema ilícito” foi aplicado já em 1998 por Marcos Valério, com suas agências de publicidade, e pelo Banco Rural para a frustrada reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas. Foi o chamado “mensalão do PSDB”, descrito pela repórter Daniela Pinheiro, como já indicado aqui, na revista “piauí” deste mês.

Logo, para dar fundamento às palavras do procurador-geral Roberto Gurgel, só admitindo-se que José Dirceu “idealizou” tudo uns cinco anos antes do mensalão do PT. E, melhor ainda, que “idealizou” o “sistema ilícito” para beneficiar o PSDB de Eduardo Azeredo, hoje senador ainda peessedebista.

Os votos dos ministros do Supremo não suscitam expectativa só por carregarem consigo a absolvição e a condenação, mas pela maneira como encarem as divergências perturbadoras entre acusação e defesas.

Jânio de Freitas, Folha de SP

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Comentários

  1. Marcel Postado em 14/Aug/2012 às 00:57

    Sim, ula é um Santo. Agora me diga, Segundo a propria revista Forbes o Lula tem declarado patrimonio de 6 bilhões mas como com o salario de presidente atá... e o filho dele q do nada já é dono da Oi? O ele é u,m fenômeno de administração financeira ou um fenômeno da corrupção. Não há outra alternativa, SÃO APENAS DOIS FATOS QUE COMPROVAM UMA VERDADE INQUESTIONÁVEL.

  2. Pedro Silva Postado em 15/Aug/2012 às 10:25

    Marcel, Acreditas mesmo no que estás escrevendo? Leste na Revista Forbes o que informas a respeito dos 6 bilhões (US$? R$?) ou leste na mídia brasileira ou ouviste alguém falar? E se a Revista Forbes tivesse escrito isso, acreditaste? Tens demonstrações de que isso seria possível, sem que a mídia brasileira hegemônica e antiLula não iria fazer disso um escândalo nacional? O Arnaldo Jabor se calaria? E a Revista VEJA? Isto para ficar no teu ponto de partida. Quanto a tuas conclusões, veja tu mesmo e pense se elas não depõem contra tua imagem de alguém sério e inteligente.

  3. Marcel Postado em 15/Aug/2012 às 12:53

    Pedro Silva, vc ainda esta no tempo dos feudos em que os servos idolatram os senhores. O Lula é 'serio e inteligente? Nossa, vc ja pode fazer stand up E o filho dele que de funcionário de zoológico passou a ser milionário? O que acha? Vc esta desinformado amigo, se vc nao sabe, petistas estáo dominado o norte do brasil comprando terras e mais terras... Sabe quanto ganha um presidente? Menos de 27 mil reais. Suponhamos entao q a revista mentiu e aumentou ...Colocamos q Lula tenha 100 milhoes apenas...ainda assim eh incompativel amigo. Camarada, politicos sao nossos funcionarios, nao salvadores. Bem vindo ao século XXI

  4. Marcel Postado em 15/Aug/2012 às 12:57

    Outra coisa, esse julgamento vai acabar em pizza..leia isso meu caro, quem diz eh um Procurador de Justiça que esta dando a cara a tapas criticando quem esta acusando os Petistas http://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/forum/mensalao-o-que-poucos-sabem-e-o-brasil-deveria-saber/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:congressoCongressoemFoco

  5. Maeli Postado em 26/Aug/2012 às 19:19

    A verdade é que tem ministro com baita medo de morrer KKKKKKK

  6. Maeli Postado em 26/Aug/2012 às 19:21

    Estas moderações são um mal necessário, mas o furacão está acesso e tem muita gente com rabo de palha no supremo. O que não é o caso do Procurador, nem do Ministro Joaquim Barbosa.

  7. Lucas dos Santos Postado em 04/Oct/2012 às 22:24

    Muito interessante quando a "companheirada" se junta para defender "a causa" lulo-petista. Mais interessante é esse tal Jânio de Freitas, que é apenas um jornalista, fazer uma análise jurídica perfunctória de um processo que possui mais de 20.000 páginas. Um poder de síntese incrível! É simplesmente ridículo esse tipo de matéria, que, em desrespeito ao estado democrático de direito, lança dúvidas sobre uma instituição respeitada como o STF quando este órgão decide contra a nossa pseudo-esquerda. Mais mesquinho ainda é tentar colocar na balança mensalão, mensalinhos, mesadões etc., como se o mensalão não fosse tão ruim assim. Corrupção é corrupção e ponto! Deve ser punida da mesma forma.