Luis Soares
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São Paulo 12/Jul/2012 às 15:48
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Diário de São Paulo causa revolta ao sugerir que paulistanos não andem de bicicleta

Diário Oficial de São Paulo recomenda aos paulistanos não andarem de bicicleta nas vias da cidade, para que não sejam ‘a próxima vítima’

O Diário Oficial do Estado de São Paulo publicou uma matéria, nesta quarta-feira 11, que causou revolta aos ciclistas. Com o título “mais, ciclistas, mais acidentes”, o texto enfatiza o aumento no número de acidentes envolvendo quem anda de bicileta na capital.

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A reportagem ressalta já no primeiro parágrafo que 3,4 mil ciclistas foram internados em hospitais estaduais em 2011 e isto gerou custo de R$ 3,2 milhões ao governo. O único especialista citado foi o chefe do grupo de trauma ortopédico do Hospital das Clínicas (HC), Jorge dos Santos Silva, afirmando que as bicicletas são opções seguras de lazer em cidades menores que São Paulo.

ciclistas diário oficial

Matéria de capa do Diário Oficial de São Paulo

O médico também informou que já nos seis primeiros meses de 2012 as internações de ciclistas acidentados no HC são maiores do que em todo o ano passado. A reportagem conta com um box com recomendações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Em um destes espaços a publicação afirma que, por lei, o tráfego de bikes é permitido, porém é pouco seguro. As dicas são para que o leitor “não seja a próxima vítima”.

Apesar dessa falta de incentivo do Estado de São Paulo, a própria legislação federal garante que os ciclistas têm preferência em relação aos veículos automotores. Pelo Código de Trânsito Brasileiro, a bicicleta é autorizada a circular tanto nas vias rurais, como urbanas. Atualmente, há dois tipos de multas para os que desrespeitam os ciclistas. São punidos os que não mantêm distância lateral de 1,5 m ao passar ou ultrapassar uma bike e os que nesta mesma situação não reduzem a velocidade do veículo.

Em nota, o governo estadual afirmou ser “absolutamente favorável à ampliação do uso de bicicletas na capital e em todo o Estado, não só para lazer como também para trabalho”. O órgão disse também que a opinião do ortopedista não reflete o que pensa a administração.

O site Vá de Bike publicou uma matéria criticando a reportagem do Diário. Segundo Willian Cruz, autor do texto, o título “mais, ciclistas, mais acidentes” é o primeiro de muitos erros cometidos. “Um estudo dos lugares mais seguros e mais perigosos para se pedalar na Grã-Bretanha, divulgado em 2009, mostrava que a taxa de acidentes com ciclistas costuma ser mais baixa onde há mais bicicletas circulando”, afirmou.

Segundo o Vá de Bike, o fato de os automóveis causarem muitos dos acidentes envolvendo ciclistas é desconsiderado. “A matéria ignora que ciclistas que pedalam nas ruas dificilmente caem sozinhos. Desconsidera que traumas graves nos membros inferiores são geralmente causados por rodas ou para-choques de veículos maiores. Também ignora solenemente os atropelamentos e ameaças à vida do ciclista, sejam intencionais, por imperícia ou negligência na condução do veículo maior. Mostra desconhecimento do Código de Trânsito e da prioridade de circulação nas vias”.

A falta de dados precisos também pode ser questionada. De acordo com Thiago Benicchio, que falou à reportagem da Folha de S.Paulo, o número de mortes de ciclistas permanece estável nos últimos anos. Segundo dados da CET, o total de mortos na capital foi de 61 em 2009 e se estabilizou em 49 em 2010 e 2011.

Benicchio disse que ao invés de apontar dados e informações sobre como favorecer o ciclismo seguro nas grandes cidades, o Diário limita-se a culpar os ciclistas. “É como dizer: não saia a pé na cidade, já que o maior número de mortes no trânsito é de pedestres.”

Fonte: CicloVivo

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Comentários

  1. Natália Dias Postado em 13/Jul/2012 às 10:48

    "A matéria ignora que ciclistas que pedalam nas ruas dificilmente caem sozinhos." AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH Gargalhando no trabalho. Um raciocínio tão óbvio, mas que as as pessoas simplesmente não conseguem enxergar. Eu pedalo, e sei que isso se deve à safadeza das escolas de CFC onde a preocupação de lucrar é maior do que a de ensinar, e por isso nunca mencionam a parte da legislação de trânsito no que diz respeito aos veículos movidos à propulsão humana ou sem motor. Isso sem esquecer-nos da conivência estatal e do descaso deles ao não darem rigor nas infrações cometidas contra ciclistas e a falta de fiscalização também. Pararem de construir ciclovias que ligam nenhum lugar à lugar nenhum, evidenciando que eles também acham que bicicleta é somente um instrumento de lazer. Infelizmente é preciso educar as pessoas para que elas entendam que bicicleta TAMBÉM É MEIO DE TRANSPORTE e deve ser respeitado como tal. Ontem ia ser atropelada por um ônibus, porque ele simplesmente negou-se a dar a prefência pra mim, achou que eu não merecia que ele fizesse esse 'favor'. Buzinou freneticamente até q eu visse q ele estava disposto a passar por cima de mim se eu não subisse na calçada. Alcancei-o no farol seguinte e perguntei se o tempo dele era mais precioso do que a minha integridade, do que a minha vida. Ele fingiu que não ouviu (mais cômodo, né?!). Não é a primeira e nem a última matéria que lerei com a mesma sugestão. Tenho um colega que também pedala que chegou na mesma conclusão que eu: está havendo algum tipo de conspiração pra desmotivar o uso da bike porque alguém está começando a ter prejuízo com isso, então a mídia, (mais um vez) manipulando dados para fazer crer que pedalar é risco.