Redação Pragmatismo
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América Latina 26/Jun/2012 às 18:30
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Golpe no Paraguai tem dedo dos EUA e ameaça Brasil e Argentina

Washington conta com o isolamento do Paraguai, no âmbito da região, para estreitar suas ligações com esse pequeno país e transformá-lo em ponta de lança contra as pretensões de maior autonomia de Brasil e Argentina

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Fernando Lugo, vítima de Golpe orquestrado com intenções obscuras

Por Flávio Lyra, via Agência Alba Notícias

Só ingênuos podem admitir que o golpe parlamentar que destituiu o presidente Lugo do Paraguai, não tem o dedo do Pentágono. Essa nova modalidade de golpe, inaugurada em Honduras em 2009, que destituiu o presidente Zelaya, articulada na base aérea que os Estados Unidos mantém naquele país centro-americano, teria sido mais uma vez aplicada com sucesso, ao menos, por enquanto.

É uma grande coincidência que tais fatos ocorram contra governos de esquerda que tentam realizar reformas em favor dos segmentos mais pobres da população, particularmente reformas agrárias. Tanto Zelaya, quando Lugo vinham tentando melhorar o acesso à terra a camponeses secularmente explorados por grandes latifundiários e realizar ações de proteção social aos segmentos mais pobres da população.

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Não surpreende a atitude ambígua que o governo dos Estados Unidos adotou, inicialmente, no caso de Honduras e, posteriormente, favorável à substituição do presidente Zelaya. Agora, a história repete-se com o governo dos Estados Unidos achando que a destituição abrupta do presidente Lugo respeitou as regras do jogo democrático, quando nitidamente tratou-se de um conluio dos partidos derrotados na última eleição para livrar-se de um presidente vinculado a causas populares.

É muito provável que o pequeno Paraguai se dispusesse a confrontar as regras do Mercosul e da Unasul, entrando em conflito com seus dois vizinhos Argentina e Brasil, se não contasse com o estímulo e proteção do governo norteamericano.

Certamente, que os governos do Brasil e da Argentina vacilaram claramente ao não acompanharem o desenvolvimento da conjuntura política no Paraguai, mormente quando se sabe que Washington estreitou muito suas relações com o Chile, depois do governo direitista de Piñera, e vinha realizando gestões para construir uma base militar no Paraguai. Tem sido denunciada a intenção de estabelecer um cerco a Brasil e Argentina.

Do ponto de vista da oligarquia paraguaia nada mais conveniente do que buscar apoiar-se no grande irmão do Norte para manter seus privilégios em desfavor da maioria do povo paraguaio, pois certamente não contaria com a boa vontade de Brasil e da Argentina, cujas políticas econômicas têm forte conteúdo social.

Agora, o problema está criado, pois estamos ameaçados em interesses muito concretos como é a manutenção dos acordos regionais do Mercosul e da Unasul, sem contar que existe a empresa binacional de Itaipu, importante fornecedora de energia para o Brasil, construída na fronteira entre Brasil e Paraguai.

Washington pode muito bem estar contando com o isolamento do Paraguai, no âmbito da região, para estreitar suas ligações com esse pequeno país e transformá-lo em ponta de lança contra as pretensões de maior autonomia de Brasil e Argentina.

No mundo atual, em que é notória a ação intervencionista generalizada, explícita e oculta, das grandes potências, especialmente dos Estados Unidos, nos países mais frágeis, especialmente os mais dotados de recursos naturais estratégicos, qualquer descuido dos organismos responsáveis pela segurança interna em relação ação dos órgãos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e outras potências pode acarretar funestas conseqüências para a segurança nacional.

Não me admiraria se algum dia vier a ser constatado que a crise do “mensalão”, durante a qual foi ensaiada uma tentativa de golpe, visando a destituição do presidente Lula, tenha contado com o apoio dos Estados Unidos. O denunciante do esquema, o deputado federal Roberto Jeferson, conhecido por sua atuação em episódios obscuros, poderia muito ter sido cooptado pelo departamento de Defesa dos EUA, para dar a sua denúncia o teor que assumiu. Suspeito fortemente que o que se denominou mensalão foi uma das operações, ilegais, porém freqüentes, com que tem sido financiadas as campanhas eleitorais no país, mediante o uso de “caixa 2” de empresas privadas ou públicas.

Não há por que não admitir que as ações que os Estados Unidos e as grandes potências vêm realizando de desestabilização dos governos de vários outros países, como acontece no Oriente Médio, inclusive com o fornecimento de armamento, não possam estar em vias de acontecer na América do Sul. Portanto, senhores governantes, não nos deixamos enganar pela cordialidade aparente dos ministros e governantes das grandes potências. Seus interesses, como tais, estão sempre em primeiro lugar e eles não hesitam em mobilizar meios, nem sempre os mais lícitos, para defendê-los.

Os Demóstenes Torres, Carlinhos Cachoeira e muitos outros infiltrados nas altas esferas do poder público e do setor privado e da grande imprensa, são candidatos naturais a montar esquemas de desestabilização dos governos democráticos, em associação com os serviços secretos das grandes potências e grupos políticos internos ameaçados em seus privilégios. É preciso combatê-los com toda a energia, sob pena de “só fecharmos a porta depois que o ladrão esteja dentro de casa”.

*Flávio Lyra é economista e ex-técnico do IPEA. Cursou doutorado de Economia na Unicamp.

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Comentários

  1. Marcel Postado em 27/Jun/2012 às 12:45

    No Paraguay a oposição não está vendida a quem está no poder...diferente do Brasil, da Argentena, da Venezuela, de Cuba, da Bolívia...Apesar que nesses países, não pode mais haver oposição, pois são perseguidos e massacrados...É esse o passo que o Brasil quer dar?

  2. Marcel Postado em 27/Jun/2012 às 12:48

    Os incompetentes e lunáticos da América Latina sempre culpam os Americanos... Já vi Hugo Chaves e Fidel falar cada coisa...chega ser ilário...Pq não assumem sua falta de capacidade para governar

  3. maria rosa campos Postado em 27/Jun/2012 às 15:26

    Marcel, acho que você também está vendido....deve estar recebendo alguma graninha extra para criticar o Brasil e a América Latina, não?! "Incompetentes e luticos da américa latina"? Acho que você deve ser um estrangeiro se fazendo passar por brasileiro. Olha, amigo, esta estratégia não funciona mais não, viu!

  4. Edson Reis Postado em 29/Jun/2012 às 18:34

    Ops!!!A crise do mensalão era pra destabilizar o governo Lula??Peraí!!!O cara estava à frente da ladroeira toda!!!Foi um grande beneficiado,ele e sua bem estruturada corja!!Fala sério!!!

  5. Glauco Postado em 03/Jul/2012 às 21:21

    Marcel e Edson, vocês são irmãos. Confessem, vai! E o nome completo dos dois é: Marcel Oligofrênico Troll e Edson Oligofrênico Troll, certo?!!!!!!!!!

  6. Alana Postado em 05/Jul/2012 às 17:05

    E a tríade oligofrênica ataca os leitores deste site.

  7. Macaco Tião Postado em 07/Sep/2012 às 17:08

    Eu num intendi nada, mas concordo com tudo o que foi dito!