Luis Soares
Colunista
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Academia 15/Jun/2012 às 15:42
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Cotas beneficiaram quase 6 mil estudantes negros na UnB

Coordenador do Sistema de Cotas destaca que 90% dos cotistas que entraram na UnB foram a primeira pessoa de suas famílias a entrar no ensino superior. “São pessoas de famílias humildes. Para nós, este é um reflexo positivo que demonstra muito bem os objetivos do sistema”

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A avaliação de quem acompanha o sistema de contas na UnB desde sua criação é de que houve uma evolução do processo, mas ainda é preciso promover uma abordagem quanto ao estudante cotista voltada à comunidade

O Sistema de Cotas para Negros da Universidade de Brasília (UnB) completou oito anos de existência em 2012. A destinação de 20% das vagas dos vestibulares realizados no período possibilitou o ingresso de 5.737 estudantes negros nos cursos da Instituição.

Além disso, o sistema foi validado neste ano pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em votação unânime.

No último final de semana, ocorreu uma importante etapa do 2º Vestibular de 2012 da UnB. As entrevistas do Sistema de Cotas para Negros foram realizadas em Brasília. A convocação totalizou 2.079 candidatos dos 2.994 inscritos para concorrer prioritariamente pelo Sistema de Cotas. A diferença corresponde aos candidatos que já tiveram a inscrição homologada pelo sistema em vestibulares anteriores e, assim, ficam dispensados de fazer a entrevista. A efetivação desta etapa vem contribuindo, ao longo de quase uma década, para a consolidação da política de ação afirmativa da UnB.

Os responsáveis pelos programas de inclusão racial da UnB comemoram a evolução e a decisão pela constitucionalidade da política de ação afirmativa.

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O Coordenador do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da UnB, Nelson Fernando Inocêncio da Silva, considera que a decisão do STF dá mais responsabilidade à Universidade em ter uma visão de como será o futuro da política de cotas para negros. A reserva de vagas para o sistema, implantada a partir do 2º Vestibular de 2004, tem vigência de 10 anos. “Os desdobramentos da política de cotas após esse período devem seguir um curso social que compreenda a necessidade de a UnB continuar a atender a sociedade”, pondera.

A avaliação de quem acompanha o sistema desde sua criação é de que houve uma evolução do processo, mas ainda é preciso promover uma abordagem quanto ao estudante cotista voltada à comunidade. “O debate sobre as experiências dos cotistas deve ser levado para dentro das escolas e da comunidade, a fim de que o Sistema de Cotas para Negros seja esclarecido de forma mais intensa”, justifica Ivair Augusto Alves, Coordenador do Centro de Convivência Negra e da Assessoria de Diversidade e Apoio ao Cotista da Reitoria da UnB.

Ivair acrescenta que a qualidade acadêmica do sistema se encontra na compreensão do que ele representa para a Instituição. O Coordenador destaca que 90% dos cotistas que entraram na UnB foram a primeira pessoa de suas famílias a entrar no ensino superior. “São pessoas de famílias humildes. Para nós, este é um reflexo positivo que demonstra muito bem os objetivos do sistema”, completa.

Agências

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Comentários

  1. Alana Postado em 15/Jun/2012 às 15:52

    Onde está a meritocracia e democracia? Isso é uma afronta! Não porque eu nasci branca, que devo ser injustiçada pelas cotas. Tive que estudar mais para ingressar na UnB e quem entrou por cotas? A cor não justifica posição social. Claro que sempre tem uns com uma tal ideologia quixotesca que os negros no país são os mais injustiçados, são os que mais ocupam o sistema carcerário, são os que não possuem muitas oportunidades e blábláblá. Eu como estudante oriunda do sistema público educacional deste "país varonil", onde estudei no período noturno, pois tive que trabalhar durante o dia, estudei por um ano para passar no vestibular e cadê as cotas para me ajudar? Nunca fui burguesa, mas porque tive a "infelicidade" de nascer branca, tenho que ser injustiçada por isso? Abomino o sistema de cotas, que para mim é um atentado à meritocracia neste país. Cotas deveriam existir para classe social e não para raça. Pois os mais pobres sim que perecem na injustiça deste país. Vejo muitos pretos descendo de seus carrões na Universidade de Brasília. Ultrajante para mim!

  2. iGOR Postado em 16/Jun/2012 às 16:11

    Muito triste essa situação Alana, concordo 100% com você!

  3. Max Demian Postado em 18/Jun/2012 às 16:36

    Para os que são contra cotas, indico qualquer livro sobre a história do negro no país desde a época da escravidão até os dias atuais. depois disso quero saber se a opinião vai continuar a mesma.

  4. Lyndy Luca Postado em 18/Jun/2012 às 20:30

    Só vai se sentir indignado quem realmente nunca estudou minimamente a história dos negros neste país. Quem nunca se colocou na pele deles por um único dia, pelo preconceito que eles sofrem, desde há séculos! Sim, a meritocracia DEVERIA ser o método classificatório de TODOS, em TODAS as circunstâncias, mas estamos muito, mas muito distantes disso. Porque se formos analisar as coisas pela meritocracia, então haveria de ter muitos mais negros trabalhando em multinacionais, por exemplo, e não ter sua maioria esmagadoramente massiva de brancos (me arrisco a dizer que se não fosse pela lei que obriga ter um pequeno percentual de negros, muitas empresas não teriam sequer um negro em seus quadros de trabalhadores...). Onde, entre uma loura de olhos azuis e uma negra típica, com seus cabelos cacheados, ao concorrerem a uma vaga de emprego, a empresa ficaria com a negra? Ficará com a loura de olhos azuis, ainda que a negra merecesse muito mais, por conhecimentos, experiência, por mérito, mas que, pelo preconceito, faz escolher a loura dos olhos azuis. ISSO É O QUE SE VÊ TODOS OS DIAS!. Quantos médicos, engenheiros, cientistas negros se vem nesse pais? Então, para aqueles que batem no peito e falam a palavrinha tão imponente MERITOCRACIA, pensem duas, dez, mil vezes antes de a colocarem em pauta para defenderem seu egoísmo contra a lei das cotas (porque todas ou 99,99% das pessoas que reclamam da lei são brancas, já repararam?). O Censo de 2011 apurou que em 2010 o Brasil tinha MAIS DA METADE de sua população declarada negra e parda. MAIS DA METADE, e a lei exige APENAS 30% das vagas para negros e pardos. SOBRAM 70% PARA BRANCOS, e os brancos ainda reclamam! Isso é de um egoísmo tão infinito que fica difícil comentar...

  5. Luiz Fernando Postado em 23/Jun/2012 às 10:07

    Pessoas como Alana (essa especialmente) e iGOR mostram claramente que o racismo ainda existe no Brasil e está muito vivo. Triste é uma situação na qual vemos pessoas alheias ao passado vexatório pelo qual o Brasil passou com relação aos negros, e ainda por cima tentando enxergar um negro tendo sucesso e prosperidade na vida como tragédia. Mais racismo do que isso? Difícil.

  6. Alana Postado em 04/Jul/2012 às 13:35

    Parem com esse sensacionalismo, meus caros. Cada indivíduo neste país tem a liberdade da opinião. Cada um com a sua concepção. Alguém que não concorda com as cotas para negros não é sinônimo de ser racista. Pelo contrário, já namorei um cara negro e não tenho preconceito quanto a cor. Somente contra esse sistema e suas diretrizes. Tempestade em copo d'água vocês fizeram.

  7. Leandro Coelho Postado em 20/Aug/2012 às 17:44

    As cotas são necessárias! Pensem bem! É uma medida emergencial e a longo prazo, que foi bem sucedida nos Estados Unidos. A pobreza no Brasil tem cor. Não adianta tapar o sol com a peneira. O ciclo de exclusão dos negros precisa acabar e a concessão de cotas é um mal necessário, desde que encarado como uma medida temporária. Em 50 anos, no máximo, creio que não serão mais necessárias, pois a realidade será outra. Quem é contra as cotas dá sinais de não conhecer muito sobre nosso passado e presente!

  8. Leandro Coelho Postado em 20/Aug/2012 às 17:49

    Em tempo: sou branco, tive minha educação paga por meus pais, mas não sou cego.